Plínio
Teodoro: Por que Flávio Bolsonaro candidato “antissistema” se cala sobre o caso
Master
uscando
ludibriar a ala mais radical do bolsonarismo se colocando como candidato
“antissistema”, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue calado sobre o maior escândalo
financeiro do país envolvendo as investigações sobre Daniel Vorcaro à frente do
Banco Master, instituição que “nasceu” e foi turbinada durante a gestão de
Paulo Guedes no “super” ministério da Economia no governo de seu pai, Jair
Bolsonaro (PL).
Nas
redes, o “01” coloca hiperfoco em Lulinha, usando a mesma estratégia que
alavancou o pai junto à horda de extremistas ceivados pela mídia liberal. Sobre
o caso Master, o senador apenas repostou duas engraçadinhas respostas de um
constrangido Nikolas Ferreira (PL-MG) para rebater o fato de que fez campanha
para Bolsonaro em 2022 usando o jatinho de Vorcaro.
Na
única declaração na mídia, no também engraçadinho Pânico, da Jovem Pan, Flávio
se limitou a dizer que “isso está causando um nojo para todo mundo”, sem ser
incomodado com perguntas sobre envolvimento de aliados.
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“Beócio”
Mesmo
diante das mensagens que vieram à tona, em que Vorcaro trata Bolsonaro como
“beócio” – um sinônimo pouco gentil para tratar pessoas ignorantes – por
atrapalhar seus negócios, Flávio seguiu em silêncio, querendo demonstrar
postura semelhante a do pai, encarcerado em uma cela na Papudinha.
Acontece
que o caso Master e a disputa entre os banqueiros Daniel Vorcaro e André
Esteves rachou o bolsonarismo, colocando aliados de Flávio nos dois polos do
embate.
Após
ser beneficiado com medidas de Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, alçado à
Presidência de um autônomo Banco Central, Vorcaro empregou ex-ministros do
governo Bolsonaro para a disputa contra Esteves, que por sua vez recorreu à
contratação de outro ex-ministro e um ex-AGU da mesma ex-gestão.
Para
seu time, Vorcaro cooptou Flávia (ex-Arruda) Perez, da secretária-geral da
Presidência, e João Roma e Ronaldo Bento, responsáveis em parte pela farra dos
empréstimos consignados à frente do Ministério da Cidadania.
Já
Esteves tem a seu lado o ex-AGU de Jair Bolsonaro, Bruno Bianco, contratado
pelo banqueiro em 2023 para fazer a ponte com outro ex-ministro, Fabio Faria
(Comunicações), que “presta serviços de relações institucionais para o BTG” –
entenda-se lobby.
Bianco,
que ficou conhecido como “Mickey da Previdência” devido ao tom de voz, foi
justamente quem substituiu o hoje relator do caso, André Mendonça, quando o
“terrivelmente evangélico” deixou a Advocacia-Geral da União para assumir uma
cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).
Além
disso, Flávio tem no “vice de seus sonhos”, como declarou à Folha, o “grande
amigo da vida” de Vorcaro: o presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa
Civil, Ciro Nogueira.
A lista
de aliados envolvidos na disputa entre os banqueiros não termina ai e pode ser
conhecida, em parte, pelos contatos registrados no celular de Vorcaro.
No
entanto, com o dono do Master fora do jogo, Flávio se concentrou no outro polo
da disputa, que segue firme na Faria Lima e blindado pela mídia liberal.
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Assim como Paulo Guedes…
Amigo
íntimo e ex-sócio de Paulo Guedes, avalista da candidatura de Jair Bolsonaro
junto ao sistema financeiro em 2018, Esteves recebeu no dia 17 de dezembro, já
com Vorcaro com tornozeleira eletrônica, Flávio Bolsonaro, recém alçado pelo
pai como pré-candidato ao Planalto. O encontro aconteceu na mansão do banqueiro
em São Paulo.
Segundo
o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Flávio teve uma “longa conversa”
com Esteves, um dos principais articuladores políticos da Faria Lima, no mesmo
dia em que encontrou cerca de 40 agentes do sistema financeiro na capital
paulista. O filho de Bolsonaro também buscou novos encontros com banqueiros
para viabilizar sua pré-candidatura junto aos endinheirados, que haviam
embarcado no plano da chamada terceira via, colocando Tarcísio Gomes de Freitas
(Republicanos) como o anti Lula em 2026.
O
próprio Esteves já tinha propagado a investidores estrangeiros, segundo o site
Platô BR, que Tarcísio seria “a única saída” e que ele iria “se eleger com
certeza” para que o Brasil não se tornasse “uninvestable” – ininvestível, em
tradução livre – com o quarto mandato de Lula.
Após a
publicação da nota, O BTG chegou a emitir nota dizendo que o banco é
“apolítico, não emitindo previsões sobre futuro eleitoral”. “André Esteves
jamais usou o termo uninvestable’ a ele atribuído na nota, muito menos concorda
com esse pensamento”, diz o texto.
Após o
encontro em dezembro, sites especializados – geralmente controlados por bancos
– divulgaram rumores de que “Flávio Bolsonaro teria afirmado, em conversas
reservadas, que André Esteves estaria disposto a apoiar sua futura candidatura,
oferecendo estrutura e suporte político”.
“De
acordo com essas fontes, a narrativa atribui ao banqueiro a ideia de “comprar”
o projeto político do pré-candidato, após encontros recentes em círculos
privados. Ainda assim, não há detalhes sobre valores, formatos ou compromissos
formais”, diz o site BPMoney, que faz parte do ecossistema midiático no entorno
da Faria Lima.
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Prisão e ligação com Guedes
Preso
por quase um mês, entre novembro e dezembro de 2015, no presídio Bangu 8 por
atrapalhar investigações da Operação Lava Jato, Esteves foi sócio de Paulo
Guedes no BTG Pactual e uma das figuras centrais na evolução do banco atuando
como um dos principais interlocutores da Faria Lima junto ao lobby político do
sistema fincaneiro.
Em
2020, Esteves disse que que “sempre liga” para o então ministro da Economia,
Paulo Guedes, quando os dois participavam do evento “Conversa com o ministro da
Economia do Brasil”, que fez parte de uma conferência global promovida pelo
think thank estadunidense Milken Institute.
“Eu
falo com Paulo Guedes com frequência sobre isso”, disse Esteves ao comentar
sobre “sinais” que o mercado daria ao governo.
Em
seguida, Guedes pediu para dar uma explicação. “Eu fui um dos fundadores do
banco que hoje André atua. É um garoto brilhante. Mas quero deixar claro para
não gerar nenhum mal-entendido: quando eu disse que André me ligou, foram no
máximo umas três vezes. No passado, no Brasil existia muita informação privada…
Nós somos amigos, mas em todas ligação que fizemos tratamos apenas de assuntos
públicos”, declarou.
Com
Guedes na Economia, o BTG comprou do Banco do Brasil por R$ 371 milhões uma
carteira de créditos avaliada em R$ 2,9 bilhões. Essa foi a primeira transação
envolvendo créditos do BB fora do seu conglomerado e gerou um alerta na
Controladoria-Geral da União (CGU), que concluiu que a cessão da carteira
ocorreu sem as devidas justificativas ou um planejamento estruturado por parte
do BB.
Para a
CGU, que colocou a investigação sob sigilo, e o Tribunal de Contas da União
(TCU) a falta de transparência acarretou prejuízos ao erário público. As
estimativas apontaram que a operação pode ter gerado um lucro significativo, de
cerca de R$ 1,7 bilhão, para o BTG Pactual.
• Flávio Bolsonaro ataca Moraes e repete
discurso antidemocrático do pai
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato da extrema direita à
presidência da República, vinha trabalhando um discurso moderado para tentar
conquistar eleitores de centro, que geralmente decidem a eleição. No entanto,
Flávio rasgou a fantasia da moderação neste sábado (7) ao disparar ataques
contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e contra a Procuradoria-Geral da
República (PGR).
Em uma
publicação ancorada em um vídeo esquisitíssimo do também senador Magno Malta
(PL-ES), Flávio Bolsonaro acusa o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de ser
integrante da milícia comandada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, preso na última
quarta-feira (4), e insinua que a PGR protege Moraes.
Reproduzindo
o discurso antidemocrático de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que
cumpre pena na Papudinha por tentativa de golpe de Estado, diz Flávio Bolsonaro
sobre Alexandre de Moraes:
“Alexandre
de Moraes deve RENUNCIAR, pelo bem da democracia e do Judiciário brasileiro!
Ou
sofrer, imediatamente, processo de impeachment no Senado Federal.
As
mensagens reveladas escancaram que ele atuava como advogado de fato. Era parte
interessada nas demandas. Isso é absolutamente incompatível com a função e
configura crime.
Não há
mais qualquer condição de permanência no cargo.”
Em
seguida, Flávio Bolsonaro lança dúvidas sobre o trabalho da Procuradoria-Geral
da República:
“Outro
escândalo é o Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, até agora não
ter aberto investigação contra Moraes.
As
instituições precisam ser preservadas das pessoas que as envergonham!”
Como se
vê, Flávio Bolsonaro deve seguir os passos do pai e adotar um discurso
antissistema na eleição presidencial deste ano.
• Nikolas esquece “Globolixo” e usa Jornal
Nacional para atacar Moraes
ikolas
Ferreira voltou a atacar Alexandre de Moraes, mas desta vez com um detalhe que
expõe a conveniência do bolsonarismo em estado bruto: usou justamente o Jornal
Nacional como escada para o ataque. Em publicação no X, o deputado compartilhou
um vídeo com trecho do telejornal e escreveu: “Eu sempre disse que impeachment
pouco. Esse mentiroso tem que ser preso”.
O post
não veio do nada. Ele se encaixa na escalada verbal que o parlamentar já vinha
promovendo contra Moraes. Como mostrou a própria Fórum em Na Paulista: Nikolas
ameaça Moraes com “cadeia” e lança insultos contra ministro, o deputado
transformou o ato bolsonarista do último fim de semana em palanque para
insuflar a tropa contra o ministro do STF.
O que
dá força ao episódio, porém, é a contradição pública e documentada. Dias antes,
o próprio Nikolas atacou a emissora ao reclamar da cobertura da manifestação
bolsonarista e escreveu: “Segundo a Globo, 20 mil pessoas. Depois reclamam que
o povo grita Globo Lixo”. Agora, quando o conteúdo exibido pela imprensa
interessa à sua guerra política, a “globolixo” vira fonte útil, atalho retórico
e selo de conveniência.
É esse
o ponto central da história. Não houve mudança de opinião sobre a Globo e ou
outros veículos de imprensa, nem qualquer reconciliação com a imprensa que o
bolsonarismo costuma demonizar. Houve utilidade. Quando a cobertura contraria a
narrativa da extrema direita, a emissora vira alvo de insulto. Quando ajuda a
emparedar um adversário, o Jornal Nacional é imediatamente reciclado como
instrumento de ataque. A cronologia dos próprios posts de Nikolas mostra isso
sem esforço.
O pano
de fundo é a nova rodada de tensão em torno de Daniel Vorcaro e das mensagens
atribuídas a contatos ligados a Moraes.
Há
ainda uma ironia extra que pesa contra Nikolas. Foi também o Jornal Nacional
que o colocou em situação constrangedora quando um vídeo exibido pela Globo o
mostrou usando celular na casa de Jair Bolsonaro, em desacordo com regra
imposta pelo STF. A Fórum registrou o episódio em Drone filma Nikolas
desrespeitando regra de celular na casa de Bolsonaro. Ou seja: o telejornal que
serviu para expô-lo agora é o mesmo que ele tenta usar como porrete contra
Moraes.
No fim,
o caso diz menos sobre a imprensa do que sobre o método. Nikolas não trata a
emissora como inimiga ou aliada; trata como ferramenta descartável. Serve para
atacar quando cobre mal para seu campo, serve para citar quando oferece
material contra um alvo prioritário. O “Globolixo”, nesse roteiro, não é
convicção. É apenas figurino de ocasião.
• Marçal promete “servir” Rueda e Ciro
Nogueira, o amigo de Vorcaro: “guerreiro”, elogia Flávio Bolsonaro
Condenado
a pagar indenização de R$ 100 mil a Guilherme Boulos (PSOL-SP) pela fake News
associando o então candidato ao uso de cocaína na tumultuada disputa à
Prefeitura de São Paulo em 2024, o “coach” Pablo Marçal se filiou ao União
Brasil nesta sexta-feira (6) prometendo “servir” o presidente da sigla, Antônio
Rueda, e o presidente do PP, Ciro Nogueira, classificado pelo banqueiro Daniel
Vorcaro, do Banco Master, como “grande amigo da vida”.
“Se
vocês dois falarem: ‘você não sai candidato”, fica aqui registrado
publicamente: não vou sair, então. Eu vou servir todo mundo e não tenho
problema com isso. Não entrei por motivação pessoal, eu quero é servir. Se for
para ser qualquer coisa, se for para ser deputado, qualquer cargo, me coloca
que eu não tô importando. Esse é meu coração para servir vocês, para a gente ir
para uma situação que o Brasil ainda não viveu”, afirmou Marçal, dando um longo
abraço nos dois caciques em seguida.
O coach
ainda recebeu uma mensagem por vídeo de “um grande amigo” que, segundo ele,
teria passado por uma cirurgia.
“Então
agora tem um grande amigo, eu EStava falando com ele ontem, ele tava marcado
para vir, mas fez cirurgia. Esse amigo é nada mais e nada menos que Flávio
Bolsonaro”, afirmou.
Classificado
como “guerreiro Pablo”, Marçal recebeu elogios do pré-candidato do clã
Bolsonaro, que afirmou que o coach é “um cara família, cristão, aguenta
pancada, aguenta cadeirada”, referindo-se à agressão de José Luiz Datena, então
candidato em São Paulo, no debate na TV Cultura.
“A
gente só vai conseguir resgatar o Brasil se a gente vencer as próximas
eleições. E você, Pablo, é uma pessoa que tem a plena consciência que o momento
é de unidade, o momento de equilíbrio, de olhar para a frente, de perdoar, de
deixar as pequenas diferenças de lado e concentrar naquilo que nos une, que é a
grande maioria das coisas”, afirmou o senador, passando pano nas rusgas com o
coach em 2024.
“E
acima disso tudo, meu amigo Pablo, assim como eu, você sabe da guerra
espiritual que a gente já começou a enfrentar. Porque eu só tô nessa porque eu
sei que é projeto de Deus. E se você tá aí hoje, é porque Deus tocou no seu
coração de entrar para a política e vir para essa guerra junto com a gente.
Então, Guerreiro Pablo, bem-vindo ao time”, emendou, dando tom messiânico à
empreitada eleitoreira.
Ao se
filiar ao União, Marçal reclamou das dificuldades no PRTB, sigla pela qual
disputou a prefeitura paulistas em 2024.
“Se eu
tiver que esperar [para ser candidato], eu vou esperar porque eu entrei em
Partido que não tem palavra, deu tudo errado. Partido pequeno, deu tudo errado.
Só vocês pode fazer dar errado agora, viu?”, reclamou.
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Elos com o PCC
Antes
de se filiar ao partido de Antônio Rueda, que já foi acusado de ter ligações
com o PCC, Marçal foi candidato à prefeitura paulistana pelo PRTB, comandado
por Leonardo Avalanche, que tinham como homens de confiança Tarcísio Escobar de
Almeida e Júlio César Pereira, o Gordão.
Escobar
e Gordão foram indiciados pela polícia em 2023 por ligação com Francisco Chagas
de Sousa, o Coringa, dono de uma adega na zona leste de São Paulo, uma arma,
drogas, um telefone celular e um pendrive. Segundo a polícia, no pendrive havia
“material relacionado ao controle de integrantes do PCC”.
A
Justiça autorizou o aprofundamento das investigações e uma escuta telefônica
revelou que Coringa, que seria responsável pelo tráfico interestadual do PCC
nos estados de São Paulo e Paraíba, falava com Gordão, uma das lideranças do
PRTB. Dias depois, foi o nome de Escobar que apareceu nas investigações.
De
acordo com a Polícia Civil de São Paulo, Escobar teria orientado Gordão a
tratar com Coringa a troca de um automóvel BMW X5, avaliado em mais de R$ 700
mil, por cocaína. A conversa explicava que Escobar entraria em contato na
sequência para esclarecer melhor como seria a transação. “Nos diálogos mantidos
entre ambos, Coringa e Gordão, ficou evidente tratar-se de negociação de
veículos com o fim de que sejam trocados por drogas”, diz o trecho do inquérito
produzido pela Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes e encaminhado ao
Ministério Público.
Em
gravação, o próprio Avalanche afirma possuir ligação com a facção criminosa.
“Não
tem o Piauí, de [inaudível]? Não tem o chefe do PCC que está solto? Ele é a voz
abaixo”, disse Avalanche, referindo-se ao seu motorista. “Ele nunca mexeu com
política. Hoje ligaram para o menino, né, lá de dentro da cadeia e falaram:
‘Estou trabalhando pro Avalanche de motorista’.”
O Piauí
citado pelo presidente do PRTB é o ex-chefe do PCC na favela de Paraisópolis
(SP) Francisco Antônio Cesário da Silva.
Fonte:
Fórum

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