Soberania
Digital: o papel esquecido das empresas privadas
Muito
se tem escrito e falado sobre a relação entre Estados nacionais, e suas
estruturas de serviços digitais e autoridades regulatórias, e as empresas de
tecnologia estrangeiras conhecidas como big techs. Discute-se a famosa nuvem
soberana, localização de dados, aplicações de inteligência artificial e governo
eletrônico. Faz sentido estudar muito este segmento, uma vez que envolve
bilhões de reais em recursos públicos que saem do bolso do contribuinte. Essa
lente, mais que necessária, não é suficiente para entender o fenômeno da
soberania digital de forma integral. Ela obscurece uma ecologia densa de atores
intermediários — telcos, fintechs, agrotechs, edtechs, bancos públicos e
privados, cooperativas de dados e consórcios empresariais — que ocupam posições
estratégicas na infraestrutura digital e nos serviços de tecnologia da
informação do país.
Pelo
lado da demanda, o setor privado de diversas áreas produtivas, da agropecuária
e do comércio é o cliente que ajuda a consolidar o bilionário PIB dos segmentos
de software e hardware. Sejam multinacionais ou brasileiras, a contratação de
serviços e aquisição de equipamentos de TI por estas indústrias, fazendas,
bancos, redes de varejo é responsável por uma parte considerável — apesar de
difícil quantificação — do faturamento local de nossa economia digital.
Ao
contrário dos órgãos públicos, estes são atores dos quais pouco se cobra
responsabilidade pela dificuldade de se atingir uma plena autonomia tecnológica
no Brasil. Este ensaio argumenta que qualquer estratégia de soberania digital
consistente precisa mapear esse tecido interno de interesses, capacidades e
conflitos. Identifico seis categorias de atores que podem funcionar como
“colunas” de uma arquitetura soberana e analiso as tensões e alianças possíveis
entre eles, o Estado e as empresas nacionais de tecnologia.
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Debate pela metade
O
debate sobre soberania digital no Brasil sofre de um viés institucional
crônico. Quando governos, acadêmicos e jornalistas falam em soberania
tecnológica, o olhar recai quase que automaticamente sobre o Estado: quais
servidores hospedam os dados do governo, qual empresa ganha a licitação de
nuvem pública, se a inteligência artificial do INSS é desenvolvida no país ou
contratada no exterior. São perguntas legítimas e importantes. Mas são apenas
metade da conversa.
A outra
metade — a que praticamente não aparece nas audiências públicas, nos relatórios
de think tanks, nos dados estatísticos nem nas manchetes de tecnologia — é o
papel do setor privado nacional como ator constitutivo da soberania digital. E
aqui, a omissão é grave não por falta de importância, mas justamente pelo
oposto: o mercado privado de TI no Brasil movimenta cifras que rivalizam com os
contratos governamentais, e as decisões de compra, parceria e desenvolvimento
tecnológico das empresas nacionais têm impacto direto sobre a dependência
estrutural do país em relação a plataformas estrangeiras.
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Seis pilares de sustentação
Para
além do Estado e das big techs, existe um Brasil digital intermediário composto
por ao menos seis grupos de atores que raramente aparecem juntos na mesma
análise.
O
primeiro é talvez o mais diretamente ligado à ideia de uma indústria nacional
de tecnologia. Trata-se das empresas brasileiras de software e serviços de TI.
O Brasil tem ativos reais que o debate público frequentemente subestima. A
TOTVS, com décadas de história e liderança no mercado de ERP para pequenas e
médias empresas, é um caso raro de empresa nacional que disputou e sobreviveu à
chegada das grandes plataformas internacionais em seu mercado-alvo. A
Stefanini, grupo paulista com presença em mais de quarenta países, é um dos
maiores exportadores brasileiros de serviços de TI, demonstrando que é possível
construir escala global a partir do Brasil. Já a Brassoftware, distribuidora e
revendedora histórica de soluções de software no mercado corporativo, ilustra a
camada intermediária de empresas que conectam fornecedores globais a clientes
nacionais — e que, nessa posição, acumulam conhecimento de mercado,
relacionamentos e capacidade técnica que têm valor estratégico frequentemente
ignorado. Ao redor dessas âncoras, gravitam milhares de software houses
regionais, consultorias especializadas por setor e integradores de sistemas que
formam o tecido fino do mercado de TI brasileiro.
O
desafio estrutural desse grupo é bem conhecido e se resume em escala e
financiamento. A fragmentação do mercado de software nacional — composto por
mais de 40 mil empresas, a maioria de pequeno porte — é simultaneamente um
sinal de vitalidade empreendedora e uma limitação competitiva diante de
plataformas globais que contam com economias de escala, acesso a capital barato
e distribuição integrada. Empresas como TOTVS e Stefanini conseguiram superar
esse gargalo, mas são exceções que confirmam a regra. Para que esse grupo
funcione como coluna de um ecossistema soberano, é preciso mais do que celebrar
os campeões nacionais existentes. É necessário criar as condições —
regulatórias, financeiras e de oferta qualificada de talentos — para que outros
surjam e se consolidem. O poder de compra do setor privado nacional tem papel
decisivo aqui: cada vez que uma grande empresa brasileira opta por uma solução
desenvolvida localmente, em vez de uma plataforma estrangeira equivalente, está
contribuindo para a viabilidade econômica desse ecossistema.
O
segundo grupo é composto pela telcos (empresas de telecomunicações). Mesmo
sendo operadoras de telecomunicações de controle estrangeiro, estes
conglomerados construíram e operam a espinha dorsal física da conectividade
brasileira, possuindo uma maior penetração no tecido social do país. Mas à
medida que avançam para serviços de nuvem, segurança cibernética e IoT – a
conexão de objetos físicos do dia a dia à internet –, tornam-se também
intermediadoras de decisões tecnológicas de milhares de empresas clientes. A
escolha de qual plataforma de nuvem uma telco revende, integra ou recomenda tem
efeito multiplicador imenso sobre o ecossistema. Quando a Claro empacota Azure
ou quando a Vivo oferece Google Cloud como solução corporativa, está, em alguma
medida, moldando a arquitetura de dependência tecnológica do país.
A
terceira coluna é baseada nas fintechs e os bancos, tanto públicos quanto
privados. O Brasil é um caso raro no mundo: tem um dos sistemas bancários mais
digitalizados do planeta, com o Pix como símbolo máximo desta transformação. O
Banco Central e os grandes bancos nacionais — Itaú, Bradesco, BB, Caixa —
investem bilhões em tecnologia proprietária e foram atores fundamentais da
política nacional de informática das décadas de 1970 e da reserva de mercado,
na de 1980. Ao mesmo tempo, centenas de fintechs nascidas nos últimos dez anos
constroem sua vida intangível sobre infraestruturas quase totalmente
estrangeiras. A tensão entre capacidade nacional genuína e dependência de APIs
e plataformas globais é constante neste setor, e suas escolhas de fornecedor reverberam
por toda a cadeia de valor.
O
quarto segmento merece atenção especial por seu potencial estratégico
subestimado: as agrotechs. O Brasil é uma potência agrícola global. A
digitalização do agronegócio — com sensores, drones, plataformas de gestão
rural, análise preditiva de safra com uso de IA — representam um vetor enorme
de geração e consumo de dados. Quem detém esses dados, onde eles são
processados, e quais algoritmos tomam decisões sobre o plantio e a
comercialização de commodities estratégicas são perguntas de soberania tanto quanto
de mercado. Aqui, a presença de gigantes estrangeiras como John Deere e AGCO
com suas plataformas proprietárias compete diretamente com startups brasileiras
que carecem de escala e financiamento adequados.
As
edtechs formam o quinto grupo. A educação é infraestrutura de longo prazo para
qualquer projeto de autonomia tecnológica. As plataformas de ensino a
distância, os sistemas de gestão escolar, as ferramentas de avaliação e
personalização do aprendizado adotadas por redes públicas e privadas criam
dependências tecnológicas que se medem em décadas, não em contratos de quatro
anos. A decisão de uma rede estadual de educação de adotar o Google Workspace
for Education ou uma solução nacional não é apenas uma decisão de TI — é uma
decisão sobre quem forma e como serão formados os trabalhadores digitais do
futuro.
Por
fim, há as cooperativas de dados e os consórcios empresariais, os menos
visíveis de todos. Em setores como saúde suplementar, logística, varejo e
commodities agrícolas, surgem iniciativas de compartilhamento estruturado de
dados entre concorrentes para fins analíticos, de regulação ou de eficiência.
Estas arquiteturas coletivas de dados representam embrião de algo que países
como a Alemanha já reconhecem formalmente como “espaços de dados soberanos”. No
Brasil, existem iniciativas dispersas, mas faltam marco regulatório claro,
financiamento público de apoio e reconhecimento político de sua importância
estratégica.
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Números insuficientes
Além
dos ofertantes dos serviços, temos os clientes. Pelo lado de quem compra, o
retrato é expressivo. Dos US$ 58,6 bilhões investidos em TI no Brasil em 2024,
quase metade — 47,6%, ou US$ 27,9 bilhões — foi direcionada a hardware,
enquanto software respondeu por 30,8% (US$ 18 bilhões) e serviços de TI por
21,6% (US$ 12,7 bilhões). Esses recursos não vêm majoritariamente do governo: o
setor financeiro liderou os gastos com 23,2% do total, seguido por Serviços e
Telecom (17,1%), Indústria (13,9%) e Varejo (9,8%), enquanto o setor público
respondeu por apenas 8,9% dos investimentos. Em outras palavras, mais de 90% do
mercado de TI brasileiro é movido por empresas privadas — nacionais e
multinacionais —, o que reforça a centralidade do setor corporativo em qualquer
estratégia séria de soberania digital.
O
perfil desse gasto corporativo revela ainda onde está a maior vulnerabilidade
estrutural do país. Os gastos com TI B2B cresceram 9% em 2024 e a projeção é de
aceleração para 11% em 2025, impulsionados sobretudo por nuvem, inteligência
artificial e segurança cibernética — justamente os segmentos dominados por
grandes plataformas estrangeiras. Já 90% das grandes empresas brasileiras
utilizam IA em ao menos um caso de uso, e a infraestrutura que sustenta essa
adoção é em larga medida importada. Conforme indica a pesquisa da FGV, mais da
metade do processamento corporativo do país já ocorre em ambientes de nuvem,
concentrados em AWS, Azure e Google Cloud. O que os números da demanda revelam,
portanto, é uma digitalização acelerada que avança sobre fundações tecnológicas
majoritariamente estrangeiras — e cujo ritmo de crescimento torna cada ano de
omissão mais caro de reverter.
A
distribuição geográfica desse gasto também merece atenção. O Sudeste concentra
60,8% dos investimentos em TI, seguido por Sul (13,9%), Nordeste (11,8%),
Centro-Oeste (9,5%) e Norte (3,9%). A assimetria regional é ao mesmo tempo um
reflexo da concentração econômica do país e um indicador de que a soberania
digital, se vier a existir, será inicialmente um fenômeno metropolitano e
paulistano. Construir uma arquitetura tecnológica verdadeiramente soberana
exige, portanto, enfrentar também essa desigualdade de acesso e capacidade —
pois o agricultor do Pará ou o pequeno empresário do Maranhão que dependem de
plataformas estrangeiras por falta de alternativas nacionais acessíveis é parte
do mesmo problema que a grande corporação do Itaim Bibi que escolhe o Azure por
conveniência.
Pelos
dados do Cetic.br[, a empresa brasileira média já transfere uma parte relevante
da sua “inteligência” para a nuvem – sobretudo em funções de armazenamento e,
de forma crescente, de processamento. Entre 2019 e 2023, a proporção de
empresas que pagam por capacidade de processamento em nuvem saltou de 23% para
33%, ao mesmo tempo em que o e mail em nuvem passou de 39% para 53%, softwares
de escritório de 27% para 34% e banco de dados de 38% para 48%. Em outras
palavras, não é só o backup: ferramentas críticas de comunicação, gestão e
operação de dados já estão, para algo entre um terço e metade das empresas,
rodando em infraestruturas de terceiros.
Quando
se olha o volume de informação que efetivamente “passa” pela nuvem, a imagem
fica ainda mais forte. A pesquisa da FGVcia indica que, em 2023, 42% do
processamento das empresas brasileiras já ocorria em nuvem, com projeção de
superar 50% em poucos anos; a edição seguinte fala em 52% do processamento de
dados das empresas já migrado para ambientes de nuvem em 2025. Ou seja: mais da
metade da capacidade de computação corporativa no país já está externalizada,
num modelo em que infraestrutura, software e até planejamento de TI são
comprados como serviço, e não mais construídos e governados internamente.
Em
paralelo, os relatórios de mercado mostram que essa nuvem para onde migram
dados e processamento não é um “mercado pulverizado”, e sim um oligopólio bem
definido. Estudos baseados em Canalys e outros levantamentos apontam que Amazon
Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud concentram, juntas, cerca de 60% a
65% da infraestrutura global de nuvem, com AWS na casa de 30% a 32%, Azure em
torno de 20% a 22% e Google Cloud por volta de 11% a 13%, enquanto o restante
se reparte entre Oracle, IBM e players regionais.
Quando
você junta essas duas fotografias – metade do processamento corporativo
brasileiro já em nuvem, e dois terços dessa infraestrutura global sob controle
de três big techs – o argumento sobre dependência deixa de ser abstrato ou
parte de uma narrativa ideologizada: a digitalização rápida das empresas no
Brasil está sendo construída, em grande medida, sobre fundações que respondem a
estratégias corporativas e regulações estrangeiras. A questão já não é se o
país “vai” para a nuvem, mas sob quais condições ele aceitará permanecer
conectado a esse oligopólio.
Em
termos do volume de vendas, o mercado de TI brasileiro tem peso suficiente para
justificar ambições maiores. Segundo dados da Associação Brasileira das
Empresas de Software (ABES) em parceria com a IDC, o Brasil investiu US$ 58,6
bilhões em Tecnologia da Informação em 2024 — crescimento de 13,9% sobre o ano
anterior, acima da média global de 10,8% —, o que colocou o país na 10ª posição
do ranking mundial de gastos em software, hardware e serviços, e na liderança
absoluta da América Latina, com cerca de 35% dos investimentos regionais. No
recorte específico de software e serviços, o mercado brasileiro movimentou US$
31 bilhões, com o segmento de software crescendo mais de 18% em 2024. A ABES
estima que as empresas associadas — que representam cerca de 80% do faturamento
setorial — geraram R$ 103 bilhões em receita e mais de 260 mil empregos diretos
em 2024. Para 2025, a projeção era de crescimento de 9,5% no setor, puxado por
nuvem pública, inteligência artificial generativa e soluções de segurança cibernética.
São números que colocam o Brasil num patamar compatível com ambições de
soberania digital — desde que saibamos transformar escala de mercado em
capacidade tecnológica própria.
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Cumplicidade silenciosa
É
preciso ser direto sobre um ponto que o debate de soberania digital brasileiro
costuma evitar por razões políticas e comerciais: parte significativa da
dependência tecnológica do país em relação a plataformas estrangeiras é
resultado de decisões voluntárias e racionais do setor privado nacional.
Uma
fintech que nasce sobre AWS, usa Salesforce para CRM, Stripe para pagamentos
internacionais e contrata engenheiros que só conhecem ferramentas de código
norte-americanas não está sendo apenas vítima do imperialismo digital. Está
fazendo escolhas que fazem sentido do ponto de vista competitivo, de custo e de
acesso a talentos. O problema é que, somadas, essas escolhas individuais
racionais produzem uma dependência coletiva irracional do ponto de vista
nacional.
Esta
não é uma crítica moral ao setor privado. É uma constatação estrutural que
exige resposta política. Da mesma forma que o Estado brasileiro usa
instrumentos como o poder de compra governamental, o BNDES, os incentivos
fiscais da Lei de Informática e mais recentemente as discussões em torno de uma
política industrial para inteligência artificial, é preciso criar mecanismos
que alterem os incentivos do setor privado em direção a soluções com maior
conteúdo tecnológico nacional.
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Tensões reais, alianças possíveis
O mapa
de interesses destes seis grupos não é harmonioso. Telcos e fintechs competem
em alguns segmentos de serviços financeiros. Bancos públicos e privados
divergem profundamente sobre política de dados e open finance. Agrotechs
nacionais e subsidiárias de multinacionais disputam o mesmo agricultor. Edtechs
privadas e o Estado têm visões distintas sobre privacidade de dados
educacionais.
Mas há
alianças possíveis que uma política de soberania digital inteligente poderia
catalisar. A construção de padrões abertos de interoperabilidade, por exemplo,
beneficia simultaneamente telcos, fintechs e edtechs ao reduzir os custos de
integração com plataformas proprietárias estrangeiras. O investimento em
capacitação em cibersegurança tem retorno para bancos, agro e governo ao mesmo
tempo. A criação de um marco regulatório para dados setoriais — no modelo do
que o Banco Central fez com o open finance e a Europa e a China fazem com
espaços de dados — poderia ser replicada em saúde, agro e educação, criando
infraestruturas de dados sob governança nacional.
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O que está em jogo
A
soberania digital não é um tema abstrato de geopolítica tecnológica. É um tema
de política econômica, de distribuição de renda, de capacidade industrial, de
emprego. Enfim, de autonomia decisória. Um país que não controla sua
infraestrutura digital paga royalties permanentes, perde capacidade de regular
mercados estratégicos, expõe dados sensíveis de cidadãos e empresas a
jurisdições estrangeiras, e diminui sua margem de manobra em negociações
comerciais e políticas.
O
Brasil tem condições objetivas — mercado grande, diversidade de casos de uso,
base técnica qualificada, alguns campeões nacionais — para construir uma
arquitetura digital com maior grau de autonomia. Mas isso exige reconhecer que
o desafio não está apenas no contrato de nuvem do governo federal. Está também
na escolha de fornecedor de uma cooperativa agrícola no Mato Grosso, na
plataforma adotada por uma rede de ensino no Ceará, na decisão de uma fintech
paulistana de construir infraestrutura própria ou alugar a de terceiros.
Enquanto
o debate sobre soberania digital ignorar esses atores intermediários — suas
capacidades, seus interesses, suas limitações e suas escolhas —, continuaremos
fazendo metade do diagnóstico e oferecendo uma fração pequena da solução. O
Brasil digital que importa não é apenas o das estatais de TI negociando com a
Amazon. É também o das fazendas digitalizadas, das fintechs fora de São Paulo,
das cooperativas de saúde e das escolas conectadas. E esses atores merecem
tanto escrutínio, apoio e responsabilização quanto qualquer ministério ou big
tech.
Fonte:
Por James Görgen, em Outras Palavras

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