Sono
do bebê: 5 mitos que causam estresse desnecessário aos pais
Poucos
aspectos do desenvolvimento infantil são tão repletos de desinformação quanto o
sono dos bebês.
Este
tema é objeto de inúmeros livros e empresas que tentam vender programas,
coaching e conselhos sobre o sono.
Da
ideia de que os bebês devem dormir a noite toda aos seis meses de idade até a
crença de que as sonecas em movimento não são restauradoras, aqui estão cinco
mitos comuns sobre o sono dos bebês e o que as pesquisas científicas dizem a
respeito.
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1. Não, a maioria dos bebês não dorme a noite toda
Bebês
que dormem a noite toda podem ser o santo graal para os pais. Mas eles são
relativamente incomuns, como mostram diversos grandes estudos realizados com
crianças jovens.
Um
estudo com mais de 55 mil bebês na Noruega, por exemplo, concluiu que cerca de
sete a cada 10 crianças com seis meses de idade acordam pelo menos uma vez por
noite. E, aos 18 meses de idade, mais de uma a cada quatro.
Paralelamente,
um estudo de 2020 entre 5,7 mil crianças na Finlândia concluiu que, em média,
os bebês com três, seis ou oito meses de idade acordam mais de duas vezes por
noite; aos 12 meses, 1,8 vezes por noite; e os bebês com 18 e 24 meses acordam
cerca de uma vez por noite.
"Nossos
dados confirmaram que acordar uma a três vezes por noite é comum no início da
infância", escreveram os pesquisadores.
"Quase
todas as crianças acordaram entre uma e três vezes por noite e uma minoria
dormiu a noite toda (16,5% aos três e 22,3% aos oito meses)."
Mas a
frequência com que os bebês acordam apresenta grandes variações.
Os
pesquisadores finlandeses, por exemplo, relataram que pelo menos um bebê de
oito meses participante do estudo acordou 21,5 vezes por noite.
Estas
pesquisas foram baseadas nos relatos dos pais, o que significa que os bebês
podem ter acordado mais vezes e seus pais, simplesmente, não perceberam.
O uso
de medidas mais objetivas do sono, como gravações de vídeo, para analisar os
padrões de sono das crianças indicou que os bebês acordam com frequência ainda
maior.
Um
pequeno, mas representativo estudo de 2001 utilizando este método concluiu que
o número médio de vezes em que as crianças acordaram (definido como ficar
desperta por mais de dois minutos) foi de 3 aos três meses de idade, 3,5 aos
seis meses, 4,7 aos nove e 2,6 vezes entre crianças com 12 meses de idade.
Mas há
boas notícias. À medida que os bebês se aproximam do final do seu primeiro ano,
elas começam sozinhas a acordar menos.
O
estudo finlandês concluiu que cerca de 8 a 10 bebês com oito meses de idade
acordam à noite, mas apenas 25% das crianças de dois anos mantêm este padrão.
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2. Mas acordar à noite nem sempre é 'normal'
Ouvimos,
às vezes, que as crianças continuarão a acordar à noite até que elas sejam
ensinadas a dormir a noite toda.
Mas
isso ignora o fato de que os bebês em desenvolvimento costumam consolidar seu
sono sozinhas ao longo do tempo, como descrito acima. E também pode
desconsiderar condições de saúde que podem influenciar o sono.
A
deficiência de ferro afeta cerca de 15% dos bebês nos Estados Unidos. Ela pode
fazer com que a criança acorde à noite com mais frequência, além de causar
cansaço e dificuldade para dormir.
Muitas
outras condições foram relacionadas ao sono agitado e despertar frequente em
bebês e crianças pequenas, como alergias alimentares, doença do refluxo
gastroesofágico (DRGE) e infecções dos ouvidos.
E
existem os distúrbios do sono propriamente ditos. Estima-se que até 6% das
crianças sofram de apneia obstrutiva do sono, outra condição que também pode
fazer com que as crianças acordem com frequência. Seu pico ocorre entre dois e
seis anos de idade.
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3. Para a maioria das crianças, 12 horas de sono por dia é muito
Coloque
"horário para o bebê dormir" no Google e você poderá observar uma
tendência. A maioria dos sites indica que as crianças devem dormir cerca de 12
horas por noite.
Desde
que o cronograma "7-7" (19 às 7 horas) se popularizou no Ocidente e
nas sociedades industrializadas, qualquer período menor que esse,
particularmente para os bebês e crianças pequenas, é considerado insuficiente.
É
verdade que algumas crianças realmente precisam de 12 horas por noite, mas
muitas não dormem tanto tempo. E colocar essas crianças para dormir cedo demais
pode gerar "batalhas" da hora de dormir e fazer com que elas
despertem com frequência ou acordem cedo na manhã seguinte.
Um
estudo australiano com 5 mil bebês concluiu que as crianças com até quase cinco
anos de idade dormem em média 11 horas por dia, não 12. Isso ocorreu até mesmo
com os bebês mais jovens estudados, de quatro a seis meses.
Em
outras partes do mundo, incluindo muitos países asiáticos, os bebês dormem
muito menos.
Um
estudo concluiu que bebês de até três anos de idade dormem, em média, 10,17
horas por noite na Austrália, 9,96 no Canadá, 10,51 no Reino Unido e 9,74 horas
nos Estados Unidos — mas 8,73 horas em Taiwan, 9,02 em Hong Kong e 9,15 horas
na Índia e na Indonésia.
Mesmo
nas sociedades que tendem a idealizar o sono 7-7, as recomendações das
associações da saúde do sono indicam que uma noite de 12 horas seria o ponto
mais alto do espectro.
A
Academia Americana de Medicina do Sono, por exemplo, indica que o sono total em
um período de 24 horas deveria ser de 12 a 16 horas para bebês de quatro a 12
meses e de 11 a 14 horas para crianças com um a dois anos de idade.
A
entidade não indica o quanto desse período deve ser de sono noturno e o quanto
de sonecas, por falta de evidências. E há pesquisadores que questionam se essas
recomendações têm forte base científica.
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4. Sim, as sonecas no trânsito são restauradoras
É comum
afirmar que as sonecas em movimento (no carrinho, em um sling ou no carro, por
exemplo) mantêm os bebês em um tipo de sono leve, menos restaurador. Mas não há
evidências científicas a respeito e algumas pesquisas indicam que o efeito pode
ser exatamente o contrário.
Um
estudo com 64 bebês de dois meses concluiu que eles apresentaram mais propensão
a adormecer e menos probabilidade de chorar quando balançados em frequências
mais altas, mas ainda suaves.
Quando
os bebês diagnosticados com apneia obstrutiva do sono foram colocados para
balançar em comparação com colchões fixos, a quantidade de eventos obstrutivos
verificados diminuiu pela metade.
Nenhum
estudo publicado examinou, até hoje, a atividade cerebral dos bebês durante as
sonecas em movimento, mas existem pesquisas em adultos.
Estes
estudos usaram aparelhos de eletroencefalografia para monitorar a atividade
cerebral durante o sono.
Eles
concluíram que movimentos suaves durante uma soneca aumentam o período de tempo
nos estágios de sono profundo, ajudam as pessoas a entrar em sono profundo com
mais rapidez, incentivam as oscilações cerebrais que ajudam na consolidação da
memória e reduzem o período de tempo em sono leve.
Os
balanços promovem o sono até mesmo entre os camundongos.
É claro
que faz sentido pensar que as sonecas em movimento não prejudicam o
desenvolvimento do cérebro. Afinal, os bebês passam cerca de 90% do seu tempo
dormindo quando ainda estão no útero. E grande parte desse período, é claro,
acontecia enquanto suas mães andavam ou se movimentavam, "balançando"
os bebês no útero.
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5. Não, o sono (normalmente) não 'atrai o sono'
É
verdade que, quando alguns bebês ficam muito cansados, eles ficam mais
despertos e estressados, o que pode fazer com que eles tenham mais dificuldade
para sossegar à noite.
Mas as
pesquisas normalmente não confirmam a ideia de que, quanto mais sono uma
criança tiver durante o dia, mais sono ela terá à noite.
Na
verdade, entre os bebês mais velhos e as crianças em idade pré-escolar, a
maioria dos estudos concluiu que o contrário é verdadeiro. Após dois anos de
idade, as crianças levam mais tempo para adormecer à noite e acordam mais vezes
durante o sono noturno, nos dias em que elas tiram sonecas.
Mas um
estudo comparou os dias em que os bebês jovens tiraram mais sonecas com outros
em que eles dormiram menos durante o dia e chegou a uma conclusão um pouco
diferente.
Curiosamente,
o estudo usou actigrafia, que emprega aparelhos vestíveis para monitorar os
movimentos e determinar os padrões de sono e vigília, uma medida mais objetiva
do sono do que o relato dos pais.
Entre
bebês com seis ou 15 semanas de idade, tirar sonecas durante o dia por mais
tempo que o normal não afetou seu tempo de sono noturno. Mas, entre os bebês
com 24 semanas, as sonecas mais longas significaram mais tempo dormindo à
noite.
É
importante observar que a diferença foi pequena. Os bebês de seis meses
precisaram dormir mais uma hora durante o dia para conseguir apenas 14 minutos
a mais de sono noturno.
Também
não se sabe ao certo se a soneca mais longa pode explicar por que os bebês
dormiram um pouco mais à noite.
Eles
podem ter tirado sonecas maiores porque passaram por um surto de crescimento,
por exemplo. E esta pode também ter sido a razão para que eles dormissem mais à
noite.
Pode
parecer surpreendente que a pesquisa que apoia a noção de que "o sono
atrai o sono" tenha ficado abaixo do esperado. Mas um dos principais
fundamentos biológicos do adormecimento é o homeostato sono-vigília.
Também
conhecido como "pressão do sono", ele aumenta quanto mais horas os
bebês (ou adultos) ficam sem dormir. Por isso, se um bebê dormir demais durante
o dia para suas necessidades individuais, ficará mais difícil para ele
adormecer à noite.
As
necessidades do sono são individuais e variáveis e, como os adultos, os bebês
não podem ser convencidos a ter mais sono do que o corpo precisa.
Fonte:
BBC Future

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