terça-feira, 10 de março de 2026

José Álvaro de Lima Cardoso: O que falta para resgatar a indústria nacional?

Embora os dados definitivos de 2025 ainda dependam da consolidação anual do IBGE, segundo os dados disponíveis, a indústria de transformação encerrou o ano mantendo uma participação próxima aos 10,8% do PIB, refletindo um cenário de estagnação, apesar dos esforços do governo de reindustrialização. O esforço pela retomada da indústria no Brasil não é ação trivial que possa ser feita sem um grande esforço nacional. Como qualquer grande problema do país, a reindustrialização requer uma forte mobilização da sociedade, pois depende de correlação de forças. Os países centrais não querem uma indústria forte na periferia do sistema. Para esses países, as nações atrasadas devem se concentrar em enviar matérias-primas e commodities para o centro industrial imperialista. Essa dificuldade fica ainda mais nítida em períodos de grave crise internacional, como o atual.

Os problemas econômicos atuais do Brasil não são meros obstáculos no ciclo de crescimento, de redução “normal” da atividade econômica. Na realidade, o país enfrenta uma crise estrutural, somada a uma verdadeira guerra econômica, que se origina dos países imperialistas. É uma política deliberada de liquidação das economias de alguns países, visando inclusive reduzir parte das forças produtivas e o “excesso” de mercadorias ao nível internacional. Excesso, aqui temos que entender bem, em relação àquilo que as pessoas podem comprar, que é o que interessa ao funcionamento da engrenagem capitalista. É o conhecido problema de sobreprodução de mercadorias, que é relativa, decorrente do fato de que uma parte da produção não é absorvida porque a população não tem dinheiro para comprar. Tal política de guerra não é exclusivamente contra o Brasil, mas sim contra todos os países atrasados com aspirações de desenvolvimento e soberania nacional. Sempre houve tal política, mas ela foi muito intensificada em função da atual crise econômica internacional, que se agravou muito.

Neste momento de grande crise e de disputa acirrada por mercados mundiais, os EUA estão declarando que não aceitam políticas nacionalistas, especialmente quando desenvolvidas em aliança com seus principais inimigos no mundo, China e Rússia. Sempre foi assim: imperialismo é um jogo de força, mesmo. A tresloucada política de “tarifaço” de Donald Trump vai, inclusive, na contramão dessa política imperialista, de obrigar os países a abrirem suas economias. O estabelecimento de elevadas tarifas de importação por parte dos EUA, na gestão Trump, justifica a reciprocidade por parte dos demais países, o que vai contra o interesse dos grandes grupos econômicos dos EUA, que sempre ganharam muito dinheiro com a globalização e a abertura dos mercados nacionais. Nos países desenvolvidos, que em alguns casos também se desindustrializaram, a indústria nacional já cumpriu o seu papel no desenvolvimento econômico, colocando a renda per capita da população em patamar mais elevado. Além disso, os países imperialistas praticam política industrial que procura tirar vantagens de todas as situações econômicas possíveis, pelo bem ou pelo mal. Ao se desindustrializar, o Brasil está perdendo, gradativamente, a sua maior conquista econômica no século XX. Entre 1930 e 1980, a economia brasileira cresceu a elevadas taxas (6,8% entre 1932-1980) baseada no processo conhecido como substituição de importações, com fortes incentivos estatais à industrialização através das políticas cambial, tarifária e fiscal. Não há desenvolvimento da indústria sem políticas públicas articuladas. O setor privado tem que ser induzido a investir, especialmente na fase atual de financeirização, na qual predominam os investimentos financeiros em detrimento da produção. Nessa etapa, as estratégias empresariais passam a privilegiar resultados financeiros de curto prazo, em vez de investir no longo prazo ou em inovação produtiva. Todas as decisões das corporações acabam se subordinando à lógica financeira.

Com base em estudo da UNIDO (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial), o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) elaborou o ranking dos maiores parques manufatureiros do mundo, com destaque para a posição do Brasil. Segundo a análise, a participação brasileira no valor adicionado da indústria manufatureira global declinou novamente, embora em ritmo inferior ao de anos anteriores. Segundo o estudo, que vai até 2023, o Brasil seguiu declinando no sistema industrial mundial, especialmente em função de um desempenho inferior dos ramos de maior intensidade tecnológica. O país está na 15ª posição do ranking mundial da indústria manufatureira, construído a partir do valor adicionado do setor em dólares a preços constantes de 2015. A participação do Brasil no valor adicionado manufatureiro mundial foi de 1,21% em 2023, muito restrito, considerando que se trata da 10ª maior economia do mundo. O país é a 10ª economia do mundo, mas com um percentual ridículo de participação industrial.

O ranking em valor adicionado, em 2023, era:

China: com 31,8% da manufatura mundial;

EUA, com 15,1%;

Japão, 6,6% do total.

A análise da distribuição do valor adicionado entre as principais economias do mundo pode explicar, em boa parte, a escalada de hostilidades dos EUA em relação à China (já antes de Trump, claro): a participação do gigante asiático em 2023, em valor adicionado, era maior que a soma das quatro potências industriais seguintes (EUA, Japão, Alemanha e Índia), que juntos responderam por 29,5% do valor adicionado da indústria no mundo. Há pouco mais de vinte anos, em 2005, nesse ranking a China aparecia com 13,2%, em 2º lugar, e os EUA, 1º no ranking, participavam com 22,6% no total. Enquanto a China escalou no ranking, entre 2005 e 2023, o Brasil caiu da 10ª para a 11ª posição, e saiu de uma participação de 2,2% do total de valor adicionado produzido no mundo para 1,55%. Segundo o estudo, consideradas as vinte maiores manufaturas do mundo, o Brasil aparece como um dos países que mais desceram no ranking, recuando cinco posições entre 2005 e 2023, desempenho melhor somente que Espanha e Canadá, que recuaram 7 posições.

Quando cai o peso da indústria em relação ao PIB porque as famílias estão consumindo mais serviços, essa pode ser considerada uma trajetória natural. Mas no Brasil ocorreu uma desindustrialização prematura. A indústria começou a perder peso na estrutura produtiva antes da renda da população subir. Nos últimos anos, inclusive, a redução do peso da indústria no PIB ocorreu simultaneamente à queda da renda per capita, o que trouxe muitas consequências negativas para o país, a começar pelo maior impacto sobre a população mais pobre e a maior concentração de renda. Muitos empregos da indústria, por exemplo, migraram para o setor de serviços, que tem menor remuneração média e maior informalidade. O desenvolvimento dos países imperialistas e dos países atrasados é, como se sabe, desigual e combinado. Combinado aqui no sentido de que o desenvolvimento dos primeiros está relacionado ao atraso dos segundos. Isso significa que, para reindustrializar o país e melhorar a renda da população, é fundamental enfrentar a atual divisão internacional do trabalho, dominada pelos países ricos. Por essa razão, a implementação de políticas que revertam a redução da indústria no PIB nacional está intimamente ligada ao debate sobre soberania nacional. O problema é fundamentalmente político, se o país tivesse uma política econômica soberana, com projeto nacional de desenvolvimento, teria aqui muitas empresas de primeira linha, com capacidade de disputar mercados mundiais. A conquista de um projeto soberano de desenvolvimento depende do rompimento com a dependência externa. Essa transição, entretanto, é dificultada por condicionantes econômicos e políticos de grande complexidade.

•        Terrabras – uma estatal necessária. Por Por Arthur Oscar Guimarães

A urgência do tema terras raras exige grande atenção do Brasil. Em tempos do discurso fácil em relação à privatização, normalmente apresentada como um remédio infalível para todos os males nacionais, em particular na área econômica, aos mais apressados (quiçá aos equivocados) pode parecer que a defesa da estatização de um setor seja um total contrassenso, ainda mais quando se defende a estatização aliada à criação de uma nova empresa estatal. Pois é isso mesmo que propomos nesse artigo: a criação da TERRABRAS – Terras Raras do Brasil S/A. E vamos explicar as nossas razões. Um pouco de história: Motivado pela campanha “O petróleo é nosso”, o presidente Getulio Vargas assina a Lei nº 2.004, que cria a Petrobras. De controle e propriedade totalmente nacionais, com participação majoritária da União, a Petrobras detém o monopólio da exploração de todas as etapas da indústria petrolífera, com exceção da distribuição.  É bem verdade que a dinâmica do setor e, fundamentalmente, as visões político-ideológicas distintas às que motivaram a criação da Petrobras se alteraram ao longo dos anos, com consequências para as regras de exploração do petróleo no Brasil. Mas nem precisamos nos estender na importância e no relevante papel da União para a indústria petrolífera nacional, e aqui destacamos o ano de 2006 quando alcançamos a “autossuficiência sustentável do Brasil na produção de petróleo e gás, com a entrada em operação das plataformas P-34 e P-50, cujos projetos foram desenvolvidos pelo Cenpes.” Mas é a descoberta do pré-sal naquele mesmo ano de 2006, o fato que mudaria enormemente a empresa nos cenários nacional e internacional.

Nunca é demais lembrar que em menos de 15 anos depois daquela descoberta, em 2022, nada mais nada menos que 92% da produção total de petróleo no Brasil tinha origem em águas profundas e ultraprofundas, o que reflete claramente uma opção pelo desenvolvimento tecnológico endógeno. Mais que isso, diríamos que uma busca por autonomia tecnológica. Hoje, a Petrobras descobre mais reservas do que produz e tem petróleo garantido até 2038. As últimas notícias informam que “mantendo-se o ritmo atual de exploração, a Petrobras terá reservas suficientes por mais de uma década sem novas descobertas adicionais” (Revista Fórum; Nova Lado B – Edição N° 1.710 – 03.02.2026). Mas sabemos que há, nesse cenário, o debate ambiental e, agora em janeiro de 2026, 161 organizações da sociedade civil, ligadas ao Observatório do Clima, entregaram ao governo Lula, documento com “recomendações para a redução da dependência de combustíveis fósseis”. O objetivo é exigir que o governo estabeleça um cronograma a fim de “zerar os leilões de petróleo no Brasil”. Diante das afirmações até aqui mencionadas, cabe perguntar se existem paralelos entre as riquezas minerais ‘petróleo’ e ‘terras raras’? Sim, muitos. É preciso destacar que além da exploração, a preocupação central deve estar assentada na “agregação de valor”, ou seja, no que fazemos com o produto explorado. Este é o x da questão, visto que aí nasce e reside boa parte de nossa dependência. Porém, antes de tratar das terras raras, há que se considerar um pano de fundo denominado “exploração mineral”. Vejamos o que consta do próprio site da ANM – Agência Nacional de Mineração: A mineração é uma atividade econômica e industrial que inclui a pesquisa, a exploração (lavra) e o beneficiamento de minérios presentes no solo e no subsolo. No Brasil, os recursos minerais pertencem à União, conforme estabelecido no art. 176 da Constituição Federal. Pronto, agora podemos considerar nosso tema central. O que são terras raras? Por que ganharam maior relevância no século XXI? Vamos tentar responder a essas e outras questões. Por terras raras entende-se o “conjunto de 17 elementos químicos metálicos que estão presentes em minerais e que, apesar do seu nome, ocorrem em abundância na natureza.”

O gráfico nos auxilia a visualizar a dimensão e em que países se localizam as principais reservas mundiais de terras raras. Trata-se de informação importante, pois esse cenário representa mais uma janela de oportunidade para o Brasil, que não deveria ser perdida, pois um cenário de anomia tecnológica e econômica   significaria que tais minérios – presentes em nosso subsolo – poderão virar pó enquanto riqueza, se não adequadamente explorados e aqui processados. Explicando melhor o nosso entendimento a respeito do assunto. Não se trata de contrastar o atual papel destinado à ANM ou ao SGB (MME), mas diante do novo cenário mundial que se vislumbra com a utilização tecnológica das terras raras, estabelecermos no País um projeto nacional, no qual as riquezas minerais deixam de ser comoditties a serem retiradas e enviadas ao exterior, mas num futuro de médio e longo prazo o Brasil estar inserido de forma ativa na produção de produtos, partes e componentes, por exemplo de televisores de tela plana, tela de smartphones, lâmpadas led, equipamentos de raio-x e tomografia e até mesmo componentes para mísseis teleguiados, além de aplicações em energia limpa. É ampla a aplicação industrial dos metais de terras raras, visto que estão incorporados em supercondutores, magnetos miniaturizados, catalisadores utilizados em refinação de produtos diversos e componentes para turbinas eólicas e ímãs de motores elétricos, carros híbridos. Mas para o Brasil participar da disputa nesses mercados ainda temos um longo caminho a percorrer. Para isso deveremos enfrentar nossas limitações tecnológicas e de investimento. Serão necessários volumes muito maiores que os até aqui realizados.

Nossas reservas de terras raras nos posicionam bem no cenário mundial, mas isso não é suficiente. É a base sob a qual devemos preparar a inserção brasileira de forma competitiva. Observe-se que junto às maiores reserva, ganha relevância verificarmos quem são os maiores produtores de terras raras no mundo. No gráfico estão em destaque China, Vietnã, Brasil e Rússia, mas é nosso entendimento que o quadro, ao indicar os dez principais países[ – em termos de produção de terras-raras em 2025 – sinaliza o verdadeiro embate por esses minerais críticos e, nesse caso, o Brasil está fora do rol dos países com produção mundial relevante, que são: China, EUA, Myanmar, Austrália, Nigéria e Tailândia.

Uma primeira observação, um tanto óbvia, tem relação direta com a questão geopolítica das terras raras, pois mais uma vez a disputa principal coloca frente a frente a China e os EUA. Um dado de realidade é que “o monopólio do governo Chinês na produção e exportação destes recursos, tendo em vista sua abundância geográfica, e a maior flexibilidade em legislação ambiental colocam Pequim em uma situação de privilégio estratégico.” Pensemos em Brasil. Iniciemos pelo nosso nó górdio, pois é fato que há um amplo leque de alternativas que a legislação atual faculta. Segundo a ANM “a exploração mineral é realizada por modalidades legais ou regimes de aproveitamento dos recursos minerais” via: (i) autorizações e concessões; (ii) registro de licença ou licenciamento; (iii) permissão de lavra garimpeira (PLG); e (iv) registro de extração e regime de monopólio (minerais nucleares).

Em todas as modalidades mencionadas, o objetivo é a obtenção de um título que conceda a exploração do recurso mineral. Mas então, qual é a questão central? Quem pode utilizar este serviço? A própria Agência Nacional de Mineração (ANM), vinculada ao Ministério das Minas e Energia (MME) responde: “Brasileiros, pessoa natural, firma individual, cooperativas ou empresas legalmente constituídas sob as leis brasileiras”. E o que a realidade revela? Parte substancial dos que buscam tais autorizações junto ao Poder público até podem realizar as pesquisas iniciais, mas um exemplo é do técnico em mineração Rafael Cruz de Oliveira, dono da RCO Mineração, que possui autorização de pesquisa de terras raras (pasmem!!!!) em mais de 100 áreas, nos estados de Minas Gerais, Goiás e Bahia, com o objetivo de vendê-las para empresas (nacionais e estrangeiras) com estrutura para fazer a mineração. Não se trata de uma ilegalidade, mas de uma anomia nacional. Para onde caminha o projeto brasileiro de terras raras? O cenário descrito demanda mais que uma sinalização ou um discurso em defesa de nossas reservas. É chegado o momento de uma ação específica do Governo Federal, refletindo uma verdadeira atitude nacional. Se o País apenas observar a competição internacional pelas terras raras, mais uma vez o País não participará de forma ativa do processo de pesquisa, exploração, produção e, muito menos, da exportação de produtos com valor agregado. Mais uma vez estaremos no futuro apenas como participante do comércio de commodities.

A necessidade de o Brasil deter parcela significativa das reservas mundiais de alguns desses minerais, exige ação rápida e estratégica do nosso País. Urge a implementação de políticas específicas, coordenação e investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), assim como a geração ou aquisição de domínio sobre as tecnologias de exploração mineral (cuja especificidade e os riscos ambientais são elevados), além do refino e agregação de valor às terras raras. A ideia de que as respostas virão das forças do “livre mercado” é um ledo engano. Estados ou governos dos países mais bem posicionados na disputa pelo domínio das terras raras têm exercido intervenções diretas neste setor, inclusive no país que até recentemente promovia incansavelmente a proposta do livre mercado para o resto do mundo, os Estados Unidos da América (EUA). Exemplo maior da intervenção estatal norte-americana está ocorrendo nesse momento em território brasileiro, como informa a Folha de S.P. (05.02.26): “A Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil, anunciou na quinta-feira (5) que um banco estatal dos Estados Unidos aumentou para US$ 565 milhões o financiamento concedido à empresa. Agora, o governo americano também terá o direito de adquirir uma participação acionária minoritária na mineradora. (…) O anúncio desta quinta reforça a estratégia do governo americano de assinar diretamente contratos com empresas de minerais críticos no Brasil, sem necessariamente esperar um eventual acordo com autoridades brasileiras, que cobram que o processamento desses minerais aconteça dentro do país. O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, e é visto internacionalmente como uma das maiores alternativas ao fornecimento chinês.”)

Ao cotejar os dados das reservas mundiais com a efetiva produção de terras raras, fica evidente que não há forte correlação, nos distintos países citados, entre a produção e as reservas existentes em cada país específico. A questão central é a existência ou não de um projeto tecnológico de futuro. Nosso ponto de vista é que chegou o momento de o País (inicialmente por meio do Governo Federal) enfrentar os desafios desse “nó górdio” com a criação da Terrabras, garantindo para a União a exploração de nossas terras raras. A nova estatal nasceria com o envio de um Projeto de Lei do Executivo ao Congresso Nacional. Importante na argumentação em defesa da nova empresa é o fato das “reservas brasileiras representam quase um terço de todas as terras-raras disponíveis, com um enorme potencial para serem explorados e passarem a integrar os circuitos produtivos internacionais” e, por demais importante, que a proposição a ser enviada ao Parlamento faça menções concretas de um planejamento de curto, médio e longo prazos, assim estruturado:

•        No curto prazo (2027/2028), fase de criação e instalação, buscando evitar maiores custos de implementação da nova estatal vinculada ao MME (ou ao MDIC), a empresa teria estrutura técnica inicial baseada nas competências já existentes no SGB e na ANM;

•        No médio prazo (2029/2035), fase de consolidação, ocorreria a estruturação da empresa–sede e a implementação de 5 unidades descentralizadas de pesquisa, exploração e processamento da Terrabras nos cinco principais Estados em que se encontram as reservas brasileiras de terras raras: Amazonas; Bahia; Goiás; Minas Gerais; e Sergipe; e

•        No longo prazo (2035/2050), fase de expansão,  para a qual estaria prevista a participação do Brasil no comércio mundial de terras raras e de produtos que demandem sua utilização, numa base de 5%, em 2035; e 10%, em 2050.

<><> Observações finais

Entendemos que uma abordagem inicial para o debate aqui proposto seria, sob os auspícios do Ministério das Minas e Energia (MME), com a efetiva participação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), a organização no início de 2027 de uma ampla Conferência Nacional de Terras Raras – 1ª CNTR, envolvendo as instituições públicas afeitas ao tema (SGB, ANM[), órgãos de fomento (BNDES, FINEP, BNB, BASA), os Institutos Federais, as universidades e institutos de pesquisa e a iniciativa privada atuante no setor de terras raras. Podemos estar diante de um paradoxo, ou seja, não ter produzido terras raras até aqui pode ter gerado uma oportunidade para o Brasil no futuro, mas não nos parece correto justificar nossa ausência no mercado mundial de terras raras como tendo sido resultado de uma decisão estratégica, e a oportunidade seria agora! Sabemos todos que isso não é verdade. O Brasil não dispõe de explicação plausível para o nosso atraso tecnológico nessa área. Em verdade, esse cenário é reflexo da inexistência efetiva de uma ação institucional pública de monta, como um plano de desenvolvimento industrial para terras raras. É chegado o momento, mais uma vez, de falarmos na necessidade de um projeto nacional. E uma resposta efetiva é a criação da TERRABRAS – Terras Raras do Brasil S.A.

 

Fonte: Outras Palavras

 

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