terça-feira, 3 de março de 2026

Em carta confusa, Bolsonaro fala de Michelle e pede fim das brigas

reso no Complexo Penitenciário da Papuda e condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe, o ex-presidente Jair Bolsonaro escreveu uma nova carta à mão, divulgada neste domingo (1) por aliados, na qual sai em defesa de sua esposa Michelle Bolsonaro em meio às trocas de farpas públicas entre a ex-primeira-dama e aliados, incluindo seu próprio filho Eduardo Bolsonaro.

Com um texto confuso, Bolsonaro diz “lamentar” os ataques “da própria direita” contra Michelle e pede o fim das brigas.

Trata-se de uma referência à crise envolvendo as estratégias eleitorais de seu núcleo familiar. A ex-primeira-dama vem sendo criticada publicamente por Eduardo Bolsonaro e outros nomes da direita por não manifestar apoio explícito à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido por Bolsonaro como seu candidato à presidência. Michelle, por sua vez, chegou até mesmo a provocar Eduardo ao publicar um vídeo fritando bananas — uma referência ao apelido “Bananinha” do ex-deputado.

“Dirijo-me a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e liberdade – para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa (…) Numa campanha majoritária, bem como as cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados”.

Em outro trecho, Bolsonaro revelou um pedido que fez a Michelle: para que ela só se envolva com as estratégias eleitorais após março deste ano.

“A Michelle pedi para só se envolver na política após março/26, já que a mesma se encontra por demais ocupada no atendimento da nossa filha Laura, recém operada, bem como nos cuidados à minha pessoa”.

<><> Leia abaixo a íntegra da carta

“Dirijo-me a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e liberdade – para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa.

A Michelle pedi para só se envolver na política após março/26, já que a mesma se encontra por demais ocupada no atendimento da nossa filha Laura, recém operada, bem como nos cuidados à minha pessoa.

Numa campanha majoritária, bem como as cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados.

Meu muito obrigado a todos pelo carinho e consideração.

Da nossa união, o futuro do Brasil”

•        Bolsonaro indica para o Senado deputado que, segundo Flávio, venderia candidatura por R$ 15 milhões

Em carta escrita da prisão, o ex-presidente Jair Bolsonaro indicou o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) para ser seu candidato ao Senado pelo Mato Grosso do Sul nas eleições deste ano.

Até então, Pollon vinha se colocando como pré-candidato ao governo do estado, mas ponderando que seria concorreria ao Senado se Bolsonaro pedisse. Anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma reunião recente da cúpula do Partido Liberal, reveladas na última quarta-feira (25) pelo jornal Folha de S. Paulo, contudo, mostram que o deputado, ao menos segundo o registro, teria pedido R$ 15 milhões para não concorrer ao governo. Isto é, o parlamentar estaria vendendo sua candidatura.

Neste domingo (1), Pollon anunciou que será candidato ao Senado, divulgando a carta de Bolsonaro, assinada neste sábado (28), na qual o ex-presidente indica seu nome para a disputa.

“Adianto que no Mato Grosso do Sul, pelo seu caráter, honra e dedicação enquanto deputado, o meu candidato será Marcos Pollon”, escreveu Bolsonaro.

Confira:

<><> Flávio confirma anotações

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou na última quinta-feira (26) que é autor das anotações flagradas pela Folha de S.Paulo e disse que os R$ 15 milhões junto ao nome de Marcos Pollon (PL-MS) seriam boato.

Em anotação escrita à mão no papel, Flávio diz que “Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato)”. A observação aparece no trecho dedicado ao Mato Grosso do Sul, onde o deputado se movimenta como possível candidato ao governo ou ao Senado.

“Bom, para falar do ocorrido ontem, porque eu tive várias reuniões ontem. Liguei para muita gente, falei com muita gente pelo telefone para tratar de diversos estados dos palanques nossos, a governo, a senado pelo país. Então as pessoas iam conversando comigo, me indicavam alguma coisa e eu anotava no papel. Um papel como esse, né? Que estava fechado ali em cima da mesa, onde depois eu fui dar o uma coletiva para falar do Rio de Janeiro. Saía da sala e voltava. Em um desses momentos, algum coleguinha de vocês pegou, abriu o papel e tirou foto das minhas anotações que eu havia feito”, disse Flávio a jornalista, confirmando a autoria das anotações.

Em seguida, o filho “01” diz que quer “desfazer uma mentira que já começou a ser veiculada”, sobre as anotações feitas por ele sobre os R$ 15 milhões a Pollon.

“Em uma das anotações, no estado do Mato Grosso do Sul, o deputado Pollon, eu anotei ali, fiz uma anotação que já está sendo distorcida pela imprensa, como se ele tivesse pedido alguma coisa, para deixar de ser candidato a governo ou candidato ao senado, estava escrito ali, Pollon pediu 15 milhões para não ser candidato”, afirma.

Em seguida, Flávio diz que a anotação foi feita a partir de um boato que estaria circulando sobre o suposto pedido de dinheiro para que o deputado federal desistisse da candidatura.

“Aquilo nunca aconteceu. A imprensa, a parte da imprensa que estiver falando que ele pediu isso é mentira. O que aconteceu foi uma pessoa que conversou comigo que estavam dizendo isso do Pollon. Eu anotei para não esquecer de avisar a ele que estavam veiculando essa mentira criminosa contra ele”, desconversou.

No vídeo divulgado por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em que aparece a imagem de uma reportagem da Fórum, o senador diz ainda para não irem “para cima” de Pollon.

“Não vão para cima do Pollon, porque é um cara correto, um cara honesto, um cara leal, um grande defensor das nossas pautas lá no Mato Grosso do Sul, mas eu na verdade eu anotei para avisá-lo de que estavam falsamente divulgando isso, espalhando lá no Mato Grosso do Sul para ele ficar atento e tomar as providências, né, contra quem ele achasse que poderia ser tomado”, diz.

<><> Quem é Marcos Pollon

Em entrevista recente, Pollon afirmou que, apesar de se colocar como candidato ao governo do MS, pode concorrer ao Senado “se Bolsonaro pedir”.

“Existe um apelo forte para que eu venha ao Senado. Se o presidente Bolsonaro me imputar essa missão, não tem como dizer não. Se ele entender que eu posso ombrear com aqueles que vão resgatar a liberdade do nosso país, eu estou pronto, e a decisão fica nas mãos dele”, declarou.

Procurado pelo jornal Folha de S. Paulo, o deputado negou que tenha colocado sua candidatura à venda e afirmou que a anotação “não faz o menor sentido”. Segundo ele, trata-se de uma tentativa de desgaste político. “Isso é uma campanha de assassinato de reputação”, disse.

Eleito deputado federal em 2022, Marcos Pollon baseou sua campanha na pauta armamentista. Advogado de formação, ganhou visibilidade nas redes sociais defendendo o armamento civil e pautas associadas à direita mais ideológica.

No Congresso, manteve o mesmo tom extremista. Uma de suas propostas mais bizarras foi o projeto “Minha Primeira Arma”, que sugere criar incentivos para facilitar a compra do primeiro armamento por cidadãos.

Pollon também protagonizou episódios de golpismo dentro da Câmara. Em 2025, passou a ser investigado pelo Conselho de Ética após participar de um motim promovido por deputados bolsonaristas que ocuparam a Mesa Diretora e bloquearam o funcionamento do plenário como forma de chantagem e pressão para que o projeto de anistia a golpistas fosse à votação. A representação apontou possível quebra de decoro parlamentar.

O processo ainda tramita na Casa. Entre as punições possíveis estão advertência, suspensão do mandato e, em casos mais graves, a perda do cargo — embora esta última seja considerada improvável em situações semelhantes.

Outro episódio controverso envolvendo Pollon foi a destinação de recursos de emenda parlamentar. Pollon enviou cerca de R$ 1 milhão, por meio de emenda do tipo conhecida como “emenda Pix”, para a cidade de São Paulo, fora de sua base eleitoral em Mato Grosso do Sul. A transferência chamou atenção em meio ao debate nacional sobre transparência e critérios na distribuição dessas verbas. A prática é vedada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

<><> As anotações atribuídas a Flávio

Anotações feitas à mão durante uma reunião da cúpula do Partido Liberal (PL), realizada na terça-feira (24), revelam estratégias eleitorais, preferências internas e avaliações reservadas sobre possíveis candidatos nas eleições deste ano. O encontro contou com a presença do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de dirigentes nacionais da legenda.

O documento, intitulado “situação nos estados”, foi obtido pela Folha e reúne uma lista impressa de nomes com observações manuscritas. O jornal afirma não ser possível identificar quem fez as anotações. Segundo relatos, além de Flávio, estavam na sala o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador, além de outros integrantes da cúpula. Entre as anotações, no entanto, uma delas referente ao vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), que disputará o governo, está escrita a frase “me puxa para baixo”, indicando o único interlocutor que poderia falar na primeira pessoa dentro daquela sala.

No topo da primeira página aparece a orientação “ligar Tarcísio”, referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputará a reeleição.

<><> São Paulo: tensão na vice e disputa ao Senado

As anotações indicam preocupação com a escolha do vice na chapa paulista. O atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD), nome preferido de Tarcísio, aparece ligado por uma seta ao símbolo “$”. Ramuth é alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro, acusação que nega.

Logo abaixo, surge a hipótese “André do Prado vice?”, em referência ao presidente da Assembleia Legislativa paulista, filiado ao PL e interessado na vaga.

Para o Senado em São Paulo, o deputado Guilherme Derrite (PP) é apontado como nome certo na chapa bolsonarista. A segunda vaga, a ser indicada pelo PL, segue indefinida. Entre os cotados aparecem, nesta ordem: Renato Bolsonaro, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano.

<><> Minas Gerais: descrença e busca por alternativa

Em Minas, o vice-governador Mateus Simões (Novo), que disputará o governo, conforme dito acima, recebe a anotação “me puxa para baixo”, indicando ceticismo interno. O documento observa que, caso ele confirme candidatura, os senadores Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Cleitinho (Republicanos-MG) também devem entrar na disputa.

O PL avalia lançar Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, ao governo mineiro. Ao lado do nome há a anotação “conversa com Nikolas”, referência ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que chegou a ser cotado, mas resiste à candidatura ao Executivo.

Para o Senado, aparecem os nomes de Carlos Viana, Marcelo Aro, Eros Biondini e Domingos Sávio. Apenas Viana e Sávio têm marcações de endosso.

<><> Nordeste e Centro-Oeste: alianças e impasses

Em Alagoas, são citados o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil). Ao lado de JHC, há a observação de que é preciso conversar com ele até 15 de março. Já Gaspar é descrito como “único que pedirá voto para mim”. Para o Senado, surge a indicação “Arthur (JB)”, em referência ao deputado Arthur Lira (PP-AL), possível apoiado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No Distrito Federal, o documento aponta impasse. A composição previa Celina Leão (PP) ao governo, com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado. Mas uma anotação afirma que, se Ibaneis Rocha (MDB) disputar o Senado, “não dá para oficializar com Celina”, indicando dificuldade para acomodar duas candidatas do PL.

No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) deve receber apoio do PL. Para o Senado, aparecem Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, este último com a observação “recall/melhor nas pesquisas”.

Já o deputado Marcos Pollon (PL-MS) é citado com a anotação: “pediu 15 mi para não ser candidato”. Procurado, Pollon negou a informação e classificou o registro como “campanha de assassinato de reputação”.

<><> Outras articulações

Na Bahia, o foco é costurar aliança com ACM Neto (União Brasil). No Ceará, o plano é integrar a chapa de Ciro Gomes (PSDB). No Piauí, aparece como opção de apoio ao Senado o senador Ciro Nogueira (PP).

Na Paraíba, o senador Efraim Filho (União Brasil) deve se filiar ao PL para disputar o governo, enquanto o ex-ministro Marcelo Queiroga é cotado ao Senado.

No Paraná, o plano é apoiar Filipe Barros ao Senado, evitando dividir votos com outros nomes como Cristina Graeml. O rascunho menciona ainda Deltan Dallagnol como favorito nas pesquisas, associado ao governador Ratinho Júnior (PSD).

O Rio Grande do Sul aparece como “ok”, com Zucco ao governo e Sanderson e Marcel Van Hattem ao Senado. O ex-ministro Onyx Lorenzoni é citado para possível composição como vice.

Em Goiás, são mencionados Daniel Vilela e Wilder Moraes ao governo, além de Gustavo Gayer e Gracinha Caiado ao Senado.

No Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes é descrito como “primeiro lugar nas pesquisas” ao governo. Já Janaina Riva aparece como nome certo ao Senado “de qualquer jeito”.

Em Santa Catarina, o senador Esperidião Amin foi preterido na chapa ao Senado, que terá Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, por determinação de Jair Bolsonaro — no rascunho, o nome de Amin aparece riscado.

O documento é descrito por interlocutores como um “brainstorm” interno. As anotações apontam para um retrato cru das negociações e tensões regionais do PL meses antes do registro oficial das candidaturas, previsto para agosto.

 

Fonte: Fórum

 

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