Gustavo
Tapioca: O mundo caminha para uma catástrofe global
Da
devastação em Gaza ao bombardeio de uma escola no Irã e à escalada no Caribe,
Washington normaliza a guerra como instrumento de poder...
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Um alerta que o mundo não pode ignorar
“Os
Estados Unidos não têm estratégia. Trump, sabemos por toda a experiência, é
delirante. Ele é psicologicamente instável. Não consegue manter acordos e não
tem uma estratégia de longo prazo.”
A
declaração do economista Jeffrey Sachs, professor da Universidade Columbia e
uma das vozes mais respeitadas do debate econômico global, não foi feita em um
debate acadêmico abstrato. Foi, sim, diante de um cenário concreto de escalada
militar.
Não se
trata de um agitador político. Sachs está entre os economistas mais influentes
das últimas décadas, tendo atuado como conselheiro de governos, organismos
multilaterais e instituições internacionais.
Quando
alguém com esse peso intelectual descreve o presidente da maior potência
militar do planeta nesses termos, a frase deixa de ser provocação e passa a ser
um alerta histórico.
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No Irã, uma escola destruída e mais de 160 crianças mortas
O
mundo acordou para a guerra mais uma vez com uma imagem difícil de
esquecer.
Um
míssil atingiu a escola primária feminina Shajareh Tayyebeh, na cidade de
Minab, no sul do Irã.
Mais
de 180 pessoas morreram, a maioria meninas entre sete e doze anos.
Corpos
de crianças foram retirados dos escombros. Professores e moradores cavavam os
escombros com as próprias mãos tentando encontrar sobreviventes.
A
tragédia provocou indignação internacional imediata.
Uma
reportagem da agência Reuters revelou posteriormente que investigadores
militares dos próprios Estados Unidos consideram provável que o ataque tenha
sido realizado por forças americanas, embora a investigação ainda não esteja
concluída.
Na
Organização das Nações Unidas, o caso passou a ser tratado como um possível
crime de guerra, já que o direito internacional humanitário proíbe ataques
contra escolas, hospitais e outras estruturas civis.
Se
confirmado, o episódio entrará para a história como um dos ataques mais mortais
contra crianças em um único bombardeio nas guerras contemporâneas.
Mas
o ataque à escola iraniana não é um fato isolado.
Ele
é parte de um padrão.
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Gaza: hospitais, escolas e crianças sob as bombas
A
guerra em Gaza tornou-se o símbolo mais brutal dessa lógica.
Bombardeios
sucessivos atingiram bairros inteiros.
Hospitais
foram destruídos.
Escolas
utilizadas como abrigo por civis foram atacadas.
Milhares
de crianças morreram.
Imagens
que circularam pelo mundo mostraram médicos tentando salvar vidas em hospitais
sem anestesia e sem equipamentos básicos, enquanto pais carregavam corpos de
filhos pequenos retirados dos escombros.
Organizações
humanitárias passaram a descrever a situação como uma das piores catástrofes
humanitárias do século.
Mesmo
diante dessas denúncias, Washington manteve apoio político, militar e
diplomático praticamente irrestrito ao governo de Benjamin Netanyahu.
Sem
esse apoio, a ofensiva dificilmente poderia continuar com a mesma
intensidade.
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A engrenagem da guerra permanente
Para
compreender o que está acontecendo, é preciso olhar além dos acontecimentos
isolados. Existe uma estrutura de poder que sustenta essa política de
confrontos sucessivos.
Ela se
apoia em três pilares centrais:
•
o poder militar global dos Estados Unidos
• o
complexo militar-industrial que lucra com guerras
• a
aliança estratégica entre Washington e o governo israelense
Essa
engrenagem produz uma política externa baseada na lógica da força.
Quando
surgem crises internacionais, a resposta tende a ser militar.
Quando
tensões aparecem, elas frequentemente se ampliam.
E
quando conflitos explodem, transformam-se em guerras prolongadas.
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O alerta vindo de dentro do próprio sistema
O
mais impressionante é que o alerta sobre os riscos representados por Donald
Trump não vem apenas de críticos externos.
Ele
também surgiu dentro do próprio establishment americano.
O
general Mark Milley, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados
Unidos, descreveu Trump como “a pessoa mais perigosa para o país”.
Outro
alerta veio do general John F. Kelly, que afirmou que Trump se enquadra na
definição de fascista e demonstrava admiração por líderes autoritários.
Não
são opositores ideológicos.
São
militares de carreira.
Figuras
centrais do aparato de segurança nacional americano.
Quando
personagens desse nível fazem advertências públicas sobre o comportamento de um
presidente, o debate deixa de ser partidário.
Ele
passa a ser institucional.
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O fantasma que Eisenhower previu
A
engrenagem que sustenta essa política de confrontos permanentes tem um nome
antigo. Complexo militar-industrial.
A
expressão foi cunhada em 1961 pelo presidente Dwight D. Eisenhower, que alertou
para o risco de que a indústria de defesa adquirisse poder excessivo sobre a
política do país.
Sessenta
anos depois, o alerta parece profético.
Guerras
prolongadas significam:
•
contratos militares bilionários
•
expansão de bases
•
vendas globais de armamentos
•
fortalecimento político da indústria de defesa
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A América Latina volta ao radar
Enquanto
o Oriente Médio vive uma escalada permanente, outro movimento começa a surgir
no hemisfério ocidental.
Os
Estados Unidos ampliaram operações militares e de segurança no Caribe sob o
argumento da guerra contra o narcotráfico.
Na
Venezuela, sequestraram e prenderam o presidente Nicolas Maduro e esposa.
Algumas
dessas operações envolveram ataques contra embarcações “suspeitas”. Dezenas de
pescadores caribenhos foram — e continuam sendo — assassinados.
Em
Cuba, o embargo criminoso contra a população da Ilha — que dura 60 anos — foi
intensificado. Trum proibiu a Venezuela de fornecer petróleo aos cubanos.
Governos
latino-americanos reagiram com preocupação.
Para
analistas da região, essas ações podem representar algo maior: o retorno da
lógica histórica de intervenção de Washington em seu entorno estratégico.
A
América Latina aparecer com mais nitidez no tabuleiro geopolítico da Casa
Branca.
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A ‘Cúpula de Trump’ prepara ofensiva conservadora na América Latina
O
presidente dos Estados Unidos reuniu neste sábado (7), em Miami, os 11
presidentes da direita e da extrema direita de América Latina na Cúpula Escudo
da América.
Entre
os líderes dos países vizinhos ao Brasil participam Javier Milei, da Argentina;
Santiago Peña, do Paraguai; e Rodrigo Paz, da Bolívia.
Além
desses, marcaram presença Daniel Noboa, do Equador; Nasry Asfura, representante
de Honduras; Najiby Bukele, de El Salvador; e José Antônio Kast, do Chile.
Lula,
do Brasil e Claudia Sheinbaum, do México, disseram não ao convite de Trump. A
cúpula é exclusiva para a direita e extrema-direita latino-americano.
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Agenda política intervencionista
A
cúpula convocada por Trump ocorre em plena guerra contra o Irã, após o
sequestro de Nicolas Maduro e do acirramento dos ataques à Cuba.
O
objetivo de Trump é o de consolidar um bloco conservador e extremista de
direita na América do Sul e na América Central para garantir hegemonia
política, econômica e militar.
Trata-se
da implementação de uma agenda política intervencionista e da instalação de
novas bases militares na região.
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Promoção do caos mundial
Em
entrevista ao Boa Noite Brasil 247, o professor Elias Jabour comentou o ataque
que dos EUA que matou mais de 180 meninas, na Escola Primária Feminina Sharajeh
Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã.
Ele
citou também o impacto do bloqueio contra Cuba afirmando que as crianças hoje
são as maiores vítimas” das restrições econômicas especialmente pela
dificuldade de acesso a medicamentos.
A
violência contra crianças deve ser compreendida como parte de uma lógica mais
ampla de dominação disse Jabour. E defendeu que o debate sobre soberania, BRICS
e multipolaridade precisa ser tratado com seriedade estratégica diante da
escalada do conflito internacional.
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O aviso de Sachs sobre a catástrofe global
Ao
analisar essa escalada recente no Oriente Médio, na América Latina e várias
partes do planeta, Jeffrey Sachs fez um alerta que está muito além do debate
acadêmico.
Segundo
ele, ou as grandes potências emergentes — especialmente os países do BRICS —
“conseguem conter a atual dinâmica de confrontos ou o mundo poderá caminhar
para uma catástrofe global.”
Não
é uma previsão feita por um ativista. É a advertência de um dos economistas
mais influentes do planeta. E nunca é demais lembrar que os EUA têm bases
militares em mais de 70 países ao redor do mundo: na Europa, Ásia, Oriente
Médio, América Latina, África e Oceania.
Quando
escolas são bombardeadas. Quando hospitais se tornam alvos. Quando crianças
passam a morrer sob os escombros de guerras que não escolheram. Quando regiões
inteiras são invadidas pela potência militar mais importante do mundo, o
problema deixa de ser apenas geopolítico. Ele passa a ser civilizatório.
A
pergunta que permanece aberta é simples — e aterradora: até onde essa lógica
pode levar o mundo? Se líderes “delirantes e psicologicamente instáveis”
controlam a maior máquina militar da história humana, o risco paira sobre o
futuro da própria humanidade.
¨
O pesadelo do mundo é o sonho de Netanyahu. Por Heba
Ayyad
Quando
o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou a Operação Rugido do Leão, em
28 de fevereiro de 2016, não fez qualquer tentativa de esconder sua euforia.
Declarou que esse ataque conjunto israelense-estadunidense contra o Irã lhe
oferecia a oportunidade de alcançar o que ele “almejava há quarenta anos”.
É raro
encontrar um líder militar que admita tão claramente que a guerra é motivada
por uma ambição pessoal profundamente enraizada, em vez de ser uma resposta a
uma ameaça iminente.
No
entanto, Netanyahu nunca foi vago quanto às suas intenções. Seus depoimentos,
ao longo de décadas, perante comissões do Congresso estadunidense — alertando,
repetida e insistentemente, que o Irã estava a poucos meses de adquirir armas
nucleares — eram apenas um pretexto.
Apesar
das repetidas garantias das agências de inteligência estadunidense de que o Irã
não estava trabalhando na produção de uma bomba nuclear, isso não teve qualquer
consequência. A guerra nunca foi sobre a bomba; seu objetivo final sempre foi o
projeto do “Grande Israel”.
O termo
“Grande Israel” possui três significados sobrepostos, todos agora
abundantemente claros.
O
primeiro significado é a rejeição categórica da solução de dois Estados. Um
Estado palestino soberano não será possível se Netanyahu e sua coalizão
alcançarem seus objetivos.
A Faixa
de Gaza foi submetida ao que a Corte Internacional de Justiça e diversos
organismos internacionais descreveram como “genocídio”, e agora é administrada
pelo “Conselho de Paz de Trump”, um órgão vergonhoso e sem qualquer
legitimidade, em vez de ser administrada pelos palestinos.
A
Cisjordânia está sendo engolida pela expansão dos assentamentos e pela anexação
burocrática. O embaixador dos Estados Unidos, Huckabee, declarou publicamente
que não reconhece os palestinos como um povo, afirmando que “a Área C é
Israel”.
Portanto,
a solução de dois Estados não é apenas um processo vacilante, mas está sendo
enterrada viva.
O
segundo significado é o monopólio de Israel sobre o poder militar em todo o
Oriente Médio. O Irã era a última grande potência regional capaz de fornecer
dissuasão estratégica contra Israel. A Síria já foi devastada, e o Iraque foi
destruído em 2003, com o apoio entusiástico do próprio Netanyahu perante o
Congresso dos Estados Unidos na época. O Líbano também está completamente
devastado, e o Iêmen foi praticamente aniquilado.
Hoje,
com o assassinato do líder supremo iraniano e o ataque à sua infraestrutura de
mísseis, Israel caminha para alcançar seu objetivo almejado há muito tempo: uma
região em que nenhum ator estatal ou não estatal possa desafiar sua
superioridade militar ou confrontar sua hegemonia. O que está acontecendo não é
“segurança”, mas sim expansão de influência e domínio.
O
terceiro significado é a expansão territorial. Aqui, a máscara caiu
completamente. O embaixador Huckabee declarou ao jornalista Tucker Carlson que
as fronteiras de Israel estão enraizadas na Bíblia e que “não faria mal se eles
tomassem tudo” — e, por “tudo”, ele se refere às terras que se estendem do Nilo
ao Eufrates.
Mas não
parou por aí. Yair Lapid, líder da oposição israelense, endossou a mesma visão,
declarando seu apoio à expansão israelense “até o limite máximo possível” e
afirmando que “as fronteiras são as fronteiras da Torá”.
De
fato, Israel controla atualmente partes da Síria e do Líbano e mais da metade
da Faixa de Gaza. Essa visão expansionista não é mais mera fantasia; tornou-se
política oficial de Israel.
No
entanto, a dependência de Huckabee de textos bíblicos carece de credibilidade,
mesmo pelos próprios padrões desses textos. A aliança que ele invoca no Livro
de Gênesis nunca foi um cheque em branco. A Bíblia Hebraica afirma
explicitamente que a posse da terra está condicionada à retidão e à justiça. O
Livro de Levítico contém uma clara advertência de que, se Israel desobedecer
aos mandamentos de Deus, “eu os espalharei entre as nações”.
Além
disso, o profeta Miquéias resumiu toda a aliança em uma única exigência:
“Pratiquem a justiça, amem a misericórdia e caminhem humildemente com o seu
Deus”. Que tipo de interpretação desses textos sagrados retrata o assassinato
de palestinos — a maioria mulheres e crianças — como uma personificação da
justiça ou uma manifestação de misericórdia?
Como o
mundo árabe chegou a esse ponto, permitindo todas essas catástrofes? E como
países supostamente sob proteção estadunidense se tornaram alvos de bombardeios
diários?
O mundo
árabe foi seduzido, por meio de uma abordagem utilitarista ao longo de décadas,
pelos Estados Unidos, que estabeleceram um sistema de dependência nos estados
do Golfo. Esse sistema se manifestou em bases militares, acordos de armas,
caças F-15, tratados de defesa, chips da Nvidia, data centers e fluxos de
investimento por meio de figuras como Jared Kushner, cujo fundo agora
administra bilhões de dólares provenientes de fundos soberanos do Golfo.
Em
troca de tudo isso, os estados árabes foram solicitados a fazer apenas uma
coisa: normalizar as relações com Israel, enquanto a questão palestina era
silenciosamente enterrada.
Alguns
cederam. Os “Acordos de Abraão” foram apresentados como tratados de paz, mas
não eram nada disso. Na verdade, tratava-se de um acordo pragmático pelo qual
os estados árabes obtinham equipamentos militares estadunidenses, tecnologias
digitais e cobertura diplomática, enquanto Israel alcançava sua maior
aspiração: a aquiescência árabe ao apagamento da soberania palestina. Sempre
que um líder árabe genuíno tentou trilhar um caminho independente — baseado na
solidariedade árabe e na resistência à hegemonia estrangeira — os Estados
Unidos buscaram derrubá-lo. Esse padrão se repetiu em toda a região por setenta
anos, e a intensa pressão exercida sobre o Egito sob Nasser é um excelente
exemplo disso.
Quanto
ao Irã, ele não é o inimigo natural dos Estados do Golfo. Pelo contrário, essa
rivalidade foi deliberadamente alimentada como parte de uma estratégia de
“dividir para governar”, que serve aos interesses estadunidenses e israelenses.
Os
Estados Unidos precisam que os Estados do Golfo permaneçam preocupados e
desconfiados em relação ao Irã para que continuem comprando armas
estadunidenses, abrigando bases militares e se alinhando com Israel.
Quando
o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita se reuniu com o presidente
iraniano em Doha, declarando sua intenção de “virar a página das diferenças com
o Irã para sempre”, ele estava formulando a única visão estratégica racional
para a região — uma visão que agora foi destruída.
Agora,
os parceiros estadunidenses no Golfo entendem a verdade do famoso ditado de
Kissinger: “Ser hostil aos Estados Unidos é perigoso, mas ser amigável com eles
é mortal”. Apesar de todos os seus esforços, estão sendo bombardeados, e suas
aspirações de se tornarem um refúgio seguro para a riqueza, o comércio e o
turismo globais estão se evaporando em meio aos estragos de uma guerra
regional.
O
avanço do mundo árabe exige romper com a estrutura de dependência dos Estados
Unidos e de Israel, construída ao longo de décadas.
É
realmente hora de o mundo dizer um firme “não” ao expansionismo israelense e ao
rufar dos tambores da guerra. Todos estão pagando o preço hoje com a catástrofe
econômica global resultante da ofensiva israelense- estadunidense.
As
bases militares estadunidenses devem ser retiradas; elas não são um escudo que
protege os países anfitriões, mas sim um ímã que atrai mísseis e destruição.
Os
Estados árabes devem forjar relações de trabalho estreitas com todas as grandes
potências — China, Índia, Rússia, Turquia, União Europeia e União Africana — em
vez de permanecerem presos à órbita exclusiva dos Estados Unidos.
De
fato, os países islâmicos, por meio da Organização de Cooperação Islâmica,
devem iniciar negociações diretas e urgentes com os países do BRICS.
Os
Acordos de Abraão devem ser rescindidos, e as relações diplomáticas com Israel
devem ser rompidas até que um Estado palestino soberano seja admitido nas
Nações Unidas. Somente então o processo de normalização poderá prosseguir.
Normalização sem um Estado palestino não é paz; é cumplicidade nas guerras de
dominação de Israel.
Mais
urgentemente, o Irã e os Estados do Golfo, como nações de maioria muçulmana,
devem trabalhar juntos para encontrar uma solução diplomática para a crise
atual. Os Estados Unidos devem reconsiderar sua posição, e Israel deve cessar
suas campanhas de bombardeio. Cada míssil trocado entre países muçulmanos é uma
vitória para o projeto do “Grande Israel”.
O
próprio Netanyahu nos disse que este é o seu sonho de quarenta anos, mas é o
pesadelo do mundo. A questão permanece: o mundo árabe continuará em sua
complacência, perpetuando esse pesadelo, ou despertará para o chamado atemporal
compartilhado pelas três religiões abraâmicas: o de que a paz no Oriente Médio
só pode ser construída sobre o fundamento da justiça, e não sobre a hegemonia
estadunidense ou israelense?
Fonte:
Brasil 247

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