Os
efeitos do café no cérebro e na saúde metabólica
Presente
na rotina de milhões de brasileiros, o café vai muito além de um hábito
cultural. Do tradicional coado ao extra-forte às cápsulas, o grão se consolidou
como uma das bebidas mais populares do país e um dos pilares históricos da
economia nacional atravessando gerações.
Das
regiões montanhosas de Minas Gerais às mesas dos brasileiros, o consumo segue
elevado. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), no ano de
2025, o país registrou cerca de 21,4 milhões de sacas de café industrializado,
enquanto o consumo mundial ultrapassa 174 milhões de sacas de 60 kg.
A
produção também continua em expansão, de acordo com a Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab), o Brasil pode bater um novo recorde, e deve colher em
2026 uma safra estimada em 66,2 milhões.
Mas,
além da importância econômica, o consumo da bebida também levanta dúvidas sobre
seus efeitos no organismo. Para entender melhor os impactos do café na saúde, o
Correio conversou com a supervisora de Nutrição e especialista em Nutrição
Clínica do Hospital Santa Lúcia Sul, Juliana Epaminondas de Araújo.
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Horários de consumo
Segundo
a nutricionista, o consumo pode ser melhor aproveitado algum tempo depois de
acordar. “O organismo apresenta um pico natural de cortisol ao despertar, o
hormônio é responsável por nos manter alertas. Quando o café é consumido
imediatamente, a cafeína pode interferir nessa regulação”, explica.
Por
isso, a recomendação é ingerir a bebida entre 60 e 90 minutos após acordar,
momento em que os níveis hormonais começam a diminuir e o efeito estimulante da
cafeína tende a ser mais eficiente.
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Sono
Se pela
manhã, o café costuma favorecer o estado de alerta e o desempenho cognitivo, no
período da tarde/noite, a cafeína pode interferir no ciclo circadiano - o
chamado relógio biológico do corpo. “Consumir café mais tarde pode atrasar o
início do sono profundo e comprometer a qualidade do descanso”, afirma Juliana.
Para
evitar prejuízos ao sono, o ideal é que o consumo seja feito até seis horas
antes do horário de dormir. “A cafeína tem uma meia-vida média de quatro a seis
horas no organismo, podendo permanecer ainda mais tempo em pessoas sensíveis”,
destaca Juliana. Na prática, quem costuma dormir por volta das 22h deve evitar
café após as 16h ou 17h.
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Em jejum
Para a
maioria das pessoas, o hábito não causa problemas, no entanto, indivíduos mais
sensíveis à cafeína podem apresentar desconfortos gastrointestinais. “O café em
jejum pode provocar azia, irritação gástrica ou aumento da acidez estomacal.
Além disso, pode intensificar temporariamente o aumento da pressão arterial e
da frequência cardíaca”, explica a nutricionista. Para essas pessoas, a
orientação é consumir a bebida após uma refeição leve ou algum tempo depois de
acordar.
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Consumo moderado
Para
adultos saudáveis, o consumo moderado fica em torno de três a quatro xícaras de
150 ml por dia, o que corresponde a aproximadamente 400 mg de cafeína. Esse
limite é considerado seguro por órgãos internacionais como a Autoridade
Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Food and Drug Administration
(FDA), dos Estados Unidos.
A
especialista ressalta que gestantes, pessoas com hipertensão ou com distúrbios
de ansiedade devem ter atenção redobrada e, em alguns casos, reduzir a
ingestão.
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Composto do Café
Além do
efeito estimulante, a nutricionista destaca que o café contém compostos
bioativos importantes, como polifenóis e ácidos clorogênicos, substâncias com
ação antioxidante.
Esses
componentes ajudam a combater radicais livres, associados ao envelhecimento
celular e ao desenvolvimento de doenças crônicas. Estudos também apontam que o
consumo moderado da bebida pode contribuir para a melhora do estado de alerta,
além de estar associado a menor risco de doenças metabólicas e
neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson.
Segundo
Juliana, o café também apresenta efeito termogênico, ou seja, aumenta
discretamente o gasto energético e a oxidação de gorduras. Esse mecanismo pode
auxiliar em estratégias de controle de peso corporal, desde que esteja
associado a hábitos de vida saudáveis.
A
especialista reforça que os efeitos positivos dependem da quantidade consumida
e do padrão alimentar.
“O café
pode fazer parte de uma alimentação saudável, desde que consumido com
equilíbrio. Também é importante observar o que é adicionado à bebida, como
açúcar ou adoçantes, que influenciam no valor calórico”, conclui Juliana.
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Produção do Café
O café
brasileiro nasce dos grãos arábica e conilon, cultivados em diferentes regiões
do país. Após a colheita dos frutos maduros, os grãos passam pelo
beneficiamento, processo de retirada da casca e secagem e seguem para a torra,
etapa que define aroma e sabor. Em seguida, são moídos em diferentes
granulometrias, resultando no produto final: café torrado e moído ou em
cápsulas, pronto para consumo. Cada fase, da lavoura à xícara, influencia
diretamente a qualidade e o perfil da bebida.
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Benefícios da pipoca: aliada do intestino e da saúde cardiovascular
Muitas
vezes vista apenas como um lanche para acompanhar filmes, a pipoca esconde
benefícios surpreendentes para a saúde. Por ser um grão integral, ela é
naturalmente rica em fibras, vitaminas do complexo B, minerais e,
principalmente, antioxidantes, o que a torna uma aliada poderosa para o
bem-estar do corpo.
Quando
preparada da maneira correta, seu consumo regular pode melhorar o funcionamento
do intestino e proteger a saúde do coração. A chave está em evitar os excessos
de gordura, sal e açúcar, que transformam um alimento nutritivo em uma opção
calórica e pouco saudável.
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Aliada do intestino
O
principal segredo da pipoca para a saúde intestinal está na alta concentração
de fibras. Esses nutrientes são essenciais para regular o trânsito intestinal,
prevenindo problemas como a constipação. Um consumo adequado de fibras ajuda a
formar o bolo fecal e a facilitar sua passagem pelo sistema digestivo.
As
fibras também atuam como prebióticos, ou seja, alimentam as bactérias benéficas
que vivem no intestino. Manter uma microbiota intestinal equilibrada é
fundamental não apenas para a digestão, mas também para o fortalecimento do
sistema imunológico e até mesmo para a regulação do humor.
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Proteção para o coração
Além
das fibras, a pipoca é uma excelente fonte de polifenóis, antioxidantes que
combatem os danos causados pelos radicais livres no organismo. Esses compostos
ajudam a melhorar a circulação sanguínea e a reduzir processos inflamatórios
nos vasos, fatores importantes na prevenção de doenças cardiovasculares.
As
fibras presentes no milho também desempenham um papel importante na redução dos
níveis de colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Ao diminuir a
absorção de gordura, elas ajudam a evitar o acúmulo de placas nas artérias, um
dos principais riscos para infartos e derrames.
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Como preparar para obter os benefícios
Para
aproveitar essas vantagens, o modo de preparo é fundamental. A melhor opção é a
pipoca feita na panela com uma quantidade mínima de óleo saudável, como o de
coco ou azeite, ou em pipoqueiras elétricas de ar quente, que não exigem o uso
de gordura.
É
importante evitar as versões prontas para micro-ondas, que geralmente contêm
gorduras trans, excesso de sódio e aditivos químicos. Pipocas de cinema, com
muita manteiga, e as versões doces, cobertas com caramelo, também anulam os
benefícios e acrescentam muitas calorias à dieta.
Para
temperar, use sal com moderação e explore alternativas saudáveis, como ervas
finas, páprica, açafrão ou levedura nutricional. Dessa forma, o lanche se
mantém nutritivo, saboroso e funcional para a sua saúde.
Fonte:
Correio Braziliense

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