Em
carta confusa, Bolsonaro fala de Michelle e pede fim das brigas
reso no
Complexo Penitenciário da Papuda e condenado a mais de 27 anos de prisão por
tentativa de golpe, o ex-presidente Jair Bolsonaro escreveu uma nova carta à
mão, divulgada neste domingo (1) por aliados, na qual sai em defesa de sua
esposa Michelle Bolsonaro em meio às trocas de farpas públicas entre a
ex-primeira-dama e aliados, incluindo seu próprio filho Eduardo Bolsonaro.
Com um
texto confuso, Bolsonaro diz “lamentar” os ataques “da própria direita” contra
Michelle e pede o fim das brigas.
Trata-se
de uma referência à crise envolvendo as estratégias eleitorais de seu núcleo
familiar. A ex-primeira-dama vem sendo criticada publicamente por Eduardo
Bolsonaro e outros nomes da direita por não manifestar apoio explícito à
candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido por Bolsonaro como seu
candidato à presidência. Michelle, por sua vez, chegou até mesmo a provocar
Eduardo ao publicar um vídeo fritando bananas — uma referência ao apelido
“Bananinha” do ex-deputado.
“Dirijo-me
a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e
liberdade – para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a
alguns colegas e à minha esposa (…) Numa campanha majoritária, bem como as
cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e
convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados”.
Em
outro trecho, Bolsonaro revelou um pedido que fez a Michelle: para que ela só
se envolva com as estratégias eleitorais após março deste ano.
“A
Michelle pedi para só se envolver na política após março/26, já que a mesma se
encontra por demais ocupada no atendimento da nossa filha Laura, recém operada,
bem como nos cuidados à minha pessoa”.
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Leia abaixo a íntegra da carta
“Dirijo-me
a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e
liberdade – para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a
alguns colegas e à minha esposa.
A
Michelle pedi para só se envolver na política após março/26, já que a mesma se
encontra por demais ocupada no atendimento da nossa filha Laura, recém operada,
bem como nos cuidados à minha pessoa.
Numa
campanha majoritária, bem como as cobiçadas vagas para o Senado, os apoios
devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre
aliados.
Meu
muito obrigado a todos pelo carinho e consideração.
Da
nossa união, o futuro do Brasil”
• Bolsonaro indica para o Senado deputado
que, segundo Flávio, venderia candidatura por R$ 15 milhões
Em
carta escrita da prisão, o ex-presidente Jair Bolsonaro indicou o deputado
federal Marcos Pollon (PL-MS) para ser seu candidato ao Senado pelo Mato Grosso
do Sul nas eleições deste ano.
Até
então, Pollon vinha se colocando como pré-candidato ao governo do estado, mas
ponderando que seria concorreria ao Senado se Bolsonaro pedisse. Anotações
feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma reunião recente da
cúpula do Partido Liberal, reveladas na última quarta-feira (25) pelo jornal
Folha de S. Paulo, contudo, mostram que o deputado, ao menos segundo o
registro, teria pedido R$ 15 milhões para não concorrer ao governo. Isto é, o
parlamentar estaria vendendo sua candidatura.
Neste
domingo (1), Pollon anunciou que será candidato ao Senado, divulgando a carta
de Bolsonaro, assinada neste sábado (28), na qual o ex-presidente indica seu
nome para a disputa.
“Adianto
que no Mato Grosso do Sul, pelo seu caráter, honra e dedicação enquanto
deputado, o meu candidato será Marcos Pollon”, escreveu Bolsonaro.
Confira:
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Flávio confirma anotações
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou na última quinta-feira (26) que é
autor das anotações flagradas pela Folha de S.Paulo e disse que os R$ 15
milhões junto ao nome de Marcos Pollon (PL-MS) seriam boato.
Em
anotação escrita à mão no papel, Flávio diz que “Pollon (pediu 15 mi para não
ser candidato)”. A observação aparece no trecho dedicado ao Mato Grosso do Sul,
onde o deputado se movimenta como possível candidato ao governo ou ao Senado.
“Bom,
para falar do ocorrido ontem, porque eu tive várias reuniões ontem. Liguei para
muita gente, falei com muita gente pelo telefone para tratar de diversos
estados dos palanques nossos, a governo, a senado pelo país. Então as pessoas
iam conversando comigo, me indicavam alguma coisa e eu anotava no papel. Um
papel como esse, né? Que estava fechado ali em cima da mesa, onde depois eu fui
dar o uma coletiva para falar do Rio de Janeiro. Saía da sala e voltava. Em um
desses momentos, algum coleguinha de vocês pegou, abriu o papel e tirou foto
das minhas anotações que eu havia feito”, disse Flávio a jornalista,
confirmando a autoria das anotações.
Em
seguida, o filho “01” diz que quer “desfazer uma mentira que já começou a ser
veiculada”, sobre as anotações feitas por ele sobre os R$ 15 milhões a Pollon.
“Em uma
das anotações, no estado do Mato Grosso do Sul, o deputado Pollon, eu anotei
ali, fiz uma anotação que já está sendo distorcida pela imprensa, como se ele
tivesse pedido alguma coisa, para deixar de ser candidato a governo ou
candidato ao senado, estava escrito ali, Pollon pediu 15 milhões para não ser
candidato”, afirma.
Em
seguida, Flávio diz que a anotação foi feita a partir de um boato que estaria
circulando sobre o suposto pedido de dinheiro para que o deputado federal
desistisse da candidatura.
“Aquilo
nunca aconteceu. A imprensa, a parte da imprensa que estiver falando que ele
pediu isso é mentira. O que aconteceu foi uma pessoa que conversou comigo que
estavam dizendo isso do Pollon. Eu anotei para não esquecer de avisar a ele que
estavam veiculando essa mentira criminosa contra ele”, desconversou.
No
vídeo divulgado por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em que aparece a imagem de uma
reportagem da Fórum, o senador diz ainda para não irem “para cima” de Pollon.
“Não
vão para cima do Pollon, porque é um cara correto, um cara honesto, um cara
leal, um grande defensor das nossas pautas lá no Mato Grosso do Sul, mas eu na
verdade eu anotei para avisá-lo de que estavam falsamente divulgando isso,
espalhando lá no Mato Grosso do Sul para ele ficar atento e tomar as
providências, né, contra quem ele achasse que poderia ser tomado”, diz.
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Quem é Marcos Pollon
Em
entrevista recente, Pollon afirmou que, apesar de se colocar como candidato ao
governo do MS, pode concorrer ao Senado “se Bolsonaro pedir”.
“Existe
um apelo forte para que eu venha ao Senado. Se o presidente Bolsonaro me
imputar essa missão, não tem como dizer não. Se ele entender que eu posso
ombrear com aqueles que vão resgatar a liberdade do nosso país, eu estou
pronto, e a decisão fica nas mãos dele”, declarou.
Procurado
pelo jornal Folha de S. Paulo, o deputado negou que tenha colocado sua
candidatura à venda e afirmou que a anotação “não faz o menor sentido”. Segundo
ele, trata-se de uma tentativa de desgaste político. “Isso é uma campanha de
assassinato de reputação”, disse.
Eleito
deputado federal em 2022, Marcos Pollon baseou sua campanha na pauta
armamentista. Advogado de formação, ganhou visibilidade nas redes sociais
defendendo o armamento civil e pautas associadas à direita mais ideológica.
No
Congresso, manteve o mesmo tom extremista. Uma de suas propostas mais bizarras
foi o projeto “Minha Primeira Arma”, que sugere criar incentivos para facilitar
a compra do primeiro armamento por cidadãos.
Pollon
também protagonizou episódios de golpismo dentro da Câmara. Em 2025, passou a
ser investigado pelo Conselho de Ética após participar de um motim promovido
por deputados bolsonaristas que ocuparam a Mesa Diretora e bloquearam o
funcionamento do plenário como forma de chantagem e pressão para que o projeto
de anistia a golpistas fosse à votação. A representação apontou possível quebra
de decoro parlamentar.
O
processo ainda tramita na Casa. Entre as punições possíveis estão advertência,
suspensão do mandato e, em casos mais graves, a perda do cargo — embora esta
última seja considerada improvável em situações semelhantes.
Outro
episódio controverso envolvendo Pollon foi a destinação de recursos de emenda
parlamentar. Pollon enviou cerca de R$ 1 milhão, por meio de emenda do tipo
conhecida como “emenda Pix”, para a cidade de São Paulo, fora de sua base
eleitoral em Mato Grosso do Sul. A transferência chamou atenção em meio ao
debate nacional sobre transparência e critérios na distribuição dessas verbas.
A prática é vedada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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As anotações atribuídas a Flávio
Anotações
feitas à mão durante uma reunião da cúpula do Partido Liberal (PL), realizada
na terça-feira (24), revelam estratégias eleitorais, preferências internas e
avaliações reservadas sobre possíveis candidatos nas eleições deste ano. O
encontro contou com a presença do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro
(PL-RJ) e de dirigentes nacionais da legenda.
O
documento, intitulado “situação nos estados”, foi obtido pela Folha e reúne uma
lista impressa de nomes com observações manuscritas. O jornal afirma não ser
possível identificar quem fez as anotações. Segundo relatos, além de Flávio,
estavam na sala o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério
Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador, além de outros integrantes
da cúpula. Entre as anotações, no entanto, uma delas referente ao
vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), que disputará o governo,
está escrita a frase “me puxa para baixo”, indicando o único interlocutor que
poderia falar na primeira pessoa dentro daquela sala.
No topo
da primeira página aparece a orientação “ligar Tarcísio”, referência ao
governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputará a
reeleição.
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São Paulo: tensão na vice e disputa ao Senado
As
anotações indicam preocupação com a escolha do vice na chapa paulista. O atual
vice-governador, Felício Ramuth (PSD), nome preferido de Tarcísio, aparece
ligado por uma seta ao símbolo “$”. Ramuth é alvo de investigação por suspeita
de lavagem de dinheiro, acusação que nega.
Logo
abaixo, surge a hipótese “André do Prado vice?”, em referência ao presidente da
Assembleia Legislativa paulista, filiado ao PL e interessado na vaga.
Para o
Senado em São Paulo, o deputado Guilherme Derrite (PP) é apontado como nome
certo na chapa bolsonarista. A segunda vaga, a ser indicada pelo PL, segue
indefinida. Entre os cotados aparecem, nesta ordem: Renato Bolsonaro, Mario
Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano.
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Minas Gerais: descrença e busca por alternativa
Em
Minas, o vice-governador Mateus Simões (Novo), que disputará o governo,
conforme dito acima, recebe a anotação “me puxa para baixo”, indicando
ceticismo interno. O documento observa que, caso ele confirme candidatura, os
senadores Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Cleitinho (Republicanos-MG) também devem
entrar na disputa.
O PL
avalia lançar Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, ao governo mineiro. Ao lado
do nome há a anotação “conversa com Nikolas”, referência ao deputado Nikolas
Ferreira (PL-MG), que chegou a ser cotado, mas resiste à candidatura ao
Executivo.
Para o
Senado, aparecem os nomes de Carlos Viana, Marcelo Aro, Eros Biondini e
Domingos Sávio. Apenas Viana e Sávio têm marcações de endosso.
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Nordeste e Centro-Oeste: alianças e impasses
Em
Alagoas, são citados o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado Alfredo
Gaspar (União Brasil). Ao lado de JHC, há a observação de que é preciso
conversar com ele até 15 de março. Já Gaspar é descrito como “único que pedirá
voto para mim”. Para o Senado, surge a indicação “Arthur (JB)”, em referência
ao deputado Arthur Lira (PP-AL), possível apoiado do ex-presidente Jair
Bolsonaro.
No
Distrito Federal, o documento aponta impasse. A composição previa Celina Leão
(PP) ao governo, com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado. Mas uma anotação
afirma que, se Ibaneis Rocha (MDB) disputar o Senado, “não dá para oficializar
com Celina”, indicando dificuldade para acomodar duas candidatas do PL.
No Mato
Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) deve receber apoio do PL. Para
o Senado, aparecem Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, este último com a
observação “recall/melhor nas pesquisas”.
Já o
deputado Marcos Pollon (PL-MS) é citado com a anotação: “pediu 15 mi para não
ser candidato”. Procurado, Pollon negou a informação e classificou o registro
como “campanha de assassinato de reputação”.
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Outras articulações
Na
Bahia, o foco é costurar aliança com ACM Neto (União Brasil). No Ceará, o plano
é integrar a chapa de Ciro Gomes (PSDB). No Piauí, aparece como opção de apoio
ao Senado o senador Ciro Nogueira (PP).
Na
Paraíba, o senador Efraim Filho (União Brasil) deve se filiar ao PL para
disputar o governo, enquanto o ex-ministro Marcelo Queiroga é cotado ao Senado.
No
Paraná, o plano é apoiar Filipe Barros ao Senado, evitando dividir votos com
outros nomes como Cristina Graeml. O rascunho menciona ainda Deltan Dallagnol
como favorito nas pesquisas, associado ao governador Ratinho Júnior (PSD).
O Rio
Grande do Sul aparece como “ok”, com Zucco ao governo e Sanderson e Marcel Van
Hattem ao Senado. O ex-ministro Onyx Lorenzoni é citado para possível
composição como vice.
Em
Goiás, são mencionados Daniel Vilela e Wilder Moraes ao governo, além de
Gustavo Gayer e Gracinha Caiado ao Senado.
No Mato
Grosso, o senador Wellington Fagundes é descrito como “primeiro lugar nas
pesquisas” ao governo. Já Janaina Riva aparece como nome certo ao Senado “de
qualquer jeito”.
Em
Santa Catarina, o senador Esperidião Amin foi preterido na chapa ao Senado, que
terá Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, por determinação de Jair Bolsonaro —
no rascunho, o nome de Amin aparece riscado.
O
documento é descrito por interlocutores como um “brainstorm” interno. As
anotações apontam para um retrato cru das negociações e tensões regionais do PL
meses antes do registro oficial das candidaturas, previsto para agosto.
Fonte:
Fórum

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