Como
EUA e Irã viraram inimigos mortais: a linha do tempo da relação
"Temos
uma amizade próxima".
Foi
assim que o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter definiu a relação do
seu governo com o Irã em uma visita a Teerã em 1977.
Naquele
momento, o país do Oriente Médio era uma monarquia, encabeçada pelo xá Reza
Pahlavi.
No
mesmo discurso, pronunciado durante a visita de Estado, Carter classificou o
Irã como uma "ilha de estabilidade numa das zonas de maior conflito do
mundo" — e afirmou que não havia naquele momento outro líder por quem
nutrisse um sentimento "mais profundo de gratidão e amizade pessoal"
do que Pahlavi.
O
monarca iraniano, por sua vez, se referiu aos Estados Unidos como "a
grande nação americana" e exaltou os "princípios morais"
seguidos pelo seu governo.
Tal
troca de elogios seria inimaginável em 2026.
A
tensão entre Estados Unidos e Irã chegou a um dos seus pontos mais altos das
últimas décadas após um ataque conjunto americano e israelense contra diversas
cidades iranianas na manhã deste sábado (28/2).
Após o
início dos bombardeios, as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que o Irã
lançou ataques retaliatórios contra o território israelense. Instalações da
Marinha dos EUA no Bahrein também foram alvo de um "ataque com
mísseis", segundo o governo local, e explosões foram registradas em Doha,
no Catar.
Nas
semanas que antecederam o ataque, a Casa Branca ordenou o que analistas
consideram ser o maior deslocamento militar americano no Oriente Médio desde a
Guerra do Iraque, em 2023.
Os
objetivos mais amplos de Trump no Irã ainda não estão totalmente claros. Em um
vídeo publicado nas redes sociais, o republicano disse que os EUA iriam reduzir
a indústria de mísseis do Irã "a pó" e "aniquilar" sua
Marinha.
O
americano ainda instou os iranianos a usarem o momento para derrubar o regime
clerical do país. "Quando terminarmos, tomem o poder. Será de vocês. Esta
será provavelmente a única chance que terão por gerações", declarou.
Mas
afinal, como Estados Unidos e Irã foram de "uma amizade próxima" com
troca de elogios entre chefes de Estado para um ataque militar dessas
proporções?
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Golpe de Estado de 1953
Até o
fim da década de 1970, o Irã era governado por uma monarquia. O xá Reza Pahlavi
foi o último rei e assumiu o poder em 1941, substituindo seu pai.
Seu
reinado foi marcado por uma campanha de modernização. Entre as reformas
econômicas e sociais incentivadas estiveram um projeto de reforma agrária,
investimentos em educação e privatizações.
As
mulheres ganharam o direito ao voto na década de 60 e tinham direitos
relativamente iguais aos dos homens.Teerã ficou conhecida como uma cidade com
uma vida noturna vibrante.
Outra
marca desse período é o processo de ocidentalização e a relação próxima com os
Estados Unidos.
Em
1953, as agências de inteligência dos Estados Unidos e do Reino Unido
orquestraram um golpe de Estado que derrubou o primeiro governante iraniano
eleito democraticamente, o primeiro-ministro Mohamed Mossadeq.
Mossadeq
era um nacionalista fervoroso e disputava o controle do país com o xá. A
operação Ajax, nome que recebeu a intervenção estrangeira que possibilitou o
golpe de Estado, foi orquestrada pela CIA (a Agência Central de Inteligência
dos EUA) e consolidou a monarquia no país
Com a
consolidação do poder do xá, se seguiram 26 anos de franca amizade entre
Estados Unidos e Irã. A visita de Carter a Teerã é uma das marcas dessa
proximidade.
Mas o
golpe com apoio estrangeiro também deu início a um período de endurecimento
político interno, com o xá criticado por seu estilo autocrático, pela falta de
democracia e pela censura.
A era
Pahlavi também é lembrada por muitos como uma época marcada pela desigualdade
social e corrupção.
Diante
de tudo, o clero muçulmano xiita passou a acusar o xá de ir contra os valores
islâmicos, enquanto os grupos de esquerda, influenciados pela extinta União
Soviética, pediam por mais igualdade dentro do país.
Segundo
afirmou Arshin Adib-Moghaddam, professor de Pensamento Global e Filosofia
Comparada da Universidade SOAS, em Londres, à BBC Mundo (serviço em espanhol da
BBC), a intervenção estrangeira é um dos pilares das hostilidades que perduram
até hoje entre iranianos e americanos.
O apoio
dos Estados Unidos a um governo considerado por muitos como autoritário
alimentou o sentimento antiamericano que depois propiciou a Revolução Islâmica
de 1979, diz.
"Os
historiadores tem demonstrado que os manuais de tortura utilizados pelo brutal
serviço secreto do monarca (o xá Mohamed Reza Pahlevi) foram escritos pela CIA
e o Mossad (serviço de inteligência de Israel)", diz Adib-Moghaddam.
"Portanto,
os Estados Unidos passaram a ser vistos como cúmplices da supressão (de
liberdades) da sociedade iraniana, o que explica o sentimento antiamericano dos
revolucionários."
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A Revolução Islâmica e o declínio da relação
Até
meados de 1978, poucos podiam imaginar uma revolução capaz de transformar
profundamente o Irã.
Mas, em
poucos meses, os protestos envolveram intelectuais de esquerda, nacionalistas,
secularistas e islamistas, no que ficou conhecido como a Revolução Iraniana de
1979.
Milhões
de pessoas foram às ruas pedindo mudanças políticas, justiça social e o fim da
monarquia.
Foi
nesse contexto que Ruhollah Khomeini se consolidou como um símbolo da revolução
e estabeleceu uma república islâmica.
Khomeini
era um aiatolá, termo usado para designar um importante estudioso xiita, e se
tornou famoso como crítico ferrenho do xá Reza Pahlavi. Por isso, chegou a ser
preso e passou 15 anos no exílio antes de retornar ao Irã.
Quando
ele voltou ao Irã, em 1979, milhões de pessoas se aglomeraram nas ruas de Teerã
para recebê-lo.
A
emoção das cenas registradas por reportagens da época traduz bem a forma como a
revolução passou a enquadrar as reivindicações da população em termos
religiosos, apesar de ser apoiada por diversos setores da sociedade, dizem
especialistas.
"Khomeini
foi um líder carismático e um populista à imagem do que se vê na América Latina
e na representação de um 'big father', é [visto] como um grande pai
mesmo", avalia Muna Omran, pesquisadora na Universidade Federal Fluminense
especializada em Oriente Médio.
"E
ele vai unir com seu discurso tanto clérigos xiitas quanto nacionalistas,
estudantes e trabalhadores, principalmente os de baixa renda."
O xá e
sua família deixaram o Irã antes mesmo do retorno de Khomeini ao país. E, após
um referendo realizado em 1º de abril de 1979, foi declarada a República
Islâmica do Irã.
O
aniversário da revolução, porém, é comemorado no Irã em 11 de fevereiro todos
os anos. No calendário local, o dia é chamado de 22 de Bahman e costuma ser
celebrado com desfiles militares, discursos de autoridades e a convocação da
população para grandes marchas.
Para
Omran, o que aconteceu em 1979 foi mais do que uma "revolução
islâmica".
"Quando
você fala em revolução islâmica, está dizendo que quem faz a derrubada do
regime foi apenas o clero e não foi isso que aconteceu. A derrubada do regime
vai acontecer com o apoio dos comunistas, do clero, dos liberais, dos
intelectuais."
Uma
parte importante do discurso de Khomeini – e que se tornou um mote da revolução
- foi o anti-ocidentalismo. O clérigo acusava o xá de se vender aos Estados
Unidos, nação que apelidou de "Grande Satã".
E
quando ele assumiu o poder, a relação com com os aliados ocidentais foi
impactada profundamente.
Segundo
Maziyar Ghiabi, professor da Universidade de Exeter, a revolução transformou
não apenas o Irã, mas o mundo todo.
"Foi
com a revolução islâmica que vimos o papel do islamismo e da política islamista
se tornar central no enfrentamento do anti-imperialismo ou na reivindicação de
transformação do Estado e de promoção de mudanças", diz.
O
declínio das relações com os Estados Unidos alcançou seu ápice em novembro de
1979, quando um grupo de estudantes que protestava contra o tratamento ao Irã
invadiu a embaixada americana em Teerã e manteve dezenas de americanos como
reféns por mais de um ano.
Foi
após esse episódio que as relações entre os dois países foram rompidas e que se
iniciou o longo histórico de sanções dos Estados Unidos contra o Irã. Desde a
revolução de 1979, o país também nega o direito de existência de Israel.
O
desenvolvimento do programa nuclear iraniano para fins só aprofundou a crise
—os EUA e seus aliados europeus afirmam que esse programa tem fins bélicos,
algo que o Irã sempre negou (leia mais ao longo da reportagem).
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O papel dos aiatolás e o governo de Ali Khamenei
A
constituição iraniana de 1979 criou um sistema no qual o Executivo, o
Parlamento e o Judiciário passaram a ser supervisionados por diversos órgãos
dominados pelo clero. À frente tanto do Estado quanto das instituições de
supervisão está o Líder Supremo.
Desde
1979, só dois homens ocuparam esse cargo: Khomeini e o atual Líder Supremo, Ali
Khamenei, que assumiu em 1989 após a morte do líder da Revolução Islâmica.
Khamenei
foi presidente entre 1981 e 1989, antes de ser Líder Supremo. Ele também
participou da revolução ao lado de Khomeini.
Além de
chefe de Estado, o aiatolá tem autoridade sobre as Forças Armadas, incluindo a
polícia nacional e a polícia da moralidade, órgão conhecido, entre outras
coisas, por patrulhar se as mulheres iranianas estão vestidas de acordo com as
regras islâmicas do país.
Khamenei
também controla a Guarda Revolucionária, uma espécie de Exército paralelo
criado para defender o sistema islâmico do país.
O atual
aiatolá mantém há três décadas o controle de um regime que deixou pouquíssimo
espaço para qualquer tipo de oposição interna.
Ainda
assim, o poder dos aiatolás não deixou de ser questionado ao longo dos anos.
Uma das
maiores e mais longas ondas de manifestação contra o regime aconteceu em 2022,
desencadeada pela morte da jovem Mahsa Amini, de 22 anos, que morreu sob
custódia da polícia depois de ser detida por supostamente não usar o véu
islâmico de modo correto.
A
repressão a esses protestos, que pediam mais liberdades individuais e mudanças
na estrutura de poder do Irã, também foi dura.
Fora do
Irã também existe um movimento de oposição ao regime de Khamenei. Uma das
figuras mais conhecidas e polêmicas é o herdeiro da dinastia Pahlavi e filho do
xá deposto em 1979 – Reza Pahlavi, que mora nos Estados Unidos.
Pahlavi
é crítico recorrente de Khamenei e propõe liderar ele mesmo a mudança de regime
no Irã.
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O programa nuclear iraniano
O risco
nuclear está no centro das ações recentes dos Estados Unidos.
Teerã
insiste que seu programa nuclear se destina exclusivamente ao uso civil, mas
Washington suspeita que o regime esteja tentando enriquecer urânio a níveis
suficientes para produzir armas nucleares.
Em seu
pronunciamento na manhã deste sábado, Trump afirmou que o Irã "tentou
reconstruir seu programa nuclear e continuar desenvolvendo mísseis de longo
alcance" após ser alvo de ataques americanos em junho do ano passado.
Segundo
o republicano, as armas desenvolvidas por Teerã já ameaçam a Europa e as tropas
americanas estacionadas no exterior e "em breve poderiam atingir o
território americano".
O Irã é
signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que permite o uso
dessa tecnologia para fins civis, como medicina, agricultura e energia, mas
proíbe a busca por armas.
No
entanto, uma investigação da Agência Internacional de Energia Atômica constatou
que o Irã realizou "uma série de atividades relevantes para o
desenvolvimento de um dispositivo explosivo nuclear" do final da década de
1980 até 2003.
Em
2009, agências de inteligência ocidentais identificaram a instalação nuclear de
Fordo. O complexo foi alvo dos ataques americanos de 2025, assim como o maior
complexo de pesquisa nuclear do Irã, em Isfahan, e um centro em Natanz.
Na
época, Trump disse que as instalações haviam sido "destruídas". Uma
semana depois, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael
Grossi, disse que os ataques causaram danos graves, embora "não
totais", sugerindo que alguma forma de enriquecimento poderia ser retomada
dentro de alguns meses.
A
agência estima que, quando Israel lançou ataques aéreos em 13 de junho, o Irã
tinha um estoque de 440 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza — um
pequeno passo técnico para atingir os 90% necessários para armas nucleares.
Grossi
disse em outubro à agência de notícias Associated Press que essa quantidade —
se enriquecida ainda mais — seria suficiente para produzir dez bombas
nucleares.
Em
novembro, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou à
revista The Economist que o enriquecimento de urânio tinha sido paralisado.
No mês
passado, ele causou controvérsia em outra entrevista, esta ao canal de notícias
Fox News. "Sim, vocês destruíram as instalações, as máquinas, mas a
tecnologia não pode ser bombardeada, e a determinação também não pode ser
bombardeada."
Grossi
disse à Reuters em janeiro que conseguiu inspecionar 13 instalações nucleares
no Irã que não foram bombardeadas, mas não as três principais que haviam sido.
Ele afirmou que já tinham se passado sete meses desde a última verificação do
estoque de urânio enriquecido do Irã.
Persistem
incertezas sobre questões-chave, particularmente a localização e o estado do
estoque, além da condição das instalações de enriquecimento.
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O papel dos EUA no desenvolvimento nuclear iraniano
Paradoxalmente,
os Estados Unidos tiveram um papel central no início do programa nuclear
iraniano, graças a uma iniciativa desenvolvida durante o período de aproximação
entre os dois países, na década de 1950.
Em
1957, os EUA e o Irã, então governado pelo xá Mohamed Reza Pahlevi, assinaram
um acordo de cooperação para uso civil da energia atômica que definiu as bases
da criação do programa nuclear iraniano.
O
entendimento fazia parte da iniciativa chamada Átomos para a Paz, segundo a
qual os EUA ofereceriam educação e tecnologia a países em desenvolvimento, para
ajudá-los no uso pacífico da energia atômica.
Além do
Irã, África do Sul, Israel, Turquia, Paquistão, Portugal, Grécia, Espanha,
Argentina e Brasil fizeram parte do programa.
Segundo
analistas, naquele momento Washington acreditava que Teerã traria mais um
benefício ao seu balanço de poder no contexto da Guerra Fria.
"Segundo
documentos [da época] em arquivo, o Irã não alinhado era considerado a base de
uma estratégia de dissuasão contra a União Soviética e a iniciativa Átomos para
a Paz serviria para solidificar a lealdade do Irã ao Ocidente", segundo o
pesquisador Jonah Glick-Unterman, em uma análise publicada em 2018 pelo centro
de estudos Wilson Center, com sede em Washington.
Em
1967, os EUA forneceram ao Irã um reator nuclear de pesquisa de 5 megawatts,
além de uma certa quantidade de urânio altamente enriquecido para sua operação.
Três
anos mais tarde, o Irã ratificou o Tratado de Não Proliferação Nuclear,
comprometendo-se a não tentar obter nem desenvolver armas nucleares. Mas esse
objetivo não havia sido totalmente descartado pelo xá.
"A
ideia do xá na época era que, se o Irã fosse suficientemente forte e ele
pudesse defender os interesses do país na região, ele não tentaria obter armas
atômicas. Mas ele me disse que, se isso mudasse, precisaríamos 'tornar-nos
nucleares'. Ele tinha isso em mente", declarou Akbar Etemad, considerado o
pai do programa nuclear iraniano, em entrevista à BBC em 2013.
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Influência iraniana no Oriente Médio
Desde a
revolução, o Irã também busca exportar sua ideologia e expandir sua influência
além de suas fronteiras, apoiando uma rede de grupos armados.
Ao
longo do tempo, essa rede passou a incluir o Hamas em Gaza, o Hezbollah no
Líbano e os Houthis no Iêmen, além de outros grupos no Iraque e na Síria,
chamados coletivamente de "Eixo da Resistência".
O eixo
se opõe ao poder da coalizão entre Israel e Estados Unidos no Oriente Médio e
também está no centro da crise que se desenrola entre o Irã e as potências
ocidentais.
O
Departamento de Estado americano acusa o Irã de ser o principal
"patrocinador estatal do terrorismo no mundo".
Segundo
especialistas, o apoio do Irã a esses grupos acontece de formas diversas, sendo
a primeira delas, o apoio financeiro.
Em
2020, os EUA estimaram que o Irã destina ao Hezbollah US$ 700 milhões (R$ 3,5
bilhões) por ano. Outros US$ 100 milhões ao ano seriam destinados a grupos
palestinos, incluindo o Hamas.
O
governo iraniano nega essas acusações.
Além
das sanções contra o Irã, os EUA também impuseram ao longo dos anos restrições
financeiras aos grupos no Líbano, Iêmen, Faixa de Gaza, Síria e Iraque, assim
como a indivíduos que estariam ligados a essas organizações.
Segundo
afirmou à BBC Laura James, da Oxford Analytica, a política desenvolvida pelo
país persa no Oriente Médio está relacionada à necessidade que Teerã tem de se
proteger.
"O
Irã não necessariamente percebe a si mesmo como um ator agressivo, mas sim,
como profundamente vulnerável", afirma.
"Particularmente
a Guerra Irã-Iraque, quando o país ficou muito vulnerável aos mísseis
iraquianos e muitas pessoas morreram, é chave para entender a concepção
iraniana de seu lugar na região. Então toda sua política é baseada no objetivo
de nunca mais permitir ao país se ver cercado e isolado."
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A crise interna iraniana
Mas na
crise atual entre Irã e Estados Unidos também há resquícios dos conflitos
internos que se desenrolaram no país persa nos últimos anos.
Após os
protestos de 2022, uma nova onda de manifestações tomou conta de diversas
cidades no início deste ano.
Dessa
vez, os protestos começaram com reclamações sobre a situação econômica atual.
Mas rapidamente eles se transformaram nas maiores manifestações populares desde
a revolução de 1979.
No
final de 2025, lojistas foram às ruas de Teerã para expressar sua indignação
com mais uma forte queda no valor da moeda iraniana, o rial, em relação ao
dólar americano no mercado paralelo.
O rial
atingiu uma mínima histórica no último ano e a inflação disparou para 40%, o
que resultou em aumentos exorbitantes nos preços de itens básicos como óleo de
cozinha e carne.
As
sanções impostas devido ao programa nuclear iraniano agravaram uma economia já
fragilizada pela má gestão governamental e pela corrupção.
Estudantes
universitários logo se juntaram aos protestos e as manifestações começaram a se
espalhar para outras cidades. Houve apelos mais amplos por mudanças políticas,
com multidões frequentemente entoando slogans contra Khamenei.
As
autoridades reprimiram violentamente os protestos e o serviço de internet e
telefonia no país foi cortado.
A
agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos
EUA, afirmou ter confirmado a morte de pelo menos 7.015 pessoas durante essa
onda de protestos, incluindo 6.508 manifestantes, 226 crianças e 214 pessoas
ligadas ao governo. Os dados mais recentes foram atualizados em 15 de
fevereiro.
A HRNA
também informou estar investigando outras 11.744 mortes relatadas.
Já as
autoridades iranianas declararam no final do mês passado que mais de 3,1 mil
pessoas morreram, mas que a maioria eram membros das forças de segurança ou
civis atacados por "manifestantes violentos".
Diante
da situação econômica e política, analistas apontam uma crise sem precedentes
desde a revolução.
"Não
creio que nas últimas décadas a República Islâmica tenha estado em uma situação
tão difícil", avalia Maziyar Ghiabi, da Universidade de Exeter, que
atribuí grande parte da crise à falta de diálogo com a oposição interna e à
situação econômica.
"Além
disso, a situação é consequência da guerra de junho com Israel, que, embora
retratada como uma guerra de resistência, de oposição ao imperialismo, causou
danos massivos às forças armadas e também matou importantes líderes do Exército
e da Guarda Revolucionária", diz.
"Vejo
essa trajetória como um beco sem saída."
Em
meados de janeiro, Donald Trump enviou uma mensagem para os iranianos que
protestavam contra o regime, afirmando que a ajuda estava a caminho.
Desde
então, começou o deslocamento lento, mas constante e significativo de forças
militares americanas para a região.
Fonte:
BBC News

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