sexta-feira, 6 de março de 2026

Eurico de Lima Figueiredo:  Guerra na Ucrânia – um duelo sem vencedores

Toda guerra implica em mortes e destruição entre Estados que se contrapõem. Quanto maior o poderio militar dos entes políticos envolvidos – sempre uma função de varáveis econômicas, científicas e tecnológicas –, maior a tragédia. A guerra na Ucrânia se dá entre países de natureza e pesos distintos, tanto em termos políticos e militares como também econômicos e tecnológicos.

A maioria dos analistas internacionais, deflagrado o conflito, em 22 de fevereiro de 2022, supunha que seria uma guerra relâmpago, de relativa curta duração, dada a disparidade de forças entre o país que atacava (a Rússia) e o que se defendia (a Ucrânia). Isso não aconteceu por vários e complexos motivos. Pode-se tentar indicar alguns. Do lado russo, o erro do cálculo estratégico e a subestimação das capacidades ucranianas.

Do lado ucraniano, ocorreu o aporte acelerado de recursos por parte dos países europeus e dos EUA, o que equilibrou, em termos relativos, o embate entre os dois países. Isto levou a uma guerra de atrito entre eles, resultando em desgastes prolongados em termos de vidas, na aniquilação de sofisticados e milionários sistemas de ataque e defesa e, no caso da Ucrânia, severos danos na infraestrutura de energia, transportes, habitação.

Nesse contexto, as principais consequências da guerra para as economias da Rússia e da Ucrânia são assimétricas. No âmbito da Rússia, elas são muito menos críticas do que no espaço ucraniano. A Rússia se mostrou capaz de resistir às duras sanções econômicas impostas pelos principais países europeus e pelos americanos. Reciclou sua economia, adensou suas relações com a China, buscou alternativas no campo dos BRICS e mundo afora.

Sua resiliência conta com sólidos alicerces: ela é herdeira das estruturas industriais, militares e sociais edificadas no período soviético. É ainda considerada a segunda maior potência militar do planeta e conta com o maior arsenal nuclear do planeta. O dia a dia da sua população não foi afetado pelo conflito que não ocorre em seu território, a não ser em poucos casos de ataques desfechados pelos ucranianos.

A Ucrânia, por outro lado, tem sido atingida pelos bombardeios russos que ocorrem em várias regiões do país, inclusive em sua capital, Kiev. Os conflitos armados, muitos de alta intensidade, ocorrem em seu solo e não foram poucas as cidades que foram reduzidas a escombro. Há a emigração em massa para países vizinhos, principalmente dos contingentes mais jovens o que, no futuro, criará desequilíbrios demográficos e econômicos.

Quando e se vier a paz, o país precisará contar com a ajuda eficaz e continuada dos europeus e dos americanos. Isso não é certo que ocorra pelo menos em termos suficientes para o soerguimento do país. A curto, médio e longo prazos as consequências econômicas da guerra serão completamente distintas em ambos os países.

A Rússia já ostenta a quarta posição entre as maiores economias do mundo medidas em dólares por poder de compra (PPC). Ela poderá até almejar maior status econômico e preeminência na política internacional quando do encerramento do conflito bélico. Na guerra por procuração que está sendo travada, infelizmente os prospectos do futuro para a Ucrânia não são alentadores. Requererá décadas de reconstrução nacional, seja qual for o desfecho da guerra.

À luz das considerações anteriores, pode-se dizer que a Rússia está não só sustentando suas posições na guerra, como está vendo sua economia prosperar. Mas é claro que não poderá manter uma guerra para sempre.

O desgaste não é principalmente econômico, é humano. São milhares e milhares de soldados russos mortos na frentes de batalha. As famílias e amigos dos que pereceram em combate, ou voltaram mutilados, não param de crescer. Mesmo os que retornam passam a conviver com os traumas psicológicos que um conflito de grandes e continuadas proporções causa. Isso afeta a sociedade como um todo.

Só não ocorrem maiores protestos políticos internos devido à forte repressão e duros cerceamentos impostos pelo regime de Vladimir Putin. Mas tal situação não poderá se prolongar indefinidamente. A pressão pode estar sendo reprimida, mas ela existe, está nos subterrâneos da vida política russa. Pode vir à tona de modo descontrolado com o passar do tempo. Esse é um fator que pode influenciar a busca da paz da parte dos russos.

Uma das principais fontes de recursos da economia russa vinha do petróleo e gás direcionado para a Europa, mormente a Alemanha. Nos anos iniciais da guerra o corte efetuado nas exportações desses produtos provocou um severo baque na economia daquele país. Aos poucos, entretanto, mas persistentemente, a Rússia se mostrou capaz de estreitar seus laços com a China, hoje seu principal cliente, compensando suas perdas devido às sanções que lhe foram impostas.

No entanto, os impactos sofridos na Europa foram até maiores dos que os sentidos na Rússia. Tal situação ocupa o bojo das preocupações das lideranças europeias que estão sendo obrigadas a importar muitas de suas necessidades energéticas dos EUA a preços muito maiores do que eram cobrados pela Rússia.

Já se disse que a parte mais sensível do corpo humano é o bolso. Uma situação de instabilidade como a provocada pela guerra na Ucrânia não convém às principais economias do mundo. Mais cedo ou mais tarde elas ver-se-ão obrigadas a convergir para as conversações diplomáticas que levem à paz. Aliás, parece-me ser esta a postura do presidente Donald Trump em relação ao conflito. Não é interesse humanitário. É econômico.

Toda economia de defesa é essencialmente dual. Veículos lançadores de satélites são potencialmente mísseis de longo alcance. Fábricas de automóveis podem ser adaptadas para a produção de tanques e veículos blindados. A construção de navios de transportes gera tecnologia para a fabricação de belonaves bélicas. E assim por diante.

Por outro lado, a reestruturação mais ou menos acelerada de uma economia para adaptar-se aos tempos de guerra depende de outras variáveis. Por exemplo, de uma cultura de defesa (até que ponto as pessoas estão dispostas a dar suas vidas pelo país?) e também de uma cultura estratégica, isto é, como e com qual intensidade se pensa, em um dado país, nas questões da guerra nas universidades, na mídia, nas instituições de altos estudos militares, na sua história, enfim.

Na pirâmide de defesa cabe o cume às forças armadas, mas a base se assenta na própria sociedade. Assim, a reorganização estrutural da economia para sustentar o esforço de guerra depende do estágio de desenvolvimento econômico e tecnológico, político e social de cada país no plano da defesa e da sua soberania no âmbito do poder global. Todos essas dimensões estão enraizadas no périplo histórico das nações.

No Brasil o debate sobre tudo isso apenas está nos seus primórdios. Dadas as vertiginosas transformações geopolíticas pelas quais passa o mundo, a temática demanda urgência entre nós.

<><> Drones russos do tipo Geran tornarão defesa antiaérea ucraniana impotente em 2026, diz portal

Em 2026, a Rússia vai se concentrar no aumento da velocidade de seus drones Geran com o objetivo de penetrar as defesas antiaéreas ucranianas com maior eficácia, escreve o portal Business Insider. 

O portal destaca que o drone mais utilizado pela Rússia, o Geran-2, alcança uma velocidade máxima de aproximadamente 185 km/h.

"A Rússia se adaptaria de três maneiras: instalando sistemas de evasão em seus drones, construindo corredores de voo confiáveis para as munições vagantes e pilotando-as manualmente em altitudes extremamente baixas para evitar as defesas antiaéreas", ressalta o artigo.

Nesse contexto, é apontado que Moscou vem desenvolvendo cada vez mais versões a jato do drone Geran-3, capaz de atingir velocidades de até 320 km/h.

Atualmente, o Exército russo poderia planejar aumentar a velocidade do drone Geran-3S para até 402 km/h. O drone mais recente, Geran-5, por sua vez, será capaz de atingir velocidades de até cerca de 595 km/h.

A reportagem conclui que essas inovações nos drones russos tornarão as defesas antiaéreas completamente inúteis.

Recentemente, o The Wall Street Journal escreveu, citando analistas e militares ucranianos, que Moscou supera Kiev em número de drones nas áreas-chave da frente de batalha e utiliza táticas avançadas que devastam a retaguarda das forças ucranianas.

Enquanto os drones da Ucrânia buscam atacar alvos russos geralmente dentro de 20 km da linha de frente, os numerosos drones russos tornam mortal uma área de até 40 a 70 km atrás da linha de frente, com foco em áreas que estão ainda mais distantes, detalha o jornal.

¨      Ucrânia não aderirá à UE porque França e Alemanha são contra isso, diz mídia

Os países da União Europeia (UE) resistem fortemente à possibilidade de uma adesão acelerada da Ucrânia ao bloco, escreve a agência de notícias Reuters.

A agência destaca que os líderes da França e da Alemanha estão se opondo à adesão da Ucrânia ao bloco.

"A Ucrânia simplesmente não está pronta e tem uma corrupção desenfreada", ressalta a publicação, citando um oficial europeu anônimo.

Segundo o material, os países da UE temem que a Ucrânia e outros candidatos não continuem as reformas e a luta contra a corrupção se já tiverem aderido, mesmo que com direitos limitados.

Além disso, a reportagem salienta que um diplomata da UE acredita que a ideia da expansão reversa está morta.

Nesse contexto, o material sublinha que não há motivos para indicar uma data específica de entrada da Ucrânia em vigor.

Portanto, a publicação conclui que o desejo do atual líder ucraniano Vladimir Zelensky de a Ucrânia aderir à UE até 2027 não tem nada a ver com a realidade.

Anteriormente, Zelensky exigiu que a UE aceitasse a Ucrânia como membro em 2027 e afirmou que o bloco deveria estabelecer uma "data concreta" para a adesão do país à UE.

No entanto, em 15 de fevereiro, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, reconheceu que os países-membros da UE não estão prontos para anunciar a data de adesão da Ucrânia ao bloco.

¨      Abandono do petróleo russo custou quase 30 bilhões de euros à França em 4 anos

A França pagou quase 27,4 bilhões de euros (R$ 167,9 bilhões) a mais por petróleo importado entre 2022 e 2025 após abandonar o petróleo russo, segundo cálculos da Sputnik com base em dados do Eurostat.

Em dezembro de 2022, a União Europeia proibiu a importação de petróleo russo transportado por via marítima e, a partir de fevereiro de 2023, estendeu a proibição também aos produtos petrolíferos. As sanções impostas provocaram um choque no mercado, pressionando os preços para cima.

Se em 2021 a França comprava petróleo por 60,6 euros por barril (cerca de R$ 371,5), em 2025 o preço médio pago já havia subido para 65,95 euros por barril (cerca de R$ 403,3).

Como resultado, os gastos franceses com a importação de petróleo aumentaram significativamente. Antes das sanções, o país importava cerca de 16,7 bilhões de euros (R$ 102,4 bilhões) em petróleo por ano, enquanto em 2025 o valor chegou a 24,3 bilhões de euros (R$ 148,9 bilhões).

O volume importado em barris cresceu de forma mais moderada. Em 2025, a França importou 368,9 milhões de barris, contra 357,6 milhões em 2024, 364,5 milhões em 2023, 331,3 milhões em 2022 e 275,9 milhões em 2021.

Com o aumento dos preços, a perda estimada apenas em 2025 foi de 1,9 bilhão de euros (R$ 11,6 bilhões). Somando os anos de 2022 a 2024, a França teria pago 25,5 bilhões de euros (R$ 156,3 bilhões) a mais.

Assim, desde o início das sanções antirrussas, a perda total para a França chegou a 27,4 bilhões de euros (R$ 167,9 bilhões).

De acordo com cálculos da agência, para todo o bloco europeu a perda acumulada desde a introdução das sanções contra a Rússia chega a 282,6 bilhões de euros (R$ 1,73 trilhão).

Em dezembro de 2025, o comissário europeu de Energia, Dan Jorgensen, afirmou que o bloco apresentará no início de 2026 uma proposta legislativa para proibir totalmente a importação de petróleo russo pela União Europeia.

<><> Político francês chama Alemanha de cavalo de Troia dos EUA na União Europeia e na OTAN

O líder do partido de direita Levantar a França, Nicolas Dupont-Aignan, chamou a Alemanha de cavalo de Troia de Washington na União Europeia (UE) e na OTAN depois que o chanceler alemão Friedrich Merz disse que pretendia continuar a convencer a Espanha a aumentar os gastos com defesa.

Na terça-feira (3), Merz afirmou em uma reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, que Berlim, juntamente com outros Estados-membros da OTAN, continuaria a tentar persuadir a Espanha a elevar seus gastos com defesa para 5% do PIB.

"Que patético, Merz, entregando os espanhóis a Donald Trump ao vivo! Os alemães são o cavalo de Troia dos EUA na União Europeia e na OTAN! E o [presidente francês] Emmanuel Macron propõe a eles [alemães] a gestão conjunta de nossa dissuasão nuclear", escreveu Dupont-Aignan em sua página na rede social X.

Macron anunciou em seu discurso sobre o programa de dissuasão nuclear na segunda-feira (2) que Berlim participaria da nova doutrina nuclear de Paris. O líder francês e o chanceler da Alemanha também divulgaram uma declaração conjunta afirmando que França e Alemanha estabeleceram um grupo conjunto sobre questões nucleares.

As autoridades espanholas têm reiterado que o país está cumprindo seus compromissos com a OTAN. O premiê espanhol, Pedro Sánchez, ao comentar as críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, destacou que, quando os socialistas chegaram ao poder em 2018, os gastos com defesa eram cerca de 0,9% do PIB, e o atual governo vem consistentemente eliminando os déficits acumulados nos anos anteriores.

Ao mesmo tempo, Sánchez afirmou que Madri não pretende elevar os gastos militares acima de 2% do PIB, apesar dos apelos de Washington para aumentá-los a 5%.

 

Fonte: A Terra é Redonda/Sputnik Brasil

 

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