terça-feira, 3 de março de 2026

Por que revide do Irã contra aliados dos EUA no Oriente Médio levanta questões sobre capacidade de defesa americana

Irã respondeu neste sábado (28/2) com duas ondas de ataques a países do Oriente Médio após ser alvo de bombardeios dos Estados Unidos e de Israel em seu território.

No total, foram alvos dos ataques Catar, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia e Iraque, além de Israel.

Neste domingo (1/3), após a confirmação da morte do líder supremo, Ali Khamenei, Teerã retomou os bombardeios. Explosões foram ouvidas em Doha, capital do Catar, e também em Dubai, parte dos Emirados Árabes Unidos (siga em tempo real a cobertura).

Entre sábado e este domingo, pelo menos uma pessoa morreu e 11 ficaram feridas em ataques nos aeroportos de Dubai e Abu Dhabi, essa ultima também parte dos Emirados.

Na primeira bateria de ataques, durante a manhã de sábado, o regime dos aiatolás reagiu lançando mísseis contra Israel, o que foi confirmado pelo exército do país, e contra várias nações da região onde os Estados Unidos possuem interesses militares ou que são aliadas.

"Todos os territórios ocupados e as bases criminosas dos Estados Unidos na região foram atingidos pelos potentes impactos dos mísseis iranianos. Esta operação continuará sem descanso até que o inimigo seja derrotado de forma decisiva", afirmou a Guarda Revolucionária do Irã.

Na tarde de sábado, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica anunciou uma nova onda de ataques com mísseis contra bases americanas no Oriente Médio, segundo informa a agência de notícias AFP, citando a televisão estatal iraniana.

A amplitude dos alvos de Teerã nesta resposta é muito diferente da reação controlada de junho do ano passado, quando reagiu ao ataque dos EUA com o lançamento de alguns mísseis contra bases americanas na área, mas sem outros avanços.

Segundo Frank Gardner, correspondente de Segurança da BBC News, "isso é diferente": "É mais grave e perigoso do que qualquer outra coisa anterior".

Outro correspondente de segurança, Jonathan Beale, citou que o ataque iraniano à base da Marinha dos EUA no Bahrein "destacou lacunas nas defesas aéreas, o que vai preocupar Washington e seus aliados na região".

A análise argumenta que apesar da superioridade militar dos EUA, o volume de mísseis e drones do Irã, que incluem milhares de mísseis balísticos e drones de ataque, significa que Washington pode não conseguir impedir completamente ações contra seus interesses na região.

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, informou que o país tem o direito de responder e proteger sua integridade.

Araghchi manteve conversas telefônicas com seus homólogos de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Iraque, comunicando que o Irã utilizará "todos os seus recursos defensivos e militares em virtude do legítimo direito à autodefesa".

Ele também ressaltou que estes países têm a "responsabilidade de impedir o uso indevido de suas instalações e territórios" por parte dos Estados Unidos e de Israel para realizar ataques.

Por sua vez, o Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC) do Irã apontou que o "inimigo" assumiu erroneamente que o povo iraniano "se renderia às suas mesquinhas demandas mediante ações tão covardes".

Segundo o SNSC, as forças armadas do Irã já haviam começado a tomar medidas de retaliação e se comprometeram a "manter continuamente informado o querido povo".

Além disso, advertiu que as operações dos Estados Unidos e de Israel poderiam continuar em Teerã e outras cidades, instando os cidadãos a "manter a calma" e viajar para áreas mais seguras quando fosse possível para evitar perigos.

Segundo informou a agência oficial de notícias iraniana Fars, o país tinha como objetivo atingir as bases aéreas Al Udeid no Catar, Ali Al Salem no Kuwait, Al Dhafra nos Emirados Árabes Unidos e a base naval da Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein.

<><> Israel

Em Israel, as sirenes soaram em cidades como Jerusalém, e o país confirmou que as Forças de Defesa de Israel haviam interceptado mísseis lançados do Irã.

Não houve informações de feridos.

No entanto, as Forças de Defesa de Israel advertiram em um comunicado que "a defesa não é hermética e, portanto, é essencial que o público siga as diretrizes" das autoridades.

<><> Emirados Árabes Unidos

Nos Emirados Árabes Unidos, o Ministério da Defesa afirmou em um comunicado que o país foi alvo de "um ataque flagrante com mísseis balísticos iranianos".

"Os sistemas de defesa aérea dos Emirados Árabes Unidos responderam com grande eficácia e interceptaram com sucesso vários mísseis", acrescentou.

No entanto, segundo o ministério, os destroços caíram sobre uma zona residencial de Abu Dhabi, a capital, causando alguns danos materiais e a morte de um civil cujo nome não foi revelado.

A BBC, além disso, recebeu uma foto de uma testemunha ocular que mostra uma coluna de fumaça perto do hotel Fairmont The Palm, em Dubai.

O governo de Dubai confirmou posteriormente o incidente e informou que quatro pessoas ficaram feridas e que o incêndio foi controlado.

O governo dos emirados condenou o ataque como uma "escalada perigosa" e um "ato covarde", e sublinhou que "reserva-se todo o direito de responder".

Não se sabe com certeza quais eram os objetivos do Irã nos emirados, mas existe presença militar americana no país.

Em Abu Dhabi, a Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos e a dos EUA dividem a base aérea de Al Dhafra.

E o porto de Jebel Ali, em Dubai, é o maior porto que abriga a Marinha dos EUA no Oriente Médio, acolhendo porta-aviões e outros navios americanos.

<><> Bahrein

Bahrein, sede da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, também foi alvo de um ataque com mísseis do Irã.

Imagens gravadas por testemunhas, postadas nas redes sociais e verificadas pela BBC mostram uma grande explosão nessa base naval.

O Centro Nacional de Comunicações do Bahrein afirmou que o centro de serviços da Quinta Frota havia sido "objeto de um ataque com mísseis". Este centro é responsável pelas operações no Golfo, no Mar Vermelho, no Mar da Arábia e em partes do Oceano Índico.

Outras imagens verificadas procedentes do Bahrein mostram colunas de fumaça escura enquanto soam as sirenes em toda a cidade.

A embaixada dos EUA em Manama, a capital do pequeno país insular no Golfo Pérsico, emitiu um alerta de segurança no qual advertia sobre um "ataque iminente com drones ou mísseis no Bahrein", e instou os cidadãos americanos a se "refugiar no local onde se encontrem, revisar os planos de segurança em caso de ataque e permanecer alerta diante de possíveis ataques futuros".

<><> Catar

Em Doha, a capital do Catar, a correspondente da BBC Barbara Plett Usher também pôde ouvir explosões, e o Ministério da Defesa do país informou que havia interceptado vários mísseis, aparentemente direcionados contra a base aérea de Al Udeid, a maior base militar americana da região.

O Ministério do Interior declarou, no entanto, que os ataques não haviam causado danos.

"Temos recebido alertas de emergência em nossos telefones advertindo a população para que permaneça em suas casas. Ainda há trânsito nas estradas, mas menos que em outros dias", relatou Plett Usher.

Em Doha, a base aérea de Al Udeid é o quartel-general avançado do Comando Central dos EUA.

<><> Arábia Saudita

A Arábia Saudita confirmou que o Irã atacou Riad, advertindo que se reserva o direito de se defender.

O reino expressou sua "mais enérgica condenação aos flagrantes e covardes ataques iranianos contra as regiões de Riad e a Província Oriental, que foram repelidos", declarou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.

"Diante desta agressão injustificada, o reino afirma que tomará todas as medidas necessárias para defender sua segurança e proteger seu território, seus cidadãos e seus residentes, inclusive com a opção de responder à agressão".

Os EUA têm mais de 2.000 soldados na Arábia Saudita, alguns dos quais estão destacados a cerca de 60 km ao sul de Riad, na base aérea Príncipe Sultão.

Essa base dá apoio aos ativos do Exército dos Estados Unidos, incluindo as baterias de mísseis Patriot e os sistemas de defesa antiaérea de grande altitude (THAAD).

Os líderes da Arábia Saudita, Catar e Omã haviam instado anteriormente o governo de Donald Trump a não atacar o Irã.

<><> Kuwait

O coronel Saud Abdulaziz Al-Atwan, porta-voz do Ministério da Defesa do Kuwait, publicou no X que a base aérea Ali Al-Salem, onde a força aérea americana está presente, havia sido atacada por vários mísseis balísticos, mas que as forças de defesa aérea do país conseguiram interceptá-los.

A BBC recebeu imagens registradas em uma rodovia do Kuwait que parecem mostrar as consequências de um ataque. Pode-se ver um caminhão em chamas, e o que parece ser um carro dos bombeiros.

Mais tarde, a Autoridade Pública de Aviação Civil do Kuwait afirmou que um drone atacou o Aeroporto Internacional do Kuwait, assegurando que a situação estava sob controle.

<><> Jordânia

Na Jordânia, país vizinho de Israel, as forças armadas informaram que derrubaram dois mísseis balísticos que tinham como objetivo atingir o seu território.

As autoridades jordanianas detalharam que caíram "objetos e escombros" em vários lugares do reino "sem causar vítimas, apenas danos materiais" e disseram que seguiam de perto os acontecimentos na região e reiteraram que a principal prioridade do reino era salvaguardar a segurança da sua população.

<><> Iraque

De acordo com a agência Reuters, as defesas aéreas americanas derrubaram um drone sobre uma base militar americana perto de Erbil, no Iraque.

A AFP, por sua vez, relatou que foram ouvidas explosões perto do consulado do país na cidade.

Duas pessoas morreram em ataques aéreos contra uma base militar iraquiana que abrigava o poderoso grupo pró-Irã Kataeb Hezbollah, que ameaçou os Estados Unidos com uma resposta.

¨      Os riscos da grande aposta de Trump no Irã: 'Não se pode mudar um regime sem tropas em terra'

Ao atacar o Irã e matar o líder supremo do regime, Ali Khamenei, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma aposta enorme: a de que pode ter sucesso onde presidentes americanos anteriores fracassaram, usando a força militar americana para reconfigurar o Oriente Médio.

Trump proclamará uma vitória geracional se os Estados Unidos conseguirem destruir completamente o programa nuclear do Irã e provocar uma mudança de regime em Teerã utilizando apenas o poder aéreo, mesmo que, a partir de Washington, não pareça haver um plano claro sobre o que viria depois da República Islâmica.

Mas, se o ataque militar, denominado Operação Fúria Épica pelo Pentágono, fracassar ou desencadear uma conflagração regional mais ampla que exija uma participação contínua dos Estados Unidos, Trump poderá prejudicar seu legado, assim como as chances dos republicanos de manter o controle do Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato, em novembro.

O presidente deixou claro o que está em jogo em declarações feitas nas primeiras horas de sábado, quando anunciou o início de uma campanha militar no Irã.

"Heróis americanos podem ser perdidos", disse Trump. Ele argumentou que esse seria um preço necessário para infligir danos a um regime que, segundo ele, tem semeado o caos no Oriente Médio desde que chegou ao poder em 1979.

"Durante 47 anos, o regime iraniano entoou 'Morte à América'", afirmou Trump. E acrescentou mais tarde: "Não vamos tolerar isso por mais tempo".

Mas, enquanto o mundo espera para ver o que o regime iraniano fará após a morte de seu líder supremo, ainda está por se ver se Trump conseguirá evitar uma campanha militar prolongada.

Também é uma incógnita se ele conseguirá convencer a opinião pública americana — e especialmente sua base, que em grande parte se opõe às intervenções dos Estados Unidos no exterior — a apoiar mais uma incursão no Oriente Médio.

É um momento decisivo para Trump, que retornou ao cargo há pouco mais de um ano com a promessa de pôr fim às chamadas "guerras eternas", como as que os Estados Unidos travaram no Afeganistão e no Iraque, mas que acabou lançando operações militares no Irã, na Venezuela e na Síria, entre outros países.

<><> O temor por um conflito prolongado

Os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel ocorreram depois que a Casa Branca advertiu que haveria um ataque caso o regime não aceitasse um acordo para abandonar seu programa de armas nucleares, deixar de produzir mísseis balísticos e retirar o apoio a grupos aliados como o Hamas e o Hezbollah.

Após concentrar uma enorme força militar na região, Trump passou a noite de sexta-feira supervisionando o ataque à medida que ele se desenrolava, ao lado de seus principais assessores em sua residência na Flórida, em Mar-a-Lago.

Em Washington, o vice-presidente, J.D. Vance, a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, e outros altos funcionários da administração se reuniram na Sala de Situação da Casa Branca, segundo uma fonte familiarizada com o assunto, e se conectaram por linha de conferência com Trump para acompanhar o bombardeio em tempo real.

A morte de Khamenei representa uma grande escalada, mas analistas alertam que ela pode escapar ao controle de Trump.

"O dado já está lançado, e agora os Estados Unidos precisam ir até o fim para alcançar uma mudança de regime. O problema é que não se pode fazer isso sem tropas no terreno", disse Mohammed Hafez, professor da Escola de Pós-Graduação Naval, na Califórnia.

Os ataques de retaliação do Irã contra vários aliados dos Estados Unidos na região — Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Catar e outros — indicaram que o regime planeja responder de forma mais agressiva do que após o ataque americano do ano passado, acrescentou.

"A estratégia do regime iraniano será criar um conflito regional que afete a economia global e a economia americana, e isso não seria algo positivo para Trump", afirmou Hafez, especialista em violência política islâmica e política do Oriente Médio. "Isso pode se transformar em um atoleiro."

Um conflito prolongado no Oriente Médio poderia afetar outras prioridades de Trump na região, como a reconstrução de Gaza após a guerra entre Israel e Hamas e o fortalecimento dos laços com a Arábia Saudita.

Também poderia afastar seus eleitores em um momento em que seus índices de aprovação vêm sendo afetados pela frustração dos americanos com o custo de vida e outras questões internas.

Nas últimas semanas, vários altos funcionários da administração expressaram preocupações sobre uma grande operação militar no Irã, segundo um ex-funcionário do primeiro governo Trump que continua próximo de sua equipe e conhece as deliberações internas na Casa Branca.

Trump demonstrou confiança na missão no sábado, após decidir lançar o ataque e pôr fim a semanas de especulação sobre um possível bombardeio. Mas também enviou sinais contraditórios que levantaram novas dúvidas sobre quais são os objetivos de guerra dos Estados Unidos.

"Posso prolongar isso e assumir o controle de tudo, ou terminar em dois ou três dias" e manter a ameaça de novos ataques sobre a mesa, disse Trump ao portal Axios.

Mais tarde, afirmou nas redes sociais que "o bombardeio intenso e preciso… continuará, sem interrupção, durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário".

As declarações ressaltaram o que os críticos descrevem como a abordagem improvisada de Trump na política externa e sua falta de interesse em preparar o terreno para conquistar o apoio de legisladores e da opinião pública local antes de lançar ataques militares.

É essa mesma abordagem pouco convencional que, segundo seus aliados e apoiadores, lhe permitiu acumular sucessos, incluindo um cessar-fogo acordado em Gaza e um maior compromisso financeiro europeu com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Sem aprovação do Congresso

Trump fez pouco previamente para apresentar aos americanos um argumento detalhado sobre por que é do interesse do país iniciar uma guerra com o Irã.

O presidente poderia ter usado seu discurso sobre o Estado da União na semana passada para expor suas razões, mas decidiu não fazê-lo.

O presidente lançou a campanha militar sem buscar primeiro a aprovação do Congresso. Ainda assim, a maioria dos republicanos expressou apoio à medida neste sábado.

"O Irã está enfrentando as severas consequências de suas ações malignas", afirmou o presidente da Câmara dos Deputados, Mike Johnson, em comunicado.

"O presidente Trump e a administração fizeram todos os esforços possíveis para buscar soluções pacíficas e diplomáticas em resposta às persistentes ambições e ao desenvolvimento nuclear do regime iraniano, ao terrorismo e ao assassinato de americanos e até mesmo de seu próprio povo."

Mas a falta de coordenação com o Congresso enfureceu os democratas e alguns membros do próprio partido de Trump que se opõem aos ataques americanos.

"Donald Trump está arrastando os Estados Unidos para uma guerra que o povo americano não quer", enfatizou em comunicado a ex-vice-presidente e candidata democrata em 2024, Kamala Harris. Ela acrescentou que "nossas tropas estão sendo colocadas em perigo pela guerra escolhida por Trump".

O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, afirmou que a administração não forneceu "detalhes críticos sobre o alcance e a urgência da ameaça" ao Congresso nem ao povo americano. "Os ciclos erráticos de Trump de atacar e arriscar um conflito mais amplo não são uma estratégia viável", disse.

A forte reação dos democratas no sábado sugere que Trump pode ser obrigado a travar uma batalha política interna enquanto conduz a nova guerra no Oriente Médio, justamente quando começam as eleições primárias rumo às cruciais eleições legislativas de novembro.

Os democratas da Câmara realizarão uma reunião no domingo à noite para discutir sua resposta à campanha militar, segundo duas fontes que falaram sob condição de anonimato para comentar os planos.

O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, disse que os democratas retomarão na próxima semana a tentativa de submeter a votação uma resolução para limitar os poderes de guerra de Trump em relação ao Irã.

"É fácil prender o líder de outro país, como na Venezuela, mas o que você faz nos dias seguintes?", disse um assessor democrata da Câmara. A administração "não articulou uma estratégia nem um objetivo".

Trump, por sua vez, declarou à emissora NBC no sábado: "Em algum momento, vão me ligar (do Irã) para perguntar quem eu gostaria (como líder). Estou sendo um pouco sarcástico quando digo isso".

E, embora as eleições legislativas de novembro sejam cruciais para definir o que Trump poderá alcançar no restante de seu mandato — como presidentes anteriores já descobriram —, sua decisão de lançar uma ação militar extraordinária no Oriente Médio pode se revelar ainda mais determinante para a definição de seu legado.

 

Fonte: BBC News

 

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