terça-feira, 3 de março de 2026

Canela é aliada contra diabetes e riscos cardiovasculares, diz estudo

Além de perfumar e encher de sabor diversas preparações, há tempos a canela tem sido investigada por seus efeitos no equilíbrio dos níveis de glicose na circulação e redução do risco de diabetes tipo 2. Um estudo recente não só reforça esse papel, mas também destaca a atuação da especiaria no controle das taxas de colesterol e de triglicérides, reafirmando seu potencial na proteção cardiovascular.

Na pesquisa, publicada em novembro no periódico Frontiers Nutrition, estudiosos chineses esmiuçaram dezenas de artigos, incluindo estudos clínicos com portadores de diabetes tipo 2 e de males como a síndrome metabólica. Esse distúrbio é caracterizado por taxas elevadas de glicose, alterações nos níveis de colesterol e triglicérides, além de hipertensão arterial e acúmulo de gordura na região abdominal.

Entre as possíveis explicações para esses benefícios estão compostos como os polifenóis. “As substâncias encontradas na canela contribuem para a ativação de um transportador conhecido como GLUT-4, que favorece a captação de glicose pelas células”, explica a nutricionista e fitoterapeuta Vanderlí Marchiori, conselheira da Associação Brasileira de Fitoterapia (ABFIT). Há ainda pesquisas mostrando que a especiaria retarda o esvaziamento gástrico, freando picos glicêmicos.

Quanto à atuação no colesterol, há indícios de que a canela interfira com a absorção dessas moléculas gordurosas no intestino, diminuindo os níveis na circulação sanguínea. A investigação também sinaliza efeitos antiobesidade, mas eles são muito modestos, embora existam pesquisas mostrando ação em prol de maior saciedade.

“Trata-se de uma revisão ‘guarda-chuva’, que reúne e analisa resultados de várias revisões e estudos clínicos, em um compilado de evidências científicas”, comenta a nutricionista Priscila Santana Amad, do Einstein Hospital Israelita.

Isso não significa, porém, que a canela faz milagre. Os próprios autores do artigo apontam algumas limitações da revisão, como a heterogeneidade dos pacientes envolvidos nos estudos, o que pode impactar nos achados. Portanto, mais investigações são necessárias.

<><> Canela no prato

Junto de outras especiarias, a canela é um dos principais motivos que impulsionaram as Grandes Navegações, nos séculos 15 e 16. Extraída de árvores do gênero Cinnamomum, provenientes da Ásia, a parte usada vem de uma camada interna dos galhos, chamada floema, que é responsável por conduzir nutrientes e sintetizar óleos protetores e aromáticos.

Entre as “canelas” mais populares, sobressaem a originária do Sri Lanka (Cinnamomun zeylanicum) e a canela-da-china (Cinnamomun cassia), também conhecida como cássia. Sobre as formas de uso, é utilizada tanto na versão em pau (rama) quanto em pó, em pratos doces ou salgados.

Combina com bolos, em preparações de milho como o curau, em mingaus, cremes e salpicada em frutas, especialmente a banana, entre tantas sobremesas. Adicionar uma pitada de canela é uma boa estratégia para ajudar a reduzir a quantidade de açúcar nas receitas. Inclusive, pode ser incluída no cafezinho, no cappuccino e em outras bebidas.

Nos pratos salgados, a especiaria marca presença tanto em mix de temperos, como o curry e a pimenta síria, e incrementa a preparação de carnes, pescados, molhos e arroz. Vale cuidar, no entanto, para não extrapolar. “O exagero pode irritar as mucosas do estômago e da boca”, alerta Amad. “Como tudo na nutrição, o importante é o equilíbrio”.

Há evidências de que altas dosagens de canela são tóxicas ao fígado, sobretudo a canela-da-china. “A sugestão é de até 2 gramas por dia, ou uma colher de café rasa”, ensina Marchiori. “E gestantes não devem usar”, afirma. Na dúvida, consulte seu obstetra ou nutricionista.

Além de consumir em doses moderadas, lembre-se de que nenhum alimento ou tempero é capaz de agir sozinho: todos os benefícios só são possíveis dentro de um contexto saudável, com dieta balanceada, prática regular de atividade física, gerenciamento do estresse e bons hábitos de sono.

•        Estudo descobre novo mecanismo do corpo que ajuda a combater diabetes

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, descobriram um novo mecanismo que o corpo usa para tentar se proteger contra a resistência à insulina e a diabetes tipo 2, mesmo com o acúmulo de gordura visceral — aquela que fica ao redor dos órgãos do abdômen.

O estudo, publicado nesta quinta (12/2) na revista Nature Communications, mostra que o tecido adiposo abriga células de defesa chamadas de macrófagos, capazes de diminuir inflamações e ajudar o organismo a responder melhor à insulina — hormônio responsável por controlar o açúcar no sangue.

Os macrófagos são células protetoras que atuam mantendo o tecido adiposo saudável e evitando que a inflamação causada pelo excesso de gordura visceral se torne crônica. Segundo os pesquisadores, quando esse mecanismo de proteção funciona, o organismo lida melhor com o excesso de gordura.

<><> O que os cientistas analisaram

Para entender a relação entre gordura visceral, inflamação e a diabetes, os pesquisadores analisaram o tecido adiposo de camundongos e amostras humanas. Em condições normais, a gordura abriga macrófagos com função protetora, que ajudam a manter o metabolismo em equilíbrio.

Porém, quando há acúmulo de gordura abdominal, a inflamação aumenta e os macrófagos protetores morrem. Com menos células de defesa atuando no local, o organismo responde pior à insulina, criando um cenário favorável ao desenvolvimento da diabetes tipo 2.

O estudo identificou que a morte dos macrófagos está ligada à redução de uma proteína chamada SerpinB2, essencial para a sobrevivência dessas células no tecido adiposo. Com a queda da proteína, a inflamação se intensifica e o controle da glicose no sangue se torna mais difícil.

<><> Caminho para novos medicamentos

Nos testes com camundongos com sobrepeso e resistência à insulina, a administração de antioxidantes ajudou a preservar os macrófagos no tecido adiposo e melhorou a sensibilidade à insulina.

Agora, o trabalho da equipe é identificar uma molécula que seja capaz de aumentar os níveis de SerpinB2 em humanos. A proposta é desenvolver um medicamento que fortaleça esse mecanismo natural de defesa do organismo, freando a inflamação que é associada à gordura visceral.

Os pesquisadores avaliam que a nova estratégia pode funcionar, inclusive, como um complemento aos medicamentos à base de GLP-1, usados para perda de peso e controle do diabetes.

A expectativa é que, preservando o sistema de defesa do próprio organismo contra a inflamação da gordura visceral, seja possível não só prevenir a diabetes tipo 2, mas também melhorar o controle da doença em pessoas que já convivem com esse diagnóstico.

 

Fonte: Metrópoles

 

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