'Muito
amor e um pouco de sorte': 100 casais revelam o segredo para um relacionamento
feliz
O amor
é a coisa mais importante.
Mas o
que é preciso para continuar apaixonado? E qual é o segredo de um
relacionamento longo e feliz?
Pedimos
que vocês compartilhassem suas histórias de amor conosco, e mais de 100 casais
entraram em contato com a BBC para revelar seus aprendizados românticos.
De como
manter a chama acesa vivendo a 6.400 quilômetros de distância, até "itens
inegociáveis", como sempre dormir na mesma cama, os relatos foram
fascinantes.
Algumas
palavras apareceram repetidamente — entre elas honestidade, comunicação,
respeito, perdão, amizade e risadas.
E os
conselhos mais frequentes? Enfrentar as discussões juntos e ser gentil.
Em
homenagem ao Dia de São Valentim, aqui estão algumas dessas histórias de amor —
e algumas das lições aprendidas ao longo do caminho.
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'Trabalho árduo e dedicação'
Na
noite em que Mik e John se conheceram, em uma boate na Alemanha, em setembro de
1978, John estava, na verdade, em um encontro às cegas com outra pessoa.
Mik
conta que "notou" John no bar. "E eu pensei: sim, vou sair com
esse cara."
Mas,
apesar da atração inicial, a história de amor deles quase não aconteceu.
O
trabalho de John no Exército o levou para a Irlanda, enquanto Mik permaneceu na
Alemanha como enfermeira da Força Aérea.
"Provavelmente
um ano depois de começar aquela missão, comecei a perceber o erro que tinha
cometido, então escrevi uma carta", disse John, hoje com 70 anos.
Sem que
ele soubesse, o trabalho de Mik também a havia levado para outro lugar — mas,
felizmente, seus colegas encaminharam a carta.
"Era
para ser. Estava realmente escrito nas estrelas", disse Mik, de 69 anos,
enquanto o casal celebra 45 anos de casamento.
"O
que faz dar certo? É preciso muito amor. É preciso muito trabalho e
compromisso. Mas também é preciso um pouco de sorte", afirmou John.
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'Resolvam as discussões imediatamente'
Mair e
Alan Hicks, de Swansea, comemoram este ano 65 anos de casamento, depois de
terem se conhecido no mesmo clube de badminton na década de 1950.
"Se
tiverem uma discussão, resolvam na hora", aconselha Alan, de 88 anos.
"Tivemos
diferenças, naturalmente — e, se algum casal disser que nunca teve, eu não
acredito."
O casal
diz que, apesar dos "momentos difíceis", compartilhou uma vida
maravilhosa, que incluiu dançar rock and roll, viajar juntos e, mais tarde, dar
as boas-vindas a duas filhas.
Mair
acrescenta: "Desde que estejam juntos, a gente dá um jeito, não é?"
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'Um abraço nunca é demais'
Quando
Cris e Dave se conheceram online, há 25 anos, uniões civis e casamentos entre
pessoas do mesmo sexo ainda não eram legalizados no Reino Unido.
"Tivemos
um período em que nossa propriedade estava sendo vandalizada", relembra
Dave, de 54 anos.
"Vivíamos
em uma pequena cidade dos vales, onde as atitudes eram como eram."
Ele
conta que, quando a vida fica sombria e desafiadora, Cris permite que ele
desabafe suas frustrações.
"Há
empatia, antes de tudo, e depois também essa capacidade de trazer a pessoa de
volta à realidade", acrescenta Cris, de 59 anos.
"Um
abraço nunca é demais. Um bom cwtch de vez em quando faz maravilhas."
(cwtch
é uma palavra galesa que significa um abraço carinhoso e aconchegante.)
Neste
ano, o casal do sul do País de Gales celebra 20 anos desde que oficializou a
união civil.
Cris
relembra o momento em que Dave o pediu em casamento: "Ele olhou para cima
e disse: 'Eu não quero que mais ninguém tenha você'. E eu pensei: 'pronto,
estou vendido'."
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'Um bom senso de humor'
Para
Gary e Joy Walters, de Caerphilly, 54 anos de casamento ensinaram uma lição
fundamental: o bom humor ajuda a atravessar os momentos difíceis.
"Não
me entenda mal, não passamos todos os dias rindo", disse Joy, de 72 anos.
Depois
de se conhecerem no trabalho, em uma fábrica de brinquedos em Cwmbran, na
década de 1970, o casal se casou e teve duas filhas.
"Acredito
que não se deve deixar as discussões se acumularem", afirmou Joy, que
também defende que o dia deve sempre terminar com um beijo.
"E
um bom senso de humor pode fazer maravilhas."
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'Priorizem sempre um ao outro'
Quando
Sahir conheceu Dennis, há mais de 20 anos, em um evento religioso em Cardiff,
ambos já tinham passado por perdas e estavam reconstruindo a vida após um
divórcio.
"Foi
uma jornada — e nem sempre uma jornada fácil", disse Sahir, de 49 anos,
que recentemente enfrentou complicações de saúde.
"Sempre
persistimos e, hoje, eu diria que estamos mais fortes do que nunca."
Apesar
de Dennis ter se convertido ao islamismo antes de conhecer Sahir, o casal conta
que foi "rejeitado" por pessoas que não acreditavam que o casamento
daria certo.
Sahir
explica que, com o tempo, foram aceitos como casal. Ele acrescenta que
"desafiaram todas as probabilidades e todos os pessimistas" e que,
neste ano, celebram 20 anos de casamento.
"Acho
que é preciso priorizar um ao outro", disse Sahir.
O casal
afirma que sempre se esforçou para superar os problemas e se apoiar quando a
vida colocou pressão sobre o relacionamento.
"Você
sempre vai amar a pessoa, mas nem sempre vai gostar dela", concluiu Sahir.
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'O amor é uma decisão'
Quando
Carolyn estava a caminho de encontrar Carl, há mais de 30 anos, um operário
deixou cair um martelo sobre a cabeça dela de um prédio de cinco andares,
provocando "muito sangue" e uma ida ao pronto-socorro.
"A
maioria das pessoas costuma ter um começo romântico no relacionamento",
disse Carl, de 59 anos.
"Você
levar um martelo na cabeça consolidou para mim a ideia de que eu realmente amo
essa pessoa. Então, sim, foi preciso um martelo."
O
casal, que tem três filhos e vive em Blackwood, vai celebrar neste ano 30 anos
de casamento.
"O
amor não é apenas um sentimento bonito, muitas vezes é uma decisão",
acrescentou Carl.
Os dois
riram ao explicar que, todos os anos, fazem uma espécie de "avaliação de
desempenho profissional", em que sentam para conversar sobre como as
coisas estão indo.
"Quando
nos casamos, decidimos que teríamos alguns itens inegociáveis no nosso
casamento", disse Carolyn, de 50 anos.
"Nunca
saímos de casa no meio de uma discussão. Nunca dormimos em camas separadas.
Nunca dizemos a palavra com D… divórcio."
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'Amor é escolher um ao outro todos os dias.'
Depois
de mais de 16 anos juntos, Zafar Khallyev e sua esposa, Dilya, atualmente vivem
a milhares de quilômetros de distância, em continentes diferentes.
"A
vida nos testou com a distância", disse Zafar, de 38 anos.
Enquanto
ele conclui um doutorado na Universidade de Swansea, Dilya está na terra natal
deles, o Uzbequistão, com os dois filhos do casal.
Segundo
ele, confiança e paciência os mantiveram fortes.
"E
a certeza silenciosa de que o amor não se trata de começos perfeitos",
acrescentou, "mas de escolher um ao outro todos os dias — não importa a
distância, não importa o tempo."
Fonte:
BBC News

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