O
que diz o direito internacional sobre ataque ao Irã
O
secretário geral da ONU, António Guterres, condenou a ofensiva contra o Irã, lançada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. Ele citou a proibição,
pela Carta da ONU, do uso da força
contra outro país e afirmou que os ataques representavam "uma grave ameaça
à paz e à segurança internacionais".
A
especialista em direitos humanos Gissou Nia, do think tank Atlantic
Council, afirma que o ataque ao Irã "obviamente"
não é legal segundo o direito internacional e que a maioria dos juristas
internacionais concordaria com isso.
"Trata
se de uma violação da Carta da ONU", afirma. "Estamos lidando com um
ataque ao Irã que, obviamente, não é legal segundo o direito internacional nem
segundo as próprias leis dos EUA sobre como entrar em guerra."
Para o
jurista e especialista em direito internacional Christoph Safferling, da
Universidade de Erlangen Nuremberg, o direito internacional é bastante claro.
"Existe uma proibição abrangente do uso da força. A independência
territorial e a integridade política de um Estado soberano devem ser
respeitadas. E não é isso o que vemos neste caso", declarou ao portal
alemão de notícias Tagesschau. "Esses ataques aéreos atingem o Irã como
Estado soberano e são, portanto, ilegais segundo o direito internacional."
Nia
ressalva, porém, que o sistema legal internacional também falhou em
"oferecer reparação aos 92 milhões de iranianos, muitos dos quais sofreram
violações do direito internacional e foram vítimas de crimes atrozes cometidos
regime iraniano ao longo de 47 anos".
Esta
não é a primeira vez em que a legalidade de operações militares realizadas
pelos EUA é questionada. Ao contrário de guerras passadas, como a invasão do
Iraque em 2003, desta vez o governo dos Estados Unidos parece pouco interessado
em convencer o mundo de que está agindo de acordo com o direito internacional.
"Eu não preciso do direito internacional", disse Trump em entrevista
ao jornal The New York Times em 7 de janeiro de 2026,
acrescentando: "Não quero machucar pessoas."
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EUA e Israel podem alegar legítima defesa?
Autoridades
dos EUA e de Israel argumentaram que estavam agindo contra ameaças iranianas,
especialmente o risco de o Irã produzir e usar uma arma nuclear. Mas
especialistas afirmam que não está claro se essas ameaças eram suficientemente
imediatas para atender às rígidas regras de legítima defesa da ONU.
Segundo
o Artigo 51 da Carta da ONU, um Estado pode usar a força em legítima defesa
apenas após sofrer um ataque armado. Uma interpretação mais ampla entre
juristas também permite o uso da força diante de uma "ameaça
iminente", embora essa interpretação seja altamente contestada.
Autoridades
iranianas repetidamente ameaçaram "destruir" Israel. Mas
especialistas observam que a retórica hostil, por si só, não torna legal o uso
preventivo da força.
Em meio
ao aumento da tensão entre EUA e Irã, altos funcionários dos EUA alertaram para
as capacidades nucleares do Irã, como o enviado especial Steve Witkoff, que
sete dias antes do ataque disse que o Irã estava "provavelmente a uma
semana" de produzir material de qualidade industrial para fabricação de
bombas.
Isso
contrasta, porém, com declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que
afirmou, após os bombardeios de junho de 2025 no Irã, que as instalações
nucleares iranianas haviam sido "obliteradas".
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A morte de Khamenei foi legal?
Matar o
chefe de Estado de um outro país, mesmo de um país inimigo em tempos de guerra,
é algo muito raro. O direito internacional diz que combatentes militares podem
ser alvos em tempos de guerra, mas matar intencionalmente um líder político é
visto como assassinato político, especialmente se o ataque em si não for
justificado segundo a Carta da ONU, como muitos especialistas afirmam no atual
caso do Irã.
Tudo
isso torna a morte de Khamenei, nos ataques
conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã, uma das ações mais delicadas do ponto de
vista legal do atual conflito até agora.
Nia
observa que, ao mesmo tempo, a morte de Khamenei é também a morte de um líder
supremo iraniano que é responsável por centenas de milhares de mortes ao longo
dos anos e, mais recentemente, pelo massacre de 8 e 9 de janeiro de 2026, um
dos piores cometidos num único dia na história contemporânea. "Portanto,
nesse sentido, muitos iranianos estão agradecidos. Mas alguns também dizem que
gostariam de tê-lo visto num tribunal para responder por seus crimes. É,
portanto, muito complicado."
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E as leis dos EUA que proíbem assassinar líderes?
Os EUA
também proíbem o envolvimento de membros do seu governo em assassinatos
políticos. Essa proibição foi estabelecida numa ordem executiva assinada pelo
presidente Gerald Ford em 1976 e posteriormente modificada por outros
presidentes. Ela declara que "nenhuma pessoa empregada pelo governo dos
Estados Unidos ou agindo em seu nome deve participar ou conspirar para
participar de assassinato político".
Ainda
assim, ao longo das últimas décadas, os EUA gradualmente enfraqueceram essa
proibição. "A linha já era muito tênue desde o início", diz o
professor de relações internacionais Luca Trenta, da Universidade Swansea, do
Reino Unido. "Os EUA adotaram a interpretação de que ações tomadas em
legítima defesa não violariam a proibição."
Ele diz
que matar um líder estrangeiro por meio de ataques a infraestruturas ou
complexos de comando e controle não é mais considerado assassinato político e
menciona como exemplo o ataque aéreo dos EUA em 1986 que tentou matar o então
ditador líbio, Muammar Kaddafi.
"A
diferença hoje é que o governo dos EUA e Trump, pelas redes sociais, estão
assumindo total responsabilidade por este assassinato político [de
Khamenei]."
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É permitido que o Irã responda atacando outros países?
O Irã
lançou mísseis e drones contra Israel e contra bases e outros alvos dos EUA no
Golfo Pérsico logo após o início dos ataques. O regime iraniano afirmou que
está agindo em legítima defesa, após ter sido atacado. Pelo direito
internacional, um Estado que sofre um ataque armado pode responder em legítima
defesa.
Mas os
ataques a locais civis, por exemplo em Israel e Dubai, evidenciam limites
legais claros: atingir civis é proibido pelo direito humanitário internacional,
e atacar países não envolvidos no conflito também é ilegal.
Analistas
classificam algumas ações do Irã como "legítima defesa mal
direcionada", especialmente quando os ataques atingiram territórios de
países que abrigam forças dos EUA e não apenas os países que atacaram o Irã.
Foram
relatados ataques com mísseis ou drones originados do Irã em vários países da
região, incluindo Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Israel, Kuwait,
Jordânia, Arábia Saudita, Omã e Chipre.
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Qual foi a reação de outros países?
Os aliados europeus reagiram com
cautela. Muitos governos evitaram criticar diretamente os EUA e Israel, apesar
de expressarem preocupação com uma guerra regional mais ampla. Muitos
permaneceram em silêncio sobre a legalidade dos ataques iniciais dos EUA e
Israel, mas condenaram a retaliação iraniana.
O
chanceler federal alemão, Friedrich Merz, afirmou no domingo
que "as regras existentes, incluindo as do direito internacional, estão
sendo cada vez menos respeitadas", mas acrescentou que agora "não é
hora de dar lições a nossos parceiros e aliados". Ele disse que, nas últimas
décadas, várias tentativas foram feitas para influenciar o Irã por meio de
medidas baseadas no direito internacional, o que "obviamente não teve
efeito".
Numa
reação inicial, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen,
classificou os acontecimentos no Irã como "profundamente
preocupantes" e destacou a necessidade de proteger civis e respeitar o
direito internacional.
Outros
foram mais diretos, como primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.
"Repudiamos o regime do Irã, que reprime, que mata de forma vil seus
cidadãos, em especial as mulheres, mas ao mesmo tempo também rejeitamos o
conflito e pedimos uma solução diplomática e política", disse, sublinhando
que tanto os ataques ao Irã como a resposta do regime iraniano desrespeitam o
direito internacional e a Carta das Nações Unidas.
Fora da
Europa, as reações foram mistas. Parceiros próximos, como Austrália e Canadá,
expressaram apoio aos EUA, enquanto outros mantiveram distância. Rússia e
China, por sua vez, criticaram duramente a operação de EUA e Israel.
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Mais um sinal do enfraquecimento do direito internacional?
Especialistas
alertam que o conflito pode ser um ponto de virada. À medida que Estados
poderosos recorrem cada vez mais a ataques unilaterais e alegações amplas de
legítima defesa, as regras destinadas a impedir guerras podem estar se
deteriorando.
"Acho
que estamos vendo o surgimento de um tipo impiedoso de intervenção estrangeira,
sem especial preocupação com limites legais domésticos ou internacionais",
diz Trenta.
Ele
avalia que o governo Trump, ao executar ataques ou operações militares, não tem
demonstrado grande interesse em justificar suas ações com base no direito
internacional. "Isso pôde ser visto no caso de Nicolás Maduro, que foi
capturado na Venezuela", disse. "A justificativa apresentada
praticamente ignorou o direito internacional e se apoiou apenas no direito
interno dos EUA."
Ele
chama especial atenção para o risco de o mundo estar testemunhando uma escalada
de assassinatos políticos, o que poderia motivar outros países a fazerem o
mesmo.
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Por que as negociações entre EUA e Irã fracassaram?
Dois
dias antes do início da guerra dos Estados Unidos e Israel
contra o Irã,
autoridades iranianas e americanas sentaram à mesa, na cidade suíça de
Genebra, em busca de uma solução para o programa nuclear do regime iraniano.
Apesar
da tensão e do clima de conflito iminente, com o massivo aparato militar americano a
postos perto do Irã, membros do governo iraniano e mediadores de Omã
descreveram as negociações como positivas, com "progressos
significativos".
O Irã ofereceu garantias de que não buscaria adquirir
material nuclear para a produção de uma bomba atômica. Esse compromisso foi um
"avanço muito importante" que "nunca havia sido alcançado
antes", disse o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi,
na sexta-feira (27/02), à emissora americana CBS News e em suas redes
sociais.
No dia
anterior, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, também
havia destacado o "progresso" e o "entendimento mútuo"
entre os envolvidos, em uma postagem no X.
O
ataque de sábado, portanto, surpreendeu quem acompanhava as negociações. O
presidente dos EUA, Donald Trump, chamou a ação das Forças Armadas americanas
de "grandes operações de combate" e a justificou citando
"ameaças" de Teerã.
"Nosso
objetivo é defender o povo americano, eliminando ameaças iminentes do regime
iraniano", disse Trump, em mensagem de vídeo.
O
primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apresentou
argumento semelhante: "Este regime terrorista assassino não pode ser
autorizado a se armar com armas nucleares que lhe permitiriam ameaçar toda a
humanidade", disse ele, também em mensagem de vídeo.
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Um mal-entendido?
Nesse
contexto, pairam dúvidas sobre se houve mal-entendidos fundamentais na análise
das negociações e quão plausíveis podem ser as razões oficiais para o ataque.
Para
Marcus Schneider, chefe do Projeto Regional de Paz e Segurança no Oriente Médio
da Fundação Friedrich Ebert, com sede em Beirute, esse tipo de confusão é
improvável. Em vez de um mal-entendido, ele acredita que o movimento foi
"uma última tentativa dos omanis de impedir que essa guerra, que agora
está começando, acontecesse".
Segundo
ele, os americanos expressaram "muito menos entusiasmo" pelas
negociações, permanecendo em silêncio sobre o andamento das conversas.
Diba
Mirzaei, especialista em Irã do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais
(GIGA), em Hamburgo, também duvida que tenha havido percepções discrepantes
sobre as conversas. "Não acho que essas negociações tenham sido
interpretadas de maneira diferente", diz ela.
O
ministro das Relações Exteriores de Omã, ao falar tão enfaticamente sobre a
possibilidade de se chegar a um acordo melhor do que em 2015, acabou revelando
"o que realmente está em jogo".
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Posições "extremamente diferentes"
Schneider
destaca que a posição de cada país variou muito desde o início. "As
negociações nunca poderiam ter sido bem-sucedidas porque as posições eram
extremamente diferentes", diz ele. O que Washington exigia era
"equivalente a uma rendição total" — o que o Irã não estava disposto
a fazer.
Além
disso, seria improvável que o chefe da diplomacia de Omã se manifestasse
publicamente sem provas concretas, afirma Mirzaei. "Acredito que ele foi à
imprensa para deixar claro mais uma vez a oportunidade que os EUA perderiam se
atacassem o Irã."
No
entanto, Mirzaei diz não ter se surpreendido com o ataque. Considerando o envio
de grande número de navios de guerra e equipamentos militares dos EUA para a
região há semanas, era "improvável" que isso fosse apenas uma
demonstração de força, segundo ela.
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Erro de avaliação dos EUA?
Schneider
afirma que os Estados Unidos podem ter
entrado nas negociações com uma avaliação equivocada sobre o rival.
"Acredito que também houve um erro de avaliação em relação à natureza e ao
caráter desse regime", diz. Washington aparentemente esperava que Teerã
desistisse diante da enorme expansão militar. "Mas um regime tão
ideologicamente motivado não está preparado para fazer esse movimento."
Schneider
também refuta a justificativa de Trump de que o Irã representa uma ameaça
iminente aos EUA. Para ele, um plano da República Islâmica de atacar os EUA era
"improvável". O conflito, portanto, não é uma resposta
"preventiva", mas uma "guerra de escolha".
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Estratégia de escalada
"Foram
conversas sérias com o objetivo de negociar um novo acordo — ou, nas palavras
de Trump, um 'acordo melhor'", pontua Mirzaei. Mas a experiência mostra
que o presidente dos EUA se baseia numa estratégia de escalada, aumentando a
pressão para incentivar concessões. Resta saber se essa lógica levará a um
acordo viável nas circunstâncias atuais, acrescenta ela.
Schneider
considera o ataque inicial de Israel, seguido logo em seguida pelo dos EUA, uma escolha
tática e difícil de separar politicamente. Tal cenário havia sido discutido em
Washington, tendo em vista o ceticismo da base trumpista. Mas o ataque parece
ter sido coordenado. "Basicamente, pode-se supor que ambos os lados
atacaram quase ao mesmo tempo", com os israelenses atacando apenas
"dois segundos antes", afirma.
"O
problema é que o Irã não é a Venezuela. O Irã também não é o Iraque de
2003", diz Mirzaei, acrescentando que Trump manobrou os EUA e a região
"para um cenário em que um acordo só pode ser alcançado com grande
dificuldade".
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Ação americana no Irã acirra dilema diplomático na Europa
As ruas
das capitais europeias foram tomadas por iranianos neste fim de semana depois
que ataques dos EUA e de Israel mataram o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.
"O
ditador está morto. Este é o melhor dia da minha vida", disse um homem à
DW enquanto dançava pelas ruas de Bruxelas.
Do
outro lado da cidade, autoridades da União Europeia (UE) não são menos
críticas ao regime iraniano. O bloco impôs uma série de sanções a Teerã por
violações de direitos humanos e emitiu duras reprimendas aos recentes ataques
retaliatórios do país contra Estados do Golfo.
No
entanto, a Europa agora se vê diante de um dilema diplomático familiar.
Os
ataques dos EUA e de Israel, que, segundo o Crescente Vermelho, mataram mais de
500 no Irã, estão alinhados ao direito internacional e à ordem baseada em
regras da qual a UE tantas vezes afirma ser guardiã?
Porta-vozes
do bloco passaram boa parte da coletiva desta segunda-feira (02/03) desviando
exatamente dessa pergunta feita por jornalistas.
Na retórica
da UE, prevalecem as críticas à brutalidade do regime dos aiatolás e ao seu
programa nuclear, além do apoio a uma mudança de governo na República
Islâmica.
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EUA rejeitam "guerra politicamente correta"
No
domingo (01/03), a base militar britânica em Acrotíri, no Chipre, foi
alvo de drones iranianos. Um deles não foi interceptado e atingiu a pista
de pouso da base, trazendo o conflito pela primeira vez ao solo europeu.
Na
segunda-feira, o presidente americano Donald Trump disse que os EUA estavam
"garantindo que o maior patrocinador de terrorismo do mundo jamais obtenha
uma arma nuclear" e trabalhando para destruir as capacidades militares do
Irã.
Mas
Washington não fez qualquer tentativa de justificar seus ataques por meio de
estruturas internacionais. O movimento foi inverso. O secretário de Defesa Pete
Hegseth afirmou que os EUA estavam agindo "nos nossos termos, com o máximo
de autoridade [...], independentemente do que dizem as chamadas instituições
internacionais".
"Sem
regras de combate estúpidas, [...] sem exercícios de construção da democracia,
sem guerras politicamente corretas", afirmou.
O chefe
do Pentágono ainda alfinetou os "aliados tradicionais" dos EUA, que
"torcem e levam as mãos ao peito, hesitando e reclamando sobre o uso da
força", disse.
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Europa evita embate direto com Washington
A
mensagem de Hegseth terá recepções muito diferentes em uma UE dividida.
Até o
momento, França, Alemanha e Reino Unido alertaram o Irã de que estão prontos
para adotar ação militar para defender seus aliados no Golfo.
"Tomaremos
medidas para defender nossos interesses e os de nossos aliados na região,
potencialmente permitindo ações defensivas necessárias e proporcionais para
destruir, na origem, a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones",
dizem no texto.
Na
sequência, o primeiro‑ministro britânico Keir Starmer afirmou que o Reino Unido
permitiu que os Estados Unidos usem bases britânicas para atingir mísseis
iranianos e seus locais de lançamento. A medida havia sido anteriormente
rejeitada pelo premiê.
O
ataque à base britânica no Chipre aconteceu após o anúncio de Starmer. A
suspeita é que o drone tenha sido lançado do Líbano a partir de grupos aliados
do Irã.
Em
Berlim, o chanceler federal alemão Friedrich Merz disse que "agora não é o
momento de dar lições a nossos parceiros e aliados". "Apesar de
nossas reservas, compartilhamos muitos de seus objetivos", afirmou a jornalistas no domingo.
Segundo
o premiê alemão, "avaliações jurídicas à luz do direito internacional
terão relativamente pouco efeito" no que diz respeito a promover mudanças
políticas no Irã.
Já na
capital espanhola, o primeiro-ministro Pedro Sánchez adotou um tom diferente.
"Rejeitamos
a ação militar unilateral dos Estados Unidos e de Israel, que representa uma
escalada e contribui para uma ordem internacional mais incerta e hostil",
escreveu ele no sábado.
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Ataques aéreos criam precedente?
O fato
é que esse debate permanecerá em grande parte no campo dos livros de direito –
porque provavelmente não será julgado em um tribunal. Em tese, o Conselho de
Segurança da ONU pode emitir sanções ou impor zonas de exclusão aérea em casos
de conflito, mas Freedman aponta que os EUA vetaram qualquer ação contra si ou
seus aliados – assim como a Rússia tem impedido ações contra sua guerra na
Ucrânia.
Marc
Weller, do Chatham House, diz que é exatamente por isso que governos como os
europeus deveriam ser mais vocais. "Essa relutância em destacar
condutas ilegais pode encorajar uma percepção mais ampla de que o uso da força
como instrumento de política nacional está se tornando aceitável
novamente", alerta. "Não será fácil se opor a mais agressões russas
ou a uma potencial expansão chinesa se não houver
princípios claros nos quais se apoiar, sem desencadear acusações de duplo
padrão e hipocrisia", pontua Weller.
Fonte:
DW Brasil

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