Bepe
Damasco: Pesquisa eleitoral em clima de carnaval vale tanto quanto uma nota de
3 reais
Não foi
preciso recorrer a nenhuma bola de cristal para se prever o óbvio: depois do
forte bombardeio midiático à escola de samba Acadêmicos de Niterói, que ousou
levar para a Marquês de Sapucaí a saga de um herói popular do Brasil, a
aprovação ao governo Lula e a performance do presidente nas pesquisas para a
eleição presidencial deste ano seriam abaladas logo nas primeiras pesquisas
pós-carnavalescas.
Alguns
institutos de pesquisa, por motivos óbvios, não perderam tempo e correram para
ouvir a opinião dos brasileiros ainda na ressaca da festança de Momo.
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Desde
pelo menos 15 dias antes do carnaval, passando pelo período da folia e pelos
dias que se seguiram, o enredo da escola de Niterói foi retratado como campanha
eleitoral antecipada regada a dinheiro público.
A
Globo, para a surpresa de ninguém, fez sua parte, protagonizando uma
transmissão vergonhosa, na qual a escola foi literalmente escondida e teve seu
desfile sabotado.
Antes
da escola pisar na Avenida, um repórter da Globo fez um detalhado balanço dos
questionamentos jurídicos que ela sofria, levando o telespectador médio a
acreditar que se tratava mais de um caso de polícia e de corrupção do que de
samba.
Levando
em conta essa artilharia pesada com armas de grosso calibre, não tenho dúvidas
de que Lula e o governo saíram com ferimentos leves das duas pesquisa feitas
até agora: Atlas/Intel e Paraná Pesquisas.
Nada,
porém, que não possa ser plenamente revertido na dinâmica da campanha, quando
serão confrontadas as inúmeras realizações do governo Lula em benefício do povo
e do Brasil com a nulidade absoluta do governo Bolsonaro, cujas únicas ações
dignas de nota foram as investidas contra a democracia e a trama golpista.
Como
disse em vídeo o jornalista Renato Rovai, pedindo tranquilidade aos mais
exasperados com o avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, as pessoas não vão
votar vestindo fantasia e com purpurina no rosto, mas sim com o bolso. E aí a
vantagem de Lula é inquestionável.
Apostaria
que o representante do fascismo nativo na disputa presidencial passará toda a
campanha batendo na tecla do tiro, porrada e bomba para enfrentar a
criminalidade, para tentar capitalizar a grande preocupação dos brasileiros com
a segurança pública.
Embora
seja um um tema importante, sua exploração de forma monocórdica é insuficiente
para conquistar a maioria dos eleitores.
Depois
do carnaval, a bola da vez prioritária para atingir o presidente Lula passou a
ser seu filho, o Lulinha. Na sequência, virão outros ataques e mais outros e
isso não vai parar até o fim do processo eleitoral, que caminha para ser o mais
sujo de todos os tempos.
É
preciso calma. O alarmismo só favorece os inimigos da democracia.
• “Pesquisa é sinal de alerta para Lula,
mas ele ainda é favorito para a reeleição”, diz Lavareda
A
oscilação registrada em levantamentos recentes sobre a disputa presidencial de
2026 reacendeu o debate sobre o humor do eleitorado e o peso real de cada
indicador neste início de pré-campanha, especialmente quando o presidente é
candidato à reeleição.
Em
entrevista à TV 247, o cientista político Antônio Lavareda defendeu que, neste
momento, mais importante do que observar apenas intenção de voto é acompanhar
de perto os índices de aprovação e desaprovação do governo, por se tratar,
segundo ele, de uma eleição que tende a funcionar como um “plebiscito” sobre o
desempenho do incumbente.
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Aprovação e desaprovação: o termômetro mais decisivo agora
Lavareda
avaliou que, ao longo do ano, haverá grande volume de pesquisas e diferenças
entre institutos, com maior convergência apenas mais adiante. Por isso,
recomendou deslocar o foco para a avaliação do governo: “Naquelas eleições (…)
nas quais o incumbente é candidato, a eleição em boa medida gira em torno dele.
É de alguma forma uma espécie de plebiscito em relação ao desempenho do
presidente de plantão.”
Na
análise do especialista, o principal dado do levantamento citado na entrevista
é a queda de aprovação do presidente Lula no período recente, independentemente
de divergências metodológicas entre institutos.
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Crítica metodológica: os limites de uma pesquisa 100% online
Ao
comentar a pesquisa Atlas, Lavareda destacou que o método baseado inteiramente
em entrevistas online enfrenta obstáculos no Brasil, sobretudo por barreiras de
acesso e escolaridade. Ele citou a proporção de analfabetismo funcional e a
dificuldade de inclusão desse público em questionários digitais: “Nós temos 29%
(…) compostos de analfabetos funcionais (…) É muito difícil você supor que um
analfabeto funcional responda, interaja, se inscreva para participar de uma
pesquisa online.”
Ele
também apontou que, na sua avaliação, o alcance efetivo de um levantamento
totalmente online não cobre a totalidade do eleitorado: “Eu calculo que 66% do
universo seja efetivamente o alcance de uma pesquisa 100% online no Brasil.”
Ainda assim, ponderou que o instituto deve ser considerado e acompanhado em sua
própria série histórica: “O Atlas é um instituto com dados críveis.”
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Sapucaí e noticiário negativo: por que a popularidade pode cair
Lavareda
associou a queda de aprovação ao episódio envolvendo a presença de Lula na
Sapucaí e, sobretudo, à repercussão que se seguiu. Para ele, o efeito político
se constrói pelo volume de notícias e comentários negativos: “Como não há outro
fato que eventualmente justificasse essa queda, é a única coisa que pode se
atribuir é ao episódio da Sapucaí (…) o noticiário, os comentários, a
repercussão predominantemente negativa.”
Ao
explicar o mecanismo, sintetizou: “Toda vez que aumenta o noticiário negativo
sobre uma instituição ou sobre um ator político, (…) termina subtraindo
popularidade.” Ele mencionou ainda que, quando o tema permanece na agenda e
ganha desdobramentos, pode consolidar impressões desfavoráveis, especialmente
entre eleitores com menor escolaridade, que tendem a absorver o efeito geral do
noticiário.
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O “sinal de risco” e a régua dos 45% a 50%
Embora
tenha feito ressalvas sobre a metodologia, Lavareda disse que não recomenda
desprezar o alerta emitido pelo levantamento e defendeu que o governo deve
interpretar o recado. “Eu não aconselharia a desmerecer o que o Atlas
registrou.”
Em
seguida, explicou a faixa de competitividade de presidentes que buscam
reeleição a partir do patamar de aprovação: “Entre 45 e 50, os presidentes são
bastante competitivos.” E detalhou as consequências políticas: “Se ultrapassar
os 50 pontos, serão amplamente favoritos. Se se aproximam dos 45, são levemente
favoritos. E se caem abaixo dos 45 pontos o sinal que a pesquisa emite é um
sinal de risco à reeleição.”
No
retrato discutido, Lavareda concluiu que Lula ainda aparece em posição
competitiva: “Nessa pesquisa o presidente Lula ainda aparece com um leve
favoritismo para perseguir a sua reeleição em 2026.”
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Escândalos e o efeito de “poluir” o ambiente político
Lavareda
também disse que episódios de grande repercussão podem contaminar o ambiente
político ao capturar a atenção pública e afetar a imagem de instituições, mesmo
quando não atingem diretamente o presidente. “Escândalos dessa magnitude, eles
poluem o noticiário.” E completou: “Não há como esses escândalos não terminarem
afetando a imagem e a presidência da República termina sendo afetada.”
Questionado
sobre como um governo deve agir, ele evitou prescrever estratégias e afirmou
que seu foco era o diagnóstico: “Fica mais fácil identificarmos o problema do
que fazermos prescrições de comportamento. Eu não me candidato a fazer
consultoria aqui pro governo.”
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Economia: resultados e percepção, o desafio eleitoral
A
entrevista também abordou o contraste entre indicadores econômicos e percepção
popular, ponto que Lavareda considera central para qualquer projeto de
reeleição. Ele defendeu que economia, para o eleitor, não se resume a
estatísticas: “Quando a gente fala de economia nós estamos falando na dimensão
subjetiva, ou seja, na percepção das pessoas.”
Para
ilustrar, citou dados de pesquisas mencionadas na conversa e argumentou que o
governo não conseguiu converter ganhos objetivos em maioria de percepção
favorável: “O governo tem ganhos efetivos mas não conseguiu convencer a maioria
de que esses ganhos existem.” E reforçou a centralidade do tema na vida real:
“Economia governa 3/4 da vida das pessoas.”
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PSD e direita moderada: disputa pelo campo do centro à direita
Lavareda
ainda avaliou que pode haver espaço para a emergência de uma candidatura da
direita moderada, com potencial de disputar com o bolsonarismo a representação
do eleitorado do centro à direita. Ele criticou o rótulo “terceira via” para
esse movimento e reinterpretou o fenômeno: “Nada mais inadequado do que chamar
esse projeto de terceira via.” Para ele, trata-se de uma tentativa de
“retomada” de um espaço político perdido.
Em
outro trecho, Lavareda sustentou que, historicamente, a contenção da extrema
direita em diferentes países tende a vir do campo conservador moderado, e não
da esquerda: “Quem contém a extrema direita não é a esquerda. Quem contém é a
direita moderada.”
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“O que é o Lula 3?”
Na reta
final da conversa, Lavareda apontou o que considera um problema de fundo na
imagem do atual governo: a falta de uma definição clara do significado político
do terceiro mandato. “A imagem do Lula 3 (…) qual é o significado do Lula 3?
Boa parte dos brasileiros não sabe.” E concluiu que essa resposta é estratégica
para qualquer tentativa de continuidade: “Quem pretende produzir o Lula 4, tem
que saber o que é o Lula 3.”
Ao
encerrar, ele recomendou uma leitura mais cuidadosa das pesquisas ao longo do
ano, com atenção a questionários, metodologia e comparação por saldos, e não
apenas por números isolados: “Quando comparar as pesquisas, ao invés dos
números, compare os saldos e sempre que possível considere o conjunto dos
dados.”
• Lula pode levar no primeiro turno. Por
Léo Coutinho
Ante o
cenário de polarização (eleitoral, não política) nacional, mantido o quadro
pré-eleitoral, Lula pode se reeleger no primeiro turno.
Ninguém
que votou em Lula no primeiro turno de 2022 deve votar em Bolsonaro, nem
vice-versa. Tampouco o eleitorado que optou por Lula deve migrar para Zema,
Caiado ou Leite, Renan Santos ou Aldo – Ratinho Jr. é uma possibilidade dada a
confusão com o nome do pai, popular.
Já
parte de quem votou em Bolsonaro no primeiro turno pode migrar para outras
candidaturas, seja Zema pelo discurso de Estado mínimo, Caiado pelo agro, Renan
pela mobilização nas redes sociais, Aldo pelo nacionalismo. Sabe-se que tudo
isso é falso no bolsonarismo, como se sabe que, ainda assim, cola.
Lula
teve no primeiro turno 48,43% dos votos, isto é, precisaria de menos de 2% para
se eleger.
Naquele
então, Simone Tebet teve 4,16% e Ciro Gomes, 3,04%. Simone hoje está no governo
como ministra do Planejamento e estará na campanha. Ciro diz que não será
candidato e migrou do PDT para o PSDB. Para onde podem ir seus votos? Pelo PDT
raiz, talvez para Aldo Rebelo e a proposta nacionalista, mas é improvável que
Bolsonaro absorva uma mínima parte.
Para
além dos 48,43% de votos conquistados no primeiro turno em 2022, Lula chegou à
vitória com 50,90% no segundo turno, sem contar com alguns dos partidos que
hoje têm pastas na Esplanada, como PSD, União, MDB, PP e PDT, e nenhum desses
quadros, ainda que só representem parte de seus partidos, deixará o governo
para disputar eleições em seus estados atacando o trabalho que fizeram por
quase quatro anos.
E,
sobretudo, Lula é o incumbente, tem a caneta na mão e chance mínima de, mais
uma vez, ter a polícia rodoviária federal impedindo eleitores de chegarem às
urnas e outras barbaridades golpistas. E com realizações para propagandear:
inflação dentro da meta, desemprego em mínima histórica, dólar controlado,
reconstrução de relações diplomáticas (até com Donald Trump, encarando sanções
severas em dobradinha perfeita com seu vice e ministro do Desenvolvimento,
Indústria, Comércio e Serviços Geraldo Alckmin, sanções que eram aplaudidas
pelos "patriotas" bolsonaristas, lembrando que Bolsonaro foi o último
chefe de Estado a reconhecer a vitória de Joe Biden em 2020), reforma
tributária após décadas de tentativas frustradas, desmatamento caindo, acordo Mercosul-UE,
isenção de IR até cinco mil reais entre outras.
E desde
FHC, só Bolsonaro conseguiu a proeza de perder uma reeleição.
• Edinho convoca militância e diz que
Flávio Bolsonaro é a essência do fascismo
O presidente do PT, Edinho Silva, defendeu uma
ofensiva política contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e cobrou maior
mobilização da militância petista. A declaração foi feita durante reunião da
corrente Construindo Um Novo Brasil (CNB), majoritária no partido, conforme
noticiou a Folha de S.Paulo. O encontro ocorreu após a divulgação de pesquisa
Atlas/Bloomberg que apontou empate entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva em um eventual segundo turno.
No
discurso aos dirigentes, Edinho subiu o tom contra o adversário e afirmou que é
preciso deixar claro ao eleitor quem é o senador. “Flávio é essência do
pensamento fascista ultraconservador brasileiro. Se não falarmos isso ao povo
brasileiro, ele será o candidato palatável”, declarou. O dirigente também pediu
reforço na atuação digital e organização da base para enfrentar o avanço do
bolsonarista nas pesquisas.
Segundo
relatos de bastidores, a avaliação interna no PT é de que houve crescimento
consistente do nome de Flávio Bolsonaro, o que levou a uma mudança de postura
da legenda. Edinho afirmou ainda que o partido adotará a bandeira da justiça
social na campanha e associou o senador a interesses do mercado financeiro e a
setores contrários ao fim da escala 6x1. Sem mencionar diretamente o caso
Master, disse que o escândalo “não foi construído no governo Lula”.
Ao
concluir, o presidente do PT destacou a importância da militância no embate
político e digital. “Eles têm um estrutura profissionalizada, mas nenhum robô
debate mais que um militante. Vamos ganhar essas eleições na política”,
afirmou.
O
debate ocorre em meio a uma ofensiva jurídica do PT contra aliados de Flávio.
De acordo com informações divulgadas pelo portal Brasil 247, ao menos 55
apoiadores da pré-candidatura do senador investiram em impulsionamento de
publicações críticas a Lula após o desfile da escola de samba Acadêmicos de
Niterói, no carnaval deste ano. Um levantamento partidário, citado pelo O
Estado de S.Paulo, identificou pagamentos feitos em plataformas digitais por
políticos e influenciadores.
Com
base nesses dados, o PT protocolou cinco ações no Tribunal Superior Eleitoral
(TSE). A legenda sustenta que Flávio Bolsonaro, o PL, o governador de Minas
Gerais, Romeu Zema, e aliados teriam utilizado conteúdos falsos para
influenciar o cenário eleitoral.
Entre
os nomes citados no levantamento estão o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes,
apontado como o que mais desembolsou recursos em impulsionamentos, e o deputado
Paulo Pereira da Silva (Solidariedade-SP), o Paulinho da Força. Ele utilizou
inteligência artificial para criar vídeo satírico com Lula e declarou: “se eles
pagaram o carnaval, por que a gente não pode pagar o impulsionamento de uma
postagem na rede social?”. Acrescentou ainda: “O PT vai entrar na Justiça
falando o quê? O dinheiro usado foi meu, não foi dinheiro público”.
O caso
ampliou a discussão sobre os limites do impulsionamento pago nas redes sociais.
A legislação proíbe propaganda eleitoral negativa patrocinada, enquanto o TSE
propôs entendimento segundo o qual críticas a governos, mesmo impulsionadas,
não configurariam propaganda antecipada negativa, desde que não façam
referência direta às eleições.
Fonte:
Brasil 247

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