Feminicídio:
“A noção de propriedade é profunda”, afirma socióloga
“Por
que os homens continuam a matar mulheres?” A resposta à pergunta que orientará
as análises sobre o feminicídio no Brasil na mesa redonda promovida pelo
Instituto Humanitas Unisinos – IHU nesta quinta-feira, 05-03-2026, às 17h30min,
é respondida de modo enfático pela socióloga Eva Blay: por causa da mentalidade
patriarcal. “O padrão patriarcal significa que um homem casa com uma mulher ou
tem uma namorada e a trata como se ela fosse propriedade dele”, explica.
Na
entrevista a seguir, concedida por telefone ao IHU, Eva destaca que os homens
que agridem e matam as mulheres compartilham uma masculinidade distorcida,
fomentada por grupos que defendem a restauração de uma sociedade autoritária.
“Esses grupos masculinos são a ponta do iceberg contrário às mulheres. Eles
estão obcecados por essa ideia de que são os donos do mundo. É o protótipo do
Hitler: ‘Eu sou a verdade. Vocês têm que me obedecer. Não tem que ter senso
crítico. A verdade é esta. A direita é esta. Este é o verdadeiro valor’. Essa
noção do homem macho, na posição mais extrema de autoridade indiscutível, é o
máximo do fascismo. E a sociedade brasileira está muito dentro dessa linha”,
adverte.
Na
avaliação da socióloga, a masculinidade distorcida reflete-se na crueldade dos
crimes de feminicídios praticados e amplamente divulgados pela imprensa nos
primeiros dois meses deste ano. Essas pessoas, acrescenta, “perderam
completamente a noção da sua identidade, do seu poder, da sua condição de ser
humano”. As relações interpessoais, defende a entrevistada, “têm que ser
restauradas, têm que ser difundidas, porque uma camada da sociedade está
perdendo isso”.
Eva
Blay participará da mesa redonda “Por que os homens continuam a matar mulheres?
Análises e enfrentamentos ao feminicídio”, juntamente com Rafaela Caporal, da
ONG Themis, e Vini Rabassa da Silva, pesquisadora do Observatório Nosotras de
enfrentamento à violência contra mulheres na região sul do Rio Grande do Sul,
da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), e professora do curso de Serviço
Social e do Programa de Pós-graduação em Política Social e Direitos Humanos da
UCPel. O evento será transmitido na página eletrônica do IHU, nas redes sociais
e no YouTube. A atividade é gratuita e aberta ao público.
Eva
Blay é graduada, mestre e doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo
(USP), onde fundou o Centro de Estudos de Gênero e dos Direitos da Mulher. Foi
consultora inter-regional para o Avanço das Mulheres no Escritório das Nações
Unidas em Viena. É organizadora, com Lúcia Avelar e Patricia Duarte Rangel, de
Gênero e feminismos: Argentina, Brasil e Chile em transformação (EDUSP, 2019).
É autora de O Brasil como destino: a imigração judaica contemporânea em São
Paulo (UNESP, 2013), Assassinato de mulheres e direitos humanos (Editora 34,
2008), Mulheres na USP: horizontes que se abrem (Humanitas, 2004), Eu não tenho
onde morar: vilas operárias na cidade (Nobel, 1985) e Trabalho domesticado: a
mulher na indústria paulista (Ática, 1978, Col. Ensaios 35).
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Confira a entrevista.
• Por que, mesmo com avanços políticos e
sociais, a mentalidade sobre a violência contra as mulheres muda tão
lentamente?
Eva
Alterman Blay – Esta é quase a pergunta de um milhão de dólares. Veja bem: nós
vivemos numa sociedade patriarcal, de origem escravocrata e temos mantido, ao
longo dos séculos, uma relação de subordinação das mulheres aos homens de modo
geral. A grande revolução feminista – porque é uma revolução o que o feminismo
fez – mostra que as mulheres não devem continuar subordinadas aos homens, sejam
eles maridos, sejam eles filhos, pais ou avôs.
Nós
estamos caminhando – e não faz muito tempo, no máximo um século e meio – para
essa nova visão de que as mulheres não são subordinadas aos homens, mas iguais
aos homens. Esta mudança, que é uma mudança na estrutura da sociedade, é muito
profunda e tem custado a vida das mulheres, porque sempre que nós, mulheres,
exigimos igualdade em relação aos homens, eles reagem, porque estão perdendo um
poder exagerado que tinham sobre nossas vidas.
Homens
democratas e a favor da igualdade trabalham junto conosco para fazer com que a
sociedade seja mais equilibrada e não tenha essa subordinação das mulheres. Mas
isso custa e custa muito, porque é uma mudança de padrões, de valores. Muitos
homens pensam que perder a dominação sobre as mulheres é uma perda da sua
própria masculinidade, o que não é verdade. Uma coisa não tem nada a ver com a
outra. Um homem pode ser homem, ter seus valores e nem por isso precisa dominar
mulheres, crianças ou pessoas de outras etnias.
A nova
ordem que o feminismo traz exige uma mudança de padrões e novos comportamentos.
É um processo extremamente profundo que tem movido valores consagrados.
• A mentalidade patriarcal é o principal
motor da violência? O que ela significa?
Eva
Alterman Blay – Tenho certeza que sim. O padrão patriarcal significa que um
homem casa com uma mulher ou tem uma namorada e a trata como se ela fosse
propriedade dele. Essa noção de propriedade faz com que alguns homens não
aceitem nem o divórcio nem a separação nem que a namorada não queira
simplesmente dançar com ele.
A noção
de propriedade é profunda. Ela coloca na mentalidade de alguns homens uma
prepotência: é meu e ninguém mexe. É como ter um cachorro ou um objeto. É isso
que ainda perdura.
A noção
de propriedade independe de se o homem é um jornalista, um intelectual ou um
trabalhador manual. Vamos encontrar em todas as categorias homens que têm essa
ideia de que a mulher é propriedade deles. É por isso que vemos homens que têm
duas ou três mulheres, duas ou três famílias, mas jamais admitem que a mulher
queira terminar um casamento ou namoro e, mesmo depois de separados, elas não
podem ter outra relação porque parece que aquela propriedade é infinita.
• Desde o início do ano, ou seja, nos
últimos 60 dias, a imprensa noticiou inúmeros casos de feminicídio: mulheres
agredidas com facadas, socos, pontapés, asfixiadas, espancadas ou assassinadas
à queima-roupa. Em alguns casos, homens assassinaram as mulheres e, em seguida,
cometeram suicídio, ou mataram os filhos do casal e depois se suicidaram, ou
ainda, mataram a mãe na frente dos filhos. O que explica essa dinâmica de
violência que, inclusive, tem a intenção de fazer o outro sofrer, sentir dor e
ser humilhado?
Eva
Alterman Blay – Esse quadro que você descreve é muito interessante e vou falar
uma coisa que ainda não escrevi, mas que faz parte das minhas atuais reflexões.
No dia 07 de dezembro do ano passado, o Brasil inteiro se movimentou contra o
assassinato de mulheres. Era um domingo e me lembro que em todos os jornais e
televisões víamos aquele grito: “Nenhuma mais!”, “Não queremos mais mulheres
mortas!” Pelas ruas e praças vimos manifestações. Foi um movimento muito forte,
que pegou muita gente de surpresa. Eu mesma fiquei surpresa com a intensidade e
a expansão contra o feminicídio no Brasil inteiro.
A
partir desse dia, a mídia “acordou” para este tema e ele foi crescendo cada dia
mais. Existe um efeito demonstração, sim, porque os homens, esses que são
assassinos, querem mostrar a masculinidade distorcida visível. Não é só matar;
eles querem mostrar a crueldade, mostrar poder arrastando os corpos femininos,
cortando, jogando-os pela janela. Quer dizer, é uma crueldade que já existia,
mas não estava tão visível quanto está agora do ponto de vista da mídia.
Mas
isso foi para um crescendo e tem um efeito nesses casos em que os homens matam
a mulher ou os filhos e depois se suicidam. Quer dizer, essas pessoas perderam
completamente a noção da sua identidade, do seu poder, da sua condição de ser
humano. Esses homens passaram a ser instrumentos de uma masculinidade
distorcida que absorveram, a qual fez com que os filhos não representassem,
para eles, a continuidade da vida. Representam meramente um objeto que você
joga fora. É uma desqualificação total da relação humana. Eles perderam tudo
junto com a suposta masculinidade. Quer dizer, é uma vontade de vingança que é
uma vingança com eles mesmos. É como que dissessem: “Eu não sou nada e, então,
tudo que está ligado a mim vai para o lixo junto comigo”. É uma desqualificação
total. Infelizmente.
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Relações restauradas
As
relações entre um homem e uma mulher, entre seres humanos, independentemente do
gênero, têm que ser restauradas, têm que ser difundidas, porque uma camada da
sociedade está perdendo isso. Agora, veja bem, a reação à violência contra as
mulheres mostra que estamos entrando numa outra civilização: mais humana, mais
igualitária. E está custando muito. Realmente, estamos pagando um preço
altíssimo para a mudança de patamar.
• Gurus da internet associados a grupos de
direita e extrema-direita têm promovido a ideia do “macho alfa”, incentivando
homens a resgatarem o seu valor enquanto homens. O que está por trás desses
estereótipos e o que eles revelam sobre a crise da masculinidade? Para que
modelo de sociedade estamos caminhando com esse tipo de mentalidade bastante
disseminado nas redes sociais e atuante na política?
Eva
Alterman Blay – Aí temos um problema mais amplo. Estamos vivendo um momento de
tentativa de retorno da direita, de retorno do fascismo, de retorno de uma
sociedade autoritária. Esses grupos masculinos são a ponta do iceberg contrário
às mulheres. Eles estão obcecados por essa ideia de que são os donos do mundo.
É o protótipo do Hitler: “Eu sou a verdade. Vocês têm que me obedecer. Não tem
que ter senso crítico. A verdade é esta. A direita é esta. Este é o verdadeiro
valor”. Essa noção do homem macho, na posição mais extrema de autoridade
indiscutível, é o máximo do fascismo. E a sociedade brasileira está muito
dentro dessa linha.
Durante
o governo Bolsonaro, o que fizeram? Destruíram todos os mecanismos que nós,
feministas, tínhamos feito: os conselhos da mulher, o ministério da mulher.
Destruíram vacinas e o presidente da República fez gozação com relação a
meninas conduzidas para prostituição.
Estamos
num momento em que a democracia e os direitos humanos têm que ficar muito
alerta porque a direita e a extrema-direita estão muito acesas. O que temos
visto no parlamento – as brigas, essa mudança de partido para cá e partido para
lá sem nenhuma ideologia – é extremamente maléfico para o país porque não nos
dá diretrizes. E ainda quero acrescentar mais uma coisa que, dentro desse
quadro, é gravíssimo, mas acontece em São Paulo e em outros estados, que são as
escolas militares.
O que
significa colocar uma criança com 7 ou 8 anos de idade numa escola de tipo
militar para aprender a marchar, a fazer continência, a obedecer? O que é isso?
Isso não foi próprio do nazismo? É um verdadeiro absurdo. A escola tem que
ensinar a dialogar, mostrar a importância de várias posições – não estou
dizendo que temos que caminhar somente numa direção; estou dizendo o contrário.
Tem que trazer todas as posições, mas o que vai sair da instituição de uma
disciplina militar dentro de uma escola? O estado de São Paulo, com esse
governador, impondo essa estrutura de escola militar dentro do ensino primário,
da escola fundamental, é um verdadeiro absurdo. Hoje em dia, introduzir a
disciplina militar é o máximo do caminho para o fascismo.
Por
outro lado, uma reação positiva são as escolas técnicas e em tempo integral,
que realmente aumentaram. Isso é muito bom porque ensina e, ao mesmo tempo,
abre um leque de alternativas para que os jovens ou façam uma faculdade ou se
desenvolvam no ensino técnico, ou ainda criem outras alternativas, como têm
feito os países do mundo todo.
• O caso Jeffrey Epstein tornou-se um dos
exemplos mais emblemáticos do envolvimento de bilionários com a violência, o
tráfico sexual e a exploração de mulheres e meninas nas últimas décadas. O que
os arquivos divulgados evidenciam sobre a relação entre poder, dinheiro e
violência contra as mulheres? Como a senhora tem refletido sobre esse caso?
Eva
Alterman Blay – Felizmente, esses casos vieram à tona; a imprensa livre
denunciou e está acompanhando. São homens ricos que estão aproveitando de seus
bens para explorar. O importante é que estão sendo denunciados e estamos
sabendo o que está acontecendo. Essa denúncia é dolorosa, mas é a realidade.
Temos que tomar conhecimento dela e mostrar para as meninas que elas têm
alternativas.
Se
analisarmos a história das meninas, veremos que foram arrastadas ou por
questões econômicas ou pela própria família ou porque estão numa situação de
desespero familiar e econômico. Uma das coisas que vêm sendo denunciada é esta:
a família não é porto seguro. A família, muitas vezes, é o lugar onde começam a
prostituição ou a exploração das meninas.
Está
todo mundo espantado com esses arquivos. Ora, nós, feministas, estamos
denunciando isso há muito tempo. Estou contente de ver que o trabalho que
fizemos está sendo difundido e a sociedade acordou para isso.
Mas
fora esses homens muito poderosos que estão sendo denunciados, onde estão os
outros homens que não entraram nisso, mas também são poderosos? Muitos
proprietários de empresas importantes – estou falando do Brasil – estão usando
dinheiro para investir no desenvolvimento da ciência, apoiando novas
iniciativas. Então, não podemos misturar tudo. Mas estamos acordando para
aqueles que prostituem a sociedade. É ótimo que isso seja denunciado. Mas
também não vamos jogar fora a criança com a água do banho porque não são todos
iguais.
• Em artigo recente, a senhora enfatiza
que a lei não é suficiente para evitar o feminicídio. Sobre isso, gostaria de
fazer duas perguntas: Qual é a importância social de reconhecer a violência
contra as mulheres como um problema público e político? E que instituições da
sociedade civil poderiam ajudar a mudar a mentalidade sobre essa violência?
Eva
Alterman Blay – Esta pergunta é ótima porque trata do que penso como ação. Na
educação, um dos programas que temos é a orientação sexual nas escolas. De modo
geral, há uma resistência dos pais na discussão da orientação e da educação
sexual nas escolas, o que é um erro, porque, na verdade, o respeito ao corpo
precisa começar desde muito cedo com meninos e meninas. Não é só para mulher; é
para todos. Então, quando se ensina, desde a pré-escola, que ninguém tem o
direito de mexer no meu corpo e que tudo que eu quero pode, mas o que eu não
quero, não pode, e que as pessoas não têm o direito de ficarem me tocando,
ensina-se para a criança o limite do corpo dela. Não estou dizendo que não se
pode fazer carinho na criança, mas quando se chama a atenção sobre o direito do
nosso corpo, ensina-se o respeito.
Nós
podemos resolver esse problema discutindo, explicando. Tem que se explicar para
uma menina que o professor não tem o direito de abraçá-la e de beijá-la se ela
não quiser, seja na faculdade, seja no ensino primário. Tem que se ensinar o
limite. A criança pode querer que o pai e a mãe a beijem e a abracem, mas ela
pode não querer que o professor fique passando a mão no seu braço e, de
repente, encoste no seu peito. Então, tem que ensinar – não no mal sentido –,
tem que despertar nas pessoas o direito que elas têm sobre o próprio corpo, o
respeito, a distinção entre o carinho que é carinho e o carinho que é
sexualizado no sentido de quem está explorando o corpo do outro.
Se a
pessoa já veio percebendo desde muito cedo os limites que ela pode aguentar,
ela vai reagir quando se chega ao máximo, que é a violência ou o assassinato.
Vou dar um exemplo: a menina arranjou um namorado. Eles foram dançar ou num
bar, e ele manifesta ciúmes porque a menina cumprimentou um amigo ou outra
pessoa. O ciúme é visto como uma manifestação de amor, mas depois ele vira uma
coisa mais grosseira, mais forte e, na outra vez que eles saem, ele quer
controlar o lado para onde a namorada olha. Essa relação já começa com uma
demonstração que não é meramente de ciúmes, mas uma sensação de propriedade:
“Você é minha namorada e não pode ficar olhando para os rapazes. Você não pode
usar saia curta. Você não pode usar esse decote”.
Esses
sinais mostram controle e propriedade; não é amor. É ciúme. Não é um ciúme
amoroso; é um ciúme de propriedade. Em seguida, o rapaz dá um tapa na namorada.
E não tem que ter o segundo tapa. O primeiro já é fatal porque depois do
primeiro vai vir o segundo. Então, essa “pequena” violência tem que ser
ensinada no sentido de que tem que chamar a atenção das meninas de que esses
rapazes não as amam. Ao contrário, eles querem ser proprietários delas. Eles
não param nesse tipo de comportamento. Por isso tem toda essa violência que
vemos, mas ela começou de algum jeito.
Esses
temas precisam ser discutidos e colocados nas escolas, nos grupos que as
pessoas frequentam, se relacionam e se reúnem. Não é que não se tenha que ter
relações de carinho e de namoro. Tudo isso é ótimo, mas sem violência. Quando
houver o primeiro tapa ou um empurrão, vai haver um segundo. Infelizmente. Tudo
tem mostrado que as coisas não param. Nesta semana, vi um caso na imprensa em
que um homem empurrou a mulher do décimo andar. Ela estava acuada e ele deveria
ser condenado. Trinta anos de prisão é pouco.
• Por que a senhora criticou o “Pacto
nacional – Brasil contra o feminicídio” (Decreto nº 11.640/2023), lançado no
dia 04-02-2026 pelo governo federal?
Eva
Alterman Blay – Porque esse pacto não existe; é uma fantasia. Ele é uma
bobagem. É uma coisa oportunista. Inventaram isso para cobrir a inércia. Eu li
este pacto: ele soma tudo que existe e para por aí.
Tudo
que foi feito até o momento, tudo que conseguimos avançar nos direitos das
mulheres e dos homens, tudo que conseguimos de igualdade de direitos e de
oportunidades, foi a sociedade civil que fez, foram os movimentos sociais, não
foi um pacto de governo. O governo ou o jurídico chegam lá, mas eles são
empurrados pela sociedade. Tudo começou com o movimento social. Então, são as
mulheres na rua, muitas vezes mulheres e homens, gritando que não queremos mais
mulheres mortas, que não queremos mais estupros, ou seja, são movimentos das
ruas, dos bairros, as entidades, os grupos de mulheres ligadas às delegacias. A
mensagem que nós mulheres transmitimos na Paulista, essa, sim, chega no
governo. Se for feito um pacto, vai ter que ser a partir do que foi gritado na
Paulista. Por isso, essas manifestações são importantes, em todos os lugares,
em todas as associações, grêmios, escolas.
A
sociedade não pode esperar o governo fazer um pacto porque ele não faz. Se
vocês lerem aquele pacto, verão que é falado em nome do governo federal. Mas
quem é o governo federal? Todos os ministérios. Se põe todos os ministérios, é
todo mundo. Todo mundo que está na máquina vai se preocupar com a questão do
feminicídio? Não vai. Eles têm que se preocupar com outras coisas. Nós é que
levamos as reivindicações das mulheres que se transformaram em leis. Agora, não
dá para esperar um pacto. Esse pacto é uma brincadeira, é falso, é oportunista.
Não queria xingar o nosso presidente, mas sinto muito. O presidente tem boa
vontade, mas não me vem com essa conversa de pacto. Esse pacto não existe; é
fantasia.
Fonte: Entrevista com Eva Alterman Blay, para IHU

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