quarta-feira, 11 de março de 2026

Davis Sena Filho: Banco Master tem DNA da direita e certamente se trata de um hipopótamo

Quem foi omisso e permitiu as fraudes do Banco Master/Daniel Vorcaro?

O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, indicado e nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Quais foram os candidatos que, em 2022, receberam doações milionárias do Banco Master pelas mãos do cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel?

Jair Bolsonaro (R$ 3 milhões) e Tarcísio de Freitas (R$ 2 milhões).

Quem deu ordens para fraudar operações financeiras e fiscais no BRB para salvar o Banco Master da liquidação (falência)?

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que também foi denunciado e acusado de conspirar para a tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

Qual é o político (senador da República) que intercedia para que o Banco Master pudesse ser atendido em suas demandas burocráticas e interesses junto ao Congresso e a órgãos públicos?

O senador Ciro Nogueira (PP/PI).

Qual foi o governador que aplicou quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência no Banco Master, uma operação de alto risco e sob investigação da PF por fraude e corrupção?

O governador Cláudio Castro (PL/RJ).

Quem voou de jatinho do banqueiro Daniel Vorcaro para cima e para baixo no ano de 2022, a fim de fazer campanha eleitoral para Jair Bolsonaro, que está preso e foi condenado a 27,3 anos de prisão?

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG).

Qual é a igreja que a PF investiga por desconfiar de conexões que envolvem o Banco Master, o sistema financeiro, a campanha eleitoral para presidente de Bolsonaro e, evidentemente, lideranças religiosas?

A Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão, apoiador de primeira hora de Jair Bolsonaro. Frequentavam a Igreja Lagoinha o deputado Nikolas Ferreira, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que também está preso.

Então, vamos lá: se tem a cara de hipopótamo, os olhos e as orelhas de hipopótamo, a bocarra de hipopótamo, o rabinho de hipopótamo, as patas de hipopótamo e o corpo de hipopótamo, então como não ser um hipopótamo — o DNA da direita? É isso aí.

•        Jair de Souza: A bandidagem do Banco Master e os manipuladores de sempre

Foi o governo de Lula o responsável pelo desbaratamento da quadrilha de banditismo financeiro que operava por meio do Banco Master. Como as investigações realizadas pela PF demonstraram, os bandidos aplicaram golpes que ultrapassam 50 bilhões de reais.

Também foram descobertos vínculos associativos do banco-quadrilha com vários grupos poderosos do país, incluindo, além de instituições financeiras, setores do agronegócio e certas igrejas neopentecostais. Por outro lado, no espectro político, o proprietário nominal da organização criminosa mantinha estreitos laços com agentes políticos do bolsonarismo e do chamado “centrão”, ou seja, com aqueles conhecidos por integrarem a extrema direita neofascista-bolsonarista e a direita fisiológica.

Como coordenador típico de uma quadrilha mafiosa-financeira digna desta denominação, seu titular soube armar uma enorme rede de proteção, que se estende por diversas áreas institucionais. Por isso, ele mantinha contatos em todos os poderes. Porém, não podemos nos deixar levar pela onda diversionista, que deseja estabelecer a ideia de que os principais culpados pelos crimes praticados pelo banco-quadrilha são os contatos estabelecidos em busca de proteção.

A geração e difusão desta onda, que busca tergiversar a essência do problema e ocultar os grandes beneficiários e apoiadores das atividades do banco-bandido, está a cargo da mídia corporativa, especialmente do grande conglomerado midiático que se destacou no apoio e endeusamento dos crimes praticados pela organização criminosa que ficou conhecida como Operação Lava Jato.

Não é nada fortuito que estejam voltando à cena de modo intenso os vazamentos exclusivos e limitados a certos nomes, assim como a divulgação de PowerPoints, com os quais o que se busca é fixar no imaginário público a percepção de que Lula e seu governo são os principais responsáveis pelos delitos cometidos pela quadrilha de bandidos financeiros que comandava o Banco Master.

Não nos esqueçamos que, nos tempos da primeira versão da Lava Jato, a grande mídia corporativa estava empenhada num projeto de desnacionalização e privatização da Petrobras, na entrega dos recursos do pré-sal a empresas gringas e em faturar com os dividendos por suas ações entreguistas. Com este propósito, dedicaram-se a consolidar a percepção de que o grande escândalo de corrupção em nosso país era uma oferta de reforma em um imaginário triplex que Lula possuiria no Guarujá. Nesta oportunidade, as tentativas vão no sentido de transformar no suprassumo da corrupção a movimentação de certos valores nas contas do filho do presidente. Isto a despeito de que os donos da corporação midiática em questão considerariam esses valores merrecas insignificantes se fossem para eles próprios.

Na verdade, além de blindar os políticos aliados dos interesses com os quais a mídia corporativa está intrinsecamente ligada, como é o caso dos governadores que, através de órgãos de seus respectivos estados, transferiram vários bilhões de recursos públicos, muitos deles pertencentes a fundos previdenciários dos trabalhadores estaduais, para os cofres do banco bandido, esses recursos foram parar nas contas de alguém, logicamente. Mas o conglomerado midiático do lavajatismo 2.0 não tem a mínima pretensão, muito menos interesse, de que os nomes dos beneficiados venham a ser revelados.

Outro estratagema empregado pelos articuladores da mídia corporativa com vistas a ludibriar os indícios que comprovam que o envolvimento nas atividades delituosas deste caso indicam um esmagador predomínio numérico de pessoas com as quais mantém amplas afinidades é ampliar ao máximo o leque das suspeitas. Desta maneira, a culpa pela roubalheira ficaria diluída entre todo mundo. E, como sabemos, se a culpa é de todos, a culpa é de ninguém em particular. Com isto, a corporação midiática almeja ter um bom argumento para “sugerir” um nome de fora dos que estão disputando a cabeça do Estado neste momento.

Ainda dentro de seu propósito diversionista, outros esforços são dirigidos a centrar a culpa em certos elementos do Judiciário que, ultimamente, vêm criando alguns embaraços para o livre desenvolvimento das atividades de interesse da corporação. Não creio haver muita dúvida quanto ao comportamento inteiramente desabonador de alguns dos integrantes de nossa máxima corte neste episódio. Do ponto de vista do campo popular, considero inteiramente equivocada a determinação de inocentar os ditos magistrados por sua atuação, mesmo diante das evidências que os comprometem.

No entanto, e isto me parece de suma relevância, uma coisa é não inocentá-los, e outra bem diferente é passar a vê-los e tratá-los como os grandes vilões desta enorme roubalheira. Neste caso específico, eles parecem ter servido como coadjuvantes e deveriam ser tratados como tais. Insistir em bombardeá-los como se fossem os grandes arquitetos da gigantesca roubalheira do Banco Master acaba por beneficiar os verdadeiros responsáveis por este crime tão brutal contra todo o povo brasileiro.

Entendo que os veículos da mídia contra-hegemônica têm o dever moral de esclarecer esta questão. Penso que só assim poderemos desarmar a nova bomba lançada pelos eternos herdeiros do espírito do lavajatismo.

•        Rogério Correia aponta ligação entre Banco Master, Igreja da Lagoinha e campanha bolsonarista

O deputado federal Rogério Correia afirmou que a investigação envolvendo o Banco Master revela conexões entre o sistema financeiro, lideranças religiosas e a campanha eleitoral bolsonarista. As declarações foram feitas em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, na qual o parlamentar comentou os desdobramentos recentes da operação da Polícia Federal que apura irregularidades envolvendo o empresário Daniel Vorcaro.

Durante a entrevista, Correia afirmou que o funcionamento do banco teria sido viabilizado durante a gestão do então presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro.

“O Vorcaro só conseguiu que o Banco Master passasse a funcionar a partir da quiescência de Roberto Campos Neto, o presidente do Banco Central, indicado por Bolsonaro. Antes disso, ele não conseguiu que o banco fosse registrado e tivesse o aval de funcionamento do Banco Central”, lembrou.

Segundo o deputado, o empresário não teria os requisitos exigidos para abrir uma instituição financeira.

“Para conseguir formar um banco e fazer com que ele funcione, a pessoa tem que ter idoneidade. Isso é um pressuposto. E no caso do Vorcaro, ele não tinha”, destacou o parlamentar.

Correia, que integra a Comissão Parlamentar de Inquério do INSS, afirmou ainda que o crescimento do banco ocorreu após acesso a diferentes linhas de crédito consignado, incluindo operações ligadas a militares, beneficiários doISS e beneficiários do Bolsa Família.

 “A partir daí, esse Banco Master cresceu rapidamente, porque teve acesso a crédito consignado para militares, ao INSS e também a crédito consignado de Bolsa Família”, frisou o deputado, que avalia que esse processo teria ocorrido durante o governo Bolsonaro.

O deputado também mencionou a existência de um núcleo de operadores ligados ao banco. Segundo ele, uma dessas figuras seria Fabiano Zetel, ligado à Igreja Batista da Lagoinha, cunhado de Daniel Vorcaro e apontando como operador financeiro do esquema do banqueiro.

“O Zetel era pastor da Igreja da Lagoinha, onde o Vorcaro também participa dessa igreja. E o Zetel fazia lavagem de dinheiro do roubo do Banco Master na Igreja da Lagoinha via Clava Forte Bank.”

Durante a entrevista, o deputado citou doações feitas na campanha eleitoral de 2022, mencionando repasses registrados oficialmente.

“Como forma de reconhecimento a Bolsonaro, deram simplesmente três milhões para a campanha dele de caixa um. Três milhões para ele, dois milhões para Tarcísio de Freitas”, destacou.

Ao mesmo tempo, ele levantou suspeitas de doações não declaradas. “Por que eu digo que tem caixa dois? Porque agora nós vimos o Nicolas Ferreira tentando se explicar de um avião do Vorcaro em que ele fazia campanha para o Bolsonaro e jamais registrou”, defendeu.

O parlamentar afirmou que o avião teria sido utilizado por cerca de dez dias durante a campanha e disse ter encontrado registros de voos anteriores aos mencionados pelo deputado Nicolas Ferreira.

“No dia 10 de outubro de 2022, ele estava na cidade de Araçuaí, em Minas, com Valadão, comemorando que ele diziam ser o início da virada que iam fazer nas eleições do segundo turno”, apontou o parlamentar, exibindo uma postagem de André Valadão no X.

Segundo o deputado, isso indicaria que o uso da aeronave teria ocorrido antes do período mencionado publicamente. “Então, desde o dia 10 nós já descobrimos que tinha avião de Vorcaro voando pelos céus de Minas Gerais e do Brasil”, acrescentou.

<><> Suspeitas dentro do Banco Central

Correia também afirmou que investigações apontam pagamentos indevidos a servidores do Banco Central.

“Tinha lá um diretor de fiscalização do banco, e um assessor. Ambos estavam lá e recebiam dinheiro, viagens à Disney e outras bondades do Vorcaro”, disse.

Para o parlamentar, isso indicaria a atuação de um esquema interno de favorecimento. “Ou seja, eles operavam dentro do Banco Central para o Banco Master. Isso é gravíssimo”, salientou.

<><> Propostas de CPI e CPMI

O deputado informou que assinou pedidos de investigação parlamentar sobre o caso.

“Nós pedimos, nós assinamos a CPI do deputado Rodrigo Rollemberg,, do PSB do Distrito Federal, que se propôs a fazer uma CPI séria para investigar o núcleo do que é o Banco Master”, afirmou.

Ele também mencionou a proposta de uma comissão parlamentar mista de inquérito.

“Tem também a CPMI, eu já assinei, nós estamos em etapa final de assinatura da deputada Heloísa Helena e da deputada Fernanda Melchiona”, completou;

Durante a entrevista, Correia também comentou o cenário político e alertou para o risco de agravamento das tensões institucionais.

“Se a gente não cuidar, pode inclusive debelar para uma crise institucional. E na crise institucional geralmente aparecem aventureiros ou salvadores da pátria que trabalham contra a democracia no Brasil.”

Ele destacou ainda a importância do papel do Supremo Tribunal Federal. “O papel do Supremo foi importantíssimo para manter a democracia no Brasil.”

Por fim, o deputado afirmou que setores da oposição tentam desviar o debate político. “Eles querem tirar do debate político a avaliação de como anda o Brasil... As coisas começam no governo Bolsonaro e vão terminar no nosso governo com investigações que a própria Polícia Federal tem feito”, concluiu.

•        “Lula tem que tomar distância do STF e não pode defender Alexandre de Moraes”, diz Rui Costa Pimenta

O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou em entrevista à TV 247 que o governo do presidente Lula deve manter distância da crise envolvendo o STF e o caso Banco Master. Segundo ele, o Palácio do Planalto não deve assumir a defesa de ministros que estejam sob suspeita em meio ao avanço das investigações. Durante a conversa, Rui avaliou que o escândalo ainda está em fase inicial e tende a crescer. “Está se confirmando o que a gente já discutiu aqui, de que esse escândalo vai se expandir”, afirmou.

Na avaliação do dirigente do PCO, o caso pode atingir setores importantes do sistema político brasileiro. “Esse escândalo aqui vai se ramificando de uma maneira que pode levar uma boa parte do pessoal político do país para o abismo”, declarou.

Para Rui, a crise não envolve apenas episódios isolados, mas revela disputas profundas dentro do sistema financeiro e da elite política.

<><> Crise no STF

Ao comentar a situação do Supremo Tribunal Federal, Rui disse acreditar que o desgaste institucional é profundo.

“É a situação do Toffoli, do Alexandre Moraes e do STF. É definitiva, na minha opinião, não vai ter volta atrás”, afirmou.

Segundo ele, o protagonismo político assumido pelo STF nos últimos anos aumentou a exposição da Corte e também ampliou o impacto de eventuais escândalos.

Rui comparou a situação atual com o caso do ex-juiz Sérgio Moro, que, segundo ele, foi alçado a uma posição central no sistema político e posteriormente perdeu espaço quando deixou de ser útil a determinados setores de poder.

<><> Lula deve manter distância

Questionado sobre o impacto da crise na candidatura do presidente Lula à reeleição, Rui defendeu uma posição clara de distanciamento por parte do governo.

“O governo teria que tomar medidas bastante incisivas para se separar desse escândalo do Banco Master”, afirmou.

Em seguida, foi direto ao comentar a relação com o STF: “Não pode defender membros do aparato do Estado que podem e, segundo as evidências estão mostrando, estão envolvidos em negócios escusos”.

Segundo ele, a melhor postura política seria deixar que as investigações avancem sem interferência.

“Tem que tomar distância, falar: ‘Não tenho nada com isso. Apure-se, doa quem doer’”, declarou.

<><> Silêncio não resolve a crise

Rui também criticou a ideia de que evitar o debate público sobre o escândalo ajudaria a proteger o governo Lula.

“É melhor assumir uma posição política correta”, afirmou.

Na avaliação dele, tentar esconder ou minimizar o problema pode produzir efeito contrário e ampliar o desgaste político.

Ele acrescentou que o STF se transformou em um poder extremamente central na política brasileira e, por isso, qualquer crise envolvendo a Corte terá impacto proporcional.

“Quanto maior a subida, maior a queda”, disse.

<><> O peso das denúncias na política

Durante a entrevista, Rui também comentou as notícias sobre movimentações financeiras atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva.

Ele afirmou não ter elementos para fazer acusações, mas destacou o impacto político da forma como esse tipo de informação é divulgado pela imprensa.

“A notícia em si é um desastre”, afirmou.

Segundo Rui, mesmo quando há explicações legítimas, a denúncia costuma ter mais força no debate público do que qualquer tentativa de esclarecimento.

“A explicação é muito mais fraca do que a denúncia”, declarou.

<><> Eleição difícil para Lula

Ao final da entrevista, Rui afirmou que o cenário eleitoral para o presidente Lula tende a ser mais complexo do que muitos imaginam.

“A mais difícil depois que ele foi presidente”, disse, ao se referir à disputa de 2026.

Segundo ele, apesar dos resultados econômicos positivos em algumas áreas, a combinação de crise institucional, desgaste político e ofensiva midiática cria um ambiente eleitoral mais difícil.

Para Rui Costa Pimenta, diante desse cenário, o governo deve evitar se associar a crises institucionais e concentrar esforços na defesa de sua própria agenda política.

 

Fonte: Brasil 247

 

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