quarta-feira, 11 de março de 2026

"Quem implodiu o Banco Master foram o BC e a PF do governo Lula", diz Alencar Santana

A investigação envolvendo o Banco Master ganhou novos contornos políticos após o avanço das apurações sobre irregularidades financeiras ligadas à instituição. Para o deputado federal Alencar Santana (PT-SP), o processo que revelou os problemas do banco foi resultado direto da atuação do Banco Central e da Polícia Federal durante o atual governo.

Em entrevista ao programa Bom Dia 247, da TV 247, o parlamentar afirmou que as medidas adotadas pelos órgãos de controle acabaram por expor a situação do banco e desencadear a crise que atingiu a instituição financeira. A análise foi feita ao comentar o andamento das investigações que envolvem o empresário Daniel Vorcaro e as operações do Banco Master.

Segundo Alencar Santana, a atuação institucional foi decisiva para revelar as irregularidades. “Quem implodiu o Master foram o Banco Central e a Polícia Federal do governo Lula”, declarou o deputado durante a entrevista.

<><> Atuação do Banco Central e da Polícia Federal

De acordo com o parlamentar, as autoridades responsáveis pelo sistema financeiro passaram a agir diante de suspeitas de irregularidades que já circulavam desde gestões anteriores. Para ele, as providências adotadas no atual governo foram determinantes para aprofundar a investigação.

Alencar Santana afirmou que havia denúncias e indícios de fragilidade financeira nas operações do banco, mas que medidas efetivas não teriam sido tomadas anteriormente. Segundo ele, a mudança ocorreu quando os órgãos federais passaram a agir de forma mais incisiva.

“O Banco Central durante a gestão do Campos Neto, no governo Bolsonaro, não fez nada. Tinha denúncias e suspeitas de irregularidades e da fragilidade financeira e das operações econômicas do Master e não tomou nenhuma providência”, disse.

Na avaliação do deputado, o cenário mudou após as ações iniciadas no atual governo. “Só tomou providência após o governo Lula, quando houve indicação do novo presidente do Banco Central”, afirmou.

Ele acrescentou que a Polícia Federal também teve papel central na investigação. “A Polícia Federal desse governo agiu, por isso que está ocorrendo tudo isso agora”, declarou.

<><> Prisões e avanço das investigações

Durante a entrevista, Alencar Santana comentou ainda a nova prisão do empresário Daniel Vorcaro, apontado nas investigações como figura central nas operações do banco. Para o deputado, a decisão reforça a gravidade do caso e a necessidade de continuidade das apurações.

O parlamentar afirmou que a investigação envolve suspeitas de fraude financeira que poderiam ter gerado impactos relevantes no sistema bancário.

“O centro é a fraude financeira, a fraude bancária que podia ter quebrado o país”, disse.

Segundo ele, a atuação das autoridades busca preservar o sistema financeiro e garantir que os responsáveis sejam identificados.

<><> Debate político sobre o caso

Alencar Santana também criticou o que classificou como tentativa de atribuir ao governo atual a responsabilidade pelo escândalo. Para o deputado, as medidas adotadas pelo Banco Central e pela Polícia Federal demonstram justamente o contrário.

Na avaliação do parlamentar, as investigações avançaram porque houve decisão institucional de enfrentar as irregularidades.

“Nós temos que tomar muito cuidado para não entrar numa onda que, em vez de ajudar a investigação, acabe atrapalhando”, afirmou.

O deputado defendeu que o processo continue baseado em provas e procedimentos institucionais, sem antecipação de conclusões. Segundo ele, as apurações ainda podem revelar novas informações sobre as relações financeiras e políticas associadas ao caso.

•        CPI do Crime Organizado mira ex-dirigentes do BC ligados a Daniel Vorcaro

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Congresso Nacional pretende ampliar o escopo de suas investigações e incluir novos depoimentos relacionados ao chamado Caso Master, informa Lauro Jardim, do jornal O Globo. Parlamentares apresentaram requerimentos para convocar o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe de Supervisão Bancária da autarquia, Belinne Santana. Ambos aparecem em relatório da Polícia Federal que embasou decisões recentes no processo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Os dois ex-integrantes do Banco Central foram citados no documento da Polícia Federal utilizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para determinar a nova prisão de Vorcaro. No relatório, eles são apontados como suspeitos de receber uma “mesada” do ex-banqueiro, elemento que levou investigadores a incluí-los no contexto das apurações.

Os requerimentos protocolados na CPI buscam levar Souza e Santana a prestar esclarecimentos sobre sua eventual relação com Vorcaro e com o chamado Caso Master. A iniciativa indica a tentativa de parlamentares de aprofundar o debate sobre o caso no âmbito do Congresso, mesmo diante de decisões judiciais que têm limitado algumas frentes de investigação.

O nome de Paulo Sérgio Souza surge ainda no relatório policial com outra menção relevante: ele teria atuado como “consultor informal” do banco Master. A suspeita de proximidade com o ex-banqueiro é um dos pontos que motivaram a inclusão de seu nome nos pedidos de convocação apresentados à CPI.

O cenário jurídico do caso também envolve decisões recentes do Supremo Tribunal Federal. Na sexta-feira passada, o ministro Gilmar Mendes determinou a suspensão da quebra de sigilo da empresa Maridt, companhia que tem o ministro Dias Toffoli como sócio.

Após essa decisão, foi apresentado um pedido ao ministro Edson Fachin para tentar reverter a medida adotada por Mendes. O movimento busca retomar o acesso a informações consideradas relevantes pelos investigadores no contexto do caso.

•        Flávio Bolsonaro assina pedido de CPMI do Master, mas pede investigação de Galípolo – e não de Campos Neto

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta segunda-feira (9) que assinou um pedido para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar supostas relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A iniciativa também busca apurar possíveis responsabilidades no escândalo envolvendo a instituição financeira.

O parlamentar afirmou que pretende incluir nas apurações o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mas não mencionou o ex-presidente da autoridade monetária Roberto Campos Neto, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro (PL).

Informações reveladas no curso da investigação sobre o Banco Master apontam que relatórios preparados por servidores do Banco Central influenciaram a análise da situação da instituição durante a gestão de Roberto Campos Neto. De acordo com reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico, documentos elaborados por técnicos que posteriormente passaram a ser investigados por suposta atuação em benefício do controlador do banco, Daniel Vorcaro, ajudaram a afastar, naquele momento, a possibilidade de liquidação do Master.

Em publicação nas redes sociais, Flávio Bolsonaro declarou ter apoiado a instalação de uma investigação parlamentar voltada às condutas de integrantes do STF. “Assinei hoje mais uma CPI para investigar as condutas dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Antes dessa, já havia assinado o pedido de CPI do Banco Master, além de pedidos de impeachment de outros ministros e vou assinar qualquer outro pedido que vise investigar suspeitas de crimes ou irregularidades”, escreveu.

O senador também afirmou que pretende ampliar o escopo das investigações parlamentares. “Informo ainda que vou requerer a ampliação da investigação da CPI, para incluir o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, pois o escândalo do Banco Master ocorreu debaixo do nariz deles, com fortes suspeitas de atuação para que as fraudes ocorressem. Toda e qualquer suspeita tem que ser investigada, não importa contra quem seja!”, acrescentou.

<><> Investigações

As suspeitas relacionadas ao Banco Master vieram a público a partir de informações reunidas pela Polícia Federal (PF) durante as investigações sobre o caso. O material analisado pelos investigadores também aponta possíveis irregularidades associadas à instituição financeira.

Segundo as apurações conduzidas pela PF, as práticas sob investigação podem ter provocado um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade responsável por ressarcir investidores em situações de quebra ou insolvência de instituições financeiras.

As investigações indicam ainda que Daniel Vorcaro já havia sido alvo de uma ordem de prisão no ano anterior. Na ocasião, o empresário obteve liberdade provisória mediante a utilização de tornozeleira eletrônica.

A nova determinação de prisão teve como base mensagens encontradas no telefone celular do banqueiro, aparelho apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero. De acordo com os investigadores, o conteúdo das conversas analisadas indicaria ameaças dirigidas a jornalistas e também a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário.

Entre os episódios mencionados nas investigações, a Polícia Federal afirma que Vorcaro teria feito ameaças contra o jornalista Lauro Jardim e também contra uma empregada doméstica. As apurações indicam ainda que o banqueiro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro.

Além disso, segundo a PF, o empresário teria acessado de forma indevida sistemas pertencentes a diferentes instituições. Entre as plataformas citadas pelos investigadores estão sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF), do FBI e da Interpol.

<><> Advogados

Em comunicado divulgado por meio de sua assessoria, Daniel Vorcaro afirmou que as mensagens atribuídas a ele foram interpretadas de forma equivocada e retiradas de contexto. O empresário sustenta que sempre manteve uma relação institucional com veículos de comunicação e profissionais da imprensa ao longo de sua carreira.

No comunicado, o banqueiro declarou que “jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”.

Ele acrescentou ainda: “Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas”.

No mesmo posicionamento, Vorcaro também comentou o teor das conversas citadas nas investigações. Segundo ele, eventuais manifestações mais enfáticas teriam ocorrido em caráter privado e não tiveram o objetivo de intimidar qualquer pessoa.

O empresário afirmou: “Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência”.

•        CPI sobre Toffoli, Moraes e Master alcança assinaturas necessárias para instalação

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou nesta segunda-feira (9) ter alcançado o número mínimo de assinaturas necessárias para solicitar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado destinada a investigar a conduta dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes em relação ao Banco Master. A iniciativa foi divulgada após o parlamentar reunir o apoio de 27 senadores — o equivalente a um terço da Casa — conforme exigido pelo regimento interno do Legislativo.

A proposta foi apresentada por Vieira na semana passada, após investigações apontarem indícios de ligação entre os dois ministros do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Vorcaro foi preso novamente sob acusações que incluem obstrução de Justiça e coação de testemunhas, entre outros delitos relacionados às investigações envolvendo a instituição financeira.

Em publicação nas redes sociais, o senador afirmou que continuará buscando mais apoios antes de protocolar oficialmente o pedido. “Vamos continuar a coleta até um número mais seguro e em seguida o pedido será protocolado. Sem condenação antecipada, mas com muita firmeza, vamos realizar uma investigação absolutamente necessária para resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições”, declarou.

Vieira também afirmou que a iniciativa poderá revelar a postura dos parlamentares diante da proposta de investigação. “Cada senador tem sua liberdade de escolha, mas é uma boa oportunidade para o eleitor identificar quem é valente nas redes sociais, mas se omite na vida real”, escreveu.

Ao explicar o objetivo da comissão, o senador declarou que o requerimento busca examinar eventuais relações entre os ministros do STF e o empresário. “Apresentei requerimento de CPI específica para apurar as condutas dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no âmbito do caso Master e seus desdobramentos”, afirmou.

Ele acrescentou que a investigação deve ocorrer sem prejulgamentos. “Sem condenações prévias e com responsabilidade é preciso garantir que todos estão sujeitos à mesma lei. Só assim o Brasil será uma república democrática real”, completou.

Em outra manifestação pública, o parlamentar relatou que tem recebido críticas tanto de aliados quanto de adversários políticos em razão da proposta. “No Brasil de hoje, ser atacado ao mesmo tempo pelos gabinetes 'do ódio' e 'do amor' é ótimo indicativo de que estamos no caminho certo”, afirmou.

No texto do requerimento, Vieira sustenta que a CPI teria como finalidade “apurar a existência, a natureza e a extensão de eventuais relações pessoais, financeiras ou de outra ordem entre os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Bueno Vorcaro, controlador do Banco Master”.

O documento também menciona a necessidade de examinar possíveis impactos dessas relações na atuação institucional dos magistrados. De acordo com o texto, a investigação pretende analisar “os possíveis reflexos dessas relações sobre a conduta funcional dos referidos magistrados no exercício de suas atribuições institucionais, com vistas à eventual responsabilização dos julgadores e ao aprimoramento do arcabouço normativo destinado a garantir a independência, a imparcialidade e a integridade do Poder Judiciário brasileiro”.

 

Fonte: Brasil 247

 

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