terça-feira, 3 de março de 2026

Presidente do PT diz que Flávio Bolsonaro é 'essência do pensamento fascista' e alerta sigla

O PT vai deflagrar uma ofensiva contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do PL à sucessão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nas ruas e nas redes sociais. Desde que pesquisas de intenção de voto começaram a indicar o avanço do senador, ainda que a eleição seja somente em outubro, o partido decidiu mudar a estratégia.

"Flávio Bolsonaro é a essência do pensamento fascista e ultraconservador brasileiro. Se não falarmos isso, ele será 'o amigo Flávio', o candidato palatável", disse o presidente do PT, Edinho Silva, na sexta-feira, 27, durante a conferência da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária na legenda.

A reunião serviu para discutir diretrizes da campanha de Lula à reeleição e fazer um chamamento ao partido, diante das dificuldades apresentadas nos últimos dias.

"Vamos enfrentar Flávio Bolsonaro no debate político. É só olhar a história: ele não nasceu da casca do ovo. Vamos olhar cada votação que ele teve. Agora, ele quer virar um copo vazio. Ele não é um copo vazio porque é a herança do autoritarismo e do fascismo", discursou Edinho, numa referência ao fato de Flávio ser filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso por tentativa de golpe.

A uma plateia formada por políticos e personalidades do partido, como o ex-ministro José Dirceu, o presidente do PT afirmou que Flávio virou o "catalisador de um sentimento antissistema". Foi nesse momento que pediu rápida reação dos correligionários para expor os problemas do senador.

Embora não tenha citado, a lista inclui o escândalo da "rachadinha". Em 2020, por exemplo, Flávio foi acusado pelo Ministério Público do Rio de chefiar uma organização criminosa que recolhia parte do salário dos funcionários de seu gabinete, quando era deputado estadual, para benefício próprio. O senador nega as acusações.

"Nós ficamos às vezes estarrecidos quando a gente oscila um pouco nas pesquisas. O que nós temos de entender é que estamos vivendo de fato um momento difícil, de acirramento da conjuntura, e de uma dificuldade imensa de dialogarmos com a sociedade brasileira. Isso nós não podemos negar", admitiu Edinho. Em seguida, porém, observou que o PT tem "todas as condições" de levar Lula à vitória.

O Estadão apurou que, durante o encontro, dirigentes mostraram preocupação com o potencial de desgaste da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e do escândalo do Banco Master sobre a campanha de Lula.

Na quinta-feira, 26, a CPMI decidiu quebrar o sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, em uma sessão tumultuada, interrompida por socos, sopapos e bofetões entre deputados e senadores.

Edinho também pediu atenção para enfrentar o que chamou de "ofensiva de redes sociais" contra Lula e o PT. Disse que a "estrutura fraudulenta" para colocar em risco o sistema financeiro não foi montada nesse governo e classificou a mobilização digital bolsonarista como profissional e organizada

"Se nós ficarmos inertes, Flávio Bolsonaro será o 'amigo Flávio' Mas nós não vamos dizer de quem ele é amigo?", provocou Edinho ao destacar que o senador é amigo dos opositores do fim da escala 6x1 e das "elites" envolvidas nos escândalos do mercado financeiro. "Ou o PT levanta a bandeira da reforma política ou não seremos o partido antissistema", cobrou.

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Apesar do "chacoalhão", Edinho incentivou os pares a partir para o enfrentamento e, ao destacar que bolsonaristas estão com uma poderosa estrutura nas redes sociais, o presidente do PT fez um afago.

"Nenhum robô debate mais do que um militante estimulado", concluiu o presidente do PT.

•        O dia em que a Netflix desmentiu Flávio Bolsonaro e ele passou vergonha nas redes

O nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está consolidado como o que deve representar a extrema direita na disputa pelo Palácio do Planalto no pleito deste ano, que novamente tende a ficar polarizado entre a esquerda, representada pelo PT, e os ultraconservadores, representados pelo bolsonarismo.

Com isso, vergonhas alheias de tempos passados de Flávio Bolsonaro começaram a ser resgatadas por internautas, entre elas, uma trollada que o senador levou do perfil oficial da Netflix no Brasil.

Em 2018, estreava na Netflix a série “O Mecanismo”, criada pelo cineasta José Padilha. A trama era inspirada diretamente nas investigações da extinta operação Lava Jato, que, naquele momento histórico, ainda não havia caído em descrédito após as revelações da Vaza Jato, que mostraram que Sergio Moro e Deltan Dallagnol combinavam ações e perseguiam figuras políticas do campo da esquerda, entre elas, o presidente Lula.

Dessa maneira, Flávio Bolsonaro tentou “lacrar” nas redes utilizando o sucesso da série “O Mecanismo”. Escreveu o senador:

“Se a esquerda está apavorada com a série ‘O Mecanismo’, imagina se eles soubessem que a Netflix Brasil poderia estar interessada em fazer uma série sobre Bolsonaro.”

O que Flávio Bolsonaro talvez não esperasse é que o perfil oficial da Netflix Brasil o desmentisse de maneira debochada:

“Você está louca, querida.

•        A ervilha como cérebro: bolsonarismo, moralismo seletivo e a política do ódio. Por Mônica Braga

A visita de Luiz Inácio Lula da Silva a uma escola em Niterói foi suficiente para reativar o que se pode chamar de “cérebro-ervilha” do bolsonarismo: pequeno, raso, reativo e programado para odiar qualquer símbolo de inclusão social.

A reação não foi pedagógica, nem racional, nem democrática. Foi instintiva, quase biológica: atacar Lula, atacar a escola pública, atacar a política — enquanto fingem defender a moral.

O bolsonarismo construiu uma narrativa onde a ignorância é virtude, a violência é relativizada e o autoritarismo é vendido como ordem.

O resultado dessa cultura política não é abstrato: ela mata. Mata simbolicamente, ao destruir políticas públicas, mata socialmente, ao legitimar o ódio e mata concretamente, quando alimenta discursos que naturalizam a violência contra mulheres, crianças e minorias.

Enquanto a “ala das ervilhas” posa de guardiã da família tradicional, dados de órgãos públicos e pesquisas acadêmicas mostram um crescimento alarmante de denúncias de violência doméstica e sexual, inclusive em espaços religiosos.

Igrejas, que deveriam ser refúgios, aparecem em relatórios e investigações como locais onde crianças e mulheres foram silenciadas, violentadas e culpabilizadas. O moralismo bolsonarista grita contra livros, professores e políticas educacionais, mas cala diante do abuso real, cotidiano e estrutural.

Esse é o paradoxo grotesco: a família é defendida como slogan, mas abandonada como realidade social. O discurso conservador se indigna com a presença de Lula em uma escola, mas não se indigna com a criança estuprada, com a mulher espancada, com o professor precarizado, com a fome que atravessa os lares brasileiros.

A ervilha pensa pequeno, porque pensar grande exigiria empatia, ciência e política pública — tudo o que o bolsonarismo despreza.

Lula, ao visitar uma escola pública, encarna exatamente o oposto dessa mentalidade: a política como ferramenta de transformação, a educação como direito, o Estado como garantidor de dignidade. Sua trajetória, de retirante nordestino a presidente é, em si, uma afronta ao projeto elitista e autoritário que sempre quis manter o povo no lugar do silêncio.

O incômodo não é com Lula. É com a possibilidade de o filho da trabalhadora, da doméstica, do operário, do evangélico pobre, ocupar espaços que sempre foram negados.

A escola pública, para a elite moralista, deve ser domesticada, neutra, "despolitizada", ou seja, obediente à ordem vigente.

Mas educação nunca foi neutra. E a política nunca foi opcional. A diferença é que, enquanto o bolsonarismo opera com um cérebro-ervilha, (assim como a inabalável família tradicional) treinado para repetir slogans e disseminar medo, Lula continua sendo a lembrança viva de que a política pode, sim, servir ao povo.

E isso, para a "ervilha", é intolerável.

•        Flávio Bolsonaro sobre posição do Brasil após ataque dos EUA: "Lado errado"

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi a público neste sábado (28/2) para comentar os ataques coordenados entre EUA e Israel ao Irã. Flávio classificou como "inaceitável" o posicionamento divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), que condenou e expressou "grave preocupação" com os ataques.

Flávio usou as redes sociais para comentar o assunto. "Ao adotar uma postura de apoio político a Teerã neste momento, o Brasil se coloca do lado errado de um conflito grave e ignora a natureza objetiva do regime que está defendendo".

Ele afirmou que o Brasil não precisa se envolver em "conflitos regionais", nem assumir protagonismo em disputas nas quais não está envolvido.

Segundo o senador, o País também não deveria escolher o lado "moralmente errado" ao se posicionar sobre conflitos. O posicionamento do governo, ele disse, legitima o regime iraniano, que financia e apoia organizações terroristas e "promove instabilidade e ameaça países parceiros do nosso próprio interesse estratégico."

•        Gleisi rebate Flávio Bolsonaro sobre ataques ao Irã: "Não aprendeu nada"

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, respondeu uma publicação do senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que criticou o posicionamento do governo federal em relação ao ataque coordenado dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que ocorreu na manhã deste sábado (28/2).

O pré-candidato classificou como "inaceitável" a nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu “adotar uma postura de apoio político a Teerã”, o que, segundo ele, representa o “lado errado” do conflito.

“O Brasil não precisa se intrometer em conflitos regionais, nem assumir papel protagonista em disputas que não nos pertencem. O que não pode é escolher o alinhamento moralmente errado, legitimando um regime que promove instabilidade e ameaça países parceiros do nosso próprio interesse estratégico”, escreveu o senador, no X.

Em resposta ao pré-candidato, Gleisi escreve que Flavio “não aprendeu nada” com o que ela chamou de “repúdio nacional à traição de sua família ao Brasil”. “Segue pregando subserviência a Trump, mesmo quando ele viola leis internacionais e faz um ataque que ameaça a paz no mundo. As palavras soberania, multilateralismo e paz não existem no dicionário dos bolsonaristas”, rebateu a ministra na mesma rede social.

<><> “Grave preocupação”, diz Itamaraty

A nota do Itamaraty publicada na manhã deste sábado condena expressamente o ataque norte-americano e israelense, no qual o ministério também viu com “grave preocupação” a ação militar no Oriente Médio. O MRE aponta, ainda, que os ataques ocorreram em meio a um “processo de negociação entre as partes”, que, segundo a nota, seria “o único caminho viável para a paz”.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, acrescenta a nota do governo brasileiro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não se manifestou pessoalmente sobre o ocorrido. Ele está em viagem às cidades mineiras de Juiz de Fora e Ubá neste sábado, atingidas pelas fortes chuvas que atingiram o sudeste do estado e provocou a morte de pelo menos 70 pessoas até o momento. No entanto, há a expectativa de que o chefe do Executivo comente ainda hoje sobre o assunto, em entrevista coletiva prevista para o final da tarde.

•        Diplomacia brasileira atua em defesa da paz, diz Alckmin após ataque ao Irã

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, fez um breve comentário na manhã deste sábado (28/2) sobre o ataque coordenado de Estados Unidos e Israel ao Irã. O chefe de estado destacou que o país atua na “defesa da paz” e evitou defender qualquer um dos lados envolvidos no conflito.

“O presidente Lula sempre tem destacado que o Brasil é o país promotor da paz, então a diplomacia brasileira atua em defesa da paz, da promoção da paz. Essa é a postura brasileira”, disse o vice, em visita a uma concessionária de caminhões em São Paulo, fazendo referência também ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não se manifestou sobre o assunto.

Ainda pela manhã, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) condenou e manifestou “grave preocupação” com os ataques promovidos por EUA e Israel. Em nota, o Itamaraty defendeu que o diálogo é o "único caminho viável para a paz" e que a escalada militar pode comprometer esforços diplomáticos em curso.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, destaca a nota.

O Itamaraty também emitiu um alerta aos brasileiros para evitarem viagens aos seguintes países do Oriente Médio: Irã, Israel, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Iraque, Líbano, Palestina e Síria. Para os brasileiros que já estão nesses países, o MRE recomenda atenção redobrada e o cumprimento rigoroso das orientações das autoridades locais.

 

Fonte: O Dia/Correio Braziliense

 

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