segunda-feira, 9 de março de 2026

Os efeitos do café no cérebro e na saúde metabólica

Presente na rotina de milhões de brasileiros, o café vai muito além de um hábito cultural. Do tradicional coado ao extra-forte às cápsulas, o grão se consolidou como uma das bebidas mais populares do país e um dos pilares históricos da economia nacional atravessando gerações.

Das regiões montanhosas de Minas Gerais às mesas dos brasileiros, o consumo segue elevado. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), no ano de 2025, o país registrou cerca de 21,4 milhões de sacas de café industrializado, enquanto o consumo mundial ultrapassa 174 milhões de sacas de 60 kg.

A produção também continua em expansão, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil pode bater um novo recorde, e deve colher em 2026 uma safra estimada em 66,2 milhões.

Mas, além da importância econômica, o consumo da bebida também levanta dúvidas sobre seus efeitos no organismo. Para entender melhor os impactos do café na saúde, o Correio conversou com a supervisora de Nutrição e especialista em Nutrição Clínica do Hospital Santa Lúcia Sul, Juliana Epaminondas de Araújo.

<><> Horários de consumo

Segundo a nutricionista, o consumo pode ser melhor aproveitado algum tempo depois de acordar. “O organismo apresenta um pico natural de cortisol ao despertar, o hormônio é responsável por nos manter alertas. Quando o café é consumido imediatamente, a cafeína pode interferir nessa regulação”, explica.

Por isso, a recomendação é ingerir a bebida entre 60 e 90 minutos após acordar, momento em que os níveis hormonais começam a diminuir e o efeito estimulante da cafeína tende a ser mais eficiente.

<><> Sono

Se pela manhã, o café costuma favorecer o estado de alerta e o desempenho cognitivo, no período da tarde/noite, a cafeína pode interferir no ciclo circadiano - o chamado relógio biológico do corpo. “Consumir café mais tarde pode atrasar o início do sono profundo e comprometer a qualidade do descanso”, afirma Juliana.

Para evitar prejuízos ao sono, o ideal é que o consumo seja feito até seis horas antes do horário de dormir. “A cafeína tem uma meia-vida média de quatro a seis horas no organismo, podendo permanecer ainda mais tempo em pessoas sensíveis”, destaca Juliana. Na prática, quem costuma dormir por volta das 22h deve evitar café após as 16h ou 17h.

<><> Em jejum

Para a maioria das pessoas, o hábito não causa problemas, no entanto, indivíduos mais sensíveis à cafeína podem apresentar desconfortos gastrointestinais. “O café em jejum pode provocar azia, irritação gástrica ou aumento da acidez estomacal. Além disso, pode intensificar temporariamente o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca”, explica a nutricionista. Para essas pessoas, a orientação é consumir a bebida após uma refeição leve ou algum tempo depois de acordar.

<><> Consumo moderado

Para adultos saudáveis, o consumo moderado fica em torno de três a quatro xícaras de 150 ml por dia, o que corresponde a aproximadamente 400 mg de cafeína. Esse limite é considerado seguro por órgãos internacionais como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos.

A especialista ressalta que gestantes, pessoas com hipertensão ou com distúrbios de ansiedade devem ter atenção redobrada e, em alguns casos, reduzir a ingestão.

<><> Composto do Café

Além do efeito estimulante, a nutricionista destaca que o café contém compostos bioativos importantes, como polifenóis e ácidos clorogênicos, substâncias com ação antioxidante.

Esses componentes ajudam a combater radicais livres, associados ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de doenças crônicas. Estudos também apontam que o consumo moderado da bebida pode contribuir para a melhora do estado de alerta, além de estar associado a menor risco de doenças metabólicas e neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson.

Segundo Juliana, o café também apresenta efeito termogênico, ou seja, aumenta discretamente o gasto energético e a oxidação de gorduras. Esse mecanismo pode auxiliar em estratégias de controle de peso corporal, desde que esteja associado a hábitos de vida saudáveis.

A especialista reforça que os efeitos positivos dependem da quantidade consumida e do padrão alimentar.

“O café pode fazer parte de uma alimentação saudável, desde que consumido com equilíbrio. Também é importante observar o que é adicionado à bebida, como açúcar ou adoçantes, que influenciam no valor calórico”, conclui Juliana.

<><> Produção do Café

O café brasileiro nasce dos grãos arábica e conilon, cultivados em diferentes regiões do país. Após a colheita dos frutos maduros, os grãos passam pelo beneficiamento, processo de retirada da casca e secagem e seguem para a torra, etapa que define aroma e sabor. Em seguida, são moídos em diferentes granulometrias, resultando no produto final: café torrado e moído ou em cápsulas, pronto para consumo. Cada fase, da lavoura à xícara, influencia diretamente a qualidade e o perfil da bebida.

<><> Benefícios da pipoca: aliada do intestino e da saúde cardiovascular

Muitas vezes vista apenas como um lanche para acompanhar filmes, a pipoca esconde benefícios surpreendentes para a saúde. Por ser um grão integral, ela é naturalmente rica em fibras, vitaminas do complexo B, minerais e, principalmente, antioxidantes, o que a torna uma aliada poderosa para o bem-estar do corpo.

Quando preparada da maneira correta, seu consumo regular pode melhorar o funcionamento do intestino e proteger a saúde do coração. A chave está em evitar os excessos de gordura, sal e açúcar, que transformam um alimento nutritivo em uma opção calórica e pouco saudável.

<><> Aliada do intestino

O principal segredo da pipoca para a saúde intestinal está na alta concentração de fibras. Esses nutrientes são essenciais para regular o trânsito intestinal, prevenindo problemas como a constipação. Um consumo adequado de fibras ajuda a formar o bolo fecal e a facilitar sua passagem pelo sistema digestivo.

As fibras também atuam como prebióticos, ou seja, alimentam as bactérias benéficas que vivem no intestino. Manter uma microbiota intestinal equilibrada é fundamental não apenas para a digestão, mas também para o fortalecimento do sistema imunológico e até mesmo para a regulação do humor.

<><> Proteção para o coração

Além das fibras, a pipoca é uma excelente fonte de polifenóis, antioxidantes que combatem os danos causados pelos radicais livres no organismo. Esses compostos ajudam a melhorar a circulação sanguínea e a reduzir processos inflamatórios nos vasos, fatores importantes na prevenção de doenças cardiovasculares.

As fibras presentes no milho também desempenham um papel importante na redução dos níveis de colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Ao diminuir a absorção de gordura, elas ajudam a evitar o acúmulo de placas nas artérias, um dos principais riscos para infartos e derrames.

<><> Como preparar para obter os benefícios

Para aproveitar essas vantagens, o modo de preparo é fundamental. A melhor opção é a pipoca feita na panela com uma quantidade mínima de óleo saudável, como o de coco ou azeite, ou em pipoqueiras elétricas de ar quente, que não exigem o uso de gordura.

É importante evitar as versões prontas para micro-ondas, que geralmente contêm gorduras trans, excesso de sódio e aditivos químicos. Pipocas de cinema, com muita manteiga, e as versões doces, cobertas com caramelo, também anulam os benefícios e acrescentam muitas calorias à dieta.

Para temperar, use sal com moderação e explore alternativas saudáveis, como ervas finas, páprica, açafrão ou levedura nutricional. Dessa forma, o lanche se mantém nutritivo, saboroso e funcional para a sua saúde.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

Nenhum comentário: