terça-feira, 3 de março de 2026

Por que EUA e Israel veem ataque ao Irã neste momento como ‘oportunidade única’

A decisão dos Estados Unidos e de Israel de mergulhar em uma nova guerra com o Irã, após o ataque coordenado na manhã deste sábado (28/2), cria um momento extremamente perigoso com consequências imprevisíveis. Israel usou a palavra "preventivo" para justificar seu ataque. As evidências mostram que esta não é uma resposta a uma ameaça iminente, como a palavra "prevenção" implica. Em vez disso, é uma guerra de escolha.

Israel e os Estados Unidos calcularam que o regime islâmico no Irã está vulnerável, lidando com uma grave crise econômica, as consequências da brutal repressão aos manifestantes no início do ano e com as defesas ainda bastante danificadas pela guerra de junho de 2025. Sua conclusão parece ter sido que esta era uma oportunidade que não deveria ser desperdiçada. É também mais um golpe para o já frágil sistema de direito internacional. Em suas declarações, tanto o presidente Donald Trump quanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disseram que o Irã representava um perigo para seus países – Trump disse que era um perigo global.

O regime islâmico é certamente seu inimigo declarado. Mas é difícil entender como a justificativa legal da legítima defesa se aplica, dada a enorme disparidade de poder entre os EUA e Israel, de um lado, e o Irã, do outro. A guerra é um ato político. Conflitos armados são inerentemente difíceis de controlar depois de iniciados. Os líderes precisam de objetivos claros. Benjamin Netanyahu considera o Irã o inimigo mais perigoso de Israel há décadas. Para ele, esta é uma oportunidade de causar o máximo de dano possível ao regime em Teerã e à capacidade militar do Irã. Netanyahu também enfrenta eleições gerais ainda este ano. As evidências dos dois anos de guerra com o Hamas mostram que ele acredita que sua posição política se fortalece quando Israel está em guerra.

Os objetivos de Donald Trump têm oscilado e mudado, como é característico dele. Em janeiro, ele disse aos manifestantes no Irã que a ajuda estava a caminho. Grande parte da Marinha dos EUA estava ocupada removendo o líder da Venezuela na época, então ele não tinha opções militares. Enquanto os EUA enviavam dois grupos de ataque de porta-aviões para a região, bem como um poder de fogo terrestre considerável, Trump falava muito sobre os perigos das ambições nucleares do Irã, mesmo que, após a guerra de junho passado, Trump tenha declarado que o programa nuclear iraniano havia sido "aniquilado". O regime iraniano sempre negou que deseje uma arma nuclear, mas enriqueceu urânio a um nível que não tem uso civil em um programa de energia nuclear. No mínimo, parece querer a opção de construir uma bomba. Até agora, Israel e os EUA não publicaram nenhuma evidência de que isso estivesse prestes a acontecer.

Em um vídeo publicado neste sábado, Trump disse ao povo iraniano que "a hora da liberdade" estava próxima. Netanyahu passou uma mensagem semelhante, de que a guerra daria ao povo do Irã a chance de derrubar o regime. Isso não é nada certo.

Não há precedentes de mudança de regime acontecendo apenas por causa de ataques aéreos. Saddam Hussein, do Iraque, foi deposto em 2003 por uma enorme força de invasão liderada pelos EUA. Muammar Gaddafi, da Líbia, foi deposto em 2011 por forças rebeldes que receberam apoio aéreo da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e de alguns Estados árabes. Em ambos os casos, o resultado foi o colapso do Estado, guerra civil e milhares de mortes. A Líbia ainda é um Estado falido. O Iraque ainda está lidando com as consequências da invasão e do derramamento de sangue que se seguiu.

Mesmo que este seja o primeiro caso em que o poder aéreo sozinho derrubou um regime, o regime islâmico não será substituído por uma democracia liberal que defenda os direitos humanos. Não há nenhum governo alternativo credível no exílio à espera. Ao longo de quase meio século, o regime iraniano criou um sistema político complexo, sustentado por uma mistura de ideologia, corrupção e, quando necessário, o uso implacável da força. O regime de Teerã demonstrou em janeiro que estava preparado para matar manifestantes. Possui forças de segurança que obedecem ordens para atirar e matar milhares de cidadãos por desafiarem o sistema nas ruas e exigirem liberdade.

O regime islâmico no Irã é uma questão diferente. Ele preside sobre um Estado, não sobre um movimento armado. Não é um show de um homem só. Se o Líder Supremo fosse morto, ele seria substituído, muito provavelmente por outro clérigo apoiado pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (CGRI), que existe ao lado das forças armadas convencionais com a tarefa explícita de defender o regime contra ameaças internas e externas. Em seu vídeo, Trump ofereceu imunidade aos membros das forças de segurança iranianas se depusessem as armas, ou então enfrentariam morte certa. É improvável que o CGRI se deixe seduzir por sua oferta. O martírio é um tema constante na ideologia da República Islâmica e no islamismo xiita. Trump acredita que a principal força motivadora na política e na vida é transacional – como diz seu livro, A Arte da Negociação. Mas lidar com o Irã exige levar em conta o poder da ideologia e da crença. Isso é muito mais difícil de mensurar.

À medida que essa crise se intensificou desde a virada do ano, e os Estados Unidos reuniram sua armada, houve sinais crescentes de que a liderança em Teerã considerava a guerra inevitável. Eles participaram de negociações, cientes de que conversas estavam em andamento em junho passado, quando Israel atacou e os EUA se juntaram ao seu aliado, Os iranianos não confiam nos EUA nem nos israelenses. Em seu primeiro mandato, Trump retirou os EUA do acordo nuclear com o Irã, conhecido como JCPOA, que restringia o programa nuclear iraniano e foi a principal conquista de política externa do governo Obama. Havia sinais de que o Irã poderia estar preparado para aceitar um acordo JCPOA versão 2, pelo menos para ganhar tempo. Mas os EUA parecem também ter exigido severas restrições ao seu programa de mísseis e ao seu apoio a aliados regionais que se opõem a Israel e aos EUA.

Isso era inaceitável para eles, equivalendo a uma capitulação. Abrir mão de mísseis e aliados pode, mesmo na visão da liderança, torná-la muito mais vulnerável a uma mudança de regime do que a ameaça – e agora a realidade – de um ataque. Os líderes do Irã agora estarão calculando como atravessar a guerra, como sobreviver e como administrar suas consequências. Seus vizinhos, liderados pela Arábia Saudita, ficarão consternados com a enorme incerteza e as potenciais consequências dos eventos de hoje. Dada a capacidade do Oriente Médio de exportar problemas, a erupção de uma guerra renovada e intensificada aprofunda a instabilidade da região e do mundo em geral, que já é turbulenta, violenta e perigosa.

¨      Como Ali Khamenei controlou Irã com mãos de ferro e qual o poder do seu filho nos círculos linha-dura

O presidente Donald Trump disse que o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, morreu nos ataques dos EUA e de Israel deste sábado. Horas depois, a mídia estatal do país confirmou a informação e foi declarado um período de 40 dias de luto no país. Antes disso, Trump expressou em um comunicado que "Khamenei, uma das pessoas mais perversas da história, morreu. Isto não é apenas justiça para o povo do Irã, mas também para todos os grandes americanos e para as pessoas de muitos países de todo o mundo que foram assassinadas ou mutiladas por Khamenei e seu bando de capangas sedentos de sangue". Até então, porta-vozes do Irã diziam que tanto o líder supremo iraniano quanto o presidente do país, Masoud Pezeshkian, encontravam-se "sãos e salvos" e que as informações em sentido contrário são uma "guerra psicológica" dos inimigos. Khamenei havia sido um alvo dos ataques de Israel no passado.

Em janeiro, o líder supremo iraniano enfrentou um dos desafios mais sérios ao seu poder desde a Revolução Islâmica de 1979, quando manifestações em massa sacudiram as ruas do país e desencadearam uma crise de legitimidade do governo.

Nos protestos antigoverno, que alcançaram um nível nunca visto nos 47 anos de história da República Islâmica, morreram milhares de pessoas pela repressão das forças de segurança. Trump repetidamente ameaçou uma ação militar em razão da morte dos manifestantes.

Diante dessas ameaças, o governo do Irã declarou que estava aberto a conversas com Washington, mas assegurou que o país estava "preparado para a guerra". Mas o aiatolá Khamenei acusou os EUA de usar "mercenários traidores" para fomentar os protestos. Nem Trump, nem o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ocultaram seu desejo de uma mudança de regime no Irã.

Durante décadas, Washington e Israel acusaram o Irã de tentar desenvolver em segredo uma arma nuclear. O Irã negou repetidamente que busque uma bomba e afirma que seu programa só tem fins pacíficos. Este sábado (28/2), a situação teve uma mudança dramática com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra instalações militares e governamentais do Irã. Trump anunciou na sua rede social a morte de Khamenei e grande parte da liderança iraniana. "Ele foi incapaz de impedir nossa inteligência e os sistemas de rastreamento altamente sofisticados e, trabalhando em estreita colaboração com Israel, não houve nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos junto com ele, pudessem fazer", disse Trump. "Esta é a maior chance única para o povo iraniano retomar seu País. Estamos ouvindo que muitos dos membros de sua IRGC [Guarda Revolucionária], militares e outras forças de segurança e polícia não querem mais lutar e estão buscando imunidade", continuou.

Mas qual é a história do aiatolá Ali Khamenei e que poder exerceu no país durante quase 40 anos?

<>< A formação religiosa

O aiatolá Ali Khamenei era apenas o segundo líder supremo do país desde a revolução islâmica de 1979. Ocupava o cargo desde 1989. Os jovens iranianos nunca viram o Irã sem ele no poder. Khamenei, que estava no meio de uma complexa rede de poderes rivais, era capaz de vetar qualquer assunto de política pública e escolher a dedo candidatos para cargos públicos. Como chefe de Estado e comandante em chefe do Exército, que inclui o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (CGRI), sua posição o convertia em uma figura com todo tipo de poderes.

Nascido em Mashhad, a segunda maior cidade do Irã, em 1939, Khamenei era o segundo de oito filhos em uma família religiosa. Seu pai era um clérigo de médio escalão da vertente xiita do islã, o grupo religioso dominante no Irã.

Sua educação se centrou principalmente no estudo do Alcorão e obteve o título de clérigo aos 11 anos. Mas, assim como muitos líderes religiosos da época, seu papel sempre foi tanto político quanto espiritual.

Khamenei, um hábil orador, uniu-se aos críticos do xá Reza Pahlavi, o monarca que foi derrubado pela Revolução Islâmica de 1979. Durante anos, viveu na clandestinidade e esteve detido. Foi preso seis vezes pela polícia secreta do xá, sofrendo torturas e o exílio interno. Um ano depois da revolução, o aiatolá Khomeini o nomeou líder da oração das sextas-feiras na capital Teerã. Khamenei foi eleito presidente em 1981, antes de ser designado em 1989 pelos anciãos religiosos como o sucessor do aiatolá Khomeini, que tinha morrido aos 86 anos.

<><> Tentativa de assassinato

Em junho de 1981, Khamenei sobreviveu a uma tentativa de assassinato. Um grupo dissidente detonou uma bomba durante uma de suas conferências. Paradoxalmente, o ataque pode ter salvado sua vida. Khamenei foi cofundador e posteriormente líder do Partido Republicano Islâmico, que ajudou a liderança posterior à revolução a consolidar o poder. No entanto, ele se encontrava no hospital durante um grande atentado contra a sede do partido.

Seus pulmões levaram meses para se recuperar do ataque e ele perdeu permanentemente o uso completo de seu braço direito. Mais tarde, naquele mesmo ano, ele se tornou candidato à presidência do Irã. O aiatolá Khomeini controlava o conselho que decidia quem podia se candidatar, e Ali Khamenei venceu com 97% dos votos. O discurso inaugural de Khamenei marcou o tom de sua presidência, condenando o "desvio, o liberalismo e os esquerdistas influenciados pelos Estados Unidos".

<><> A guerra com o Iraque

O vizinho Iraque invadiu o Irã meses antes das eleições. O presidente do Iraque, Saddam Hussein, temia que a revolução iraniana enfraquecesse seu regime. Antes de se tornar presidente, no início da guerra, Khamenei passou meses na linha de frente de batalha. Durante oito anos de conflito, centenas de milhares morreram pelos dois lados. Durante o conflito, o Iraque utilizou armas químicas contra as aldeias fronteiriças do Irã e bombardeou cidades distantes, incluindo Teerã, com mísseis. A guerra aumentou a desconfiança de Khamenei em relação aos Estados Unidos, que gradualmente fornecia apoio ao Iraque.

<><> Líder supremo

Em 1989, o aiatolá Khomeini morreu. A Assembleia de Peritos elegeu Khamenei como seu sucessor. Este novo líder supremo foi visto por alguns como alguém com um histórico acadêmico religioso fraco. "Sou uma pessoa com muitas faltas e deficiências, e verdadeiramente um modesto seminarista", admitiu em seu primeiro discurso no cargo. "No entanto, foi depositada uma responsabilidade sobre meus ombros e utilizarei todas as minhas capacidades e toda a minha fé no Todo-Poderoso para poder assumir esta pesada responsabilidade".

Por não ter o respeito do alto clero e da popularidade de Khomeini, Khamenei agiu com cautela no início. Mas tarde desenvolveu redes de figuras leais no poder judiciário, na polícia, nos meios de comunicação, na elite clerical, no Parlamento, na Guarda Revolucionária e no aparato de inteligência. Karim Sadjadpour, pesquisador do Carnegie Endowment for International Peace em Washington, disse à BBC News que o poder de Khamenei dependia de um "cartel estreitamente unido de clérigos de linha dura e guardas revolucionários enriquecidos após a revolução". Os meios estatais iranianos o retrataram como alguém que vivia de maneira frugal em Teerã junto a sua esposa, filhos e netos.

<><> Protestos esmagados

Khamenei esmagou a oposição.

Em 1999, os protestos estudantis foram reprimidos. Uma década depois, uma revolta contra eleições supostamente fraudadas teve manifestantes atingidos com spray de pimenta, espancados e baleados. Em 2019, o aumento vertiginoso do preço do combustível provocou protestos nas ruas, e as autoridades bloquearam a internet.

A Anistia Internacional afirma que a polícia disparou contra manifestantes, provocando mortes.

As mulheres que faziam campanha contra o uso obrigatório do hijab foram torturadas e mantidas em confinamento solitário. Uma advogada defensora dos direitos humanos foi condenada a penas que somavam 38 anos de prisão e 148 chicotadas.

Em 2022, um dos maiores desafios chegou após a morte sob custódia policial de Mahsa Amini, uma mulher curda de 22 anos, presa por não usar o hijab.

A agência iraniana de direitos humanos com sede nos Estados Unidos, Human Rights Activists News Agency (HRANA), disse ter recebido os nomes de mais de 400 pessoas mortas nos protestos posteriores. No final de 2025 e começo deste ano, uma série de protestos provocados pelos problemas econômicos foram reprimidos.

Khamenei admitiu que milhares de pessoas morreram, mas acusou seus inimigos de organizar a violência. "Aqueles que estão vinculados a Israel e aos Estados Unidos causaram enormes danos e mataram vários milhares", disse, acrescentando que incitaram o caos. A HRANA assinalou que a resposta do governo envolveu o uso de "força letal". Informou que mais de 7 mil pessoas morreram, a maioria delas manifestantes, e que pouco mais de 200 dos mortos eram "membros das forças militares e governamentais".

<><> Mortos da covid

Uma investigação de 2022 do serviço persa da BBC estimou que a covid-19 matou 300 mil pessoas no Irã durante a pandemia, mais do que o dobro da cifra oficial de mortos naquele momento. Sem apresentar provas, Khamenei afirmou: "Uma parte deste vírus foi projetado especificamente para o Irã, utilizando conhecimentos sobre a genética iraniana". Quando a distribuição mundial de vacinas teve início — liderada em grande medida por companhias farmacêuticas dos Estados Unidos e Europa —, ele proibiu a importação de vacinas americanas e britânicas. Posteriormente, relatórios indicaram que o próprio Khamenei recebeu uma das várias vacinas fabricadas no Irã.

<><> Inimigo dos EUA

Pouco depois da revolução de 1979, estudantes universitários leais a Khomeini ocuparam a embaixada dos Estados Unidos, tomando diplomatas e funcionários como reféns em protesto pelo fato de os EUA terem dado asilo ao xá deposto. A tomada de reféns durou 444 dias e ajudou a consolidar uma postura antiamericana e antiocidental como política oficial do Estado. Após os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush incluiu o Irã no chamado "Eixo do Mal". O Irã apoiou o Hezbollah — o grupo xiita armado no Líbano — como sua força adjacente em um conflito quase permanente com Israel.

<><> O programa nuclear

Khamenei classificou as armas nucleares como contrárias ao islã e em 2003 emitiu uma fatwa (interpretação da lei islâmica) contra o seu desenvolvimento. No entanto, Israel e o Ocidente acreditavam que o Irã utilizava seus programas de energia nuclear e de mísseis sofisticados como cobertura para desenvolver capacidade armamentista nuclear. As sanções resultantes contribuíram para empobrecer o país.

Em 2015, o Irã, Estados Unidos, Reino Unido, França, China, Rússia e Alemanha alcançaram um acordo para limitar o enriquecimento de urânio iraniano. No entanto, Donald Trump retirou os EUA do pacto durante seu primeiro mandato presidencial (2017-2021). O Irã insistiu que seu programa nuclear era pacífico e que a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU havia verificado seu cumprimento. O ex-presidente Barack Obama, que assinou o acordo, escreveu que o pacto funcionava.

Ao se aproximar o final da presidência de Trump em 2020, os Estados Unidos mataram o alto oficial da Guarda Revolucionária Qasem Soleimani. Khamenei jurou vingança e se alinhou mais estreitamente com a Rússia e a China. Em 2025, Israel empreendeu ações militares contra o programa nuclear do Irã, seus cientistas, instalações militares e altos funcionários, incluindo ataques em zonas residenciais.O Irã respondeu lançando mísseis contra Israel e os Estados Unidos uniram-se aos ataques israelenses. Khamenei prometeu jamais se render, mas parecia mais debilitado do que nunca, algo que os EUA e Israel aproveitaram este sábado para atacar novamente e acabar com ele.

<><> O poder dos filhos

Ali Khamenei que raramente viajana para o exterior e, segundo relatos, vivia frugalmente em um complexo no centro de Teerã com sua esposa. Falava-se de seu gosto por jardinagem e poesia. É sabido que fumou na juventude, o que é incomum para uma figura religiosa no Irã. Ele perdeu o movimento do braço direito em uma tentativa de assassinato na década de 1980. Ele e sua esposa, Mansoureh Khojasteh Baqerzadeh, têm seis filhos — quatro meninos e duas meninas.

A família Khamenei raramente aparece em público ou na mídia, e informações oficiais e verificadas sobre a vida privada de seus filhos são limitadas. De seus quatro filhos, Mojtaba, o segundo, é o mais conhecido por sua influência e pelo papel significativo que desempenha no círculo íntimo de seu pai. Mojtaba estudou na Escola Secundária Alavi, em Teerã, uma escola cujos alunos tradicionalmente incluem filhos de altos funcionários da República Islâmica. Ele é casado com a filha de Gholam-Ali Haddad-Adel, uma proeminente figura conservadora, numa época em que ainda não havia se tornado clérigo e planejava iniciar seus estudos no seminário em Qom. Iniciou seus estudos religiosos formais no Seminário de Qom – o seminário xiita mais importante do Irã – aos 30 anos.

Em meados dos anos 2000, a influência de Mojtaba na esfera política se tornou mais evidente, embora isso raramente tenha sido reconhecido pela mídia. Mojtaba ganhou destaque após uma polêmica eleição presidencial em 2004, quando Mehdi Karroubi – um candidato proeminente – o acusou publicamente de interferência nos bastidores para favorecer Mahmoud Ahmadinejad, em uma carta aberta dirigida ao aiatolá Khamenei. A partir da década de 2010, ele passou a ser amplamente considerado um dos indivíduos mais poderosos da República Islâmica, e relatos sugerem que ele era o candidato preferido de Khamenei para substituí-lo. Algumas fontes oficiais, no entanto, negaram esses relatos. Embora Ali Khamenei não seja rei e não possa simplesmente passar o trono para seu filho, Mojtaba detém poder significativo dentro dos círculos linha-dura de seu pai, incluindo o poderoso gabinete do líder supremo, que ofusca os órgãos constitucionais.

 

Fonte: BBC News

 

Nenhum comentário: