quarta-feira, 11 de março de 2026

César Fonseca: Guerra implode a financeirização econômica global e cria novo eixo do poder internacional

Pânico no mundo do rentismo especulativo da riqueza fictícia: um dos maiores fundos de investimento do planeta Terra, a BlackRock, com ativos de 2 trilhões de dólares, estaria se desmoronando junto com a guerra desencadeada, segundo o autor, sem motivo por Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Apavorados com a possibilidade de perder suas poupanças, rentistas especuladores correm aos caixas dos fundos mais famosos de Wall Street para tentar salvar seu dinheiro. No entanto, segundo a análise apresentada, os caixas desses fundos teriam sido fechados para balanço.

Não estariam deixando sair recursos para evitar um colapso.

Na prática, o que existiria seriam papéis especulativos que vinham rendendo, de forma fictícia, juros elevados — situação que o autor compara ao caso brasileiro, com a taxa Selic entre as mais altas do mundo, perdendo apenas para a Turquia.

Investidores tentariam, desesperadamente, sacar recursos, mas não haveria o que retirar, porque o dinheiro real correspondente à papelada especulativa seria, na visão apresentada, uma ilusão.

As próximas semanas seriam decisivas.

O império da financeirização global, representado no maior fundo financeiro do mundo, a BlackRock, estaria decretando a impossibilidade de atender à demanda de rentistas que tentam retirar seus recursos.

Segundo essa leitura, a moeda real não estaria no caixa da BlackRock, mas nos poços de petróleo do Oriente Médio, atualmente em chamas em decorrência dos bombardeios de mísseis supersônicos iranianos.

Esses ataques atingiriam bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico e refinarias de petróleo, muitas delas com capital americano associado às monarquias árabes alinhadas a Washington.

Essa associação imperial entraria em sufoco com a suspensão da circulação da mercadoria-moeda mais valorizada: o petróleo.

O fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, afetaria diretamente o abastecimento global. Pela passagem marítima circula cerca de 25% do petróleo e do gás que seguem rumo ao Ocidente.

<><> Colapso do petrodólar

Sem possibilidade de abastecer seus clientes, o complexo econômico-financeiro formado por refinarias petrolíferas, apoiadas em bases militares americanas e agora bloqueadas pelo fogo dos mísseis iranianos, enfrentaria um colapso no sistema do petrodólar.

Segundo a análise apresentada, é o petróleo que sustenta o dólar — e não o contrário.

Nesse raciocínio, o petróleo seria a moeda real, enquanto o dólar, sem o lastro energético, se tornaria uma ficção monetária.

Sem essa âncora, a moeda americana poderia sofrer forte desvalorização, provocando corridas financeiras e instabilidade nos mercados.

A moeda-papel especulativa, sem o petróleo do Golfo Pérsico, deixaria de ter valor real.

Sem petróleo árabe, bloqueado no Estreito de Ormuz pelo Irã, o Ocidente ficaria sem sua principal base energética, o que colocaria pressão sobre o dólar emitido pelos Estados Unidos.

<><> Circulação interrompida

A riqueza real estaria impossibilitada de circular em razão da guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Segundo o texto, o objetivo estratégico de Washington seria enfraquecer Teerã para conter também o avanço da China.

Caso o Irã mantenha sua resistência aos ataques, argumenta o autor, os Estados Unidos poderiam enfrentar uma crise financeira com traços hiperinflacionários.

Nesse cenário, a possível bancarrota da BlackRock seria apresentada como símbolo da fragilidade da estrutura financeira baseada em ativos especulativos.

O sistema financeiro global, sustentado por ativos sem lastro, ficaria exposto à medida que o sistema do petrodólar se enfraquece.

Quanto mais tempo o Estreito de Ormuz permanecer interrompido, maior seria a pressão sobre o sistema financeiro internacional.

<><> Hiperinflação em cena

Sem o fluxo do que o autor chama de “oxigênio especulativo”, fundos financeiros poderiam entrar em colapso, afetando também o complexo industrial-militar dos Estados Unidos.

Esse setor dependeria diretamente da força do dólar, que, nesse cenário, perderia o lastro indireto garantido pelo petróleo.

Sem o suporte do mercado especulativo, ficaria comprometida a sustentação da indústria de guerra, responsável pela produção de equipamentos militares, espaciais e nucleares.

O economista Lauro Campos descreveu esse fenômeno em A crise da ideologia keynesiana (Editora Campus, 1980; Editora Boitempo, 2012), ao analisar a produção de bens voltados à destruição.

Segundo essa interpretação, o colapso desse sistema poderia gerar um efeito colateral grave: a hiperinflação associada à dívida pública dos Estados Unidos, atualmente estimada em cerca de 40 trilhões de dólares.

A enorme massa de moeda sem lastro poderia, então, desmoronar.

O possível colapso de fundos financeiros especulativos, como a BlackRock, seria visto como sinal de um cenário de caos financeiro global impulsionado pela guerra.

A interrupção do fluxo de petróleo e gás impediria a circulação da riqueza real necessária para movimentar a economia mundial.

Ao negar resgatar títulos de rentistas por falta de recursos líquidos, a BlackRock estaria admitindo a ausência de dinheiro suficiente para atender às retiradas.

O pânico financeiro poderia levar a corridas bancárias, enquanto, segundo o autor, a mídia corporativa alinhada aos Estados Unidos tentaria minimizar o problema.

<><> Desespero trumpista

Diante desse cenário, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, buscaria intensificar a pressão militar contra o Irã, exigindo rendição incondicional.

Segundo o texto, Washington estaria disposto a ampliar os bombardeios para tentar encerrar rapidamente o conflito.

Caso a guerra se prolongue e os Estados Unidos não consigam derrotar o Irã, o país persa poderia contar com apoio estratégico da Rússia e da China.

O fator decisivo seria a capacidade iraniana de resistir aos ataques e manter pressão militar sobre bases americanas e refinarias no Golfo Pérsico, além de sustentar o bloqueio do Estreito de Ormuz.

Nesse contexto, o poder anglo-saxão — representado pelos Estados Unidos e por aliados europeus — poderia perder influência à medida que a financeirização global se enfraquece.

A destruição de riquezas financeiras consideradas fictícias abriria fissuras no poder americano.

Ao mesmo tempo, poderia favorecer a ascensão de um novo eixo geopolítico formado por Rússia, China e Irã.

A reorganização da economia mundial indicaria, segundo essa análise, o surgimento de uma nova divisão internacional do trabalho e de um novo centro de poder econômico e financeiro global.

¨      Ou os BRICS param Estados Unidos e Israel ou haverá catástrofe global", diz Jeffrey Sachs

O economista norte-americano Jeffrey Sachs afirmou que o mundo pode enfrentar uma grave crise global caso a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã continue a se intensificar. Em entrevista à CNBC, Sachs declarou que apenas uma ação coordenada das grandes potências — especialmente os países do BRICS — poderá deter a escalada militar e evitar consequências econômicas devastadoras.

A análise foi apresentada durante participação do economista em um programa da CNBC TV18, em meio à crescente tensão militar na Ásia Ocidental após ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Segundo Sachs, a continuidade da guerra ameaça desencadear uma crise energética global, com forte impacto nas economias da Ásia, da Europa e também dos próprios Estados Unidos.

Para o economista, o conflito não possui uma estratégia clara por parte de Washington e reflete objetivos geopolíticos mais amplos ligados ao domínio regional e ao controle da economia do petróleo.

“Os Estados Unidos não têm estratégia. Trump, sabemos por toda a experiência, é delirante. Ele é psicologicamente instável. Não consegue manter acordos e não tem uma estratégia de longo prazo”, afirmou Sachs.

<><> Críticas à estratégia dos Estados Unidos e de Israel

Durante a entrevista, Sachs atribuiu a escalada militar à política do governo israelense liderado por Benjamin Netanyahu e ao alinhamento estratégico de Washington com Tel Aviv.

Segundo ele, Netanyahu busca há décadas derrubar o governo iraniano e eliminar qualquer força regional que apoie a causa palestina.

“Netanyahu declarou que esta guerra realiza o sonho de 40 anos de derrubar o Irã”, disse Sachs. “Em vez de aceitar um Estado palestino ao lado de Israel, ele quer que Israel domine todo o Oriente Médio.”

Na avaliação do economista, os Estados Unidos compartilham esse objetivo porque buscam manter sua hegemonia global.

“O objetivo dos Estados Unidos é o controle do mundo. Israel serve ao propósito de controlar o Oriente Médio”, afirmou.

Sachs lembrou que Washington mantém bases militares em diversos países do Golfo, incluindo Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, o que reforça a presença estratégica americana na região.

Ele também destacou que a rivalidade entre Estados Unidos e Irã tem raízes históricas profundas, que remontam ao golpe de 1953 apoiado pela CIA que derrubou o governo iraniano.

<><> Risco de crise econômica global

Na avaliação do economista, a continuidade da guerra pode gerar uma crise econômica comparável aos choques do petróleo da década de 1970.

Sachs alertou que, caso o conflito avance, o Estreito de Ormuz — uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo — pode ser fechado, provocando uma disparada nos preços da energia.

“Se a guerra continuar, duas coisas vão acontecer: o Estreito de Ormuz ficará efetivamente fechado e as infraestruturas petrolíferas do Golfo começarão a ser destruídas uma a uma”, disse.

Ele acrescentou que, nesse cenário, o preço do petróleo poderá ultrapassar rapidamente os 100 dólares por barril.

“Teremos uma grande crise econômica global”, afirmou.

Segundo Sachs, as economias mais afetadas seriam as da Ásia e da Europa, altamente dependentes das importações de petróleo do Oriente Médio.

<><> Países do Golfo estariam em risco

O economista também alertou que os países do Golfo podem sofrer diretamente os efeitos da guerra, especialmente por abrigarem bases militares dos Estados Unidos.

Para Sachs, essa presença militar transforma essas nações em alvos potenciais.

“Esses países pensavam que os Estados Unidos eram sua segurança. Na verdade, os Estados Unidos são sua insegurança. Eles funcionam como um ímã que atrai bombas e drones para esses territórios”, disse.

Segundo ele, instalações petrolíferas, portos, refinarias e navios-petroleiros podem se tornar alvos vulneráveis caso a escalada militar continue.

<><> Guerra não terminará em poucas semanas

Durante a entrevista, Sachs também contestou a previsão feita por Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, de que a operação militar poderia terminar em quatro ou cinco semanas.

“Não devemos ouvir Trump sobre isso. Lembrem-se de quando ele disse que acabaria com a guerra da Ucrânia com um telefonema ou que a guerra em Gaza terminaria rapidamente”, afirmou.

Para Sachs, conflitos dessa magnitude raramente terminam em prazos curtos.

Ele comparou a situação atual com outras guerras prolongadas envolvendo os Estados Unidos, como Vietnã, Iraque e Afeganistão.

“Essas pessoas são propagandistas. Não estão oferecendo nenhuma análise séria”, declarou.

<><> BRICS podem impedir a escalada

Na avaliação de Sachs, a única saída realista para encerrar rapidamente o conflito seria uma pressão internacional coordenada contra Estados Unidos e Israel.

Ele afirmou que grandes potências como China, Índia, Rússia e Brasil — integrantes do BRICS — possuem peso suficiente para forçar uma mudança de rumo.

“Esta guerra pode terminar se os governos do mundo disserem a verdade aos Estados Unidos e a Israel: vocês precisam parar com essa agressão agora”, afirmou.

Sachs argumentou que os países do BRICS representam cerca de metade da população mundial e, portanto, possuem legitimidade política e econômica para contestar a escalada militar.

“Se eles se levantarem juntos e disserem ‘acabem com a guerra’, ela realmente acabará”, declarou.

<><> Impacto político nos Estados Unidos

O economista também avaliou que a guerra pode gerar consequências políticas internas para Donald Trump.

Segundo Sachs, o presidente dos Estados Unidos prometeu aos eleitores do movimento MAGA que priorizaria a paz internacional.

“Trump vai perder as eleições de meio de mandato. Ele mentiu ao povo americano, mentiu sobre tarifas e sobre a economia”, afirmou.

Para Sachs, a popularidade do presidente tende a cair ainda mais à medida que os custos econômicos e políticos da guerra se tornarem mais evidentes.

“Sua aprovação já é baixa e continuará caindo”, disse.

<><> Ordem internacional em disputa

Na conclusão de sua análise, Sachs defendeu que a comunidade internacional reforce o sistema de regras baseado na Carta das Nações Unidas para impedir ações unilaterais que possam desencadear crises globais.

Segundo ele, o mundo precisa reagir ao que considera uma escalada militar perigosa.

“Precisamos de um sistema baseado em regras sob a Carta da ONU. Não aceitamos esse tipo de ilegalidade”, afirmou.

Para o economista, o silêncio da comunidade internacional apenas prolongará a crise.

“Dizer a verdade sobre esse esforço ilegal e destrutivo é o mais importante neste momento”, concluiu.

 

Fonte: Brasil 247

 

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