Israel
e Hezbollah abrem nova frente de guerra e Irã segue ataques na região; o que
aconteceu até agora
O
conflito está se espalhando pelo Oriente Médio após o assassinato do Líder
Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, por ataques de Israel e dos EUA contra
a liderança e as forças armadas do país.
Uma
nova frente na guerra começou durante a noite de domingo para segunda-feira,
depois que o Hezbollah — o grupo paramilitar xiita libanês apoiado pelo Irã —
disparou mísseis contra a cidade israelense de Haifa.
O Líder
Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto depois que Israel e os EUA
lançaram um ataque de grande escala e contínuo contra a liderança e as forças
armadas do Irã.
O
presidente dos EUA, Donald Trump, pediu às forças iranianas que deponham as
armas e que o povo iraniano se levante contra o governo.
O Irã
respondeu disparando mísseis e drones contra alvos dos EUA e aliados em toda a
região, visando Israel, Bahrein, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e
Jordânia.
No
domingo, Israel disse ter lançado novos ataques contra "o coração de
Teerã", enquanto os ataques iranianos em toda a região também continuavam.
Confira
abaixo o que aconteceu na região até agora.
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Quais são os acontecimentos mais recentes?
Na
segunda-feira, o Irã atacou alvos no Catar e Arábia Saudita.
A
QatarEnergy, empresa estatal de energia do Catar, anunciou a suspensão da
produção de gás natural liquefeito (GNL) após ataques iranianos a algumas de
suas instalações.
A
empresa informou que as instalações atacadas foram Ras Laffan, uma base de
processamento de gás em terra, e Mesaieed, outro local importante para a
produção de gás natural do Catar.
Mais
cedo, o Ministério da Energia da Arábia Saudita informou que um "incêndio
de pequenas proporções" na refinaria de Ras Tanura, operada pela estatal
petrolífera Aramaco, foi controlado.
O
comunicado, divulgado pela Agência de Imprensa Saudita, afirma que a refinaria
sofreu "danos leves causados por destroços" devido à interceptação de
"dois drones nas proximidades da refinaria".
Na
noite de domingo (1/3), o Hezbollah lançou mísseis contra a cidade israelense
de Haifa.
Israel
respondeu com um amplo ataque aéreo. Um reduto do Hezbollah nos subúrbios do
sul de Beirute foi alvo dos mísseis, assim como áreas próximas ao aeroporto da
cidade.
No sul
do país, Israel ordenou a evacuação de moradores de mais de 50 vilarejos
libaneses, além de realizar ataques aéreos nessas áreas.
O
Ministério da Saúde do Líbano afirmou nesta segunda-feira (2/3) que os ataques
israelenses em Beirute e no sul do Líbano mataram pelo menos 31 pessoas e
deixaram 149 feridas.
O
Exército israelense afirmou que mantém uma "campanha ofensiva" contra
o Hezbollah que provavelmente durará vários dias, segundo o chefe do
Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir.
"Precisamos
nos preparar para vários dias de combate, muitos mesmo. Precisamos de uma forte
prontidão defensiva e de um preparo ofensivo contínuo, em ondas."
O
Comando Central dos Estados Unidos informou que três de seus caças F-15
"caíram sobre o Kuwait devido a um aparente incidente de fogo amigo".
Os seis tripulantes ejetaram em segurança e foram resgatados, segundo o
comunicado.
Nesta
segunda-feira, os ataques iranianos na região continuam — com relatos de
explosões no Bahrein e em Dubai, e fumaça vista perto da embaixada dos EUA no
Kuwait.
No
Chipre, uma base força aérea do Reino Unido foi atacada por um drone. O
presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, disse que um "veículo aéreo
não tripulado Shahed" colidiu com as instalações militares britânicas em
Akrotiri, "causando danos materiais leves".
Shaheds
são drones iranianos. A base está localizada em uma parte do Chipre que é
território soberano britânico, formalmente conhecida como Áreas de Soberania
Britânica de Akrotiri e Dhekelia.
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Por que os EUA e Israel atacaram o Irã?
Trump
afirmou que o objetivo da operação é "garantir que o Irã não obtenha uma
arma nuclear".
"Vamos
destruir seus mísseis e arrasar sua indústria de mísseis. Ela será totalmente
destruída novamente", disse Trump em um vídeo de oito minutos publicado no
Truth Social na manhã de sábado (28/2).
O
presidente americano também alertou as forças armadas iranianas para que
deponham suas armas em troca de "imunidade completa" ou
"enfrentem morte certa".
Em
seguida, ele incitou o povo iraniano a se preparar para derrubar o regime:
"Quando terminarmos, tomem o poder. Será de vocês. Esta será provavelmente
a única chance de vocês por gerações."
A
enorme operação militar — que os EUA apelidaram de Operação Fúria Épica —
ocorre após semanas de ameaças de Trump de que ordenaria uma ação militar se o
Irã não concordasse com um novo acordo sobre seu programa nuclear.
O Irã
afirmou repetidamente que suas atividades nucleares são inteiramente pacíficas.
O
Comando Central das Forças Armadas dos EUA disse que tinha como objetivo
"desmantelar o aparato de segurança do regime iraniano, priorizando locais
que representassem uma ameaça iminente". O primeiro-ministro israelense,
Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel e os EUA lançaram a "operação para
eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã".
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O que está acontecendo no Irã?
Explosões
foram relatadas em diversas áreas do país no sábado.
Vídeos
que circulam nas redes sociais mostram explosões e colunas de fumaça preta na
capital, Teerã, além de Karaj, Isfahan e Qom, no centro do país, e Kermanshah,
no oeste.
Os
locais alvejados incluem instalações da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC),
de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones e campos aéreos
militares.
As
Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que cerca de 200 caças participaram
de um "amplo ataque contra o conjunto de mísseis e os sistemas de
defesa" no oeste e centro do Irã.
Na
noite de sábado, Trump anunciou a morte do aiatolá Ali Khamenei, e isso foi
confirmado pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã em um comunicado
divulgado pela mídia estatal na manhã de domingo.
O Irã
também está enfrentando um bloqueio de internet quase total, o que dificulta a
obtenção de informações confiáveis e atualizadas para fora do país.
A
Organização de Aviação Civil do Irã informou que seu espaço aéreo está fechado
até novo aviso.
Mais de
200 pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas em todo o país no sábado,
segundo o Crescente Vermelho. Pelo menos 153 pessoas morreram em uma explosão
em uma escola no sul do Irã no sábado, de acordo com autoridades.
Cerca
de 40 autoridades iranianas foram mortas nos ataques até agora, segundo uma
fonte de inteligência e uma fonte militar citadas pela rede americana CBS News.
As
Forças de Defesa de Israel divulgaram o nome de sete altos funcionários da
defesa iraniana entre os mortos, incluindo o secretário do Conselho de Defesa
do Irã, Ali Shamkhani, o ministro da Defesa, Brigadeiro-General Aziz
Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), General
Mohammad Pakpour.
Os
militares israelenses disseram que os ataques de sábado "abriram
caminho" para atingir Teerã e que os ataques de domingo se concentraram na
região central da cidade. Não foram divulgados números de vítimas no domingo
dentro do Irã, mas Israel afirmou que centros de comando e infraestrutura
militar foram destruídos.
Trump
também disse que nove navios da marinha iraniana foram afundados e que o
quartel-general da Marinha foi destruído.
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Qual foi a resposta do Irã?
O
ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou Israel e os EUA
de lançarem uma guerra "totalmente não provocada, ilegal e
ilegítima".
"Nossas
poderosas forças armadas estão preparadas para este dia e darão aos agressores
a lição que merecem", escreveu ele no X.
O Irã
usou mísseis balísticos e drones para lançar ataques em larga escala contra
aliados e instalações dos EUA em todo o Golfo, após o assassinato de seu líder
supremo.
Inúmeros
ataques foram realizados contra Israel, um dos quais destruiu uma sinagoga na
cidade de Beit Shemesh e matou pelo menos nove pessoas. Outras 450 pessoas
ficaram feridas nos ataques.
O
Catar, o Bahrein, a Jordânia e o Kuwait — todos com bases militares americanas
— disseram ter interceptado mísseis disparados em sua direção, mas os destroços
que caíram parecem ter causado grandes danos. Omã e Arábia Saudita também foram
alvos do Irã.
Um
ataque de drone à base naval americana no Bahrein, no domingo, provocou um
grande incêndio, segundo um oficial.
Três
pessoas morreram nos Emirados Árabes Unidos em ataques a portos e aeroportos, e
uma morreu no Kuwait.
Três
militares americanos morreram em combate e outros cinco ficaram gravemente
feridos, informou o Pentágono.
Mas o
Comando Central (Centcom) afirmou que suas forças "defenderam-se com
sucesso contra centenas de ataques de mísseis e drones iranianos".
A
missão naval da União Europeia na região, EUNAVFOR ASPIDES, afirmou no sábado
que a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) enviou mensagens de rádio a
embarcações alertando que "nenhum navio tem permissão para passar pelo
Estreito de Ormuz", no Golfo Pérsico, por onde passam cerca de 20% das
remessas globais de petróleo e gás.
A
missão europeia reforçará sua presença no Mar Vermelho, no Golfo Pérsico e no
Oceano Índico com mais navios, afirmou no domingo a chefe da diplomacia da UE,
Kaja Kallas.
O Irã
afirmou posteriormente que três petroleiros foram atingidos por mísseis e
estavam em chamas.
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Como deve ser escolhido o sucessor de Khamenei?
A
escolha formal de um novo Líder Supremo não ocorre por votação direta, mas sim
por um órgão composto por 88 clérigos de alto escalão, conhecido como
Assembleia de Peritos.
Eles
são eleitos por votação direta a cada oito anos.
De
acordo com a Constituição iraniana, esses clérigos devem escolher o novo Líder
Supremo o mais rápido possível, mas isso pode se mostrar difícil por razões de
segurança enquanto o país estiver sob ataque.
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É seguro viajar para a região?
Milhares
de voos foram cancelados na região, em uma das interrupções mais profundas nas
viagens internacionais desde a pandemia de covid-19.
A Wizz
Air suspendeu os voos até 7 de março em Israel, Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados
Árabes Unidos, Amã, na Jordânia, e na Arábia Saudita até terça-feira.
A
British Airways cancelou os voos para Tel Aviv e Bahrein até quarta-feira.
Em um
comunicado, a Swiss International Air Lines afirmou: "A Swiss e as
companhias aéreas do Grupo Lufthansa suspenderão os voos para Tel Aviv, Beirute
[no Líbano], Amã, Erbil [no Iraque] e Teerã até 7 de março."
A
autoridade de aviação do Kuwait informou que suspendeu todos os voos para o Irã
até novo aviso, segundo a mídia estatal.
A
Emirates suspendeu temporariamente suas operações que tinham Dubai como origem
e destino. Lufthansa, Air India, Virgin Atlantic e Turkish Airlines também
anunciaram cancelamentos.
Alguns
países da região, incluindo Iraque e Jordânia, também fecharam seu espaço
aéreo. Os Emirados Árabes Unidos disseram que fecharam "parcial e
temporariamente" seu espaço aéreo como medida de precaução, informou a
mídia estatal.
• Meses de planejamento e decisão em cima
da hora: os bastidores do ataque que matou o líder do Irã, Ali Khamenei
O
ataque que matou o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, não ocorreu no
meio da noite, como se poderia esperar, mas no meio da manhã.
Isso
aconteceu porque os Estados Unidos e Israel decidiram aproveitar uma informação
crucial que havia chegado horas antes.
Durante
meses, eles estavam à espera de uma oportunidade em que figuras importantes do
Irã pudessem estar reunidas e descobriram que Khamenei estaria em um complexo
no centro de Teerã na manhã de sábado.
Eles
também tinham a localização de outras figuras importantes das forças armadas e
da inteligência que se reuniriam no mesmo horário.
Durante
meses, os EUA e Israel monitoraram os movimentos do líder supremo. Os métodos
usados são secretos, embora o presidente americano, Donald Trump, tenha feito
alusão a eles em uma publicação nas redes sociais.
"Ele
não conseguiu evitar nossa inteligência e nossos sistemas de rastreamento
altamente sofisticados."
Isso
pode ter sido uma fonte humana relatando informações, mas é mais provável que
tenha sido um rastreamento técnico de indivíduos iranianos.
Na
guerra de 12 dias que aconteceu em junho de 2025, Israel teve como alvo
cientistas e funcionários ligados ao programa nuclear iraniano e, segundo
relatos, usou a infiltração em sistemas de telecomunicações e telefonia móvel
para entender a movimentação de indivíduos.
Isso
incluía, às vezes, o rastreamento dos movimentos de guarda-costas ligados a
funcionários importantes.
A longo
prazo, isso pode ajudar a construir um "padrão de vida" para prever e
entender atividades, bem como buscar momentos de vulnerabilidade.
O Irã
sabia que o líder supremo estava na mira de seus inimigos e, ainda assim, a
incapacidade de identificar e neutralizar essas vulnerabilidades nos meses
seguintes sugere uma falha profunda na segurança e na contrainteligência
iranianas — ou evidencia a capacidade de Israel e dos EUA de adaptar
continuamente seus métodos para encontrar novas formas de rastreá-lo.
Os
iranianos também podem ter calculado que um ataque diurno era menos provável.
Neste
caso, segundo o jornal New York Times, a informação veio da CIA, mas foi
repassada a Israel para que realizasse o ataque.
Há
indícios de que existe uma divisão de trabalho, com Israel priorizando os
ataques contra alvos da liderança do Irã e os EUA contra os alvos militares.
A
informação forneceu conhecimento prévio suficiente sobre os movimentos do líder
supremo e de outros oficiais para que fosse possível planejar um ataque usando
aviões capazes de disparar mísseis de longo alcance.
Em vez
de um ataque isolado para decapitar o líder, o plano era que este ataque
sinalizasse o início de uma campanha mais ampla, e ele foi antecipado para
aproveitar a janela de oportunidade.
Os
caças israelenses podem levar cerca de duas horas para chegar a Teerã, mas não
está claro de que distância eles são capazes de disparar suas munições.
Quando
a decisão foi tomada, os jatos israelenses teriam usado 30 bombas para atacar o
complexo por volta das 9h40 do horário local.
Isso
pode ter acontecido porque o líder supremo ainda utilizava um bunker
subterrâneo abaixo do complexo para sua proteção, embora não fosse um dos mais
profundos do regime.
Pode
ter sido necessário o uso de múltiplas munições para atingir o alvo a uma
profundidade suficiente.
Outros
locais na capital iraniana também foram atingidos, incluindo o gabinete do
presidente Masoud Pezeshkian, que posteriormente divulgou um comunicado
afirmando estar em segurança.
A morte
de três funcionários de alto escalão da defesa iraniana foi confirmada pelo
Irã: o secretário do Conselho de Defesa, Ali Shamkhani; o ministro da Defesa,
brigadeiro-general Aziz Nasirzadeh; e o comandante da Guarda Revolucionária
Islâmica, general Mohammad Pakpour.
Quando
os jatos atingiram o alvo, era madrugada em Mar-a-Lago, na Flórida, onde o
presidente Trump estava reunido com alguns de seus principais assessores para
acompanhar os acontecimentos.
Levaria
horas até que a confirmação da morte do líder supremo fosse divulgada.
O Irã,
no entanto, estava preparado para essa possibilidade, com relatos de que planos
de sucessão não apenas para Khamenei, mas também para diversos outros altos
funcionários, já haviam sido elaborados.
Isso
significa que ainda não está claro qual será o impacto desse assassinato no
curso do conflito.
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Programa nuclear e 'oportunidade única'
Os
novos ataques ao Irã acontecem após semanas de negociações entre Washington e
Teerã na tentativa de fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano.
Em
pronunciamento sábado, o presidente americano, Donald Trump, disse que o Irã
"tentou reconstruir seu programa nuclear e continua desenvolvendo mísseis
de longo alcance".
Trump
disse ainda que os EUA vão reduzir a indústria de mísseis do Irã a pó e
"aniquilar" sua Marinha.
O
presidente instou os iranianos a usarem o momento para derrubar o regime
clerical do país.
"Quando
terminarmos, tomem o poder. Será de vocês. Esta será provavelmente a única
chance que terão por gerações", declarou.
O
mandatário também disse aos membros das forças de segurança iranianas que
receberiam "imunidade" se depusessem as armas. Caso contrário,
"enfrentariam morte certa".
O
presidente israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "um regime
terrorista assassino" não deve possuir armas nucleares "que lhe
permitam ameaçar toda a humanidade".
"Agradeço
ao nosso grande amigo, o presidente Donald Trump, por sua liderança
histórica", acrescentou.
Para o
analista Jeremy Bowen, editor da BBC com ampla experiência na cobertura do
Oriente Médio, Israel e Estados Unidos calcularam que o regime islâmico no Irã
está vulnerável, lidando com uma grave crise econômica, as consequências da
repressão brutal a manifestantes no início do ano e as defesas ainda
enfraquecidas após os ataques sofridos em junho de 2025.
Os
presidentes americano e israelense concluíram que esta era uma oportunidade que
não deveria ser desperdiçada.
Fonte:
BBC News Persa

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