sábado, 7 de março de 2026

A crise do Ocidente e a provocação de Raul Zibechi

Ideólogos e filósofos decretaram, no final do século passado, o chamado “fim da História”: o triunfo do Ocidente capitalista, democrático e iluminista perante os perigos e espectros do Oriente exótico, bárbaro e incivilizado. Se não foram essas as exatas palavras registradas nos autos e obras de autores como Francis Fukuyama, sabemos que foi esse o seu significado primevo. Tal narrativa rasteira e enviesada aos ditames ideológicos dos Estados Unidos à época tornou-se bem conhecida de todos aqueles que compreendem, minimamente, o cenário geopolítico das últimas décadas.

Macrorregiões e os seus Estados — alguns muito novos e desorganizados por décadas de ingerência estrangeira com pendores neocoloniais — reorganizaram-se no tabuleiro global do breve século XX da maneira como conseguiram após os anos paranoicos de Guerra Fria. Cada qual na tentativa de se desenvolver e criar as condições materiais mínimas para a sobrevivência de suas populações e territórios.

Todos, por óbvio, sob o domínio expansionista do modo de produção capitalista, o modelo “triunfante” deste presente eterno: ao seu encargo, uma acumulação desenfreada de capitais e o extrativismo destrutivo de nossas riquezas naturais, além das abissais desigualdades sociais e da violência cotidiana que os permeiam. Era o fim do “socialismo real” soviético e da utopia de sociedades livres, sem grilhões e sem opressões. Pois bem. Os grilhões permaneceram como “elemento natural” de nossas relações sociais, uma pena. Fim da História: assim decretou o Norte.

No entanto, entre os anos finais de 1980 e a história vivida, os instantes que pulsam no tempo presente, um abismo se abriu sob os nossos pés: tal ordem triunfante se decompõe rapidamente. Diante disso, um olhar retrospectivo e crítico de ambas as temporalidades — mesmo que próximas cronologicamente — carece, portanto, de certo enfrentamento. Afinal, como uma pretensa ordem estável e “última”, infalível, portanto, como o ponto final na trajetória dos povos humanos nesta terra, esfacelou-se assim tão rapidamente?

Outro incômodo brota ao pensarmos especificamente o continente americano e a América Latina nesse interregno, nosso território de análise: as lideranças, movimentos e agrupamentos políticos e sociais progressistas acreditaram nesse ato derradeiro? Se assim fosse, no plano da realidade concreta, findada a História, nada mais se reformaria ou revolucionaria, nada se transformaria ou se movimentaria; seria aceito e seria, por isso, submetido.

A caducidade do “fim da História” evidencia-se quando observamos o continente latino-americano e a sua conjuntura histórica dos últimos anos. Enquanto uma onda de comportamentos, práticas e uma formatação ininterrupta de subjetividades neofascistas se espalha pelos trópicos após décadas progressistas (1996-2016), como um retorno do sombrio adquirindo novas roupagens, atrelada agora aos barões da tecnologia e da mídia, algumas (frágeis) barreiras contra a barbárie generalizada e a selvageria política se mantêm, temporariamente. É o caso do México, da Colômbia e do Brasil, países com históricos sangrentos, desde a luta pela conquista do Estado por forças nacional-populares como forma de superar os problemas estruturais de seus povos — tarefa nunca cumprida — até a brutalidade policial e militar com que seus Estados nacionais trataram (e ainda tratam, mesmo sob governos à esquerda) setores consideráveis de suas populações e essas mesmas lutas. E seus alvos são seculares, coloniais, para dizer o mínimo: populações negras (descendentes de ex-escravizados), etnias e comunidades originárias, trabalhadores precários e marginalizados (mulheres e migrantes, principalmente), lideranças populares, sindicais e, não obstante, professores e defensores dos mais básicos direitos humanos, tão negligenciados por suas democracias.

Hoje, nessas latitudes, governos democráticos negociados por frentes e agrupamentos à esquerda, com vieses humanistas e solidários nada extremistas como os seus opositores, compreenderam, melhor que nas últimas décadas (1996-2016), que “estabilidade” e “união” não fazem mais parte do vocabulário eleitoral e político, apesar de tentativas vãs. Figuras como Lula, por exemplo, insistem no erro. O outro lado da moeda, no entanto, não parece seguir as mesmas regras “democráticas” e “civilizadas”, como o caso argentino vem demonstrando, quando inundaram as ruas nos últimos dias, com força e valentia, centenas de milhares de trabalhadores contra a Reforma (Anti)Trabalhista de Javier Milei, que desestrutura e desequilibra ainda mais o mundo do trabalho argentino. A repressão nas ruas evidencia o estado de coisas nesta América.

Lideranças como Cláudia, Petro e Lula compreendem o momento, o carcomido espírito do tempo, mas não há nada no horizonte que aponte para eventuais mudanças estruturais, radicalismos ou extremismos de seus respectivos mandatários. Mais improvável ainda que pequenos grupos e partidos à extrema-esquerda logrem algum êxito real. Portanto, em Nossa América continuamos ligados às grandes potências de maneira dependente — pacífica, sob cercos militares ou ameaças econômicas diversas. Como é o caso cubano e venezuelano hoje, em que a ilha se encontra sob o estreitamento do permanente bloqueio econômico (dificultando o acesso a remédios básicos nos hospitais, por exemplo) e a ingerência norte-americana na tomada do petróleo da República Bolivariana, controlada, desde a invasão estadunidense no início de 2026, por empresas e negociatas do grande irmão do Norte.

Os governos mexicano, colombiano e brasileiro permanecem reorganizando forças para produzir o mínimo de esperança e expectativas materiais aos seus povos em um tabuleiro global movediço, em rápida e violenta fragmentação. Em outras palavras: tentam produzir consenso onde não há mais terreno para tal, como se ainda acreditassem no caduco “fim da História”. Enquanto esses consensos globais se desintegram, os quais seriam os pilares da democracia liberal-representativa e seus grandes blocos apontados como modelos e o “fim-último” sob a liderança vigiada dos EUA, caminhamos na escuridão para um cenário mais pantanoso: o “retorno da História” não como continuação do que foram as últimas três décadas, mas como colapso.

“Colapso” como confusão e fragmentação de um mundo desorientado. Tal colapso é fabricado, evidentemente, pois não foi apenas o vocabulário político de poucos anos atrás que fraturou-se, e, por isso mesmo, o parco entendimento e a pobreza ideológica das maiorias a respeito das coisas e do mundo, mas práticas e negociações, dentro e fora de seus respectivos países, parecem estranhas a esse novo mundo em frangalhos. As forças desintegradoras — neofascistas — não apresentam uma resolução para o que está posto, mas perpetuam a sua continuação, aprofundando-a. Não produzem o colapso, são o colapso.

Mais do que a linguagem (o diálogo, as tratativas civilizadas, a diplomacia etc.) como força política da expressão dos anseios de seus cidadãos, o uso da palavra e a manutenção de sua força para a fabricação de consensos se desintegram perante os nossos olhos. Polarizações e assimetrias, portanto, serão cada vez mais constantes e radicais, já que não compreendemos mais uns aos outros. Mais que o “fim da História”, estamos diante de sua aceleração. As contradições não são mais enfrentadas politicamente na busca de resoluções, mas são vistas como fatos, agora, “coerentes” desse jogo. O poder advém da desunião provocada e da performance daqueles que se nutrem dela, da confusão gerada e da exaustão de todos nós por likes, cliques, fotos…

Se a busca pelo consenso e essa pretensa estabilidade política e econômica gestadas pelo Ocidente do século passado não mais existem, pois maculadas pelas próprias potências guardiãs da “moralidade” e da tradição europeia e estadunidense nos últimos anos, o que nos restaria? Ou melhor: o que podemos esperar de um mundo em que a ilusão do “fim da História” acometeu a todos e que, neste momento, mostra o seu anverso distópico e cruel?

Perante a distopia anunciada e sobre a qual estaremos umbilicalmente conectados como parte (em termos geopolíticos) deste Ocidente triunfante, agora em pedaços, relembro Raúl Zibechi em seu Territórios em Rebeldia (2022): “Pretender evitar o colapso é inútil porque deveríamos convencer a maioria qualificada da população mundial a tomar outro rumo. Impossível. A degradação do ser humano é demasiada para que se mudem os modos de vida sem uma catástrofe. Mais ainda, duvido que uma catástrofe possa nos mudar”. Por isso, quando pensamos a América Latina, não podemos negligenciar a força de um passado que insiste em não passar e de um acúmulo de situações e acontecimentos que se desdobram desde o período colonial —  que, sob certos aspectos, ainda não se encerrou.

Sobre isso, Zibechi, este intelectual uruguaio enternecido e radical, escreve: “De fato, há uma guerra contra os povos. Uma guerra colonial para se apropriar dos bens comuns, pressupondo a aniquilação daquelas parcelas da humanidade que são obstáculo para o roubo desses bens, seja porque vivem sobre eles, porque resistem a ser espoliados, seja simplesmente porque sobram, no sentido mais cruel de serem desnecessários para a acumulação de riquezas”.

Em um continente de utopias e expectativas decrescentes, violência e brutalidade cotidianas e desmedidas, percebemos que, para o capitalismo e seus barões, tais parcelas e setores humanos são facilmente descartáveis quando os mínimos consensos e civilidades caem por terra — sobrevivem aos barrotes, em morros e vielas, sob enchentes e tragédias ambientais, troca de tiros e extenuantes jornadas de trabalho, alienantes no sentido mais frívolo do termo. Sob os fragmentos da velha ordem pós-Guerra Fria, dependente e violenta sob a ótica latino-americana, seguem os países de Nossa América em sua jornada na busca por um futuro distinto daquele prometido pelo neofascismo global e suas vertentes tropicais, do colapso das democracias institucionais e da onda rosa pregressa, além dos consensos mais prometidos que entregues por suas lideranças e frentes (lembremos: as débeis barreiras que ainda nos protegem da barbárie).

Se não fazemos parte da maquinaria global que fabrica e, consequentemente, deságua no colapso vivido, como produtores da desordem generalizada via oligopólios virtuais e práticas governamentais autoritárias, da confusão e do desencantamento da realidade, sabemos de que lado estamos. Como Zibechi nos lembra, assim como apontam diferentes intelectuais latino-americanos de nosso tempo, carecemos de um retorno aos clássicos do pensamento social crítico deste continente, às suas teorias, seus argumentos, obras e reflexões que abordam temáticas caras a este mundo sob uma ótica radical. Precisamos compreendê-lo uma vez mais, sim. Mas isso não basta.

Se nos vemos enredados em percepções tão apregoadas ao século passado, nosso autor aponta para a atualidade de nosso pensamento: “uma infinidade de trabalhos sobre fábricas recuperadas, agricultura sustentável e familiar, saúde comunitária, tradicional e alternativa, educação popular e universidades, incluindo alguns artigos sobre formas de poder não estatal nos territórios autogeridos pelos movimentos sociais”. Novas formas de abordar, sentir e viver entre um mundo que não morreu e aquele que ainda não nasceu. Reler o mundo, reinterpretá-lo para, então, produzirmos algo distinto do colapso que avança.

Como escreveu lindamente o uruguaio que abraço teoricamente neste texto, se vivemos o colapso, ótimo, ao menos compreendemos a sua fatalidade. Pois bem, será este o nosso momento místico: “olhar o horror de frente, trabalhar a dor e o medo, avançar de mãos dadas, para que as lágrimas não turvem nossa jornada”.

¨      Os EUA e Israel estão travando uma guerra contra um Irã que eles acham que conhecem. A realidade é bem diferente. Por Ali Vaez

Quando os EUA e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã em 28 de fevereiro, a campanha foi estruturada como uma guerra aérea clássica: destruir as defesas, degradar as capacidades de retaliação e decapitar a liderança. As defesas aéreas iranianas – já bastante prejudicadas na guerra do verão anterior – foram ainda mais desmanteladas para garantir o espaço aéreo incontestado. Fábricas de mísseis, infraestrutura de drones e ativos navais foram atingidos para minar a capacidade de retaliação do Irã. E uma série constante de ataques de precisão eliminou comandantes de alto escalão, numa tentativa contínua de desorientar o processo decisório de Teerã.

De uma perspectiva puramente operacional, as vantagens têm sido evidentes. Uma vez que o espaço aéreo esteja livre, a guerra torna-se mais barata: munições abundantes e relativamente baratas podem substituir os sistemas de longo alcance que o espaço aéreo defendido normalmente exige.

O elemento da decapitação reflete um conceito militar familiar: infiltrar-se no ciclo de decisão do inimigo. A ideia é que, se líderes experientes são constantemente "eliminados", o sistema fica consumido pela sucessão, pela suspeita e pela falta de coordenação interna. A qualidade das decisões se deteriora; o tempo de resposta aumenta; a coerência se desfaz. A turbulência no topo se torna uma arma em si mesma.

Mas o domínio de táticas não garante clareza estratégica. E o risco mais profundo desta campanha reside nas premissas que a animam – premissas sobre como o Irã se comporta sob pressão e o que essa pressão produz.

Durante décadas, a política dos EUA oscilou entre duas caricaturas do Irã: uma teocracia messiânica insensível aos custos; ou uma ditadura frágil à beira do colapso. A realidade da governança iraniana sempre foi menos teatral e mais duradoura. A ideologia é central para a autopercepção do Irã, mas nunca funcionou independentemente do instinto de sobrevivência do regime.

Sob o comando do aiatolá Ali Khamenei , Teerã demonstrou repetidamente que a postura revolucionária podia coexistir com escolhas pragmáticas. O acordo nuclear de 2015 foi o exemplo mais claro. Khamenei podia chamar os EUA de "Grande Satã" publicamente e, ainda assim, autorizar negociações diretas em privado, quando a pressão das sanções ameaçava a estabilidade econômica e, por extensão, a durabilidade política. O regime não estava passando por uma conversão ideológica. Estava fazendo um cálculo estratégico.

Mesmo depois de Washington se retirar do acordo e Israel intensificar sua campanha secreta – de operações cibernéticas a assassinatos e sabotagens clandestinas – contra alvos iranianos, Teerã manteve canais parcialmente abertos. Confronto e negociação não eram contradições na abordagem do Irã. Eram ferramentas paralelas – aplicadas com uma lógica fria, sempre atrelada à preservação do regime.

Essa história é importante porque mina uma premissa central que circula atualmente em alguns círculos políticos: a de que pressão militar suficiente levará o sistema iraniano a capitular, fragmentar-se ou entrar em colapso de maneiras previsíveis. Talvez isso aconteça, mas está longe de ser inevitável. Sobrevivência é a definição mais restrita – e mais confiável – de vitória para o regime. A guerra de 12 dias do ano passado infligiu sérios danos às capacidades iranianas, mas Teerã apresentou o resultado como um sucesso porque resistiu.

Um famoso afresco em Isfahan, que retrata a batalha de Chaldiran, do século XVI , travada entre os impérios turco-otomano e persa-safávida, oferece o modelo: na pintura, os persas aparecem triunfantes, tendo derrotado seu adversário turco. O registro histórico diz o contrário: Chaldiran foi uma vitória decisiva dos otomanos. Não se trata tanto de uma tentativa de apagar a derrota, mas sim de ressignificá-la – menos uma história de perda do que uma ode à perseverança, à resistência heroica contra um inimigo que os superava em número e poder de fogo. A derrota pode ser transformada em prova de bravura, e a perseverança pode ser apresentada como triunfo.

Incapaz de igualar simetricamente o poderio militar dos EUA e de Israel, o Irã adotou uma estratégia destinada a prolongar o conflito no tempo e no espaço. Seus drones e mísseis atingiram não apenas Israel , mas também bases americanas e infraestrutura comercial em toda a região do Golfo. Os ataques são frequentemente limitados – às vezes, apenas alguns drones em vez de ondas de ataques – mas sua intenção é cumulativa. Teerã não busca apenas causar danos, mas também gerar atrito: forçar seus adversários a defenderem múltiplas frentes, testar a resiliência da política regional e aumentar gradualmente o custo econômico e psicológico de manter o rumo.

Esse ritmo moderado reflete outro cálculo. Os planejadores iranianos provavelmente entendem que suas instalações de produção de mísseis e drones são alvos prioritários e podem não sobreviver a bombardeios prolongados. Assim, o imperativo passa a ser evitar um consumo espetacular, porém exaustivo, dos estoques de armas. Preservar uma capacidade residual; controlar o ritmo do combate; manter opções de escalada em reserva. Em uma guerra longa, a contenção pode ser uma forma de preparação para a próxima fase. O conflito, portanto, é uma disputa entre cronogramas opostos. O Irã aposta na resistência. Os EUA e Israel apostam em força esmagadora – um aumento aéreo destinado a colapsar as capacidades do Irã antes que o desgaste, a ansiedade do mercado e as consequências regionais se instalem.

E se a campanha de fato conseguir enfraquecer o regime? Pode ser que não produza o resultado político que alguns parecem esperar. A ideia de que greves prolongadas desencadearão uma revolta interna ou fragmentarão o Estado reflete uma compreensão limitada da resiliência do sistema – e da sociedade que se encontra em situação precária sob ele.

Guarda Revolucionária Islâmica não é simplesmente uma instituição militar. É um império econômico, um ator político e um pilar ideológico. Atacar seu quartel-general e seus órgãos de segurança pode complicar a repressão; pode até mesmo abrir caminho para futuros protestos. Mas desmantelar uma instituição tão arraigada na estrutura do Estado – apenas por meio do poder aéreo – raramente se mostrou eficaz como estratégia de mudança.

O cenário interno do Irã também não é tão facilmente divisível quanto observadores externos às vezes imaginam. As minorias étnicas têm queixas legítimas, mas a maioria teme cenários que levem à fragmentação nacional. Mesmo muitos iranianos que se opõem ao regime e desejavam uma intervenção militar estrangeira para derrubá-lo relutam em ver o Estado entrar em colapso total, temendo o caos que se seguiria. Há uma diferença entre querer que o sistema mude e querer que o país se desintegre. Notícias de que militantes curdos nas fronteiras ocidentais do Irã, apoiados pelos EUA e por Israel, estão se preparando para um ataque terrestre contra o governo central alimentam esses temores.

Caso o Estado comece a falhar, as implicações regionais seriam profundas. A instabilidade iraniana poderia se alastrar para a já frágil ordem política do Iraque e acirrar as tensões com a Turquia , que considera a autonomia curda em qualquer lugar da região uma ameaça existencial. Uma estratégia baseada no desmantelamento interno corre o risco de exportar a desordem para uma região já saturada por ela.

Mas, por mais essencial que seja estudar o afresco em Isfahan para compreender a psique iraniana, ou observar a resiliência de um sistema que absorveu quase meio milhão de baixas durante a guerra Irã-Iraque na década de 1980 e trilhões de dólares em prejuízos econômicos ao longo de muitos anos de sofrimento com as sanções, é fundamental entender que sua liderança sitiada é propensa a erros de cálculo. O Irã pode ficar sem munição ou sem acesso ao seu poder de fogo antes de Israel e dos EUA. Ao contrário da Ucrânia, não possui um aliado externo para reabastecê-lo continuamente. Sua política de devastação do resto da região pode em breve levar seus vizinhos a passar da defesa para o ataque, rompendo relações por muitos anos. Seu regime é amplamente detestado e levou a economia e o meio ambiente do país à beira do colapso.

Não está claro se esta guerra irá destruir o Irã. Mas é possível que sim. De qualquer forma, Teerã, seus vizinhos e até mesmo seus agressores têm a perder.

 

Fonte: Por Luís Felipe Machado de Genaro, em Outras Palavras/The Guardian

 

Nenhum comentário: