Ataques
de Israel e EUA ao Irã provocam pânico
Por
volta de 9h40 deste sábado (28/02) no horário local (3h10 de Brasília),
iranianos em várias cidades relataram ter ouvido fortes explosões. Vídeos que
circulam nas redes sociais mostram pessoas perto dos locais das explosões
correndo em pânico, com gritos e choro ao fundo. Mas, segundo o serviço persa
da BBC, ao mesmo tempo parece haver um senso de alívio — até de celebração —
entre opositores que acreditam que a queda do regime só pode vir por meio de
intervenção militar. Em um vídeo, uma mulher fala com tom de alívio
inconfundível, dizendo que a residência do aiatolá Khamenei foi atingida. Outro
clipe mostra adolescentes em uma escola dançando e cantando que os ataques
aconteceram, acrescentando: "Eu amo o Trump." Muitas pessoas vinham
antecipando um possível ataque dos EUA. Desde a noite de sexta-feira,
formaram-se longas filas em postos de gasolina, e muitos moradores da capital,
Teerã, começaram a deixar a cidade rumo ao norte, perto do mar Cáspio, que
consideram mais seguro.
Com o
Irã sob um quase total apagão de internet desde o início dos ataques, tem sido
difícil contactar qualquer pessoa dentro do país. Algumas pessoas conseguiram
acessar a internet brevemente usando métodos como a internet via satélite
Starlink, da SpaceX, e redes privadas virtuais (VPNs), e podem conseguir
fazê-lo novamente.
A BBC,
no entanto, conseguiu contatar várias figuras pró-regime que falaram sobre a
situação em Teerã. "Ouvimos muitas explosões. Moro no meio de Teerã",
disse uma delas ao programa BBC Newshour. "Este era um dia normal até que
os Estados Unidos e Israel começaram a atacar a cidade. Nossos filhos foram
para a escola de manhã. Tivemos que ir buscar as crianças." Outra pessoa
disse ao programa BBC Weekend que ouviu caças e duas explosões no início da
manhã de seu escritório no norte da cidade. A atmosfera era tensa e havia uma
sensação de guerra no ar. Ela disse que as pessoas estavam fazendo compras e
estocando comida enlatada. Um morador disse ao serviço persa da BBC via
Starlink que havia uma forte presença de segurança nas ruas que levam ao
complexo onde está o gabinete do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
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'Cuidem de nossos filhos'
Antes
do apagão, algumas pessoas publicaram mensagens nas redes sociais para o caso
de serem mortas em ataques aéreos. "Se eu morrer, não se esqueçam que nós
também existimos — aqueles de nós que se opõem a qualquer ataque militar,
aqueles de nós que virarão apenas um número nos relatos de mortos",
escreveu um iraniano nas redes. Outro escreveu: "Maldita a ditadura
islâmica que causou esta guerra. Já suportamos três guerras."
Algumas
postagens destacam a tensão na comunicação e o medo pelas crianças presas no
conflito: "A internet está quase fora do ar... Se a rede cair totalmente,
saibam que não somos soldados de nenhum líder, nem dano colateral", disse
outro usuário. "Somos humanos e temos direito à vida. Tentem fazer nosso
futuro democrático, não dependente de indivíduos." Outro usuário escreveu:
"Prometam que, se algo nos acontecer, vocês cuidarão de nossos filhos e
serão muito, muito gentis com eles. Digam a eles que fizemos tudo o que
podíamos — participamos de marchas silenciosas, votamos, trabalhamos múltiplos
turnos, suportamos grandes dificuldades."
Segundo
o serviço persa da BBC , muitos iranianos que viveram o que foi descrito como
uma das repressões mais sangrentas contra civis na história moderna dizem agora
acolher a mudança de regime — mesmo que venha por meio de intervenção militar e
da morte de altos funcionários. Outros, porém, temem que ataques aéreos por si
só possam não derrubar o regime. Eles se preocupam que ele possa sobreviver e,
em resposta, tornar-se ainda mais brutal com seu próprio povo.
Na
época dos protestos de mais de um mês atrás, nos quais milhares foram mortos, o
presidente dos EUA, Donald Trump, havia incentivado os iranianos a continuarem
protestando, prometendo que a ajuda estava a caminho. Agora, alguns iranianos
relatam receber mensagens de texto dizendo "A ajuda chegou" —
instando as pessoas a ficarem em casa e conclamando as forças do regime a depor
as armas. Mas o sentimento público pode mudar drasticamente se civis forem
mortos nos ataques, com muitos iranianos reagindo com indignação depois que a
mídia estatal informou que um ataque israelense a uma escola de meninas matou
dezenas de pessoas. Não há confirmação independente sobre o ataque e as mortes
na escola.
Um
iraniano vivendo no exterior, que se opõe à intervenção militar no Irã,
comentou: "As primeiras vítimas desta guerra são 40 meninas em Minab,
atingidas por um ataque de míssil. É essa a guerra que vocês aplaudem?"
A
profunda desconfiança em relação ao regime iraniano, no entanto, torna os
relatos oficiais difíceis de aceitar para muitos, e alguns iranianos culparam
diretamente o regime pelo ataque. Um usuário escreveu: "Mesmo que o regime
não tenha mirado diretamente em escolas, as mortes de crianças em Minab
continuam sendo responsabilidade da República Islâmica. As pessoas não têm
abrigos, a internet está cortada, as linhas telefônicas estão fora do ar e não
houve aviso para manter as crianças fora da escola. Nessas condições, o mínimo
deveria ser ficar em casa."
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Após morte de líder supremo Ali Khamenei, Israel e Irã
trocam novos ataques
Estados Unidos e Israel lançaram uma
série de ataques coordenados contra o Irã na manhã de sábado (28/2). Horas
depois, o presidente do EUA, Donald Trump, afirmou que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, havia sido morto
nos bombardeios. O governo iraniano também confirmou a morte de Khamenei.
Segundo um comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã,
Khamenei morreu na manhã de sábado do horário local, em seu escritório,
"enquanto realizava tarefas". A BBC Verify confirmou, usando imagens
de satélite, que partes do complexo da Casa da Liderança, escritório de
Khamenei em Teerã, sofreram danos significativos durante os ataques conjuntos
de EUA e Israel.
O
anúncio oficial da morte do líder supremo no Irã foi feito por um apresentador
da TV estatal que, em meio a soluços, disse que o país entraria em um período
de luto de 40 dias. A Assembleia de Peritos, um conselho de clérigos do país
islâmico, deverá nomear um sucessor para Khamenei o mais breve possível. Neste
domingo (1/3), Alireza Arafi foi nomeado líder supremo interino. Trump, por sua
vez, afirmou em uma mensagem que Ali Khamenei foi "uma das pessoas mais
perversas da história".
O
americano acrescentou ainda que esta seria "a maior oportunidade que o
povo iraniano já teve para recuperar seu país", sugerindo uma janela para
mudança de regime no país persa.
Neste
domingo (1/3), após a confirmação da morte de seu líder supremo, o Irã
comunicou que voltaria a atacar Israel e bases americanas no Oriente Médio,
retomando os bombardeios de retaliação que começara no sábado. "A operação
ofensiva mais devastadora da história das forças armadas da República Islâmica
do Irã começará em instantes em direção aos territórios ocupados e às bases
terroristas americanas", disse a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) em
um comunicado.
Foram
reportados bombardeios em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em Doha, capital
do Catar, no Bahrein e no Kuwait. Israel também confirmou que voltou a
bombardear o Irã neste domingo. Segundo um comunicado das Forças de Defesa de
Israel (IDF), o alvo seriam posições ligados ao governo iraniano "no
coração de Teerã". "Ao longo do último dia, a Força Aérea Israelense
realizou ataques em larga escala para estabelecer superioridade aérea e abrir
caminho para Teerã", disseram as IDF. A mídia iraniana confirmou que
explosões foram ouvidas na capital.
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Como o sucessor de Khamenei será escolhido?
Neste
domingo, Alireza Arafi foi nomeado líder supremo interino. O clérigo é membro
do Conselho dos Guardiães, órgão que era chefiado por Ali Khamenei e cuja
função principal é garantir que as leis aprovadas pelo Parlamento estejam em
concordância com a Constituição e com a lei islâmica. Segundo a agência de
notícias iraniana ISNA, Arafi foi escolhido para o Conselho de Liderança do
Irã, que ficará encarregado de desempenhar as funções do líder supremo até que
um novo líder seja eleito. Arafi fará parte do conselho temporário ao lado do
presidente Masoud Pezeshkian e do juiz-chefe Gholamhossein Mohseni Ejei.
A
escolha formal de um novo líder supremo não ocorre por votação direta, mas sim
por escolha de um órgão composto por 88 clérigos de alto escalão, conhecido
como Assembleia de Peritos. Eles são eleitos por votação direta a cada 8 anos. De
acordo com a Constituição iraniana, esses clérigos devem escolher o novo líder
supremo o mais rápido possível, mas isso pode se mostrar difícil por razões de
segurança, visto que o país está sob ataque.
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Como foi o primeiro dia de ataques?
Pouco
após as 9h30 no horário local (3h10 em Brasília), a mídia iraniana relatou
explosões na capital, Teerã. Imagens divulgadas mostravam fumaça sobre as
praças Jomhouri e Hassan Abad. Explosões também foram relatadas em várias
outras cidades no país, incluindo Karaj, perto de Teerã, Isfahan e Qom, no
centro do país, e Kermanshah, no oeste. Vídeos que circulam nas redes sociais
mostram pessoas correndo em pânico nos locais das explosões. O som de gritos e
choro pode ser ouvido ao fundo. Imagens de Teerã verificadas pela BBC mostram
explosões a menos de 1 km do complexo onde reside o supremo líder do país, o
aiatolá Ali Khamenei. Imagens de satélites também mostraram danos consideráveis
no complexo, incluindo edifícios queimados, destroços e uma coluna de fumaça.
De
acordo com o Crescente Vermelho do Irã (equivalente à Cruz Vermelha no país),
mais de 200 pessoas morreram no primeiro dia de ataques em todo o país. Segundo
a Agência de Notícias da República Islâmica, 108 pessoas morreram após
bombardeios terem atingido uma escola primária feminina no condado de Minab, na
província de Hormozgan, no sul do Irã. Outras 48 pessoas teriam se ferido,
afirmou o governador Mohammad Radmehr. A BBC não conseguiu verificar essa
informação de forma independente, pois veículos de imprensa internacionais
frequentemente têm seus vistos negados para o Irã, o que limita a capacidade de
coletar informações sobre o que está acontecendo no país, que ainda enfrenta um
bloqueio de internet.
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Mísseis iranianos contra aliados dos EUA no Oriente Médio
Pela
manhã, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã prometeu uma
"resposta esmagadora", afirmando que os ataques ocorreram "mais
uma vez durante negociações" com Washington. Teerã lançou mísseis contra o
território israelense e aliados de Washington no Oriente Médio: Catar, Bahrein,
Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordania e Iraque foram alvos. Segundo
as Forças de Defesa de Israel, ataques retaliatórios foram lançados contra o
território israelense. Instalações da Marinha americana no Bahrein também foram
atingidas por mísseis, e explosões foram registradas em Doha, no Catar. Os
Emirados Árabes Unidos disseram que também foram atingidos pelo Irã e que os
destroços, que caíram em uma área residencial em Abu Dhabi, teriam matado um
civil de nacionalidade asiática cujo nome não foi divulgado. A Força Aérea dos
Estados Unidos opera a partir de uma base em Al Dhafra, ao sul de Abu Dhabi,
juntamente com a Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos. Dubai, também parte
dos Emirados Árabes Unidos, parece ter sido atingida. Uma explosão seguida de
incêndio foi registrada em Palm Jumeirah, área de hotéis de
luxo, deixando quatro pessoas feridas, segundo autoridades locais. A BBC
verificou imagens confirmando que se deu em um hotel da zona.
Para o
analista Jeremy Bowen, editor da BBC com ampla experiência na cobertura do
Oriente Médio, Israel e Estados Unidos calcularam que o regime islâmico no Irã
está vulnerável, lidando com uma grave crise econômica, as consequências da
repressão brutal a manifestantes no início do ano e as defesas ainda
enfraquecidas após os ataques sofridos em junho de 2025. Os presidentes
americano e israelense concluíram que esta era uma oportunidade que não
deveria ser desperdiçada. A operação acontece após semanas de negociações entre
Washington e Teerã na
tentativa de fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano.
O Irã
"tentou reconstruir seu programa nuclear e continua desenvolvendo mísseis
de longo alcance que agora podem ameaçar nossos bons amigos e aliados na
Europa, nossas tropas estacionadas no exterior, e que em breve poderiam atingir
o território americano", afirmou Trump. O presidente americano disse ainda
que os Estados Unidos vão reduzir a indústria de mísseis do Irã a pó e
"aniquilar" sua Marinha. O presidente instou os iranianos a usarem o
momento para derrubar o regime clerical do país. "Quando terminarmos,
tomem o poder. Será de vocês. Esta será provavelmente a única chance que terão
por gerações", declarou.
O
mandatário também disse aos membros das forças de segurança iranianas que
receberiam "imunidade" se depusessem as armas. Caso contrário,
"enfrentariam morte certa".
O
presidente israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "um regime
terrorista assassino" não deve possuir armas nucleares "que lhe
permitam ameaçar toda a humanidade". "Agradeço ao nosso grande amigo,
o presidente Donald Trump, por sua liderança histórica", acrescentou. O
Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que, embora o Irã estivesse
ciente das "intenções" dos EUA e de Israel de realizar ataques,
participou das negociações com Washington e que os ataques ocorreram
"enquanto o Irã e os Estados Unidos estavam em meio a um processo
diplomático". A terceira rodada de negociações indiretas entre o Irã e os
EUA foi realizada há dois dias, em 26 de fevereiro, em Genebra, sem avanços. O
Irã e os EUA também realizaram cinco rodadas que não obtiveram resultado em
maio de 2025. Uma sexta rodada, que era prevista para junho passado, acabou
cancelada após Israel lançar ataques contra o Irã, desencadeando um conflito de
12 dias no qual os EUA atingiram três importantes instalações nucleares
iranianas.
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Irã praticamente sem internet
Em
nota, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que o
"inimigo" presumiu erroneamente que o povo iraniano "cederia às
suas exigências mesquinhas por meio de ações tão covardes". Também
confirmou que as forças armadas iranianas já iniciaram medidas retaliatórias e
prometeu "manter o povo informado continuamente". O governo iraniano
disse ainda que os ataques poderiam continuar em Teerã e outras cidades,
instando os cidadãos a "manterem a calma" e se deslocarem para áreas
mais seguras, sempre que possível, para evitar o perigo. Também afirmou que o
governo "preparou todas as necessidades da sociedade com
antecedência" e que "não há preocupação com o fornecimento de bens
essenciais", aconselhando as pessoas a evitarem centros comerciais. Escolas
e universidades permanecerão fechadas, os bancos continuarão prestando serviços
e os órgãos governamentais vão operar com 50% da capacidade, informou o
Conselho.
O Irã
está agora sob um bloqueio de internet quase total, de acordo com a NetBlocks,
uma agência de monitoramento da internet. Esta não é a primeira vez em que a
internet do país é interrompida. No mês passado, os serviços de telecomunicação
foram cortados durante protestos em todo o país, que foram
brutalmente reprimidos pelo governo.
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Como o Brasil e o resto do mundo reagiram
O
governo brasileiro, por meio de uma nota do Itamaraty, condenou a ação
coordenada dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, chamando atenção para o
fato de os ataques terem acontecido "em meio a um processo de negociação
entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição
tradicionalmente defendida pelo Brasil na região". "O Brasil apela a
todas as partes que respeitem o direito internacional e exerçam máxima
contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a
proteção de civis e da infraestrutura civil." Segundo o Itamaraty, as
embaixadas na região estão acompanhando as comunidades brasileiras na tentativa
de atender às necessidades dos brasileiros e garantir a sua segurança.
Em uma
declaração conjunta, os governos do Reino Unido, Alemanha e
França condenaram os ataques de retaliação do Irã contra países vizinhos
após a ação conjunta dos Estados Unidos e de Israel deste sábado (28/2). "A
França, a Alemanha e o Reino Unido têm instado consistentemente o regime
iraniano a encerrar seu programa nuclear, restringir seu programa de mísseis
balísticos, abster-se de suas atividades desestabilizadoras na região e em
nossos territórios, e cessar a violência e a repressão terríveis contra seu
próprio povo", diz a nota, assinada pelo primeiro-ministro britânico Keir
Starmer, o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich
Merz.
Os
líderes afirmaram que seus países não participaram dos ataques, mas disseram
estar em contato com os Estados Unidos, Israel e parceiros na região.
"Reiteramos nosso compromisso com a estabilidade regional e com a proteção
da vida civil", disseram. "O Irã deve se abster de ataques militares
indiscriminados. Instamos a liderança iraniana a buscar uma solução negociada.
Em última análise, o povo iraniano deve ter a liberdade de determinar seu
futuro." Já o Ministério das Relações Exteriores da China disse que o país
está "profundamente preocupado com os ataques militares lançados pelos
Estados Unidos e Israel" e que "a soberania, a segurança e a
integridade territorial do Irã devem ser respeitadas. A China pede a imediata
paralisação das ações militares, que não haja nova escalada das tensões, a
retomada do diálogo e das negociações, e esforços para manter a paz e a
estabilidade no Oriente Médio", diz o comunicado do governo.
Outros
líderes também se pronunciaram:
- A presidente
da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lembrou que o
bloco europeu adotou "sanções abrangentes" em resposta ao
"regime assassino" do Irã. "Apelamos a todas as partes para
que exerçam a máxima contenção, protejam os civis e respeitem
integralmente o direito internacional."
- O Ministério
das Relações Exteriores da Rússia descreveu as ações dos EUA e de
Israel como "imprudentes", afirmando que ambas violam o direito
internacional. A Rússia apelou para o retorno a soluções políticas e
diplomáticas.
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Como está o programa nuclear iraniano?
A
situação do programa nuclear iraniano não é clara após o país ter visto suas
instalações nucleares chaves serem atacadas durante a guerra de 12 dias entre
Israel e Irã em junho do ano passado. Os EUA entraram brevemente no conflito,
atacando três instalações — o maior complexo de pesquisa nuclear do Irã, em
Isfahan, além de centros em Natanz e Fordo usados para enriquecer urânio para
uso como combustível nuclear. Trump disse que as instalações haviam sido
"destruídas". Uma semana depois, o chefe da Agência Internacional de
Energia Atômica, Rafael Grossi, disse que os ataques causaram danos graves,
embora "não totais", sugerindo que alguma forma de enriquecimento
poderia ser retomada dentro de alguns meses.
A
agência estima que, quando Israel lançou ataques aéreos em 13 de junho, o Irã
tinha um estoque de 440 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza — um
pequeno passo técnico para atingir os 90% necessários para armas nucleares. Grossi
disse em outubro à agência de notícias Associated Press que essa quantidade —
se enriquecida ainda mais — seria suficiente para produzir dez bombas
nucleares.
Em
novembro, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou à
revista The Economist que o enriquecimento de urânio tinha sido paralisado.
No mês
passado, ele causou controvérsia em outra entrevista, esta ao canal de notícias
Fox News. "Sim, vocês destruíram as instalações, as máquinas, mas a
tecnologia não pode ser bombardeada, e a determinação também não pode ser
bombardeada." Grossi disse à Reuters em janeiro que conseguiu inspecionar
13 instalações nucleares no Irã que não foram bombardeadas, mas não as três
principais que haviam sido. Ele afirmou que já tinham se passado sete meses
desde a última verificação do estoque de urânio enriquecido do Irã. Persistem
incertezas sobre questões-chave, particularmente a localização e o estado do
estoque, além da condição das instalações de enriquecimento.
Fonte:
BBC News

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