segunda-feira, 2 de março de 2026

Mpox: casos podem criar nova quarentena no Brasil? Entenda

Dados atualizados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil soma 90 casos de mpox nos dois primeiros meses de 2026, sem registro de óbitos até o momento. A maioria dos pacientes apresenta quadros leves ou moderados.

São Paulo lidera com 63 casos, seguido por Rio de Janeiro (15), Rondônia (4), Minas Gerais (3), Rio Grande do Sul (2), além de Santa Catarina, Paraná e Distrito Federal, com um caso cada. O país também registra mais de 180 notificações suspeitas, das quais 57 já foram descartadas.

Diante desse cenário, cresce a preocupação de que o vírus possa ganhar maior proporção e eventualmente exigir medidas mais rigorosas. No entanto, o Ministério da Saúde nunca citou que o Brasil esteja em risco de quarentena.

A pasta reforça que o país segue preparado, com protocolos atualizados, monitoramento constante por semanas epidemiológicas e articulação entre estados e municípios para garantir resposta rápida e coordenada pelo SUS.

A orientação oficial é clara: pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem cumprir isolamento imediato até o fim do período de transmissão. Não há recomendação de quarentena coletiva ou restrições amplas à população.

Ainda assim, o aumento de casos naturalmente gera apreensão e levanta questionamentos sobre a possibilidade de medidas mais duras no futuro -- cenário que, até agora, não está colocado pelas autoridades.

Apesar de o número atual chamar atenção, o cenário é mais brando do que o observado no ano passado. Em 2025, o Brasil encerrou o ano com 1.079 casos e dois óbitos.

Considerando as oito primeiras semanas epidemiológicas:

•        Semana 1: 14 casos (2025) x 12 (2026)

•        Semana 2: 46 x 15

•        Semana 3: 23 x 14

•        Semana 4: 33 x 16

•        Semana 5: 34 x 13

•        Semana 6: 47 x 11

•        Semana 7: 16 x 7

•        Semana 8: 31 x 2

No mesmo período de 2025 (até 20 de fevereiro), o país acumulava 244 casos. Já em 2026, o total é significativamente menor. No fim de fevereiro do ano passado, havia 31 registros na semana correspondente, contra apenas dois neste ano.

<><> Sobre mpox

A mpox é causada por um vírus transmitido principalmente por contato íntimo ou muito próximo com uma pessoa infectada. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça e lesões na pele que se manifestam como bolhas ou erupções características.

Embora atualmente não haja registros de mortes no Brasil, a doença pode evoluir para complicações graves em determinados casos. Estimativas apontam que, em cenários mais críticos, até 10% dos quadros podem evoluir para óbito, especialmente sem acompanhamento adequado. No entanto, o avanço nas estratégias de vigilância, diagnóstico e isolamento tem contribuído para reduzir riscos.

A mpox é uma doença infecciosa zoonótica causada por um vírus da mesma família da antiga varíola. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com a pele de pessoas infectadas, sobretudo quando há lesões, mas também pode acontecer por meio do contato com secreções ou do compartilhamento de objetos pessoais, como toalhas e roupas.

Os sintomas mais comuns incluem febre, dores de cabeça e musculares, sensação de fraqueza e lesões na pele, que geralmente surgem no rosto e podem se espalhar pelo corpo.

Atualmente, o tratamento é baseado em medidas de suporte, com foco no alívio dos sintomas e na prevenção de complicações, já que ainda não há medicamento específico aprovado para a mpox.

Pessoas diagnosticadas devem permanecer em isolamento até a completa cicatrização das lesões, período que pode variar de duas a quatro semanas, conforme a evolução clínica.

•        Mpox pode matar? Saiba riscos e taxa de mortalidade da doença

A mpox é uma infecção viral transmitida principalmente por contato direto com lesões de pele, secreções ou objetos contaminados. Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem em algumas semanas.

No entanto, segundo o Ministério da Saúde, em algumas pessoas, especialmente imunocomprometidos, crianças e gestantes, os sinais e sintomas podem levar a complicações e até à morte.

A letalidade da mpox varia de acordo com a variante do vírus. O clado 1 é considerado mais transmissível e grave do que o clado 2, responsável pelo surto em 2022. Além disso, em setembro de 2023, foi identificada uma subvariante na República Democrática do Congo, a clado 1B, que é ainda mais transmissível e mais agressiva.

De acordo com Matthew Binnicker, diretor do Laboratório de Virologia Clínica da Mayo Clinic, em entrevista à CNN, em surtos anteriores de mpox relacionados ao clado 1, as taxas de mortalidade chegaram a 10%.

Com base nesses dados, estima-se que a taxa de letalidade do clado 1B varie entre 3% e 10% novamente, dependendo do surto. Para se ter uma ideia, o clado 2, responsável pelo surto em 2022 -- em que houve um menor registro de óbitos por mpox -- a taxa de letalidade variava de 0,1% a 0,5%.

"Se a mpox se tornar um surto em nações mais desenvolvidas, como Europa, Estados Unidos e Brasil, onde há sistemas de saúde melhores e medicamentos disponíveis, é esperado que a taxa de mortalidade seja mais baixa. O que vimos na África, provavelmente, é a extremidade superior do que veríamos em outras nações", esclarece o especialista.

<><> Quem está em maior risco?

Segundo a OMS, pessoas imunossuprimidas têm maior probabilidade de desenvolver quadros graves ou morrer. Pessoas com HIV avançado também apresentam risco elevado.

Por outro lado, indivíduos vivendo com HIV, mas com carga viral suprimida por tratamento antirretroviral, não parecem ter risco maior do que a população em geral. Gestantes e crianças também estão entre os grupos mais vulneráveis.

No Brasil, o cenário atual não é considerado alarmante. O país soma 90 casos nos dois primeiros meses de 2026, sendo 88 confirmados e dois prováveis, sem registro de óbitos até o momento. A maioria dos casos apresenta quadros leves ou moderados.

São Paulo concentra 63 casos, seguido por Rio de Janeiro (15), além de registros em outros estados. O país também monitora mais de 180 notificações suspeitas.

Apesar de o número chamar atenção, o cenário é mais brando do que em 2025, quando o Brasil encerrou o ano com 1.079 casos e dois óbitos. Nas oito primeiras semanas epidemiológicas de 2026, os registros permanecem significativamente abaixo do mesmo período do ano anterior.

Os principais sintomas incluem febre, mal-estar, dor no corpo, dor de cabeça, calafrios, fraqueza, irritação na garganta, aumento dos linfonodos e, posteriormente, lesões cutâneas características.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil mantém vigilância ativa, monitoramento por semanas epidemiológicas e estrutura do SUS preparada para diagnóstico precoce, manejo clínico e acompanhamento dos pacientes.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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