Fim
da escala 6 x 1: entenda o tortuoso caminho que a proposta ainda tem pela
frente no Congresso
O fim
da escala 6x1 — aquela em que o funcionário trabalha seis dias na semana e tem
apenas um dia de descanso — começou a tramitar na Câmara dos Deputados, em meio
a fortes pressões a favor e contra a proposta.
O apelo
popular tornou a pauta uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) meses antes da eleição de outubro, enquanto o presidente da
Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), anunciou a proposta como uma das
prioridades do ano legislativo de 2026.
Na
quinta-feira (26/2), ele disse que o fim da escala 6x1 pode ser votado em maio
no plenário da Casa.
Antes,
a matéria tem que passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ),
responsável por analisar se a proposta está de acordo com a Constituição
brasileira, e uma comissão especial, que debaterá mais a fundo os detalhes da
proposta.
A
redução da escala, porém, enfrenta forte resistência de alguns partidos e de
lideranças empresariais, que vão tentar adiar a chegada da pauta no plenário.
Opositores
da mudança, os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil,
Antonio Rueda, disseram que vão trabalhar junto a Motta para que a proposta
fique emperrada na CCJ. A fala ocorreu durante evento com empresários em São
Paulo na segunda-feira (23/2).
"Vamos
dar a vida pra isso", reforçou Valdemar.
A
leitura dos dois é que, por ser uma proposta com forte apelo popular, será
difícil evitar sua aprovação caso a matéria seja apreciada meses antes do
pleito eleitoral, quando boa parte dos deputados e dos senadores tentarão
renovar seus mandatos nas urnas.
A
posição foi acompanhada por Rueda, que disse que o fim da escala 6x1 vai
aumentar os custos de produção das empresas.
"Eu
tenho uma posição pessoal. Quando você olha para qualquer país desenvolvido,
essa proposta é muito danosa para a economia e para o setor produtivo. E ela é
posta de maneira eleitoral. Então, é muito claro que isso aí tem por finalidade
colher dividendo eleitoral", afirmou, no mesmo evento, segundo o jornal
Folha de S.Paulo.
Por ser
uma proposta de alteração da Constituição, a PEC precisa ser aprovada com texto
idêntico na Câmara e no Senado para entrar em vigor.
<><>
Escolhido para relatar proposta, Paulo Azi diz que mudança por aumentar
'pejotização'
O
deputado relator da proposta na CCJ é do partido de Rueda — Paulo Azi
(União-BA) será responsável por escrever um relatório sobre a admissibilidade
da proposta, ou seja, se ela está ou não de acordo com a Constituição Federal.
Ele foi
escolhido com aval de Motta, que previu um prazo de 30 dias para a pauta ser
votada na CCJ em março.
Em
entrevista ao portal Jota, Azi disse que pretende marcar audiências públicas
para debater a proposta, com representantes dos trabalhadores e do setor
produtivo. Sua intenção é também ouvir os ministros do Trabalho, Luiz Marinho,
e da Fazenda, Fernando Haddad.
Ele
também defendeu a discussão de compensações para os setores mais afetados pela
eventual redução da escala, como a adoção de benefícios fiscais.
Segundo
Azi, sem esse cuidado, por haver aumento da "pejotização" (quando
trabalhadores atuam como pequena empresa, em vez de ter sua carteira assinada).
"A
informalidade e a pejotização, elas exercem um efeito dramático nas contas da
Previdência, porque são milhões de trabalhadores que não contribuem para a
Previdência Social e o rombo só faz aumentar. Então, essa alteração pode ter um
efeito danoso sobre essas relações de trabalho, sim ou não?", disse ao
Jota.
Defensores
do fim da escala 6 x 1 dizem que a medida vai melhorar a qualidade de vida e a
saúde mental dos trabalhadores, que terão mais tempo de descanso, lazer e
convívio familiar.
A
campanha pela mudança começou como o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que
tem como liderança Rick Azevedo, vereador do PSOL no Rio de Janeiro.
Ex-balconista de farmácia, ele foi eleito após viralizar no TikTok desabafando
sobre sua rotina de trabalho, com só um dia de folga por semana.
Em
recente entrevista à BBC News Brasil, Azevedo rebateu as queixas de empresários
contra a redução da escala de trabalho.
"Eles
querem causar esse pânico econômico para continuar sugando o trabalhador seis
dias na semana, para apenas um dia de folga, e receber um salário que muitas
vezes não dá nem para comer."
"Se
eu estivesse falando para você aqui agora, 'vamos acabar com a escravidão no
país', os economistas de hoje iriam falar a mesma coisa: que o país não tem
estrutura para acabar com a escravidão, que o país ia quebrar", reforçou.
<><>
Governo apoia redução com jornada de 40 horas semanais
A pauta
ganhou visibilidade no Congresso com uma proposta de emenda constitucional
(PEC) apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) em fevereiro de 2025,
que busca estabelecer ao menos três dias de descanso, com a escala 4x3.
Esse
texto prevê "duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias
e trinta e seis horas semanais, com jornada de trabalho de quatro dias por
semana".
Caso o
fim da escala 6x1 seja aprovado, a tendência é que o Congresso adote uma
redução menor da carga de trabalho.
O
ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, tem defendido a redução da
jornada para 40 horas semanais.
"Não
vejo o Brasil caminhar rapidamente para 36 horas semanais. Falar de 44 para 36
em uma tacada só não seria salutar e sustentável", disse em janeiro, em
entrevista ao programa "Bom dia, Ministro", quando chamou a atual
jornada de "cruel".
Lula
defende que a mudança seja adotada sem redução da remuneração dos
trabalhadores.
"Nosso
próximo desafio é o fim da escala 6x1 de trabalho, sem redução de salário. O
tempo é um dos bens mais preciosos para o ser humano. Não é justo que uma
pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo
e a mente e curtir a família", defendeu, na mensagem enviada ao Congresso
no início de fevereiro, sobre as prioridades do governo.
• Da absolvição do estupro, à manipulação
da mídia tradicional e à resistência ao fim da escala 6x1, Por Elisabeth Lopes
Há uma
sucessão de assédios estruturais e abusos naturalizados no país, impulsionados
por segmentos políticos ideológicos da extrema direita e direita oportunista
que operam em diferentes frentes: na manutenção das exaustivas jornadas de
trabalho, nas decisões judiciais diferenciadas de acordo com a condição social
das partes, em afronta aos princípios constitucionais da isonomia e da
imparcialidade que comprometem a credibilidade do Poder Judiciário, na atuação
da mídia hegemônica que distorce cotidianamente os fatos para ajustá-los à
conveniência de seus financiadores, comprometendo a pluralidade informativa e
enfraquecendo o debate público democrático. Trata-se de um sistema articulado
de poder que se manifesta na exploração dos menos favorecidos, na captura
simbólica da verdade e na consolidação de uma justiça questionável que se
reveste de legalidade para legitimar violações graves de direitos.
Recentemente,
o país se deparou com uma decisão judicial estarrecedora da 9ª Câmara Criminal
do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), que absolveu um homem de 35
anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos. O relator, desembargador Magid
Nauef Láuar, valeu-se de uma construção argumentativa que relativiza o
inaceitável e banaliza a violência praticada contra a vítima, ao sustentar que
“o relacionamento entre o acusado e a menor não decorreu de ato de violência,
coação, fraude ou constrangimento, mas sim de um vínculo afetivo consensual,
com prévia anuência dos pais da vítima e vivenciado publicamente”. A tese desse
magistrado ignorou frontalmente o princípio jurídico basilar de que menores de
14 anos são absolutamente incapazes de consentir, convertendo a proteção legal
em argumentação justificadora.
Essa
decisão gerou um clima maior de indignação pública, diante de denúncias
apresentadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) inicialmente por Saulo
Láuar, primo do magistrado, que o acusou de tentativa de abuso quando tinha 14
anos, seguidas de outras supostas vítimas que relataram comportamentos
semelhantes atribuídos ao juiz. Diante deste cenário, a suspeição moral e a
fragilidade ética que cercaram o caso resultaram no afastamento cautelar do
desembargador de todas as suas funções pelo CNJ, a fim de que a apuração dos
fatos ocorra de maneira livre e sem interferências.
Nada
mais oportuno do que associar essa decisão à crítica problematizada na ala
Família em Conserva da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói que simbolizou a
hipocrisia de estruturas familiares que, sob o discurso da moralidade, ocultam
violências e abusos. A semelhança com a decisão majoritária da 9ª Câmara da
qual divergiu apenas a desembargadora Kárin Emmerich, única mulher no colegiado
formado por mais dois homens não é fortuita. Magistrados que se apresentam como
guardiões da moral e dos bons costumes absolveram o agressor de uma criança,
invertendo valores elementares de proteção à infância. Foi necessária intensa
mobilização social e política para que o próprio relator, em decisão
monocrática posterior, acolhesse recurso do Ministério Público e restabelecesse
a condenação de primeira instância do estuprador e da mãe da vítima. O recuo
não apaga o dano simbólico produzido, mas revela a força da pressão democrática
quando a sociedade se recusa a naturalizar o inaceitável.
Não
menos preocupantes são os abusos reiterados praticados por setores da mídia
corporativa, cujos profissionais parecem ter desaprendido fundamentos
elementares do ofício jornalístico. Vendem não apenas sua força de trabalho,
mas a própria integridade intelectual, ao fabricarem versões distorcidas de
falas de lideranças progressistas que contrariam a orientação ideológica de
seus patrões. No episódio recente ocorrido durante entrevista coletiva com o
presidente Lula, na Índia, o jornalista Tiago Eltz, da TV Globo, dirigiu-lhe
uma pergunta construída sobre uma afirmação que Lula não fez, numa tentativa
evidente de induzir a uma interpretação equivocada. Caso o presidente não
estivesse atento à manipulação implícita, a declaração falsificada teria sido
imediatamente convertida em manchete. A repetição desse expediente revela uma
prática sistemática da mídia hereditária, como a de criar ruídos e, quando
possível, produzir desgaste político a partir de distorções calculadas.
Nesta
semana, o jornalismo da mesma emissora ao reconhecer a independência da Polícia
Federal no governo Luiz Inácio Lula da Silva, aproveitou a divulgação do pedido
encaminhado pela PF ao ministro André Mendonça para abrir o sigilo do filho do
presidente, Fábio Luís Lula da Silva, para inserir ilações políticas que
extrapolam o fato noticioso. Ao afirmar que o governo foi “engolido” por uma PF
autônoma e por um Judiciário que teria decidido “devolver o jogo”, a narrativa
sugere um enquadramento interpretativo que antecipa disputa eleitoral e
tensionamento institucional. Tal abordagem reforça a percepção de que a
emissora mantém postura sistematicamente crítica ao presidente Lula, utilizando
episódios investigativos como oportunidade para construir cenários de desgaste
político, ainda que sob o verniz de análise institucional. Sob uma lógica de
“morde e assopra”, o jornalismo investigativo da Globo divulga diariamente
rumores provenientes de bastidores da oposição, com o claro propósito de
manipular a percepção pública e atribuir culpabilidade ao filho do presidente
antes da finalização das investigações em curso pela Polícia Federal.
Para
além dos abusos e assédios já mencionados, outras formas de violência
estrutural se manifestam no cenário nacional. Enquanto o governo Lula aponta
como prioridade a aprovação do fim da escala exaustiva 6x1, setores
empresariais e a imprensa hereditária articulados a bancadas parlamentares
bolsonaristas se movimentam para impedir que a Proposta de Emenda à
Constituição avance. Em encontro com empresários promovido pelo Grupo Esfera,
em São Paulo, no dia 23/02, Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal
e Antônio Rueda, presidente do partido União Brasil, afirmaram que atuarão para
barrar a proposta ainda na Comissão de Constituição e Justiça, evitando que
chegue ao plenário da Câmara.
Esse
movimento não ocorreu de forma isolada. O posicionamento de Valdemar foi
articulado em sintonia com Flávio Bolsonaro, que permanece estrategicamente em
silêncio para não desgastar sua imagem nem perder apoios em diferentes frentes
na eleição para presidência da República. A reação, celebrada por empresários
presentes, deixa claro o objetivo de preservar margens de lucro sustentadas
pela sobrecarga do trabalhador, como se o direito ao descanso fosse uma ameaça,
e não uma conquista civilizatória. Às vésperas das eleições de outubro, o
cálculo eleitoral se impõe sobre o interesse público. O bolsonarismo prefere
negar ao trabalhador a possibilidade concreta de melhorar sua qualidade de vida
a permitir que o governo colha dividendos políticos por uma medida justa.
Na
mesma linha a Folha de São Paulo em meio a suas perspectivas empresariais,
chegou a divulgar uma análise segundo a qual o brasileiro trabalharia menos
horas que a média mundial. Este tipo de comparação, ao se apoiar em médias
globais descontextualizadas, ignora fatores estruturais excessivamente
precários da realidade do trabalho no Brasil. De modo análogo na resistência à
pauta trabalhista, o presidente do partido Republicanos, o deputado federal
Marcos Pereira (SP), também bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, sem
piedade aos trabalhadores submetidos a jornadas escravizantes de trabalho e,
não raro, pagadores de dízimo para sua igreja empresa, declarou-se contrário ao
fim da escala 6x1 ao afirmar de modo surreal que “ócio demais faz mal” e que mais
tempo livre deixaria o trabalhador “mais exposto a drogas”, sugeriu ainda que o
trabalhador pobre não saberia administrar adequadamente seu período de
descanso, associando-o a vícios.
Essa
atuação revela, em essência, uma lógica de mesquinhez, uma vez que na avaliação
da oposição, a proposta do fim da escala excessiva poderá gerar reconhecimento
ao governo, então deve ser travada, ainda que o preço seja a manutenção do
cansaço crônico de milhões de brasileiros. Políticas públicas que ampliam
direitos e enfrentam privilégios de uma minoria sempre fizeram parte da
natureza de governos progressistas. Resistir a elas não é apenas divergência
ideológica, é a escolha consciente de proteger interesses concentrados mesmo
quando isso significa adiar um avanço social necessário.
Há um
traço comum que conecta os abusos judiciais, as manipulações midiáticas e a
resistência empresarial à ampliação de direitos trabalhistas, uma vez que todos
recaem, de maneira desproporcional, sobre o mesmo sujeito histórico, o povo
brasileiro vulnerável. É ele quem suporta as jornadas exaustivas, quem sofre os
efeitos da justiça seletiva, quem é induzido por argumentos falaciosos
fabricados e quem paga o preço da promiscuidade entre poder econômico e poder
político. A engrenagem é sofisticada, mas o alvo é simples, a de manter
estruturas de privilégio intactas.
Não se
trata apenas de distorções pontuais. Há no país uma teia persistente de
interesses que opera tanto na superfície institucional quanto nas zonas
subterrâneas do Estado. Organizações criminosas expandem seus tentáculos para
além da violência explícita e se sofisticam por meio de negócios com aparência
de legalidade, infiltrando-se em múltiplos setores produtivos e financeiros,
sobretudo nos grandes centros urbanos. A captura não é apenas territorial, como
no domínio armado das milícias em determinados colégios eleitorais, é também
normativa e financeira, quando redes de influência se articulam no Legislativo,
no Executivo e, não raramente, encontram complacência no Judiciário e em
setores da segurança pública.
A
execução de Marielle Franco não foi apenas o assassinato brutal de uma
parlamentar, foi uma mensagem política. Mulher preta, oriunda da favela,
defensora de direitos humanos, tornou-se alvo de um projeto de intimidação que
pretendia reafirmar fronteiras de poder. A repercussão nacional e internacional
frustrou parcialmente o intento de silenciamento, e parte dos responsáveis foi
condenada nesta semana. Ainda assim, permanecem zonas sombrias. Quantos
interesses foram efetivamente desvendados? Quantas conexões permaneceram
intocadas? A história brasileira é farta em exemplos de crimes, abusos e
assédios cujos mandantes reais se diluem no transcurso do tempo e da
influência.
Em
períodos eleitorais, essa mesma estrutura se reorganiza sob a estética do
populismo moralista. Discursos que invocam Deus, pátria e família ocultam
práticas reiteradas de patrimonialismo, enriquecimento ilícito e
instrumentalização da fé como mecanismo de mobilização política. A retórica
conservadora serve como disfarce para agendas econômicas alinhadas aos
interesses do grande capital financeiro, frequentemente afinadas com os ditames
da Faria Lima, que não disputa votos, mas exerce poder determinante sobre os
rumos do país. A desigualdade extrema não é casual, é sim um projeto.
Nesse
sentido, a reconfiguração da figura de Flavio Bolsonaro, pre candidato à
presidência da República como moderada integra essa estratégia. A suavização de
discurso, os acenos calculados a segmentos diversos da sociedade e a tentativa
de dissociar imagem pessoal de práticas deletérias de seu pai não alteram a
substância do programa político que representa, de absoluto retrocesso da
democracia e dos êxitos e avanço do governo progressista praticado por Lula na
reconstrução do país após a barbárie e devastação em todos os âmbitos
civilizatórios protagonizada pelo desclassificado governo bolsonaro. Trata-se
de uma operação de reposicionamento simbólico que conta, muitas vezes, com a
benevolência seletiva de setores da mídia corporativa, historicamente mais
severos com governos progressistas do que com agentes associados ao campo
oportunamente conservador.
A
pergunta que se impõe não é apenas até quando o povo será enganado, mas até
quando as forças democráticas permitirão que a manipulação se normalize como
método de disputa política. O Brasil reúne condições materiais, culturais e
institucionais para avançar rumo a uma sociedade menos desigual e menos
violenta. O que bloqueia esse movimento não é a ausência de alternativas, mas a
persistência de um sistema de poder que se retroalimenta da desinformação, da
captura institucional e da exploração econômica.
Romper
esse ciclo exige mais do que indignação difusa; exige consciência crítica,
memória histórica e compromisso coletivo com mudanças estruturais profundas.
Enquanto a justiça não for verdadeiramente isonômica, a mídia não for plural e
responsável, e o poder político continuar atrelado aos interesses
concentradores de renda, os abusos se reproduzirão sob novas roupagens,
encarnados por uma legião de personagens nocivos, que se espalham como ecos de
uma mesma lógica de poder: Flávios Bolsonaro, Waldemar Costa Neto, Antônio
Rueda, Daniel Vorcaro, Michele Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Eduardo Cunha,
Arthur Lira, Ciro Nogueira, Tarcísio de Freitas, entre tantos outros. Esses
indivíduos se perpetuam nos escombros da República, transformando a política em
instrumento de poder pessoal e manutenção de privilégios.
Nesse
horizonte opressor é hora de o povo brasileiro desse Brasil de “sobrenome
Silva”, evocado no samba da Acadêmicos de Niterói que ecoou na avenida, romper
o ciclo da manipulação, reconhecer seus próprios interesses históricos e não
permitir, mais uma vez, que a desinformação e o moralismo oportunista
determinem o seu voto. O futuro do país não pode continuar refém daqueles que
prosperam com a desigualdade, ele deve ser decidido por quem deseja, de fato,
reconstruir o Brasil sobre bases democráticas, sociais e republicanas.
Fonte:
BBC News Brasil/Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário