quarta-feira, 4 de março de 2026

Caio Bugiato: O velho imperialismo

O século XX nos ensinou muitos aspectos e dinâmicas do fenômeno do imperialismo. Ensinou que os Estados capitalistas centrais – pioneiros no desenvolvimento do capitalismo – entraram em um estágio estrutural de formação de monopólios, os quais projetam seu poder econômico para o exterior. A concorrência e a busca do lucro movem o próprio aparelho do Estado em luta pela supremacia na política internacional, ora alinhado umbilicalmente, ora relativamente autônomo da burguesia.

O imperialismo é uma relação assimétrica de força, fundamentalmente entre o centro e a periferia do sistema mundial, que bloqueia o desenvolvimento independente e autônomo da maioria dos Estados no mundo – os “atrasados” na corrida do desenvolvimento capitalista.

O imperialismo é multidimensional (e interdimensional). Na dimensão econômica, os Estados centrais concentram tecnologia, finanças e produção de alto valor, enquanto os periféricos permanecem dependentes e especializados em atividades primárias. A troca desigual assegura a transferência contínua de valor da periferia para o centro. Na dimensão política, prevalece uma hierarquia em que Estados centrais exercem poder direto ou indireto sobre os periféricos.

Na dimensão militar-estratégica, a força militar das potências capitalistas garante a manutenção da hierarquia e do funcionamento do sistema mundial. Intervenções, guerras e bases militares funcionam como mecanismos de coerção e proteção do sistema. Na dimensão ideológica e cultural, o imperialismo se reforça pela difusão global de valores e padrões culturais do centro, como individualismo, consumismo e a ideologia liberal, legitimando a dominação como se fosse modernização universal.

Na dimensão social, reproduz-se uma polarização estrutural entre centro e periferia, também visível internamente nos Estados. Burguesias locais associadas ao capital externo antagonizam as classes populares e bloqueiam projetos autônomos de desenvolvimento, perpetuando uma divisão internacional do trabalho.

As relações de força também se dão entre os Estados imperialistas. Na primeira metade do século XX chegaram a uma condição de rivalidades interimperialistas que resultou em guerras mundiais. Contudo, após a Segunda Guerra, o sistema mundial passou por uma reorganização profunda, marcada pela ascensão dos Estados Unidos como potência capitalista central, pela subordinação relativa (satelitização) das potências europeias e pelo arrefecimento das rivalidades.

Constituiu-se uma nova hierarquia mundial, com os EUA no topo, seguidos por Estados capitalistas aliados que formam uma cadeia imperialista (imperialismo coletivo), enquanto os Estados periféricos permanecem em condição de dependência.

Portanto, há décadas o imperialismo estadunidense junto com seus asseclas assola a humanidade, entre outras medidas, com sanções, ingerências em busca de recursos econômicos e estratégicos, intervenções militares, promoção de mudanças de regime (regime change), anexações e colonização – medidas que por vezes são aplicadas em pacote. Vejamos, brevemente, em perspectiva histórica o imperialismo e a relação com a política externa atual do governo de Donald Trump.

Ao longo do século XX, as sanções estadunidenses se consolidaram como um instrumento central de política externa, especialmente no contexto da Guerra Fria, combinando embargos comerciais, bloqueios financeiros, congelamento de ativos e restrições diplomáticas contra governos considerados hostis. Alguns casos que ilustram essa dinâmica são as medidas contra a China após 1949, contra o Vietnã após 1975 e contra o Irã após 1979.

Contudo, o exemplo mais duradouro é o embargo imposto à Cuba depois da revolução de 1959, que se transformou em um aparato abrangente de restrições comerciais e financeiras, posteriormente reforçado por legislação interna aos EUA, como a Lei Helms-Burton (1996), com efeitos extraterritoriais. No atual governo de Donald Trump, a estrutura central das sanções permanece: manutenção do embargo quase total, restrições financeiras rigorosas, limites a investimentos e vigilância sobre remessas e viagens, o que faz de Cuba um dos alvos mais persistentes da política de sanções estadunidenses.

No Brasil, autoridades também sofreram sanções por meio de lei interna, a Lei Magnitsky, por causa do julgamento e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, personagem neofascista e consequentemente aliado ao governo de Donald Trump.

A supremacia dos EUA na segunda metade do século XX lançou mão de intervenções nos países produtores de energia, especialmente no Oeste Asiático (Oriente Médio), dada sua centralidade para a economia mundial. O caso emblemático foi o golpe no Irã em 1953, após a nacionalização do petróleo, seguido por forte envolvimento estratégico na região, incluindo a Guerra do Golfo de 1991 para reverter a invasão do Kuwait pelo Iraque, e a invasão de 2003, amplamente debatida quanto ao papel das reservas iraquianas.

Além de petróleo e outras fontes de energia, o atual imperialismo estadunidense busca terras raras e minerais críticos. O governo de Donald Trump lançou em fevereiro o chamado Projeto Vault, um plano estratégico para criar um estoque nacional de terras raras e minerais críticos, o que inclui “parcerias” internacionais. Considerados o ouro do século XXI, as terras raras e minerais críticos são um grupo de elementos químicos, de alta importância econômica e estratégica, usados na produção de componentes para indústrias desde motores, passando por energia e telecomunicações até informática e militar.

A Argentina de Javier Milei já assinou um acordo com Washington para cooperação no fornecimento e no processamento de minerais críticos. No Brasil, apesar da cautela do governo Lula, a mineradora Serra Verde – atualmente a única produtora de terras raras no Brasil – firmou um acordo de financiamento no valor de US$ 565 milhões com o governo dos Estados Unidos.

Na dinâmica de operação do imperialismo, essas parcerias na América do Sul tendem a reproduzir o padrão de dependência: exportação de commodities e compra de produtos de alto valor agregado, envolvidos por pressão política que reduz a margem de manobra diplomática.

Os Estados Unidos tiveram um longo histórico de intervenções militares diretas na América Latina, o que incluiu invasões e ocupações no Caribe e na América Central – como no Panamá em 1989 para derrubar Manuel Noriega – que refletiram uma dinâmica de influência direta sobre governos considerados hostis. Esse padrão também envolveu apoio a golpes, pressões contra governos e ações encobertas em países como Nicarágua durante a Revolução Sandinista.

Mais recentemente, no governo de Donald Trump, essa tradição intervencionista continua com a operação militar na Venezuela em 2026, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro por forças especiais estadunidenses. Além de ser uma ruptura aberta com normas internacionais, é mais uma interferência militar direta na região, motivada por uma mistura de discurso antinarcóticos, combate a governos não alinhados e interesses geopolíticos por petróleo. Vale lembrar que historicamente os EUA sequestraram três presidentes: Manuel Noriega no Panamá, Saddam Hussein no Iraque e, agora, Nicolás Maduro na Venezuela.

A política de mudança de regime também integra o repertório da política externa dos Estados Unidos, articulando operações encobertas conduzidas pela CIA, apoio a golpes militares, intervenções diretas e diferentes formas de patrocínio destinadas a derrubar governos considerados hostis. Entre os casos emblemáticos estão o mencionado golpe no Irã, em 1953, que depôs Mohammad Mossadegh após a nacionalização do petróleo, bem como as ações na Guatemala, em 1954, e no Chile, em 1973.

Na atualidade tais medidas assumem formas mais híbridas, combinando sanções econômicas, lawfare, pressão diplomática e operações cibernéticas.

Os Estados Unidos expandiram significativamente seu território por meio de anexações. O caso mais marcante foi a tomada de cerca de metade do território do México após a Guerra Mexicano-Americana (1846–1848), formalizada pelo Tratado de Guadalupe Hidalgo, que resultou na incorporação de territórios que hoje incluem Califórnia, Arizona e Novo México.

Posteriormente, houve anexações como Porto Rico e Guam e a consolidação do Havaí como estado. No atual governo de Donald Trump há declarações políticas sobre a possibilidade de anexação da Groenlândia – território autônomo da Dinamarca – em uma lógica ligada ao desgelo do Ártico, a recursos minerais e a contenção de Estados não alinhados. Tal animosidade levou Estados europeus a enviarem tropas para o Ártico, reascendendo a possibilidade das rivalidades interimperialistas.

A cadeia imperialista incorporou o colonialismo e o caso mais emblemático disso é o apoio dos Estados Unidos a Israel: um dos pilares de sua política para o Oeste Asiático desde 1948, envolvendo assistência militar, cooperação estratégica e proteção diplomática em fóruns internacionais. O apoio é um grande patrocínio a um processo de colonização nos territórios da Palestina.

O atual governo de Donald Trump tem mantido forte alinhamento com Israel, com apoio militar contínuo e respaldo diplomático. A criação do Conselho de Paz é uma iniciativa voltada à construção de uma espécie de ONU paralela, desprovida formalmente de compromissos efetivos com soberania, legalidade internacional ou multilateralismo, e colocada sob a primazia decisória de Washington, tendo Israel como parceiro estratégico central.

A escolha de Gaza como ponto inaugural das atividades do conselho significa endossar o colonialismo e o genocídio israelense e fazer desse território um “laboratório” inicial para um novo arranjo regional e internacional. Na prática o tal conselho legitima a devastação em curso e transforma Gaza em base simbólica para uma reconfiguração das relações internacionais (marcadas pelo declínio da supremacia dos EUA) sob a égide do unilateralismo estadunidense aberto e direto.

Nessa análise breve e panorâmica procuramos argumentar que o imperialismo estadunidense tem um padrão de operação contínuo, mesmo no governo de Donald Trump. Mas, então, não haveria nada de novo? Sugerimos em outro texto [https://aterraeredonda.com.br/donald-trump-e-o-nazismo/] que o governo de Donald Trump é um governo neofascista e sua política externa se assemelha mais a Alemanha Nazista do que a Doutrina Monroe. Essa seria a novidade: um governo neofascista no Estado capitalista central da cadeia imperialista, em um contexto de perda de supremacia mundial.

Assim, o imperialismo está escancarado, sem o véu do liberalismo que cobria os governos estadunidenses anteriores, os mesmos que construíram as chamadas instituições multilaterais e intervinham em países em nome da democracia, direitos humanos, liberdades etc. Entre outras características do neofascismo, o que faz Donald Trump operar abertamente o imperialismo é seu caráter supremacista: inferioriza, dissimula e constrói caricaturas dos seus rivais e antagonistas – que seriam as faces da ameaça e da barbárie – para derrotá-los e/ou eliminá-los, em nome de valores supremos dentro do lema make America great again.

Entre o velho imperialismo e o novo fascismo de Donald Trump e o capitalismo dos EUA continuam sendo uma catástrofe para a humanidade.

•        Deslocamento geoeconômico e populacional. Por Marcio Pochmann

Desde o final do século XX, o Brasil vem mudando de forma relevante o seu padrão histórico de ocupação do território. Após décadas em que a produção, a população e a ocupação se concentravam nas grandes metrópoles litorâneas, observa-se uma crescente desconcentração relativa.

O interior do país e as cidades médias crescem mais rapidamente do que as capitais e as regiões metropolitanas tradicionais. Esse deslocamento não é apenas demográfico, pois se apresenta como expressão direta da transformação estrutural do capitalismo contemporâneo que impõe novos desafios para a governança do território, planejamento, políticas públicas e produção de estatísticas e a geociências oficiais.

A nova geoeconomia do país resulta de um duplo movimento que acontece simultaneamente. De um lado, o processo de desindustrialização foi mais intenso nas áreas metropolitanas litorâneas, uma vez que somente as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre responderam por quase quatro quintos da desindustrialização do país.

De outro lado, a especialização da estrutura produtiva mais voltada a produção primário-exportadora avanço para a sua interiorização. Tanto assim que pode estar apontando para uma espécie de marcha para o Oeste brasileiro, considerando a evolução do movimento redistributivo da população, produção e ocupações no espaço nacional.

Com isso, os antigos centros industriais localizados nas regiões litorâneas perdem parcela da densidade produtiva e empregos no setor manufatureiro. Em sequência, novas áreas de parte do interior do país ganham dinamismo econômico impulsionado pela especialização produtiva, sobretudo pelo protagonismo do setor primário-exportador.

<><> Mudanças na dinâmica populacional e nos fluxos migratórios

Dados censitários e estimativas populacionais indicam que, entre 2000 e 2022, por exemplo, que os municípios não metropolitanos tiveram crescimento médio superior ao das capitais e regiões metropolitanas. Naquele mesmo período, as capitais expandiram, em média, 0,8% ao ano, as regiões metropolitanas sem capitais em 1,0%, os municípios do interior em 1,3% e as cidades médias (100 a 500 mil habitantes) em 1,6%.

Essas informações sinalizam uma mudança do eixo dinâmico do dinamismo populacional, com destaque para as cidades médias no interior das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Uma mudança de padrão vinculado ao novo perfil migratório, uma vez que atualmente predominam migrações urbano–urbano, muitas vezes de curta distância.

As regiões metropolitanas do país como São Paulo e Rio de Janeiro têm registrado saldos migratórios internos negativos, ao mesmo tempo em que os polos regionais do interior absorvem parcelas crescentes da população. Em termos práticos, há perda líquida nos espaços metropolitanos mais caros e densos e ganho em periferias metropolitanas, cidades médias e interior que resulta do movimento coerente com a dispersão urbana e a busca por custos menores e melhor qualidade de vida.

No estado de São Paulo, por exemplo, a capital paulistana ampliou o saldo líquido migratório negativo médio anual de cerca de 32 mil pessoas/ano (2000–2010) para cerca de 76 mil pessoas/ano (2010–2022). O interior do estado paulista, por sua vez, continuou ganhando população, ainda que com a desaceleração (de cerca de 80 mil/ano para 50 mil/ano nos mesmos intervalos).

Além disso, convém ressaltar que o perfil dos migrantes contemporâneo também tem mudado significativamente. Com o arrefecimento do êxodo rural, o migrante atual tende a ser mais urbano, em geral mais qualificado e mais apto a se mover entre cidades, sobretudo de porte médio, em uma sociedade de serviços já plenamente urbana e integrada por redes de serviços e conectividade digital.

Um contraste direto e inegável com o período entre as décadas de 1960 e de 1980, quando se consolidou a urbanização concentrada nas capitais e metrópoles litorâneas. Durante a industrialização, por exemplo, dezenas de milhões de brasileiros migraram direta ou indiretamente do campo para grandes cidades, enquanto o interior perdia população.

<><> Estrutura produtiva transformada pela desindustrialização

A reorganização econômica geográfica do país reflete o conjunto das transformações na estrutura produtiva em curso desde 1990. A partir da abertura comercial acelerada e pouco planejada, acompanhada de privatizações e desnacionalizações, o Brasil passou a conviver com a desindustrialização, especialmente em segmentos de maior intensidade tecnológica e com forte marca metropolitana em grande parte das regiões litorâneas.

A participação da indústria de transformação no PIB caiu de forma expressiva em relação ao auge da sociedade industrial na passagem dos anos de 1970 para 1980. Os principais indícios da desindustrialização prematura aconteceram nas grandes regiões geográficas do Sudeste, Sul e Nordeste, enquanto outras regiões exibiram trajetória distinta, o que reforçou o fenômeno do deslocamento econômico, demográfico e ocupacional na dimensão espacial.

Com o esfriamento da centralidade produtiva nas regiões litorâneas outrora as mais dinâmicas, o interior do país passou a deter certo protagonismo vinculado à expansão da produção de commodities e da infraestrutura comprometida com a viabilização do ciclo exportador. Consolidou-se, assim, uma nova fronteira econômica que se estende do Mato Grosso passando por Goiás, Tocantins, Maranhão e Piauí, alcançando o Pará, articulando soja, carne e mineração.

Essa interiorização não ocorre como uma simples repetição do ciclo industrial e urbano ocorrido mais centrado nas regiões litorâneas. Atualmente, o processo de interiorização tem sido movido pela retomado do modelo econômico primário-exportador que se se organiza em torno de cadeias intensivas em recursos naturais, logística e serviços associados à demanda externa, com pouca mobilização integrativa interna.

Neste início do século XXI, o movimento da desconcentração econômica segue mais intenso em algumas regiões litorâneas, sem compensar, contudo, o impacto nacional derivado do enfraquecimento da capacidade das capitais em reter população. No período 2002–2023, por exemplo, as grandes regiões geográficas como Norte e Nordeste registraram o crescimento anual médio de renda per capita mais elevado do que Sul e Sudeste.

Somente a região Centro-Oeste conseguiu elevar a sua posição relativa. O salto da terceira, em 2002, para a primeira posição nacional na renda per capita, em 2023, o que permitiu ultrapassar o Sul e Sudeste, revelou o peso do modelo primário-exportador e seus encadeamentos com agroindústria, serviços e construção na região Centro-Oeste.

<><> Repercussões na distribuição ocupacional no território nacional

No primeiro terço do século XXI ocorreu no Brasil uma importante reorganização da ocupação em todo o território nacional. Nas metrópoles pertencentes às regiões litorâneas, a perda de densidade manufatureira foi acompanhada pela conversão de parte do emprego industrial de maior valor agregado em serviços, muitas vezes de baixa produtividade e maior precarização e informalidade.

No ano de 1985, por exemplo, cerca de dois terços dos empregos existentes no setor industrial estavam concentrados no conjunto das capitais e regiões metropolitanas e somente um terço em todo o interior do país. Quatro décadas depois, quase 55% do total dos empregos industriais se localizam no interior do país.

Em paralelo, o processo de interiorização da população, produção e ocupações acontece combinado com a abertura de novas fronteiras econômicas. Em grande medida são as responsáveis pela mobilização de ocupações associadas ao ciclo das commodities e suas repercussões na agroindústria, logística, construção, serviços públicos descentralizados e serviços privados que acompanham a nova renda regional.

Ao mesmo tempo, a interiorização recente tendeu a se apoiar, em grande medida, nas atividades econômicas menos complexas e mais dependentes das decisões provenientes do exterior. Assim, a expansão econômica no território e o crescimento nos serviços e infraestrutura transcorrem sem que, necessariamente, alcancem a mesma densidade tecnológica e produtiva que antigamente a indústria de transformação gerava nos antigos polos litorâneos.

Isso, talvez, ajude a entender parte das razões da estagnação da produtividade no Brasil desde os anos de 1980. Mesmo que o processo de interiorização em curso contribua para adicionar um novo componente geopolítico-logístico para a mobilidade populacional e ocupacional, a perda de participação do Brasil no Produto Interno Bruto mundial não foi interrompida.

Acresce, ademais, que o avanço da demanda externa por commodities com respostas positivas em regiões não litorâneas tem sido acompanhado por importantes investimentos internos e externos. A experiência atual das rotas de integração sul-americana busca viabilizar os novos corredores de transporte (ferrovias, hidrovias e rotas multimodais) que reforçam ainda mais a conexão entre interior produtivo do país e os mercados globais desde a nova saída exportadora pelos portos do Oceano Pacífico.

Com o encurtamento de distâncias logísticas entre a produção nacional e os locais de consumo externo, a garantia da maior competitividade nacional própria do modelo primário-exportador. Nesse contexto global que o Brasil redefine a sua posição na Divisão Internacional do Trabalho, tendo o ingresso de investimentos estrangeiros em energia e infraestrutura papel complementar.

Assim como a Inglaterra teve centralidade no comércio externo brasileiro durante o século XIX, os Estados Unidos exerceu função equivalente no século XX, ao passo que a China ocupa essa mesma posição atual. No ano de 2025, por exemplo, a China respondeu por 28,7% do total das exportações brasileiras e por 43% do superávitcomercial do Brasil. De todas as commodities exportadas, 74,1% foram para os chineses que responderam por 79% das vendas externas de soja, 67% do minério de ferro e 45% do petróleo.

O avanço do Brasil no século XXI caracteriza-se por uma nova configuração territorial de sua população, estrutura produtiva e distribuição ocupacional. As metrópoles litorâneas mais servicializadas e menos industriais, enquanto parte do interior do país mais dinâmico por cadeias exportadoras e serviços associados.

Em função disso, a mobilidade populacional tem sido marcada pelo processo de interiorização, sobretudo a dispersão urbana com fortalecimento de cidades médias. Isso redefine as prioridades do planejamento territorial, oferta de serviços públicos, regulação urbana, logística e da própria forma de produzir e interpretar estatísticas e a geociências sobre o trabalho, a renda e a população brasileira.

 

Fonte: A Terra é Redonda

 

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