Guerra
no Irã causa racha nos Brics
O ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã e as retaliações seguintes do
regime de Teerã, ocorridos nos últimos dias, tiveram repercussões divergentes
entre países dos Brics. O bloco é formado
por: Brasil, Rússia, China, Índia, África do
Sul, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia.
Enquanto
o Brasil, China e Rússia condenaram, oficialmente, a ação conjunta entre
norte-americanos e israelenses iniciada no sábado (28/2), outros integrantes do
grupo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Índia, pouparam os
bombardeios de Israel e EUA e condenaram, por sua vez, os ataques com mísseis
realizados pelo Irã contra bases norte-americanas localizadas nos países do
Golfo Pérsico.
Um
diplomata ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado afirma que, nos
últimos dias, o governo brasileiro tem feito consultas junto a países do bloco,
mas que, por ora, não haveria previsão de uma posição conjunta do bloco sobre o
assunto.
Em
julho de 2025, quando o Irã também foi alvo de ataques aéreos
dos Estados Unidos e Israel, os Brics chegaram a um acordo e divulgaram uma nota
sobre o episódio.
Um
interlocutor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, disse à
BBC News Brasil não acreditar que o bloco vá adotar algum tipo de posição
conjunta sobre o assunto. Segundo ele, fatores como as atuais dimensões da
crise e a liderança indiana do bloco, neste ano, inviabilizariam um
posicionamento semelhante ao do ano anterior.
Especialistas
ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que a atual crise no Irã expõe
contradições do processo de expansão do grupo e coloca em xeque a capacidade de
ação coletiva de um grupo de países com interesses geopolíticos tão distintos.
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Ataques, reações e divisão
A mais
recente crise no Oriente Médio começou no sábado, quando Estados Unidos e
Israel iniciaram uma série de ataques aéreos a alvos iranianos. Os ataques
atingiram prédios oficiais e alvos civis e mataram o então líder supremo do
Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Além dele, outros
três oficiais do alto comando do governo iraniano também teriam sido mortos.
O
presidente norte-americano, Donald Trump, justificou os ataques afirmando que
eles tinham o objetivo de eliminar "ameaças iminentes do regime
iraniano" e que o país havia tentado reconstruir o seu programa nuclear e
continuaria a desenvolver um programa de mísseis de longo alcance que poderia
ameaçar países europeus e, em breve, os Estados Unidos.
O
regime iraniano, porém, rebate essas acusações e afirma que seu programa
nuclear tinham fins pacíficos.
Como
resposta, o Irã disparou uma série de mísseis em direção a Israel e a
instalações norte-americanas situadas em países do Golfo Pérsico como Emirados
Árabes Unidos, Arábia Saudita e Kuwait.
Desde
então, o conflito atingiu outros países como a Síria e o Líbano, de onde o
grupo Hezbollah disparou mísseis sobre Israel na segunda-feira (2/3).
Em meio
a esse cenário, as respostas diplomáticas dos integrantes dos Brics refletiram
suas divisões internas.
O
Brasil, por meio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), emitiu duas notas
sobre o episódio. Na primeira, ainda no sábado, o governo brasileiro condenou a
ação israelense e norte-americana.
"O
Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques
realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os
ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o
único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil
na região", disse a nota.
Na
segunda-feira, o Brasil divulgou uma nova nota sobre a situação no Oriente
Médio na qual condenou os ataques promovidos pelo Irã.
"O
Brasil insta todas as partes a respeitar o Direito Internacional e condena
quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam
ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis
(...) o Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os
Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia — objetos de ataques
retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro", disse a nota.
Nesta
segunda-feira, em entrevista à Globo News, o assessor especial para assuntos
internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embaixador Celso
Amorim, também condenou os ataques ao Irã.
"Ninguém
é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável
e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior", disse o diplomata.
Rússia
e China, por outro lado, que possuem uma relação mais estreita com o regime
iraniano, também condenaram os ataques ao Irã. A Rússia possui vínculos
militares com o Irã e o país do Oriente Médio é um dos fornecedores de drones
usados pelos russos na guerra da Ucrânia.
A
China, por sua vez, é um dos principais compradores de petróleo iraniano.
Usando
termos mais fortes, o presidente russo, Vladimir Putin, classificou os
ataques e a morte de Khamenei como uma "violação cínica de todas as normas
de moralidade humana e do direito internacional", de acordo com a agência
de notícias russa Tass.
A
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, também
condenou o ataque ao Irã.
"O
ataque e a morte do líder supremo do Irã é uma grave violação da soberania e
segurança do Irã (...) A China se opõe firmemente e fortemente condena (os
ataques)", disse.
A Índia
não condenou os ataques de sábado. Sob o governo de Narendra Modi, o país, que
há décadas teve em Israel um parceiro chave no suprimento de armas e munição,
principalmente durante os vários conflitos armados com o Paquistão, estreitou
ainda mais a relação. Em 2017, Modi se tornou o primeiro premiê indiano a
visitar Israel.
"A
Índia está profundamente preocupada com os recentes acontecimentos no Irã e na
região do Golfo. Urgimos todos os lados para exercitar a contenção, evitar a
escalada e priorizar a segurança dos civis", diz um trecho da nota
divulgada pelo Ministério de Assuntos Exteriores da Índia.
Na
segunda-feira, porém, Modi usou suas redes sociais para condenar os ataques
conduzidos pelo Irã a bases localizadas nos países árabes.
"A
Índia condena os recentes ataques à Arábia Saudita em violação da sua soberania
e integridade territorial", disse o premiê em seu perfil no X (antigo
Twitter).
Outro
interlocutor do presidente Lula disse à BBC News Brasil em caráter reservado
que a dimensão da crise iniciada na semana passada é diferente da dos ataques
ocorridos em julho de 2025.
Segundo
ele, no ano passado, as reações do Irã aos ataques norte-americanos e
israelenses foram calculadas de forma a não causar baixas significativas a
Israel, país que concentrou as retaliações iranianas naquela ocasião.
Desta
vez, ele argumenta, as retaliações iranianas atingindo alvos em países árabes,
entre eles integrantes dos Brics como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos,
praticamente impossibilitam uma resposta coletiva do bloco.
Segundo
ele, outro motivo pelo qual o Brasil não espera uma resposta conjunta é a
liderança indiana. Neste ano, a presidência rotativa do bloco é exercida pela
Índia — que tem ligações históricas tanto com os EUA quanto com Israel.
Na
semana passada, por exemplo, Modi fez uma visita ao primeiro-ministro
israelense, Benjamin Netanyahu.
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Contradições à mostra
Para a
professora de Relações Internacionais da PUC do Rio de Janeiro, Ana Elisa
Saggioro Garcia, a crise envolvendo o Irã testará a a capacidade dos Brics de
agir de forma coordenada.
"Os
ataques expõem as contradições e os riscos envolvidos no processo de expansão
dos Brics (iniciado) em 2023. Essa expansão, que trouxe países do Oriente
Médio, deu mais representatividade para o grupo, mas também trouxe riscos. A
presença do Irã sempre foi um ponto de tensão dentro do grupo", diz a
professora à BBC News Brasil.
"Não
há expectativa do Brics se tornar um grupo que possa agir de forma coletiva
nessas situações".
Segundo
ela, a falta de uma posição coordenada dos Brics sobre o assunto reflete os
interesses específicos dos principais integrantes do grupo.
Os
países árabes, por exemplo, por mais que sejam de maioria islâmica, têm
relações conturbadas com o Irã. Além disso, os sauditas, egípcios e os Emirados
Árabes Unidos são tradicionais aliados dos Estados Unidos na região.
A
Índia, por sua vez, tem uma relação próxima com Estados Unidos, Rússia e
Israel.
Segundo
ela, a crise no Irã deixou claro que os Brics estariam longe de uma aliança nos
moldes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que une países da
Europa, Estados Unidos e Canadá.
"Eles
(a Otan) conseguiram criar um sistema de segurança coletiva no qual, se um é
atacado, os outros defendem. Os Brics não são isso, não serão em um período
visível de tempo e nem desejam ser", afirma.
Para o
professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro e integrante do think tank Brics Policy Center, Pablo Ibanez, a falta
de coesão do bloco em torno dos acontecimentos no Oriente Médio também se deve
ao papel exercido por Donald Trump no cenário internacional.
"Os
Brics se enfraqueceram com a chegada de Trump ao poder. Isso não se deve,
necessariamente, a ele ter feito algo diretamente ao grupo, mas a forma como
ele atua obrigou os países a mudarem suas estratégias", diz o professor.
A
avaliação é de que medidas como o tarifaço imposto por Trump a diversos países
no ano passado, inclusive sobre o Brasil, obrigou diversas nações a procurarem
soluções de forma individual para os obstáculos criados pelos norte-americanos.
Ibanez
avalia que, a atuação "imprevisível" dos Estados Unidos sob o comando
de Trump vem obrigado os países do bloco a tirarem os Brics do foco. É como,
segundo ele, cada país estivesse tendo que atuar sozinho e não mais em bloco.
"O
que se observa é que os Brics estão deixando de estar na centralidade da
política externa. O fato de não termos, até agora, uma manifestação conjunta do
bloco sobre a crise no Irã é uma demonstração dessa perda de importância dos
Brics para agenda dos países do bloco", avalia.
¨
Como Rússia e China, aliados do Irã, se movimentam e
calculam perdas e ganhos no atual conflito?
Com
o Reino Unido permitindo que
os Estados Unidos usem suas bases
aéreas para ataques "defensivos" durante a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, a atenção se voltou para o tipo de
apoio que o Irã poderia receber de países supostamente aliados.
A Rússia e a China mantêm laços
diplomáticos, comerciais e militares com a República Islâmica do Irã, mas o
conflito atual deve deixar claro até que ponto esses países estão dispostos a
apoiá-la.
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Apoio ruidoso mas limitado da Rússia
A
resposta da Rússia aos ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã foi
ruidosa, mas limitada, sinalizando indignação e solidariedade ao Irã, ao mesmo
tempo em que evitou medidas que pudessem colocar a Rússia diretamente no
confronto, analisou Sergei Goryashko, da BBC News Rússia.
O
porta-voz do governo da Rússia, Dmitry Peskov, falou em "profunda
decepção" com o fato de que, apesar das negociações entre os EUA e o Irã,
a situação tenha "degenerado em agressão aberta".
Segundo
Peskov, a Rússia mantém contato constante com a liderança iraniana e com os
países do Golfo afetados pela escalada do conflito.
O
Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou o que chamou de
"agressão não provocada" contra o Irã por parte dos EUA e de Israel e
denunciou o que considera assassinatos políticos e a "caça" aos
líderes de Estados soberanos.
No
domingo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, enviou condolências ao
presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pela morte do líder supremo do Irã, o
aiatolá Ali Khamenei, chamando o episódio de "violação cínica da
moralidade humana e do direito internacional".
Ainda
assim, a Rússia evitou críticas pessoais ao presidente dos EUA, Donald Trump, e
continua a expressar gratidão pelos esforços de mediação americanos em relação
à Ucrânia.
Questionado
na segunda-feira (2/3) sobre como a Rússia poderia agora confiar nos EUA,
Peskov respondeu que a Rússia "antes de mais nada confia apenas em si
mesma" e defende seus próprios interesses.
Esses
interesses ajudam a explicar por que o apoio russo ao Irã permanece em grande
parte retórico, embora o Irã tenha se tornado um dos aliados mais próximos da
Rússia desde a invasão em larga escala da Ucrânia, fornecendo drones e
auxiliando a Rússia a desenvolver formas de contornar as sanções ocidentais,
afirmou Goryashko.
O Irã
também se encaixa na visão da Rússia de uma ordem multipolar, na qual os
direitos dos Estados são mais importantes do que os direitos humanos, e os
governos exercem amplo controle interno. A queda de um regime desse tipo
representaria um golpe para esse modelo.
Ao
mesmo tempo, a Rússia já demonstrou não estar disposta a assumir riscos
excessivos por seus parceiros, seja na Venezuela, na Síria ou durante a guerra
de 12 dias entre Israel e Irã em 2025.
Além de
estar profundamente envolvida na Ucrânia e parecer não estar disposta e
possivelmente nem apta a oferecer mais do que apoio diplomático e cooperação
técnico-militar.
O
tratado de parceria estratégica entre Rússia e Irã, assinado em (17/1/25), não
chega a configurar um pacto de defesa mútua.
A
Rússia e o Irã se comprometeram a compartilhar informações, realizar exercícios
conjuntos e "garantir a segurança regional", mas não prometeram
defender um ao outro em caso de ataque. Os laços econômicos entre os dois
países também são modestos, e o comércio permanece na faixa de US$ 4 bilhões a
US$ 5 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões).
Já os
vínculos militares e industriais estão em expansão. Em fevereiro, o jornal
britânico Financial Times informou sobre um acordo de grande porte pelo qual a
Rússia forneceria ao Irã sistemas portáteis de defesa aérea Verba no valor de €
500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões).
O Irã
recebeu aeronaves de treinamento Yak-130 e helicópteros de ataque Mi-28 e
aguarda a entrega de caças Su-35, embora a Rússia ainda não tenha fornecido os
sistemas Verba.
O uso
de drones Shahed, de fabricação iraniana, alterou significativamente as táticas
das forças russas na frente ucraniana. No ano passado, contudo, a Rússia
ampliou rapidamente sua própria produção de drones, reduzindo a dependência de
armamentos iranianos.
Para a
Rússia, o Irã é importante demais para ser abandonado, mas não importante o
suficiente para que a Rússia entre em guerra por ele. Esse cálculo pode mudar,
mas, por ora, a intervenção russa tende a permanecer, em grande medida,
restrita ao discurso.
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O apoio econômico chinês ao Irã
A China
condenou com veemência a morte do aiatolá iraniano Ali Khamenei, e
historicamente se opõe à estratégia dos EUA de promover mudanças de regime em
diferentes partes do mundo.
No
centro do vínculo entre China e Irã está uma parceria econômica mutuamente
benéfica, explica Shawn Yuan, do Global China Unit, do serviço mundial da BBC.
A China é o maior parceiro comercial do Irã e seu principal comprador de
petróleo.
Apesar
de anos de duras sanções impostas pelos EUA ao Irã, a China se manteve como a
principal tábua de salvação econômica do governo iraniano, adquirindo grandes
volumes de petróleo iraniano a preços com desconto por meio de uma rede das
chamadas "frotas fantasmas", embarcações registradas de forma
fraudulenta para contornar sanções e transportar petróleo.
Em
2025, por exemplo, a China comprou mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã,
e as receitas obtidas com essas compras ajudaram o país a estabilizar sua
economia e a financiar gastos com defesa, mesmo com o fechamento dos mercados
ocidentais.
Um
acordo estratégico de 25 anos assinado em 2021 consolidou a relação, com a
promessa de centenas de bilhões de dólares em investimentos chineses em
infraestrutura e telecomunicações no Irã.
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A 'estratégia de longo prazo' da China
Historicamente,
a abordagem da China diante das tensões entre Irã e Israel e entre Irã e EUA
tem sido de contenção estratégica.
Durante
escaladas anteriores, incluindo a guerra de 12 dias entre Israel e Irã em 2025,
a China defendeu reiteradamente "moderação", ao mesmo tempo em que
atribuiu a responsabilidade à "interferência externa", uma referência
pouco disfarçada à política dos EUA, afirma Yuan, da BBC.
Em
confrontos anteriores entre Irã e Israel, a China atuou como escudo diplomático
do Irã, usando seu poder de veto, ou a ameaça de usá-lo, para atenuar
resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU). No entanto, nunca ofereceu
intervenção militar direta.
Segundo
Yuan, a estratégia da China sempre foi deixar os EUA interferirem no Oriente
Médio desde que não provoquem um colapso regional total que impulsione os
preços globais do petróleo.
Mas um
regime pró-Ocidente no Irã representaria uma derrota geopolítica catastrófica
para a China, já que o Irã não apenas fornece energia, como também atua como
contrapeso político relevante à influência americana na região.
O Irã é
membro do Brics (agrupamento formado por 11 países, incluindo o Brasil) e da
Organização para a Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês) e funciona
como elo geográfico fundamental entre a Ásia Central, o Cáucaso e o Oriente
Médio.
Enquanto
o Brasil, a China e a Rússia condenaram oficialmente, a ação conjunta entre
norte-americanos e israelenses, outros integrantes do Brics, como Arábia
Saudita, Emirados Árabes Unidos e Índia, não condenaram os bombardeios de
Israel e dos EUA, mas condenaram, por sua vez, os ataques com mísseis
realizados pelo Irã contra bases norte-americanas localizadas nos países do
Golfo Pérsico.
Um
interlocutor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, disse à
BBC News Brasil não acreditar que o bloco vá adotar algum tipo de posição
conjunta sobre o assunto. Segundo ele, fatores como as atuais dimensões da
crise e a liderança indiana do bloco, neste ano, inviabilizariam um
posicionamento semelhante ao do ano anterior.
Especialistas
ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que a atual crise no Irã expõe
contradições do processo de expansão do grupo e coloca em xeque a capacidade de
ação coletiva de um grupo de países com interesses geopolíticos tão distintos.
Um
colapso da República Islâmica poderia enfraquecer a credibilidade dos
mecanismos multilaterais que a Rússia e a China vêm tentando fortalecer.
Sem uma
invasão em larga escala do Irã por EUA e Israel, as estruturas políticas e
militares do país tendem a permanecer.
A China
deve adotar sua habitual "estratégia de longo prazo", buscando
estabelecer relações com quem vier a assumir o posto de Khamenei na liderança
do Irã, enquanto a Rússia procurará suas próprias oportunidades.
Fonte:
BBC News

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