"Quem
implodiu o Banco Master foram o BC e a PF do governo Lula", diz Alencar
Santana
A
investigação envolvendo o Banco Master ganhou novos contornos políticos após o
avanço das apurações sobre irregularidades financeiras ligadas à instituição.
Para o deputado federal Alencar Santana (PT-SP), o processo que revelou os
problemas do banco foi resultado direto da atuação do Banco Central e da
Polícia Federal durante o atual governo.
Em
entrevista ao programa Bom Dia 247, da TV 247, o parlamentar afirmou que as
medidas adotadas pelos órgãos de controle acabaram por expor a situação do
banco e desencadear a crise que atingiu a instituição financeira. A análise foi
feita ao comentar o andamento das investigações que envolvem o empresário
Daniel Vorcaro e as operações do Banco Master.
Segundo
Alencar Santana, a atuação institucional foi decisiva para revelar as
irregularidades. “Quem implodiu o Master foram o Banco Central e a Polícia
Federal do governo Lula”, declarou o deputado durante a entrevista.
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Atuação do Banco Central e da Polícia Federal
De
acordo com o parlamentar, as autoridades responsáveis pelo sistema financeiro
passaram a agir diante de suspeitas de irregularidades que já circulavam desde
gestões anteriores. Para ele, as providências adotadas no atual governo foram
determinantes para aprofundar a investigação.
Alencar
Santana afirmou que havia denúncias e indícios de fragilidade financeira nas
operações do banco, mas que medidas efetivas não teriam sido tomadas
anteriormente. Segundo ele, a mudança ocorreu quando os órgãos federais
passaram a agir de forma mais incisiva.
“O
Banco Central durante a gestão do Campos Neto, no governo Bolsonaro, não fez
nada. Tinha denúncias e suspeitas de irregularidades e da fragilidade
financeira e das operações econômicas do Master e não tomou nenhuma
providência”, disse.
Na
avaliação do deputado, o cenário mudou após as ações iniciadas no atual
governo. “Só tomou providência após o governo Lula, quando houve indicação do
novo presidente do Banco Central”, afirmou.
Ele
acrescentou que a Polícia Federal também teve papel central na investigação. “A
Polícia Federal desse governo agiu, por isso que está ocorrendo tudo isso
agora”, declarou.
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Prisões e avanço das investigações
Durante
a entrevista, Alencar Santana comentou ainda a nova prisão do empresário Daniel
Vorcaro, apontado nas investigações como figura central nas operações do banco.
Para o deputado, a decisão reforça a gravidade do caso e a necessidade de
continuidade das apurações.
O
parlamentar afirmou que a investigação envolve suspeitas de fraude financeira
que poderiam ter gerado impactos relevantes no sistema bancário.
“O
centro é a fraude financeira, a fraude bancária que podia ter quebrado o país”,
disse.
Segundo
ele, a atuação das autoridades busca preservar o sistema financeiro e garantir
que os responsáveis sejam identificados.
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Debate político sobre o caso
Alencar
Santana também criticou o que classificou como tentativa de atribuir ao governo
atual a responsabilidade pelo escândalo. Para o deputado, as medidas adotadas
pelo Banco Central e pela Polícia Federal demonstram justamente o contrário.
Na
avaliação do parlamentar, as investigações avançaram porque houve decisão
institucional de enfrentar as irregularidades.
“Nós
temos que tomar muito cuidado para não entrar numa onda que, em vez de ajudar a
investigação, acabe atrapalhando”, afirmou.
O
deputado defendeu que o processo continue baseado em provas e procedimentos
institucionais, sem antecipação de conclusões. Segundo ele, as apurações ainda
podem revelar novas informações sobre as relações financeiras e políticas
associadas ao caso.
• CPI do Crime Organizado mira
ex-dirigentes do BC ligados a Daniel Vorcaro
A
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Congresso
Nacional pretende ampliar o escopo de suas investigações e incluir novos
depoimentos relacionados ao chamado Caso Master, informa Lauro Jardim, do
jornal O Globo. Parlamentares apresentaram requerimentos para convocar o
ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe
de Supervisão Bancária da autarquia, Belinne Santana. Ambos aparecem em
relatório da Polícia Federal que embasou decisões recentes no processo
envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Os dois
ex-integrantes do Banco Central foram citados no documento da Polícia Federal
utilizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para
determinar a nova prisão de Vorcaro. No relatório, eles são apontados como
suspeitos de receber uma “mesada” do ex-banqueiro, elemento que levou
investigadores a incluí-los no contexto das apurações.
Os
requerimentos protocolados na CPI buscam levar Souza e Santana a prestar
esclarecimentos sobre sua eventual relação com Vorcaro e com o chamado Caso
Master. A iniciativa indica a tentativa de parlamentares de aprofundar o debate
sobre o caso no âmbito do Congresso, mesmo diante de decisões judiciais que têm
limitado algumas frentes de investigação.
O nome
de Paulo Sérgio Souza surge ainda no relatório policial com outra menção
relevante: ele teria atuado como “consultor informal” do banco Master. A
suspeita de proximidade com o ex-banqueiro é um dos pontos que motivaram a
inclusão de seu nome nos pedidos de convocação apresentados à CPI.
O
cenário jurídico do caso também envolve decisões recentes do Supremo Tribunal
Federal. Na sexta-feira passada, o ministro Gilmar Mendes determinou a
suspensão da quebra de sigilo da empresa Maridt, companhia que tem o ministro
Dias Toffoli como sócio.
Após
essa decisão, foi apresentado um pedido ao ministro Edson Fachin para tentar
reverter a medida adotada por Mendes. O movimento busca retomar o acesso a
informações consideradas relevantes pelos investigadores no contexto do caso.
• Flávio Bolsonaro assina pedido de CPMI
do Master, mas pede investigação de Galípolo – e não de Campos Neto
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta segunda-feira (9) que assinou
um pedido para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o
objetivo de investigar supostas relações entre ministros do Supremo Tribunal
Federal (STF) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A
iniciativa também busca apurar possíveis responsabilidades no escândalo
envolvendo a instituição financeira.
O
parlamentar afirmou que pretende incluir nas apurações o atual presidente do
Banco Central, Gabriel Galípolo, mas não mencionou o ex-presidente da
autoridade monetária Roberto Campos Neto, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro
(PL).
Informações
reveladas no curso da investigação sobre o Banco Master apontam que relatórios
preparados por servidores do Banco Central influenciaram a análise da situação
da instituição durante a gestão de Roberto Campos Neto. De acordo com
reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico, documentos elaborados por
técnicos que posteriormente passaram a ser investigados por suposta atuação em
benefício do controlador do banco, Daniel Vorcaro, ajudaram a afastar, naquele
momento, a possibilidade de liquidação do Master.
Em
publicação nas redes sociais, Flávio Bolsonaro declarou ter apoiado a
instalação de uma investigação parlamentar voltada às condutas de integrantes
do STF. “Assinei hoje mais uma CPI para investigar as condutas dos ministros
Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Antes dessa, já havia assinado o pedido de
CPI do Banco Master, além de pedidos de impeachment de outros ministros e vou
assinar qualquer outro pedido que vise investigar suspeitas de crimes ou
irregularidades”, escreveu.
O
senador também afirmou que pretende ampliar o escopo das investigações
parlamentares. “Informo ainda que vou requerer a ampliação da investigação da
CPI, para incluir o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e Gabriel Galípolo,
presidente do Banco Central, pois o escândalo do Banco Master ocorreu debaixo
do nariz deles, com fortes suspeitas de atuação para que as fraudes ocorressem.
Toda e qualquer suspeita tem que ser investigada, não importa contra quem
seja!”, acrescentou.
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Investigações
As
suspeitas relacionadas ao Banco Master vieram a público a partir de informações
reunidas pela Polícia Federal (PF) durante as investigações sobre o caso. O
material analisado pelos investigadores também aponta possíveis irregularidades
associadas à instituição financeira.
Segundo
as apurações conduzidas pela PF, as práticas sob investigação podem ter
provocado um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de
Créditos (FGC), entidade responsável por ressarcir investidores em situações de
quebra ou insolvência de instituições financeiras.
As
investigações indicam ainda que Daniel Vorcaro já havia sido alvo de uma ordem
de prisão no ano anterior. Na ocasião, o empresário obteve liberdade provisória
mediante a utilização de tornozeleira eletrônica.
A nova
determinação de prisão teve como base mensagens encontradas no telefone celular
do banqueiro, aparelho apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero.
De acordo com os investigadores, o conteúdo das conversas analisadas indicaria
ameaças dirigidas a jornalistas e também a pessoas que teriam contrariado
interesses do empresário.
Entre
os episódios mencionados nas investigações, a Polícia Federal afirma que
Vorcaro teria feito ameaças contra o jornalista Lauro Jardim e também contra
uma empregada doméstica. As apurações indicam ainda que o banqueiro teria
ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu
pai, Henrique Moura Vorcaro.
Além
disso, segundo a PF, o empresário teria acessado de forma indevida sistemas
pertencentes a diferentes instituições. Entre as plataformas citadas pelos
investigadores estão sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público
Federal (MPF), do FBI e da Interpol.
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Advogados
Em
comunicado divulgado por meio de sua assessoria, Daniel Vorcaro afirmou que as
mensagens atribuídas a ele foram interpretadas de forma equivocada e retiradas
de contexto. O empresário sustenta que sempre manteve uma relação institucional
com veículos de comunicação e profissionais da imprensa ao longo de sua
carreira.
No
comunicado, o banqueiro declarou que “jamais teve intenção de intimidar ou
ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”.
Ele
acrescentou ainda: “Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de
minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos
veículos e jornalistas”.
No
mesmo posicionamento, Vorcaro também comentou o teor das conversas citadas nas
investigações. Segundo ele, eventuais manifestações mais enfáticas teriam
ocorrido em caráter privado e não tiveram o objetivo de intimidar qualquer
pessoa.
O
empresário afirmou: “Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em
algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em
privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais
determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência”.
• CPI sobre Toffoli, Moraes e Master
alcança assinaturas necessárias para instalação
O
senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou nesta segunda-feira (9) ter
alcançado o número mínimo de assinaturas necessárias para solicitar a
instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado destinada a
investigar a conduta dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias
Toffoli e Alexandre de Moraes em relação ao Banco Master. A iniciativa foi
divulgada após o parlamentar reunir o apoio de 27 senadores — o equivalente a
um terço da Casa — conforme exigido pelo regimento interno do Legislativo.
A
proposta foi apresentada por Vieira na semana passada, após investigações
apontarem indícios de ligação entre os dois ministros do STF e o banqueiro
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Vorcaro foi preso novamente sob
acusações que incluem obstrução de Justiça e coação de testemunhas, entre
outros delitos relacionados às investigações envolvendo a instituição
financeira.
Em
publicação nas redes sociais, o senador afirmou que continuará buscando mais
apoios antes de protocolar oficialmente o pedido. “Vamos continuar a coleta até
um número mais seguro e em seguida o pedido será protocolado. Sem condenação
antecipada, mas com muita firmeza, vamos realizar uma investigação
absolutamente necessária para resgatar a confiança dos brasileiros nas
instituições”, declarou.
Vieira
também afirmou que a iniciativa poderá revelar a postura dos parlamentares
diante da proposta de investigação. “Cada senador tem sua liberdade de escolha,
mas é uma boa oportunidade para o eleitor identificar quem é valente nas redes
sociais, mas se omite na vida real”, escreveu.
Ao
explicar o objetivo da comissão, o senador declarou que o requerimento busca
examinar eventuais relações entre os ministros do STF e o empresário.
“Apresentei requerimento de CPI específica para apurar as condutas dos
ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no âmbito do caso Master e seus
desdobramentos”, afirmou.
Ele
acrescentou que a investigação deve ocorrer sem prejulgamentos. “Sem
condenações prévias e com responsabilidade é preciso garantir que todos estão
sujeitos à mesma lei. Só assim o Brasil será uma república democrática real”,
completou.
Em
outra manifestação pública, o parlamentar relatou que tem recebido críticas
tanto de aliados quanto de adversários políticos em razão da proposta. “No
Brasil de hoje, ser atacado ao mesmo tempo pelos gabinetes 'do ódio' e 'do
amor' é ótimo indicativo de que estamos no caminho certo”, afirmou.
No
texto do requerimento, Vieira sustenta que a CPI teria como finalidade “apurar
a existência, a natureza e a extensão de eventuais relações pessoais,
financeiras ou de outra ordem entre os ministros do Supremo Tribunal Federal
Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Bueno Vorcaro,
controlador do Banco Master”.
O
documento também menciona a necessidade de examinar possíveis impactos dessas
relações na atuação institucional dos magistrados. De acordo com o texto, a
investigação pretende analisar “os possíveis reflexos dessas relações sobre a
conduta funcional dos referidos magistrados no exercício de suas atribuições
institucionais, com vistas à eventual responsabilização dos julgadores e ao
aprimoramento do arcabouço normativo destinado a garantir a independência, a
imparcialidade e a integridade do Poder Judiciário brasileiro”.
Fonte:
Brasil 247

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