Possível
'gene egoísta' pode ter feito família ter o dobro de homens por mais de 200
anos nos EUA
Uma
mesma família teve o dobro de homens do que de mulheres nascidos ao longo de
mais de 200 anos. Pesquisa indica que 'gene egoísta' pode ter atuado para mudar
padrão natural, que é de 50/50 e gerado família de homens.
Ao
analisar um grande banco de dados genealógico do estado de Utah, nos Estados
Unidos, pesquisadores identificaram uma linhagem que registrou 60 descendentes
do sexo masculino e 29 do sexo feminino ao longo de mais de dois séculos.
➡️ O padrão pode ser a primeira evidência de
que humanos também carregam os chamados “genes egoístas”, capazes de distorcer
a proporção sexual natural — que costuma ser próxima de 50% para cada lado.
Os
resultados foram divulgados como pré-publicação na plataforma bioRxiv e ainda
não passaram por revisão por pares. Apesar disso, especialistas apontam que
estudo é promissor.
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Como o sexo biológico é definido
Nos
humanos, o sexo biológico é determinado pelo cromossomo sexual presente no
espermatozoide que fecunda o óvulo.
➡️ Os óvulos carregam sempre um cromossomo X.
Já os espermatozoides podem carregar um cromossomo X ou um cromossomo Y. Quando
o espermatozoide contribui com um Y, o embrião será XY (sexo masculino). Quando
contribui com um X, será XX (sexo feminino).
Em
condições normais, a produção de espermatozoides com X e Y tende a ser
equilibrada, o que mantém a proporção de nascimentos próxima de 1 para 1.
Históricamente, esse sempre foi o padrão observado.
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O que são “genes egoístas”
Em
animais, como camundongos e moscas, cientistas já identificaram genes capazes
de alterar essa proporção natural.
Eles
têm elementos genéticos que aumentam as próprias chances de serem transmitidos
para a geração seguinte, mesmo que isso não traga vantagem — ou até prejudique
— o organismo como um todo. Por isso são chamados de “genes egoístas”.
Em
algumas espécies, esses genes afetam a motilidade ou a viabilidade dos
espermatozoides, favorecendo, por exemplo, aqueles que carregam o cromossomo Y.
Modelos
teóricos sugerem que mecanismos semelhantes poderiam existir em humanos. Mas
demonstrar isso é muito mais difícil. O longo intervalo entre gerações, as
famílias menores e as limitações éticas tornam praticamente inviável testar
essa hipótese por meio de experimentos controlados.
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O que os pesquisadores fizeram
Para
contornar essas dificuldades, a equipe de pesquisadores geneticistas da
Universidade de Utah, nos Estados Unidos, recorreu ao Banco de Dados
Populacional de Utah, que reúne informações genealógicas e de saúde desde o fim
do século XVIII.
Os
cientistas analisaram o sexo registrado de 76.445 pessoas e aplicaram dois
testes estatísticos para identificar linhagens paternas com número anormalmente
alto de filhos homens — isto é, padrões que dificilmente poderiam ser
explicados apenas pelo acaso.
Entre
mais de 26 mil linhagens analisadas, apenas uma família passou nos dois testes.
Ao
longo de sete gerações, o banco de dados registrou 60 homens e 29 mulheres
nessa linhagem — uma diferença considerada estatisticamente improvável de
ocorrer por coincidência, segundo os autores.
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Pode haver outras explicações?
Especialistas
apontam que o achado é relevante, mas não definitivo.
Hoje é
possível influenciar o sexo da prole com técnicas de fertilização in vitro e
testes genéticos antes de inseminações, por exemplo. Além disso, fatores
culturais também podem alterar padrões reprodutivos em determinadas populações.
Os
autores argumentam, no entanto, que o período histórico analisado — que remonta
ao século XVIII — reduz a probabilidade desse tipo de interferência. Ainda
assim, o fato de o estudo ainda não ter passado por revisão por pares exige
cautela na interpretação.
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O que os pesquisadores querem fazer agora?
A
equipe agora tenta identificar quais genes poderiam estar envolvidos nesse
possível mecanismo de distorção sexual. Eles suspeitam que o fenômeno possa
funcionar de forma semelhante a um gene já descrito no cromossomo Y de
camundongos.
Como os
dados são anonimizados, não é possível identificar quem são as pessoas ainda
vivas da linhagem. Mas parentes ou portadores de mecanismos semelhantes podem
aparecer em outros bancos de dados genéticos.
Os
pesquisadores também estão desenvolvendo ferramentas para estudar
espermatozoides humanos em larga escala — incluindo um dispositivo apelidado de
“pista de corrida de espermatozoides”, que permite observar diferenças de
motilidade entre células que carregam cromossomos X e Y.
Se
confirmado, o achado pode ajudar a esclarecer como a proporção de sexos é
mantida na população humana — e como certos elementos genéticos podem,
eventualmente, escapar desse equilíbrio.
Fonte:
g1

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