terça-feira, 3 de março de 2026

4 sinais de glicose alta na boca de quem tem diabetes; dentista revela

Pessoas com diabetes têm maior risco de problemas bucais devido à dificuldade do organismo em combater bactérias e à suscetibilidade à inflamação. Além disso, estudos mostram que cinco em cada seis indivíduos com a condição apresentam maior propensão a doenças gengivais.

Para detalhar esses sinais, o portal Um Diabético conversou com Cristina Houck, dentista, microbiologista e professora, que estuda a relação entre saúde bucal e diabetes. Ela também é mãe de uma criança com diabetes tipo 1, o que portanto reforça sua perspectiva prática e científica.

>>>> 1. Candidíase oral

A candidíase oral, conhecida popularmente como sapinho, é uma infecção fúngica que pode surgir quando a glicose está elevada. Nesse contexto, Cristina Houck alerta que a presença de placas esbranquiçadas ou feridas na boca exige atenção, pois pode indicar descontrole glicêmico.

>>>> 2. Boca seca

A sensação constante de boca seca, chamada xerostomia, pode sinalizar níveis altos de glicose. Por outro lado, essa condição aumenta o risco de cáries e inflamação gengival. Segundo a especialista, a higiene bucal se torna ainda mais importante nesses casos.

>>>> 3. Gengivite

A gengivite se manifesta com gengivas vermelhas, inchadas ou retraídas, deixando os dentes com aparência mais longa. Cristina Houck explica que esse é o estágio inicial da inflamação causada pela placa bacteriana. Ainda assim, muitas pessoas não percebem a gravidade do problema até que ele avance.

>>>> 4. Periodontite: risco de perder os dentes

A periodontite é a complicação oral mais grave relacionada ao diabetes. Caracteriza-se por sangramentos, escurecimento da gengiva e mau hálito. Enquanto isso, Cristina Houck alerta que essa condição pode levar à perda de dentes e exige atenção médica e odontológica conjunta. Consequentemente, o acompanhamento contínuo é fundamental.

<><> Prevenção e cuidados diários

Mesmo sem sinais visíveis, é possível reduzir o risco de complicações bucais. A especialista recomenda:

•        Higiene bucal rigorosa com escovação e uso do fio dental

•        Consultas regulares ao dentista

•        Controle efetivo da glicose

Cristina reforça que a prevenção é mais eficaz quando o diabetes está sob controle, evitando que problemas bucais avancem e impactem a qualidade de vida.

•        Diabulimia: entenda por que algumas pessoas com diabetes deixam de usar insulina para emagrecer

A diabulimia consiste na omissão ou redução intencional da dose de insulina com o objetivo de perder peso. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o comportamento mantém a glicemia elevada de forma constante e provoca perda de glicose na urina, o que leva ao emagrecimento.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o DSM-5, descreve essa prática como um transtorno alimentar associado ao diabetes tipo 1. Nesse contexto, a pessoa deixa de aplicar ou reduz doses de insulina para alterar o peso corporal.

<><> Como a diabulimia provoca perda de peso

A insulina permite a entrada da glicose nas células. Quando a pessoa reduz ou omite a aplicação, a glicose permanece elevada no sangue. Além disso, o organismo elimina parte dessa glicose pela urina, fenômeno chamado glicosúria.

Como resultado, o corpo perde calorias e ocorre emagrecimento. No entanto, a hiperglicemia se mantém de forma persistente. Portanto, o controle metabólico se deteriora mesmo quando a pessoa segue outras orientações.

<><> Internações e descompensação da glicemia

A diabulimia aumenta o risco de cetoacidose diabética, condição que exige atendimento hospitalar. Além disso, a prática também pode provocar hipoglicemias graves, especialmente quando há alternância entre omissão e uso irregular de insulina.

Nesse cenário, a hemoglobina glicada permanece elevada. Enquanto isso, o organismo sofre com a exposição contínua a níveis altos de glicose.

<><> Complicações crônicas em menos de cinco anos

A manutenção da glicemia elevada acelera o surgimento de complicações crônicas do diabetes tipo 1. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, pessoas com diabulimia podem desenvolver retinopatia, neuropatia e nefropatia em menos de cinco anos de diagnóstico.

Portanto, o impacto não se limita ao peso corporal. Ainda assim, muitos pacientes minimizam a frequência com que deixam de usar insulina, o que dificulta o diagnóstico.

<><> Sinais de alerta e investigação pelos profissionais

Jovens com diabetes podem associar a manipulação da insulina a outras práticas de purgação. Entre elas estão vômitos, uso de laxantes, diuréticos e exercícios físicos em excesso com foco exclusivo na perda de peso.

Nesse contexto, profissionais de saúde devem investigar preocupação excessiva com peso e imagem corporal. Além disso, controle glicêmico persistentemente inadequado, apesar de orientações prescritas, exige avaliação cuidadosa.

A diabulimia figura entre os transtornos alimentares com maior risco para pessoas com diabetes tipo 1. No entanto, o número de casos permanece subnotificado, já que muitos pacientes relatam apenas parte do comportamento.

Para quem convive com diabetes, a informação e o acompanhamento regular fazem diferença na prevenção de complicações. Portanto, equipes de saúde precisam abordar o tema de forma direta durante as consultas.

 

Fonte: Um Diabético

 

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