Fibrose
pulmonar avança em silêncio
A
fibrose pulmonar idiopática (FPI), doença rara que provoca cicatrização
progressiva dos pulmões e compromete a respiração, está associada a uma
mortalidade crescente no Brasil. Estudo publicado em 2025, com base em dados do
Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS), identificou 61.518
mortes relacionadas à doença entre 1996 e 2023. O alerta ganha força em 7 de
setembro, Dia Mundial da Fibrose Pulmonar Idiopática.
“Falta
de ar progressiva não deve ser encarada simplesmente como consequência da idade
ou do sedentarismo. Quando a pessoa começa a perder capacidade para atividades
que antes realizava normalmente, principalmente com tosse seca persistente, é
preciso investigar”, alerta a pneumologista Fernanda Aguiar, coordenadora da
Medicina Respiratória do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS).
Sinais
– Na fibrose pulmonar, o tecido dos pulmões sofre um processo de cicatrização,
torna-se mais rígido e perde eficiência nas trocas gasosas. Idiopática é o
termo utilizado para identificar a
fibrose pulmonar que não tem uma causa definida. A FPI ocorre principalmente
após os 60 anos e é mais frequente em homens. Falta de ar aos esforços e tosse
seca persistente são os principais sintomas, mas também podem ocorrer fadiga,
perda de peso e alterações nas pontas dos dedos, conhecidas como baqueteamento
digital.
Nem
toda fibrose pulmonar, porém, é idiopática. Doenças autoimunes, exposição ao
mofo e a penas de pássaros, alguns medicamentos e mutaçōes genéticas também
podem causar doenças pulmonares intersticiais fibrosantes. Em estudo brasileiro
com 1.406 pacientes, publicado em 2024, a FPI respondeu por 14% dos
diagnósticos.
“A
fibrose pulmonar não é uma doença única. É preciso entender o que está
provocando a fibrose, porque isso interfere diretamente no tratamento. Na FPI,
outras causas precisam ser descartadas antes do diagnóstico”, explica Fernanda
Aguiar.
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Diagnóstico e tratamento
A
investigação inclui avaliação clínica detalhada, tomografia computadorizada de
alta resolução e testes de função pulmonar. Exames laboratoriais podem ajudar a
excluir doenças autoimunes, e a biópsia pulmonar pode ser necessária para definir a causa. “O diagnóstico exige a
integração de história clínica, tomografia de tórax e, quando necessário, os
achados da biópsia pulmonar. Quanto mais
cedo identificamos a doença, mais cedo podemos agir para estabilizar a doença e
preservar a função respiratória”, afirma a pneumologista.
Além
dos medicamentos, o cuidado pode incluir reabilitação pulmonar, oxigenoterapia
e, em casos avançados e elegíveis, transplante de pulmão. Manter a vacinação
contra infecções respiratórias atualizada também ajuda a reduzir complicações.
Embora
não haja cura para a FPI, existem medicaçōes, chamadas de antifibróticas, que
são capazes de reduzir a prigressão da doença. Quanto mais precoce for o
diagnóstico e o início do tratamento, maior o benefício observado.
Para
especialistas, o principal recado do 7 de setembro é reconhecer os sinais:
falta de ar progressiva e tosse seca persistente não devem ser naturalizadas.
Esses sintomas precisam de uma avaliação com Pneumologista.
Fonte:
Carla Santana - Assessora de Imprensa

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