quinta-feira, 12 de março de 2026

Chefe da UE quer ressuscitar energia nuclear até 2030

Num aceno à vontade de parte da Europa de expandir novamente o uso da energia nuclear, a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta terça-feira (10/03) um fundo de 200 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão) para estimular o setor.

Ela descreveu a redução da indústria nuclear como "erro estratégico" na Europa, agora exposto pela guerra no Irã, apesar do seu impacto ambiental e controversos riscos de segurança.

"Essa redução na participação da energia nuclear foi uma escolha. Acredito que foi um erro estratégico da Europa virar as costas para uma fonte confiável e acessível de energia com baixas emissões (de gases de efeito estufa)", afirmou von der Leyen na abertura de uma cúpula dedicada ao tema na França.

A Europa produzia cerca de um terço da sua eletricidade a partir da energia nuclear em 1990, mas essa porcentagem caiu para 15%, segundo Von der Leyen, deixando o continente dependente das importações de petróleo e gás.

Com a elevada tensão global no mercado do petróleo, a líder da União Europeia (UE) chamou o conflito no Oriente Médio de "lembrete contundente" da vulnerabilidade que resulta da dependência de combustíveis fósseis importados. 

<><> "Corrida tecnológica nuclear"

A meta declarada é implantar pequenos reatores modulares (SMRs) em toda a UE até 2030, com o aceleramento na concessão de licenças e o alinhamento da regulamentação entre os Estados-membros. Os recursos do novo fundo virão do mercado de carbono, segundo von der Leyen.

Reatores do tipo SMR têm em torno de 10% do tamanho de um reator convencional. Por serem pré-fábricados, esses tipos de reatores podem ser mais facilmente instalados do que grandes usinas convencionais. Eles produzem cerca de um quinto da energia de uma usina comum, mas têm em tese custo mais baixo e são capazes de entrar em operação mais rapidamente.

"Não só reduziremos os riscos dos investimentos nessas tecnologias de baixo carbono, como também queremos enviar um sinal claro para que outros investidores se juntem a nós," prosseguiu, afirmando que "a corrida tecnológica nuclear começou". "Temos meio milhão de trabalhadores altamente qualificados na área nuclear, muito mais do que os Estados Unidos e a China." 

A crescente inclinação europeia à energia nuclear é, ao mesmo tempo, alvo de protestos. Críticos ressaltam a produção de lixo altamente tóxico, além das consequências exacerbadas e longevas de acidentes nucleares para populações e ecossistemas.  

<><> De Tchernobil ao Irã, crises pautam debate

Em 2011, o desastre de Fukushima, no Japão, reforçou medos semeados pela catástrofe histórica de Tchernobil em 1986, na então União Soviética (URSS). Os acidentes impactaram, no mínimo e de diversas maneiras, centenas de milhares de pessoas.

invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 2022 contribuiu para que a energia nuclear recuperasse tração na pauta política, enquanto a UE discute como executar uma transição energética.

Os defensores argumentam que a energia nuclear contribui para a descarbonização num mundo instável, em que os países se preocupam cada vez mais em garantir suprimentos nacionais.

Nos últimos dias, a guerra de EUA e Israel contra o Irã danificou estruturas petrolíferas. Permanece fechado o Estreito de Ormuz, rota marítima crucial para o abastecimento global de petróleo. Em janeiro, a crise venezuelana já lançara uma onda de incertezas para o mercado global.

"Em relação aos combustíveis fósseis, somos completamente dependentes de importações caras e voláteis. Elas nos colocam em uma desvantagem estrutural em relação a outras regiões," afirmou a líder da UE.

<><> Dilema alemão

A Alemanha foi um dos países que desmontou a geração nuclear após o acidente em Fukushima, com as últimas usinas decomissionadas em 2023. À época, von der Leyen era ministra do Trabalho no governo de Angela Merkel, antes de se tornar ministra da Defesa.

O tema é sinônimo de choque político a nível doméstico. Forças progressistas são críticos à volta dos reatores, e partidos conservadores tendem a ser favoráveis. O país se comprometeu a virar neutro em carbono até 2045.  

Em resposta à declaração de von der Leyen desta terça-feira, o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, chamou o afastamento nuclear de "irreversível".

Já o ministro do Meio Ambiente, Carsten Schneider, criticou o que vê como uma "estratégia retrógrada" no plano da Comissão Europeia. "Eletricidade mais limpa e mais segura, proveniente do vento e do sol, é mais barata, vem impulsionando a transição energética há muito tempo e não produz resíduos radioativos."

Partido de Merz, a União Democrata Cristã (CDU) afirmou na campanha das eleições nacionais do ano passado que manteria a opção nuclear sobre a mesa. Desde o início do mandato, entretanto, o governo aponta como obstáculos o alto preço e a exigida "confiança das empresas que devem fazer este comprometimento para além do período legislativo."

<><> O fator Rússia

Por sua vez, a França, símbolo nuclear na Europa, tem mais de dois terços da sua produção de eletricidade resultante da energia atômica. "Quando somos excessivamente dependentes de hidrocarbonetos, eles podem se tornar uma ferramenta de pressão ou até de desestabilização," de acordo com o presidente Emmanuel Macron.

Nos últimos anos, o país obtém grande parte de seu urânio natural de Cazaquistão, Austrália, Namíbia e do politicamente volátil Níger. Do urânio enriquecido — aquele que passa por processos industriais para gerar energia —, quase 40% foi importado da Rússia, revelam dados da alfândega francesa.

Ativistas do Greenpeace protestaram contra a energia nuclear na cúpula desta terça-feira, apontando para o laço do país anfitrião com o Kremlin. 

Segundo a agência nuclear da UE, a Euratom, o Canadá forneceu 34% do urânio natural do bloco em 2024, o ano mais recente com dados disponíveis, seguido pelo Cazaquistão com 24% e pela Rússia com cerca de 15%.

<><> Nova rota na transição energética?

O plano da transição energética europeia tem como norte as fontes limpas, como a eólica e a solar. Em 2024, 20% da energia disponível na UE era renovável, aponta a Eurostat.

Outros 12% eram de origem nuclear, contra 38% provenientes do petróleo e seus derivados, a maior fatia da matriz energética europeia.

Em geral, os combustíveis fósseis ainda dominam o consumo em setores-chave, como transporte e aquecimento. E, mesmo com uma célere expansão dos renováveis, o gás ainda fornece parte importante da eletricidade na UE.

Ao contrário dos reatores tradicionais, que produzem cerca de 1 mil megawatts (MW), os SMRs planejados por von der Leyen produzem cerca de 300 MW. Aposta dos entusiastas nucleares, eles podem ser produzidos em massa em tempo reduzido, mas nunca foram empregados em larga escala.

"A lógica é muito clara. Quando for seguro implantá-los, deve ser simples implantá-los por toda a Europa", disse a líder da UE.

<><> Continente dividido

Macron propôs padronizar os projetos de reatores na Europa, medida que poderia beneficiar a estatal francesa EDF, que perdeu contratos nos últimos anos. Em 2024, a República Tcheca concedeu a licitação para construir uma nova usina à sul-coreana KHNP. A EDF tentou, sem sucesso, bloquear a decisão na Justiça.

Também Holanda e Suécia planejam construir novas usinas. A Bélgica abandonou seu processo de eliminação da energia nuclear, e a Itália reconsidera sua posição. A Grécia planeja "liderar a conversa", para descarbonizar o transporte marítimo.

Além da Alemanha, outros países que já se colocaram contra a energia nuclear incluem Áustria, Portugal, Dinamarca, Luxemburgo e Irlanda. Também a Espanha continua sendo uma defensora firme das energias renováveis como primeira opção para fornecer energia mais limpa.

Para especialistas, a energia eólica e solar devem dominar a matriz energética europeia nos próximos anos, já que construir novas capacidades nucleares levará tempo.

<><> Europa triplica importações de armas em tensão com a Rússia

Os fluxos globais de armas cresceram quase 10% nos últimos cinco anos, com a Europa mais do que triplicando suas importações, mostram os dados mais recentes do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri).

Embora as importações europeias ainda não estejam nos níveis vistos durante a Guerra Fria, o continente é agora o maior destino de armas no mundo, pela primeira vez desde os anos 1960, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (09/03).

No período analisado, entre 2021 e 2025, os países europeus responderam por 33% das importações globais de armas, contra 12% de 2016 e 2020. O instituto analisa tendências em blocos de cinco anos porque algumas entregas de grandes contratos podem distorcer os números anuais.

"As entregas para a Ucrânia desde 2022 são o fator mais evidente, mas a maioria dos outros países europeus também começou a importar muito mais armas para reforçar suas capacidades militares, contra uma ameaça percebida em crescimento por parte da Rússia", disse Mathew George, diretor do Programa de Transferências de Armas do Sipri.

As outras regiões que mais receberam armas são, respectivamente, Ásia e Oceania (31%), Oriente Médio (26%), Américas (5,6%) e África (4,3%). Nas Américas, o crescimento foi de 12%.

O Brasil recebeu 21% do total importado entre 2021 e 2025 na região, atrás apenas dos Estados Unidos (52%), e 60% na América do Sul. O país é o vigésimo quarto fornecedor de armas no mundo (0,3% do total global), tendo Portugal como principal comprador, e o vigésimo quinto importador (1,2% do total global), sendo abastecido, sobretudo, por França e Suécia.

<><> Mais vendas dos EUA, menos da Rússia

Quase metade das armas destinadas à Europa (48%) veio dos Estados Unidos, seguidos pela Alemanha (7,1%). Os americanos são os principais exportadores do mundo, respondendo por 42% de todas as transferências internacionais de armas no período analisado — crescimento notável em comparação aos 36% registrados nos cinco anos anteriores.

Sob Donald Trump, a Casa Branca vê as exportações de armas como um instrumento de política externa e um meio de fortalecer sua indústria de defesa. "Os EUA consolidam ainda mais seu domínio como fornecedor de armas, mesmo em um mundo cada vez mais multipolar", aponta Pieter Wezeman, pesquisador sênior do Sipri.

<><> Alemanha é o 4º maior exportador

Por sua vez, a Alemanha superou a China e tornou-se o quarto maior exportador de armas entre 2021 e 2025, com 5,7% das exportações globais. Em segundo e terceiro lugar, vêm respectivamente França (9,8%) e Rússia (6,8%).

No caso russo, houve queda abrupta de 64% durante o período, em que os últimos quatro anos foram marcados pela guerra na Ucrânia. O país usa mais de seu próprio equipamento contra o vizinho, enquanto Estados Unidos e Europa pressionam países terceiros a não comprarem armas russas.

No contexto de alta tensão regional, o maior importador de armas entre os Estados-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Europa é hoje a Polônia, que faz fronteira com a Ucrânia e Belarus. Enquanto o país busca fortalecer a defesa nacional, o volume das importações aumentou em 852%.

<><> Armas europeias pelo mundo

Apesar de seus líderes discursarem sobre a necessidade de a Europa se tornar mais autossuficiente, as transferências entre países do continente representaram apenas um quinto dos seus fluxos.

"Os fornecedores europeus ainda exportam majoritariamente para fora da Europa, e não dentro do continente", disse George.

No caso da Alemanha, quase um quarto das exportações (24%) foi para a Ucrânia, e apenas 17% foram para outros países europeus. Isto é, mais da metade deixou o continente, sobretudo para Egito (14%) e Israel (10%).

No ano passado, a Alemanha impôs um embargo parcial à venda de armas para Israel, suspendendo o fornecimento de equipamentos militares que pudessem ser usados em Gaza. As exportações chegaram a zero, antes de a medida ser revertida três meses depois. O governo alemão condicionou a retomada da venda de armamento à manutenção do cessar-fogo celebrado entre Israel e o grupo militante palestino Hamas.

O total de importações israelenses aumentou em 12%, fazendo do país o décimo quarto recipiente global. Os Estados Unidos fornecem 68% das armas e a Alemanha, 31%. As exportações do país também cresceram em 56%, "ajudando a fortalecer a indústria doméstica de armas para apoiar Israel em sua guerra de múltiplas frentes," afirmou o Sipri.

<><> Perspectivas no Oriente Médio

Já as importações de armas para o Oriente Médio caíram 13%. Ainda assim, três dos maiores importadores do mundo continuam vindo da região, que recebeu mais da metade de suas armas (54%) dos Estados Unidos.

A Arábia Saudita respondeu por 6,8% das importações globais, enquanto Catar e Kuwait representaram, respectivamente, 6,4% e 4,8%.

"Daqui para frente, há uma longa lista de sistemas pendentes de entrega ao Oriente Médio. Quando essas entregas ocorrerem, poderemos ver esses números subir", disse George à agência de notícias AFP.

A região está em guerra desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel começaram a bombardear o Irã, e as consequências do conflito ainda não podem ser previstas para o comércio de armas. Tensões geopolíticas, entretanto, costumam afetar o fechamento de novos contratos, com crises de segurança impulsionando as vendas.

<><> China investe em produção própria

Enquanto isso, China e Índia, "estão buscando desenvolver e produzir internamente tecnologia de defesa", afirmou George, em mais uma explicação para a queda das exportações russas.

No caso indiano, o país também tem buscado diversificar fornecedores. Também o Paquistão tem aumentado significativamente suas importações. Ambos os países estiveram entre os dez maiores importadores de armas do mundo nos últimos cinco anos.

A mudança da China em direção à produção doméstica e ao afastamento das importações russas fez com que suas importações totais caíssem 72%. O país saiu da lista dos dez maiores importadores pela primeira vez desde o início dos anos 1990, segundo o Sipri.

"Temores sobre as intenções da China influenciam os esforços de armamento em outras partes da Ásia e Oceania, que muitas vezes ainda dependem de armas importadas", segundo Wezeman. O Japão aumentou suas importações de armas em 76%, enquanto Taiwan aumentou as suas em 54%.

¨      Guerra no Irã pressiona recuperação da economia alemã

Quando os EUA e Israel atacaram o Irã, a resposta não tardou: o Irã ordenou o bloqueio do Estreito de Ormuz, o gargalo no Golfo Pérsico por onde passa 20% do comércio global de petróleo diariamente.

Após o ataque, o preço do petróleo subiu acentuadamente de imediato. Os preços da gasolina e do diesel também dispararam nos postos de combustíveis alemães. Dependendo da região, a gasolina premium chegou a custar 2,50 euros (R$ 15,11) por litro. O preço médio do diesel está atualmente um pouco acima de 2 euros, o que representa um aumento de 0,30 euros em relação ao período anterior ao ataque ao Irã.

Houve aumentos ainda mais extremos nos preços do gás natural após os ataques de drones iranianos a instalações de gás natural liquefeito (GNL) no Catar, que resultaram na paralisação da produção.

Alemanha não importa GNL diretamente do Catar. Suas cadeias de suprimentos são diversificadas e grande parte de seu gás é proveniente de gasodutos noruegueses. No entanto, o preço é determinado, em última análise, pelo mercado atacadista europeu, que é impulsionado pelo equilíbrio entre a oferta internacional e a demanda atual e esperada.

O aumento dos preços da energia não afeta apenas os consumidores, mas também a indústria, resultando em custos de produção mais altos. Os setores com uso intensivo de energia são particularmente afetados, como os de produtos químicos, aço, vidro e papel, mas as indústrias automotiva e de engenharia mecânica também sentem os efeitos.

<><> Choque para o governo Merz

A guerra no Irã vem servindo para lembrar a Alemanha do quão vulneráveis são as economias altamente industrializadas em uma era de crise global.

Economistas alemães expressaram preocupações semelhantes, assim como Veronika Grimm, uma das cinco especialistas que assessoram o governo alemão em assuntos econômicos, que alerta para o aumento da inflação e a incerteza adicional sobre os investimentos. "Devemos nos preparar para um período prolongado de maior incertezas", disse a professora ao grupo de mídia alemão RND.

Sinais de alerta também soam nos círculos políticos alemães. O governo federal há dez meses é liderado por uma coligação entre as legendas conservadoras União Democrata Cristã (CDU) – do chanceler federal Friedrich Merz – e União Social Cristã (CSU) com o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda.

Durante a campanha eleitoral e ao assumir o cargo de chanceler federal, Merz prometeu que a recuperação da economia alemã seria a sua principal prioridade, mas isso ainda não se materializou. A pequena recuperação que a Alemanha viu no início do ano pode agora ser desfeita pela guerra no Irã.

<><> Veneno para a economia

Os preços da energia na Alemanha aumentaram drasticamente desde a invasão da Ucrânia pela Rússia. Os novos aumentos de preços, juntamente com cadeias de abastecimento instáveis e incertezas globais adicionais, vêm se mostrando tóxicos para a economia alemã.

Grimm defende que o fornecimento de energia da Europa se torne mais resiliente através da diversificação das cadeias de abastecimento, da formação de reservas, da coordenação das compras europeias e da aceleração da expansão do seu próprio fornecimento de energia.

os apelos para que estas medidas sejam implementadas. O único problema é que isso tem sido difícil de colocar em prática. Após um inverno extremamente rigoroso na Alemanha, os depósitos de gás natural estão praticamente vazios.

<><> Freio no transporte e na aviação

Além da crise energética, a guerra no Irã vem causando problemas adicionais, especialmente para o setor de transporte marítimo. As empresas alemãs do setor agora precisam contornar o Golfo Pérsico, o que causa atrasos e compromete a segurança das cadeias de suprimentos globais.

Os prêmios de seguro para o transporte marítimo estão aumentando, assim como os custos de combustível. O espaço aéreo sobre os países do Golfo está parcialmente fechado. As companhias aéreas precisam redirecionar seus voos por longas rotas. Isso não apenas aumenta o tempo de viagem, mas também eleva os gastos com combustíveis.

A cada dia que os preços da energia sobem, cresce o risco de a inflação aumentar novamente. Isso ocorre porque as empresas precisam repassar os custos, aumentando os preços de seus produtos. Esse fator vem impulsionando a inflação desde a crise energética de 2022, algo que os consumidores certamente notaram.

À medida que o custo de vida aumenta, o poder de compra dos consumidores diminui, o que impacta negativamente a economia doméstica. Por outro lado, a Alemanha se torna menos competitiva internacionalmente, já que seus produtos ficam mais caros. Isso representa outro grande problema para um país com uma economia voltada para a exportação.

<><> Como o governo alemão está respondendo?

Embora o governo esteja ciente dos problemas, sua resposta tem sido discreta até o momento. A ministra da Economia e Energia, Katherina Reiche (CDU), criou uma força-tarefa para realizar análises diárias da situação e preparar possíveis medidas. O objetivo é monitorar a explosão de preços, supervisionar a segurança das cadeias de suprimentos e avaliar o impacto disso nas empresas. Seu anúncio foi recebido com comentários sarcásticos nas redes sociais.

O fato é que o governo lucra muito com os altos preços dos combustíveis. Quase metade do que os motoristas pagam na bomba vai para os cofres do Estado por meio de vários impostos. Grupos de lobby, como o clube automobilístico Mobil in Deutschland, acusam o governo federal de "lucrar com os motoristas".

<><> Muitas críticas à política energética da Alemanha

O governo federal tenta transmitir uma sensação de estabilidade em meio à crise, ressaltando que medidas já foram implementadas para aliviar os preços de energia, como a redução do imposto sobre eletricidade para empresas e a abolição de várias taxas. Mas os críticos reclamam que o governo Merz continua a promover a dependência dos combustíveis fósseis em vez de a reduzir para cumprir as metas climáticas.

Associações ambientais e de consumidores criticam o fato de a expansão das energias renováveis ter estagnado. A legislação tem travado a expansão dos projetos de energia eólica e solar. Em meio à incerteza global, a Alemanha parece agora menos resistente a crises do que deveria ser.

 

Fonte: DW Brasil

 

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