Miguel
do Rosário: A urgência de um projeto de futuro
“Político,
sou caçador de nuvens”, disse Ulysses Guimarães ao encerrar o discurso de
promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, diante do plenário
lotado, após nove mil horas de trabalho constituinte, resumindo, numa confissão
poética, o que separa estadistas de gestores de rotina.
Quase
quatro décadas depois, Lula enfrenta o dilema que Ulysses sintetizou. Ou inova,
ou compromete não apenas a própria reeleição, mas o futuro de gerações que
dependem de um Brasil estável e soberano.
O
momento geopolítico é dramático. As sombras da guerra ameaçam a vida e o
bem-estar de toda a humanidade para enriquecer um punhado de bilionários
obcecados por armas, violência e dominação. A regressão política do maior país
da América Latina representaria um golpe para bilhões de pessoas no Sul Global
que enxergam no Brasil uma referência na luta pela soberania dos povos.
A
pesquisa Datafolha divulgada neste sábado traz Lula com 38% das intenções de
voto contra 32% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de seis pontos que, com
margem de erro de dois pontos percentuais, configura corrida competitiva. No
segundo turno, a situação é mais apertada. Lula marca 46% contra 43% de Flávio
Bolsonaro, empate técnico. Em dezembro, a vantagem do presidente sobre Flávio
era de 15 pontos. Agora caiu para três.
A
aritmética por trás desses percentuais impõe um desafio adicional. Os
principais nomes alternativos testados, como Ratinho Junior (7%), Romeu Zema
(4%) e Ronaldo Caiado (4%), vêm da direita, com perfis e bases eleitorais
próximas do bolsonarismo, o que significa que, numa eventual consolidação, seus
votos tendem a migrar para o candidato do PL.
Diferentemente
de 2022, quando os candidatos fora da polarização somaram apenas 6,3% do
eleitorado total, os nomes alternativos agora alcançam cerca de 16%. É um
contingente mais que dobrado de eleitores em jogo, e a maioria deles está à
direita.
Nesse
terreno mais fragmentado, quem atrair novos votos primeiro terá vantagem
decisiva.
A
ausência de um projeto de futuro torna-se o principal problema estratégico do
presidente. Para crescer, Lula precisaria apresentar propostas que mudem o
cotidiano das pessoas de forma estrutural. Programas como Bolsa Família,
Pé-de-Meia, entre outros, sustentam a base social, mas não a expandem.
Um
caminho evidente é a democratização da energia solar residencial. Instalar
painéis fotovoltaicos numa casa reduz a conta de luz em 70% a 90%. Um domicílio
que paga R$ 200 por mês passaria a desembolsar entre R$ 20 e R$ 60, economia
anual próxima de R$ 2 mil por família.
Ao
cortar o custo da eletricidade, a energia solar amplia diretamente o poder de
compra das famílias e funciona simultaneamente como política de renda,
transição energética e desenvolvimento tecnológico. Para que ganhe escala,
porém, seriam necessários crédito barato para instalação, programas de
financiamento popular e formação de engenheiros e pesquisadores, por meio de
parcerias muito mais ambiciosas com a China.
O
Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, caminhou na direção
oposta ao impor aumento de impostos sobre painéis fotovoltaicos importados,
protegendo, na prática, um pequeno grupo de montadoras que simplesmente montam
peças vindas de fora — não uma indústria solar brasileira, que ainda não existe
de fato.
O
caminho deveria ser acelerar a difusão da tecnologia e investir em ciência e
inovação, não encarecê-la.
Outro
eixo capaz de redesenhar o cotidiano de milhões de brasileiros é o transporte
urbano sobre trilhos. Metrôs, trens e VLTs transformariam os deslocamentos
degradantes que hoje consomem horas diárias da população das grandes cidades,
além de gerar emprego, indústria e planejamento urbano moderno.
No
mundo inteiro, as metrópoles voltaram a investir em transporte ferroviário. No
Brasil, o tema permanece à margem do debate.
Voltemos
à pesquisa. A estabilidade da base eleitoral de Lula, apesar da fragilidade da
vantagem, oferece um alicerce que não deve ser subestimado.
Como o
cientista político Antônio Lavareda costuma ressaltar, para dimensionar de fato
o peso de um candidato é preciso medir sua intenção de voto sobre o conjunto do
eleitorado, incluindo abstenções, brancos e nulos, e não apenas sobre os votos
válidos.
Em
2022, o eleitorado apto somava 156,4 milhões de pessoas. Lula obteve 57,2
milhões de votos no primeiro turno, o equivalente a 36,6% do total de eleitores
registrados. Jair Bolsonaro recebeu 51,1 milhões, ou 32,6%.
Agora,
a pesquisa Datafolha atribui a Lula 38% das intenções de voto e a Flávio
Bolsonaro 32%. Como essas pesquisas captam o universo completo dos eleitores,
incluindo quem declara voto em branco, nulo ou indecisão, os percentuais são
comparáveis ao cálculo sobre o eleitorado total. Aplicando-os aos 155,4 milhões
de eleitores registrados hoje pelo TSE, Lula teria, segundo o Datafolha, cerca
de 59 milhões de votos contra 49,7 milhões de Flávio Bolsonaro, uma diferença
de aproximadamente 9,3 milhões.
A base
de Lula permanece estável em relação a 2022, mas a vantagem percentual estreita
ganha outra dimensão quando traduzida em milhões de votos.
Lula
permanece como favorito. Mas, para transformar essa vantagem em vitória,
precisará apresentar ao país propostas que projetem um horizonte novo, o tipo
de imaginação política que dá sentido ao voto e transforma a eleição numa
escolha definidora do nosso destino.
Ulysses
dizia caçar nuvens para reconstruir a nossa democracia. Lula, para preservá-la,
precisará mobilizar o sonho.
'Em
eleições não se escolhe adversários, mas sim aliados', diz Lula
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que as disputas eleitorais
devem ser construídas com base em alianças políticas e não com foco nos
adversários. A declaração foi dada ao comentar o cenário eleitoral do estado do
Rio de Janeiro em entrevista ao jornal O Dia.
Na
conversa, Lula reafirmou apoio político ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo
Paes (PSD), e destacou a importância de formar uma frente capaz de disputar não
apenas o governo estadual, mas também cadeiras no Senado, na Câmara dos
Deputados e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). “Sobre as
eleições, temos que lembrar que não se escolhe adversários, mas sim aliados.
Paes tem o meu apoio político e o importante agora é construir uma chapa forte,
capaz de vencer não apenas a disputa pelo governo, mas também de conquistar
cadeiras no Senado, na Câmara e na Alerj e não deixar que o autoritarismo e o
retrocesso voltem a ganhar espaço no Rio de Janeiro e em nosso país”, declarou.
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Lula
também elogiou a gestão de Eduardo Paes à frente da Prefeitura do Rio e
ressaltou que a parceria entre os governos municipal e federal tem resultado em
projetos considerados importantes para a cidade. “O Eduardo Paes é um excelente
prefeito e trabalhamos muito bem juntos. E dessa parceria com o governo federal
vieram muitas ações importantes, verdadeiras conquistas para os cariocas, como
a renovação da frota de BRT e a grande melhoria na rede hospitalar da cidade”,
afirmou.
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Investimentos e obras na Zona Oeste
A
entrevista foi concedida horas antes de Lula desembarcar no Rio de Janeiro para
cumprir uma agenda oficial ao lado do prefeito, que incluiu inaugurações e
anúncios de investimentos. Entre os compromissos previstos estão a entrega de
moradias na Comunidade do Aço, em Santa Cruz, na Zona Oeste, e a inauguração de
obras de mobilidade urbana em Campo Grande.
Segundo
o presidente, os investimentos fazem parte do plano de mobilidade da região.
“Estamos inaugurando hoje o trecho 1 do Anel Viário e o Túnel Luiz Bom, com
investimentos de R$ 838,5 milhões. E já iniciamos as obras do trecho 2 do Anel,
que terá 6,1 quilômetros de extensão e permitirá aos mais de 350 mil moradores
de Campo Grande chegarem muito mais rápido à Avenida Brasil”, explicou.
O
projeto integra um conjunto de intervenções que prevê 38 quilômetros de obras
viárias, além de ciclovias e sistemas de drenagem.
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Habitação e programas sociais
Lula
também destacou ações do governo federal voltadas à redução do déficit
habitacional na capital e no estado. De acordo com ele, o programa Minha Casa
Minha Vida já contratou quase 35 mil moradias no município do Rio desde 2023.
“No
estado inteiro, são mais de 88 mil moradias, com investimentos de R$ 13,5
bilhões para que as famílias conquistem o sonho da casa própria”, afirmou.
Na
Comunidade do Aço, o presidente participou da entrega de novas unidades
habitacionais para 64 famílias em situação de vulnerabilidade social. O
empreendimento foi financiado pelo Banco do Brasil com recursos federais.
Outro
projeto citado foi o PAC Periferia Viva, que prevê investimentos superiores a
R$ 170 milhões na comunidade da Maré para construção de casas, implantação de
redes de abastecimento e esgoto e obras de urbanização. Iniciativas semelhantes
também estão em andamento em São Gonçalo e tiveram propostas selecionadas para
o Complexo do Alemão e para o Caniçal, em Niterói.
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Combate a enchentes e desastres
Durante
a entrevista, Lula também abordou as medidas adotadas pelo governo federal para
enfrentar enchentes e deslizamentos, fenômenos recorrentes em diferentes
regiões do país. Entre as ações mencionadas está um projeto de drenagem no
bairro Jardim Maravilha, em Guaratiba, que recebe investimentos de R$ 340
milhões dentro do Novo PAC.
“No PAC
Seleções, já selecionamos ou retomamos quase 60 projetos de obras de drenagem e
contenção de encostas para o estado do Rio, com recursos de R$ 3,9 bilhões”,
disse.
O
presidente acrescentou que o governo ampliou a estrutura da Defesa Civil e
implementou sistemas de alerta enviados diretamente para celulares da população
em áreas de risco.
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Violência contra mulheres
Outro
tema abordado na entrevista foi a violência contra mulheres, citada por Lula ao
comentar o caso de estupro coletivo contra uma adolescente ocorrido em
Copacabana. Para o presidente, o país precisa enfrentar a cultura que
naturaliza esse tipo de crime.
“É
inaceitável que homens continuem achando que são donos das mulheres, que podem
agredi-las ou fazer o que bem entendem com elas. Todos – especialmente nós,
homens – temos que fazer nossa parte para que essa cultura desapareça de nosso
país e se torne coisa do passado”, afirmou.
Entre
as iniciativas do governo federal, Lula citou o Pacto Brasil para Enfrentamento
do Feminicídio, que reúne diferentes poderes para acelerar medidas protetivas e
responsabilizar agressores, além da ampliação de estruturas de atendimento.
“Também
estamos abrindo novas Casas da Mulher Brasileira e novos Centros de Referência,
além de reforçar as delegacias especializadas para que elas funcionem por 24
horas, com agentes qualificados”, disse.
• Eduardo Leite oficializa pré-candidatura
presidencial e lança “manifesto ao Brasil”
O
governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), oficializou sua
pré-candidatura à presidência da República por meio de uma publicação nas redes
sociais acompanhada de um documento intitulado “manifesto ao Brasil”. No texto,
o político gaúcho afirma que pretende representar uma alternativa à polarização
política que marca o cenário nacional.
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Manifesto aponta crítica à polarização
No
documento, Eduardo Leite afirma que o país precisa superar a fragmentação
política. Em um dos trechos do texto, ele escreve: “Nada na história econômica
moderna se compara ao impacto que estamos prestes, muito em breve, a
experimentar. O Brasil, porém, permanece dividido, fragmentado, excessivamente
concentrado em disputas ideológicas e paroquiais que não produzem solução.”
Ao
concluir a mensagem, o governador reforça a disposição de disputar o Palácio do
Planalto: “É com esta convicção, com fé e independência, que coloco meu nome à
disposição do país.”
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Disputa interna no PSD
A
movimentação ocorre em meio à disputa interna dentro do PSD para definir quem
representará o partido na eleição presidencial. Além de Eduardo Leite, também
são apontados como pré-candidatos o governador do Paraná, Ratinho Júnior, e o
governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Os três
nomes disputam a preferência do presidente nacional da legenda, Gilberto
Kassab. A direção do partido vem organizando uma série de eventos políticos com
a presença dos possíveis presidenciáveis.
Nesta
sexta-feira (6), no sábado (7) e na segunda-feira (9), Leite, Ratinho Júnior e
Caiado devem participar juntos, em São Paulo, de atividades relacionadas à
filiação de deputados estaduais paulistas ao PSD.
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Argumento de candidatura independente
Em
entrevista concedida à RBS TV, na última
segunda-feira (2), Eduardo Leite afirmou que considera ter um diferencial em
relação aos demais nomes do partido.
Segundo
ele, sua posição nas eleições de 2022 reforça a ideia de independência
política. “O que considero me dar um diferencial em relação aos meus colegas,
pelos quais tenho muito respeito, é justamente a possibilidade de liderar uma
candidatura independente, porque não abracei nas eleições de 2022, nem Lula
(PT) nem (Jair) Bolsonaro (PL)”, declarou.
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Proposta de despolarização
O
governador gaúcho também destacou que se coloca como crítico da polarização que
tem marcado as disputas eleitorais no país. Para ele, o cenário atual exige a
construção de um novo caminho político.
“Me
sinto pronto para liderar um projeto nacional de despolarização do país. O
Brasil precisa sair dessa polarização radicalizada que coloca brasileiros
contra brasileiros”, afirmou.
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Processo de definição no partido
Leite
ressaltou ainda que a escolha do candidato presidencial do PSD não dependerá
apenas da decisão do presidente da sigla, Gilberto Kassab, mas também de um
processo de diálogo político e análise do cenário eleitoral.
De
acordo com ele, nas próximas semanas devem ocorrer encontros e conversas com
lideranças partidárias e setores da sociedade. “É isso que a gente vai
intensificar ao longo dessas próximas semanas. Encontros, conversas, diálogos
que permitam a gente entender, dentro do contexto político, da percepção do
eleitor, qual é o nome que melhor poderá conseguir aglutinar um grupo da
sociedade brasileira substancial o suficiente para levar essa candidatura ao
segundo turno e vencer as eleições.”
• Datafolha empurra Ratinho para impasse
com o bolsonarismo. Por Esmael Moraes
O
governador Ratinho Junior (PSD) saiu do Datafolha deste sábado (7) mais cobrado
no Paraná do que protegido pelo próprio capital político. A pesquisa
reposicionou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no plano nacional, valorizou os
palanques estaduais da direita e tensionou a relação entre o Palácio Iguaçu e o
bolsonarismo no estado. Segundo apuração do Blog do Esmael, esse novo quadro já
acelerou a circulação de cenários alternativos na direita paranaense, com
Alexandre Curi (PSD), Rafael Greca (PSD), Filipe Barros (PL) e o próprio
Flávio. Até aqui, porém, ninguém atravessou o “Rubicão”: Curi e Greca avisaram
que aguardam a decisão de Ratinho antes de avançar.
O pano
de fundo é o novo Datafolha. A pesquisa mostrou o presidente Lula (PT) e Flávio
em empate técnico num eventual segundo turno, 46% a 43%, dentro da margem de
erro de dois pontos percentuais. O levantamento também recolocou a direita em
posição mais competitiva no debate nacional e aumentou o peso político das
alianças regionais.
No
Paraná, esse resultado não ficou restrito ao plano presidencial.
Com
Flávio mais valorizado na corrida nacional, o PL passou a ter mais incentivo
para cobrar protagonismo no estado. Segundo apuração do Blog do Esmael, se
Ratinho decidir disputar o Planalto, dirigentes do partido já admitem marchar
com o senador Sergio Moro (União) rumo ao governo do Paraná, em troca de
palanque para Flávio Bolsonaro no estado.
A
pressão não se limita a esse movimento.
O Blog
do Esmael apurou que o Republicanos foi procurado para ajudar a montar uma
chapa alternativa com Alexandre Curi para governador, Rafael Greca para vice,
Filipe Barros para o Senado e Flávio Bolsonaro para a Presidência da República.
O dado politicamente mais relevante, porém, é outro: Curi e Greca não aceitaram
acelerar essa costura de imediato. Ambos responderam que ainda aguardam a
decisão de Ratinho Junior antes de qualquer avanço mais assertivo.
Esse
detalhe mostra que o governador continua sendo a peça central do arranjo, mas
também revela que uma engrenagem paralela já começou a se mover em baixa
rotação.
Nos
bastidores, a próxima semana tende a ser decisiva. O Blog do Esmael apurou que
Ratinho Junior terá conversa com a cúpula do PL, incluindo Valdemar Costa Neto
e o próprio Flávio Bolsonaro, para discutir os cenários nacional e paranaense.
O encontro deve medir até onde vai a disposição de convivência entre o projeto
presidencial de Ratinho e a estratégia bolsonarista no Paraná.
O
impasse não para no palanque presidencial.
Alexandre
Curi e Rafael Greca já informaram ao Palácio Iguaçu que não apoiarão Guto Silva
(PSD), nome tratado como pupilo político de Ratinho, na sucessão estadual,
segundo apuração do Blog do Esmael. A resistência ao preferido do governador
enfraquece a ideia de uma transição automática e amplia a disputa dentro do
próprio campo governista.
Também
não parece simples a hipótese de Ratinho disputar o Senado.
Esse
movimento não pacifica a direita. Ao contrário, pode diminuir o espaço de
Filipe Barros, porque a leitura dominante no campo conservador é a de que uma
das duas vagas tende a ser ocupada por um nome forte da direita, enquanto a
outra ficaria em disputa mais aberta, com a esquerda buscando entrar no jogo.
Nesse quadro, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT),
aparece como nome competitivo no estado. A hipótese de Ratinho ao Senado,
portanto, desorganiza aliados em vez de acomodá-los. A movimentação de Ratinho,
Moro e outros pré-candidatos já vinha sendo observada no Paraná nas últimas
semanas.
Em
outras palavras, o Datafolha transformou uma ambiguidade administrável em
dilema político real.
Se
Ratinho correr para Brasília, pode perder o controle da sucessão no Paraná e
empurrar o PL para uma aliança com Moro. Se recuar para o jogo local, descobre
que a própria base já começou a testar alternativas sem Guto Silva e com maior
protagonismo do bolsonarismo. E, se tentar acomodar tudo com uma candidatura ao
Senado, corre o risco de congestionar o campo da direita e abrir espaço para
adversários.
A
pesquisa, portanto, não mexeu só na corrida presidencial. Ela reordenou a
correlação de forças no Paraná, expôs os limites da liderança de Ratinho dentro
do seu próprio campo e antecipou uma disputa por palanques que pode ser mais
dura do que a campanha formal.
A
direita paranaense entrou em compasso de espera, mas já não está em paz. O
governador segue no centro do jogo, porém agora cercado por uma verdade
incômoda: qualquer decisão sua cobra preço alto. Continue acompanhando os
bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
Fonte:
Brasil 247

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