José
Genoino: o sistema não quer Lula e a eleição deste ano será parecida com a de
2006
José
Genoino afirmou que a conjuntura política brasileira entrou em uma fase de
confronto em torno da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da
eleição deste ano. Ao analisar o cenário, o ex-presidente nacional do PT e
ex-deputado federal disse que a disputa não se limita a episódios isolados da
crise política, mas envolve uma ação mais ampla de setores do sistema político,
financeiro, judicial e midiático para condicionar ou enfraquecer o papel de
Lula.
Em
entrevista ao Bom Dia 247, Genoino sustentou que o ambiente atual guarda
semelhanças com a eleição presidencial de 2006, quando Lula disputou a
reeleição sob forte pressão política durante a crise do mensalão. Na avaliação
dele, a ofensiva de agora também busca limitar a força de uma liderança popular
que, segundo disse, não é vista como confiável pelos setores dominantes.
“Eu
acho que a eleição de 2026 vai ser parecida com a de 2006 que se deu no bojo do
mensalão, da crise do mensalão. O que que o sistema queria? Que o Lula
renunciasse à condição da reeleição para não ter o impeachment. O que eles não
querem é o fortalecimento da liderança popular do Lula. Isso é porque o Lula
não é de confiança deles. Esse é o problema”, declarou.
Ao
longo da entrevista, Genoino afirmou que o debate político não pode ser
reduzido a uma defesa automática das instituições tal como elas funcionam hoje.
Segundo ele, a esquerda deve sustentar a defesa da democracia, mas associada a
um programa de mudanças nas estruturas de poder. Nesse ponto, citou o Congresso
Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o próprio sistema político como alvos de
reformas necessárias.
“Nós
devemos defender as instituições democráticas, mas com reforma, com mudança.
Nós não podemos defender o Congresso do jeito que ele está. Tem que ter mudança
nas emendas, tem que ter mudança na relação com o executivo. A mesma coisa do
Supremo. Nós devemos defender o papel do Supremo, mas fazendo reforma no
Supremo”, afirmou.
Para
Genoino, a identificação da esquerda com o funcionamento atual dessas
estruturas abre espaço para que a extrema direita tente monopolizar o discurso
anti sistema. Por isso, defendeu uma posição que combine defesa institucional
com crítica política organizada. “Nós não podemos abraçar dizer assim que nós
vamos defender, porque aí a esquerda fica identificada com o sistema e vem uma
extrema direita anti sistema e nos coloca em situação difícil, como já
aconteceu”, disse.
Na
leitura do ex-dirigente petista, a crise em torno de investigações, vazamentos
e disputas públicas tem sido usada para atingir politicamente Lula, mesmo
quando os fatos não dizem respeito diretamente ao governo. Ele afirmou que há
uma tentativa de associar diferentes episódios ao presidente, com o objetivo de
produzir desgaste eleitoral e de reduzir sua margem de liderança no debate
nacional.
“Existe
uma conspiração, porque existe uma ofensiva do sistema e há o sistema
midiático, o sistema monopolista, o sistema financeiro que quer desgastar o
Lula”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Há uma disputa política. Nós não
podemos ser ingênuos, temos que ter posição sem ingenuidade”.
Genoino
também argumentou que esse movimento ocorre em paralelo à ação da extrema
direita e de setores que, segundo ele, atuam por meio da mídia corporativa e de
interesses econômicos para enfraquecer Lula antes da disputa eleitoral. “A
extrema direita, via mídia corporativa e a velha burguesia liberal querem
enfraquecer o papel do Lula em 2026”, afirmou.
Ao
relembrar a disputa de 2006, o ex-presidente do PT sugeriu que a principal
lição daquele momento foi a capacidade de Lula de transformar um ambiente de
crise em afirmação política. Segundo Genoino, essa experiência precisa ser
considerada na estratégia do campo governista para este ano, num quadro em que,
segundo ele, o sentimento social é de ceticismo e insegurança.
“Numa
situação de crise mundial e nacional, nós temos que fazer uma campanha quente”,
disse. Para ele, a disputa eleitoral exigirá mais definição política, mais
capacidade de mobilização e menos aposta em acordos conduzidos apenas pelas
cúpulas. “A campanha terá que ser mais radicalizada, a campanha terá que ser
mais politizada”, declarou.
Genoino
avaliou ainda que a resposta do PT e das forças de esquerda deve combinar a
denúncia do funcionamento do sistema com a apresentação de alternativas
concretas para a população. Segundo ele, não basta apenas prestar contas da
gestão ou defender realizações administrativas. Será necessário, afirmou,
dialogar com expectativas sociais mais amplas e construir uma mensagem política
capaz de organizar apoio popular.
“Nós
vamos fazer uma campanha, não é para chutar o pau da barraca, nós vamos fazer
uma campanha falando do sistema, mas ao mesmo tempo falando da esperança,
criticando a podridão do sistema, mas falando que há alternativa”, afirmou. Em
outro trecho, reforçou: “O centro da nossa campanha tem que ser a esperança”.
Na
entrevista, ele também disse que o partido precisa ter atuação mais incisiva no
enfrentamento político. “A bancada do PT tem que ser mais ousada para fazer
essa disputa política”, declarou. Para Genoino, caberia a Lula manter uma
posição de estadista, enquanto o partido e sua militância responderiam de forma
mais direta ao ambiente de confronto.
Ao
sintetizar sua visão sobre o momento atual, Genoino afirmou que o país vive uma
disputa que ultrapassa fatos episódicos e alcança o próprio desenho das
instituições e do processo eleitoral. Na avaliação dele, a tentativa de
desgastar Lula se conecta a uma estratégia de tutela política ou de derrota
eleitoral, o que exigirá do campo governista uma linha de atuação mais clara
diante do sistema que, segundo disse, não aceita plenamente a liderança do
presidente.
¨ Investigações ampliam
incerteza eleitoral e pressionam favoritismo de Lula, aponta diretor da Eurasia
O
avanço de investigações com potencial de atingir diferentes setores da política
brasileira pode aumentar a incerteza no cenário eleitoral de 2026 e pressionar
o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é do
cientista político Silvio Cascione, diretor da consultoria Eurasia Group e
mestre em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB).
Em artigo publicado no
jornal Estado de S. Paulo, Cascione afirma que a intensificação de apurações
recentes pode influenciar o ambiente político ao deslocar o debate público da
economia para temas ligados à corrupção e a escândalos políticos.
Segundo
ele, o mês de março costuma marcar uma fase decisiva do calendário político em
anos eleitorais. “Em ano eleitoral, março é um período de intensa atividade
política. É o último mês para trocas partidárias e para que futuros candidatos
renunciem aos seus cargos no governo. Muitas alianças serão seladas nas
próximas quatro semanas”, escreve.
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Investigações dominam o noticiário político
De
acordo com o analista, no entanto, o noticiário recente tem sido dominado por
investigações que podem alterar o equilíbrio da disputa eleitoral. Entre os
fatos citados estão a quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva,
conhecido como Lulinha, e a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.
Para
Cascione, esses episódios aumentam as chances de que as investigações
relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao Banco Master
ganhem relevância política. Ele também menciona a chamada Operação Carbono
Oculto, que investiga possíveis conexões entre política e crime organizado.
“Ambas
aumentam as chances de que as investigações sobre o INSS e o Banco Master
desestabilizem um cenário eleitoral ainda muito marcado pelo equilíbrio entre
Lula e Bolsonaro”, afirma no texto.
O autor
acrescenta que as diferentes apurações em curso têm potencial para atingir
atores de diversos campos políticos e institucionais. “Figuras do governo, da
oposição e do Judiciário têm sido implicadas, e cada um desses lados tem muito
a perder com a investida da Polícia Federal e de órgãos de controle”, escreve.
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Risco político maior para o governo
Na
avaliação do cientista político, embora as investigações possam afetar diversos
atores, o impacto tende a ser mais sensível para quem ocupa o poder.
Cascione
observa que o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça pode permitir
um ritmo mais acelerado de trabalho nas investigações relacionadas ao Banco
Master, o que ampliaria a pressão política no período pré-eleitoral.
“Mas,
de janeiro para cá, ficou clara a tendência de que as apurações ganhem mais
força. O ministro André Mendonça indica que permitirá um ritmo mais intenso de
trabalho no caso Master. Isso representa um risco maior para Lula do que para a
oposição”, afirma.
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Popularidade e economia sustentam favoritismo
Apesar
dos riscos políticos apontados, o diretor da Eurasia Group observa que o
presidente ainda mantém vantagem no cenário eleitoral atual.
Segundo
ele, Lula aparece como favorito devido a um nível de aprovação considerado
relativamente elevado. Cascione cita dados de um banco de dados da IPSOS Public
Affairs que reúne mais de 500 eleições em diferentes países.
“Hoje,
Lula é o favorito à vitória porque tem uma taxa de aprovação razoável, de 45%
em média. De acordo com um banco de dados de mais de 500 eleições, coletado
pela IPSOS Public Affairs, governantes com aprovação acima de 40% são reeleitos
na maior parte das vezes”, afirma.
De
acordo com o analista, essa popularidade está associada ao desempenho econômico
recente. Contudo, ele ressalta que escândalos e investigações podem alterar o
foco do debate público.
“Mas é
mais difícil manter o foco dos eleitores em boas notícias quando histórias de
corrupção começam a dominar o noticiário”, escreve.
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Caso Lulinha pode pressionar governo
O
cientista político também aponta que o caso envolvendo Lulinha pode gerar
constrangimentos políticos ao governo, uma vez que obrigaria o presidente a
responder sobre o tema em meio à disputa eleitoral.
“O caso
de Lulinha é especialmente preocupante para o governo, pois força Lula a dar
satisfações sobre o assunto quando ele gostaria de falar em salário mínimo,
imposto de renda zero e redução da jornada de trabalho”, afirma.
Ao
mesmo tempo, ele observa que a campanha do presidente deve explorar episódios
envolvendo aliados da oposição. Segundo Cascione, conexões de Flávio Bolsonaro
e aliados com o Banco Master podem se tornar tema de disputa política.
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Eleição pode ser decidida por eleitores não alinhados
O
artigo também destaca que a eleição de 2026 tende a ser definida por um grupo
relativamente pequeno de eleitores que não se identificam fortemente com os
principais polos políticos do país.
Segundo
Cascione, esse eleitorado não é majoritariamente petista nem bolsonarista e
muitas vezes demonstra pouco interesse pela política.
Ele
argumenta que, na ausência de uma terceira candidatura competitiva, o ambiente
político gerado por investigações e escândalos pode favorecer candidatos da
oposição caso o debate público se torne dominado por temas negativos.
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Histórico mostra que escândalos não impedem vitória
Por
fim, o diretor da Eurasia Group lembra que escândalos políticos nem sempre
impedem a vitória eleitoral de governantes. Ele cita o exemplo da eleição de
2014, quando a então presidente Dilma Rousseff foi reeleita em meio a um
ambiente de forte tensão política.
“Em
2014, Dilma foi reeleita mesmo após os protestos de 2013 e a eclosão da Lava
Jato, e a história pode se repetir com Lula, pelo menos quanto à vitória
eleitoral”, escreve.
Ainda
assim, ele conclui que o desfecho dependerá do rumo das investigações nos
próximos meses.
“Nos
próximos meses, teremos mais elementos para entender a profundidade de cada
caso e o potencial de dano a Lula ou a Flávio. Porém, se os escândalos
deslocarem o debate público dos temas econômicos para a corrupção daqui até
outubro, Lula poderá perder sua vantagem sobre Flávio”, afirma.
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André Mendonça terá papel central nas eleições de 2026,
diz Luís Nassif
O
jornalista Luís Nassif afirmou nesta sexta-feira (6) em texto publicado
no jornal GGN que o ministro
do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deverá se tornar um dos
principais personagens das eleições de 2026. Segundo o analista, a atuação do
magistrado em investigações de grande repercussão política pode influenciar
diretamente o ambiente eleitoral.
Nassif
sustenta que o papel de Mendonça no inquérito relacionado ao Banco Master
evidencia um alinhamento político que, na avaliação dele, tende a repercutir no
cenário eleitoral. Para o jornalista, a atuação do ministro não se explica
apenas pelo fato de ele ter sido indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair
Bolsonaro.
De
acordo com Nassif, o caso Banco Master passou a registrar uma série de
vazamentos de informações nos últimos dias. Parte dessas divulgações foi
atribuída à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, hipótese
que o jornalista considera equivocada.
Ele
afirma que, logo no início da investigação, a Polícia Federal teria divulgado
mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro. Diante da
repercussão, o ministro Dias Toffoli decidiu levar o inquérito ao STF e
designar peritos com o objetivo de evitar novos vazamentos.
Na
avaliação do jornalista, o episódio reúne características semelhantes às
observadas em investigações anteriores de grande impacto político no país. “O
caso Master tem tudo para repetir a Lava Jato 1”, escreveu Nassif no texto.
Segundo
ele, investigações que envolvem grande número de suspeitos e forte repercussão
pública costumam ser conduzidas paralelamente à cobertura jornalística, muitas
vezes impulsionada pela divulgação seletiva de informações.
Nassif
sustenta que o cenário atual difere do período da Lava Jato porque, desta vez,
o protagonista institucional estaria dentro da própria Suprema Corte. Para ele,
Mendonça teria responsabilidade direta pelo fluxo de informações que vem sendo
divulgado.
O
jornalista também observa que políticos ligados ao bolsonarismo e ao Centrão
aparecem entre os principais suspeitos no caso Banco Master. Em sua análise, o
envio do inquérito ao Congresso teria criado condições para novos vazamentos
conforme interesses políticos.
“Firmou-se
ali, sem nenhuma sutileza, o pacto que deverá marcar a campanha eleitoral desse
ano”, escreveu Nassif.
O texto
também menciona questionamentos sobre decisões tomadas durante a investigação,
como a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha,
citada no artigo como um ponto que, segundo o jornalista, exigiria
esclarecimentos adicionais.
Ao
concluir a análise, Nassif afirma que o Brasil se aproxima de uma eleição
decisiva em meio a um ambiente político marcado por disputas institucionais,
investigações e forte polarização. Segundo ele, esse conjunto de fatores poderá
influenciar de forma significativa o rumo do processo eleitoral de 2026.
Fonte:
Brasil 247

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