segunda-feira, 9 de março de 2026

A planta que serve para tratar feridas ajuda no tratamento da candidíase

Quem já caminhou pelo Cerrado provavelmente passou por ele sem perceber. De casca grossa e tronco tortuoso, o barbatimão é uma árvore nativa que pode chegar a cinco metros de altura e carrega uma reputação antiga na medicina popular. Pouca gente sabe, mas a planta é tradicionalmente utilizada para cicatrização de feridas e tratamento de inflamações e, segundo estudos científicos, apresenta propriedades antimicrobianas e antioxidantes.

Conhecido cientificamente como Stryphnodendron adstringens, o barbatimão pertence à família Fabaceae e ocorre naturalmente no Cerrado e na Caatinga, além de fragmentos da Amazônia em terra firme. Está presente em estados como Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Distrito Federal.

O uso medicinal mais conhecido está concentrado na casca do caule e dos ramos. Em estudos coletados em contato com a Embrapa Amazônia Oriental, pesquisadores destacam que as cascas têm uso consagrado na medicina popular para cicatrização e infecções em geral, doenças de pele, gastrite e inflamações. Eles ressaltam ainda que a casca é utilizada internamente como antiulcerogênico e externamente como cicatrizante e anti-inflamatório.

A tradição popular sobre a planta atravessou gerações e ganhou reconhecimento oficial. Conforme registro na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS e na Farmacopeia Brasileira, o barbatimão passou a integrar a lista de espécies de interesse do Sistema Único de Saúde após estudos fitoquímicos e farmacológicos indicarem sua eficácia terapêutica. No formulário de fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, a planta aparece como cicatrizante na forma de creme.

Além do uso tradicional em feridas superficiais e inflamações ginecológicas, pesquisas do compêndio de Plantas para o Futuro indicam que substâncias presentes na casca, como as proantocianidinas, inibiram o crescimento de Candida albicans em testes laboratoriais, abrindo possibilidade para o desenvolvimento de novos agentes no tratamento da candidíase.

Pesquisadores da Embrapa do Cerrada também indicam atividade antioxidante e efeito citotóxico em células de câncer de mama em ambiente experimental, sinalizando uma possível aplicação futura. Os especialistas ressaltam que os resultados ainda são preliminares e não substituem terapias convencionais.

O barbatimão também chama atenção pela resistência. Pesquisas sobre populações da espécie no Cerrado demonstram boa capacidade de regeneração, alta densidade de indivíduos por hectare e viabilidade para manejo sustentável. A árvore também é indicada para uso em paisagismo, o que explica por que pode ser vista em áreas urbanas e até em jardins, como ressalta a assessoria de comunicação da Embrapa Cerrado.

A planta que cresce sozinha trata-se de uma espécie rústica, adaptada a solos pobres e ao clima seco do Cerrado, com floração concentrada no fim da estação seca e frutificação ao longo de grande parte do ano. Ainda assim, pesquisadores alertam que a exploração predatória da casca pode comprometer a sobrevivência da árvore.

Em contato com a Embrapa, foi ressaltado que a retirada da casca deve seguir técnicas específicas, com cortes parciais e intervalos adequados para permitir a regeneração natural. A extração errada pode levar à morte da planta e aumentar o risco de erosão genética, especialmente em áreas já pressionadas por queimadas e desmatamento.

Outro ponto de atenção é o uso seguro. Apesar da fama de planta curativa, as sementes são consideradas tóxicas e não se recomenda o uso da casca em casos de constipação intestinal ou em feridas profundas já infectadas. A automedicação também não é indicada.

•        Pouca gente sabe, mas folha amarga protege o fígado e é fácil de cultivar

Uma planta de origem africana com um nome que entrega sua principal característica, o sabor intenso, está ganhando espaço por seus benefícios à saúde. Conhecida como folha amarga ou Vernonia amygdalina, e também por nomes como bitterleaf, onugbu e ewuro, ela é um arbusto popular na medicina tradicional de vários países e se destaca por suas propriedades que favorecem o fígado e o sistema digestivo.

Além de seus compostos benéficos, a planta chama a atenção pela facilidade de cultivo. Ela pode ser plantada diretamente no jardim ou até mesmo em vasos grandes, adaptando-se bem a diferentes espaços. Isso torna o acesso a suas folhas frescas uma tarefa simples para quem deseja incluí-la na rotina.

<><> Principais benefícios da folha amarga

O fígado é um dos órgãos mais beneficiados pelo consumo da folha amarga. Seus compostos bioativos, como flavonoides e saponinas, possuem ação antioxidante e anti-inflamatória. Essa combinação ajuda a proteger as células hepáticas contra danos causados por toxinas e estresse oxidativo, auxiliando no bom funcionamento do órgão.

Para o intestino, a folha amarga atua como uma aliada da digestão. O alto teor de fibras presente na planta contribui para o trânsito intestinal regular, prevenindo a constipação. Acredita-se também que seus extratos possam ajudar a equilibrar a flora intestinal, favorecendo um ambiente saudável para as bactérias boas.

<><> Como cultivar em casa

Cultivar a folha amarga é mais fácil do que parece. A planta se propaga principalmente por estacas, que são galhos cortados de uma planta adulta. Com alguns cuidados básicos, é possível ter folhas frescas sempre à mão.

•        Muda: Obtenha uma estaca de aproximadamente 20 centímetros de uma planta saudável.

•        Local: Escolha um lugar que receba luz solar direta por algumas horas do dia. Pode ser a pleno sol ou em meia-sombra.

•        Solo: O solo deve ser fértil e bem drenado para evitar o acúmulo de água nas raízes.

•        Rega: Mantenha o solo úmido, mas nunca encharcado. A rega regular é importante, especialmente nos primeiros meses.

•        Vaso: Se optar por plantar em vaso, escolha um recipiente grande, com pelo menos 30 litros, para garantir espaço para o desenvolvimento das raízes.

O consumo pode ser feito na forma de chás, sucos ou como ingrediente em sopas e refogados. Como seu sabor é intensamente amargo, o que pode exigir adaptação, o processo de lavar as folhas em água e sal antes do preparo é comum para suavizar o paladar e permitir seu uso em diversas receitas.

Apesar dos benefícios documentados, o consumo da folha amarga, especialmente para fins medicinais, deve ser feito com moderação e, preferencialmente, com a orientação de um profissional de saúde. Pessoas com condições de saúde pré-existentes devem ter cautela redobrada.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

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