Stephanie
Weatherbee Brito: Brasil na mira - soberania em tempos de Doutrina Monroe
renovada
No dia
7 de março de 2026, a administração Trump convocou uma cúpula de segurança
denominada “Escudo das Américas” no resort Trump National Doral, em Miami,
reunindo os líderes de Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República
Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad
e Tobago — todos representantes da guinada à direita que varre o continente —
enquanto excluía deliberadamente México, Brasil, Colômbia, Venezuela, Cuba e
Nicarágua. A iniciativa, apresentada como uma coalizão antinarco e anticartel,
foi concebida como substituta da X Cúpula das Américas, cancelada após a
resistência de líderes de esquerda que recusaram a exclusão de Cuba, Venezuela
e Nicarágua.
O que
se apresentou como uma reunião de segurança hemisférica é, na sua essência, a
reconfiguração explícita da Doutrina Monroe para o século XXI — chamada pelos
próprios organizadores de “Doutrina Donroe” — cujo alvo não são cartéis de
droga, mas governos que ousam definir sua política interna e externa com base
em seus próprios interesses nacionais.
A
lógica que preside o Escudo das Américas não é difícil de decifrar. O critério
de inclusão e exclusão do encontro em Doral não obedece a qualquer métrica
objetiva de presença de cartéis ou tráfico de drogas — se fosse assim, o México
seria o primeiro a ser convidado, e não o principal alvo das ameaças de Trump.
O critério real é de outra natureza: participam os governos que subordinaram
sua soberania à agenda de Washington; estão excluídos aqueles que, em
diferentes medidas e por diferentes razões, insistem em conduzir sua política
conforme seus próprios interesses. Não se trata de uma política contra o crime
organizado. Trata-se de uma política contra a autonomia nacional.
Nenhum
caso ilustra isso com maior clareza do que o México. A relação comercial entre
México e China, embora crescente, permanece marginal quando comparada à
dependência estrutural da economia mexicana em relação aos Estados Unidos — o
comércio bilateral entre os dois países norte-americanos supera um trilhão de
dólares ao ano. O governo de Claudia Sheinbaum, dando continuidade à tradição
inaugurada por AMLO, tem sido extraordinariamente acomodatício nas suas
relações com Washington: concordou em mobilizar o Exército mexicano para conter
a migração centro-americana antes mesmo que ela chegue à fronteira norte;
cooperou com deportações em larga escala; e jamais adotou posições
antiamericanas em nenhuma arena multilateral.
E ainda
assim o México está na mira. Trump descreveu, no próprio encontro em Doral, o
México como o “epicentro da violência dos cartéis” e tem repetidamente ameaçado
intervenção militar no território mexicano. Por quê?
A
resposta está no programa econômico da Quarta Transformação. O governo mexicano
não é socialista — não questiona a propriedade privada, não rompe com o capital
financeiro internacional, não propõe uma ruptura sistêmica com o modo de
produção capitalista. Mas é nacionalista. E esse nacionalismo — modesto em
termos históricos, mas real — é inadmissível para a atual administração
norte-americana.
O
programa energético de AMLO e Sheinbaum reverteu as concessões da reforma
energética de 2013, reafirmando o papel estratégico da PEMEX e da CFE; a
nacionalização do lítio, inscrita na Constituição em 2022, bloqueou a
privatização de um mineral estratégico para a transição energética global; e a
construção da refinaria de Dos Bocas, apesar dos problemas operacionais
documentados, representa uma aposta deliberada na soberania sobre o
processamento de petróleo bruto, reduzindo a dependência do refino norte-americano.
Não é anticapitalismo — é soberania sobre recursos estratégicos. E é exatamente
isso que Washington não tolera.
O
Brasil precisa encarar esse quadro sem ilusões. A ausência brasileira na cúpula
de Doral não é uma vitória diplomática; é uma classificação. Junto com México,
Colômbia e Venezuela, o Brasil foi colocado na categoria dos governos que não
oferecem garantias suficientes de alinhamento com a agenda imperial
norte-americana.
O
aumento tarifário que Trump impôs ao Brasil — ostensivamente em resposta à
condenação do ex-presidente Bolsonaro por participação na tentativa de golpe de
Estado — deixou nua a lógica política que governa as relações comerciais da
administração Trump: a economia é instrumento de pressão política, e a punição
visa tanto ao presente quanto ao futuro. O recado é claro: um Brasil que
condena aliados de Trump paga um preço. Um Brasil que reelege Lula e aprofunda
sua agenda soberana pagará um preço ainda mais alto.
O
discurso que Hegseth empregou na Conferência Antinarco das Américas — precedida
ao Escudo — merece atenção especial por parte do campo popular brasileiro. Ali,
o Secretário de Defesa norte-americano falou em nome da “civilização cristã
ocidental”, em defesa da família, contra o “marxismo cultural” e as elites que
traíram os povos do hemisfério.
Essa
gramática não é acidental — é uma linguagem cuidadosamente construída para
ressoar com setores sociais específicos, e no Brasil ela encontra um terreno já
fertilizado pelo bolsonarismo. A retórica civilizacional de Hegseth é a mesma
que mobilizou as manifestações de 8 de janeiro, a mesma que circula nos grupos
de WhatsApp das igrejas neopentecostais e das Forças Armadas, a mesma que deu
coesão ideológica a um bloco social heterogêneo que, apesar da derrota
eleitoral de 2022, permanece ativo e organizado.
Igualmente
estratégica — e igualmente falsa — é a cruzada antidrogas que estrutura o
discurso do Escudo das Américas. Se os Estados Unidos tivessem interesse real
em combater o tráfico de drogas e o poder dos cartéis, perseguiriam com o mesmo
vigor os bancos norte-americanos que lavam bilhões de dólares do narcotráfico
anualmente, regulamentariam o mercado interno de drogas que sustenta a demanda,
e investiriam em desenvolvimento econômico nas regiões de origem dos migrantes
que fogem justamente da violência dos cartéis.
Não
fazem nada disso. O que fazem é usar o tema das drogas como pretexto para uma
presença militar crescente no hemisfério, para a criminalização de governos
soberanos, e para a construção de uma arquitetura de segurança subordinada aos
interesses de Washington. No Brasil, entretanto, essa narrativa tem potência
real — e o campo progressista ainda não desenvolveu uma resposta à altura.
A
segurança pública é, há décadas, um dos terrenos mais escorregadios da política
brasileira. Nem o PT nem seus aliados têm conseguido articular uma proposta de
segurança que seja ao mesmo tempo transformadora, crível e capaz de disputar
corações e mentes em comunidades que vivem sob o terror do crime organizado e
da violência policial.
Essa
lacuna é perigosa não apenas eleitoralmente, mas estrategicamente — porque é
precisamente nessa lacuna que o discurso da “mão dura”, do “exército nas ruas”,
e da cruzada civilizacional norte-americana pode penetrar com força. Uma
política de segurança verdadeiramente progressista exigiria articular
desenvolvimento econômico, reforma das instituições de segurança, desarmamento
do crime organizado e estratégias regionais — o que implica, necessariamente,
romper com a agenda neocolonial que Washington tenta impor ao continente sob o
guarda-chuva do Escudo das Américas.
O
Brasil caminha para a reeleição de Lula em outubro de 2026 — e que assim
continue. Mas a confiança não pode se converter em complacência. A cúpula de
Doral representou um marco na explicitação da estratégia norte-americana: não é
mais apenas pressão econômica ou diplomática discreta, é a construção aberta de
uma coalizão militar e ideológica contra governos que não se curvam.
A
administração Trump, Rubio, Hegseth tem uma lista — e o Brasil está nela. O
trabalho de inoculação do campo popular contra o discurso falso da segurança e
dos valores civilizacionais ocidentais não pode ser adiado para depois das
eleições; ele precisa acontecer agora, como parte orgânica da disputa política
em curso.
Mais do
que isso: a política externa brasileira precisa avançar além da cautela reativa
que tem caracterizado boa parte do segundo mandato de Lula. O Brasil não pode
se dar ao luxo de observar à distância o esvaziamento da CELAC, o isolamento de
países soberanos no continente, e a construção de uma arquitetura de segurança
hemisférica tutelada por Washington.
A
prioridade estratégica deveria ser o fortalecimento das relações com as nações
que buscam soberania — México, Colômbia, Venezuela, Cuba — não como gesto
ideológico, mas como necessidade objetiva diante da correlação de forças que o
Escudo das Américas torna ainda mais clara.
O
imperialismo norte-americano não espera; tampouco podemos nós.
¨
Um quarto de século muito significativo. Por Emir Sader
O
século XX foi, inquestionavelmente, um século norte-americano. Os Estados
Unidos saíram da segunda guerra como a maior potência mundial. Só não reinaram
sem contrapartida porque a Uniao Soviética tinha conseguido ter acesso à bomba
atômica. Era um equilíbrio militar. Mas nos outros planos – econômico,
tecnológico, midiático, cultural –, os Estados Unidos eram claramente
superiores. O plano econômico é aquele em que os Estados Unidos sempre ser se
revelaram os mais fortes no mundo. Desde o esgotamento da hegemonia inglesa no
século XIX, já no começo do século XX, quando os Estados Unidos se deram conta
que a Alemanha ia se transformar na maior potencia no mundo, ele decidiu,
apressadamente, intervir na primeira guerra mundial. Junto com a decisão da
Uniao Soviética, que também passou a intervir na guerra contra o eixo da
Alemanha com a Itália e o Japão.
A
partir do desenlace da primeira guerra e da crise de 1929 – a maior crise do
capitalismo até hoje –, com políticas keynesianas de reativação econômica, a
economia norte-americana se projetou como a mais forte no bloco ocidental. Com
o ciclo longo expansivo da economia mundial a partir do fim da segunda guerra –
o que o próprio Eric Hobsbawn chamou do momento de época de ouro de momento
mais privilegiado do capitalismo em escala mundial, na década de 1950 –, a
economia norte-americana se consolidou como a hegemonia em todo o mundo.
A força
econômica, somada à capacidade de construção politica do bloco ocidental, unida
ao seu inquestionável poderio militar e à influencia ideológica e cultural,
fizeram dos Estados Unidos a maior potencia hegemônica de toda a historia
contemporânea.
O bloco
ocidental, liberado pelos Estados Unidos tinham os outros setores mais
dinâmicos da economia mundial – a Europa ocidental e o Japão, que igualmente
projetaram o estilo de vida norte-americano como o símbolo mesmo de progresso e
de bem-estar social. Ao mesmo tempo, o sistema politico norte-americano e
europeu foi projetado no mundo como o modelo mesmo de democracia. Eleições
periódicas, multiplicidade de partidos políticos, imprensa livre (em que livre
queria dizer imprensa privada), definiam a democracia como o sistema consagrado
como o nível mais avançado de sistema político no mundo. Os meios de
comunicação norte-americanos tiveram um papel essencial nesse poderio
hegemônico norte-americano. Junto com Hollywood e com a mercadoria automóvel,
representaram os fatores determinantes do predomínio norte-americano no século
XX.
O
primeiro quarto deste século, desse ponto de vista, revela transformações
fundamentais. É o momento de declínio da hegemonia norte-americana. Do ponto de
vista econômico, militar, cultural os Estados Unidos mantem superioridade,
porém, tecnologicamente a China o supera e, possivelmente, o superará também no
plano econômico, até a metade do século XXI. O elemento de maior força dos
Estados Unidos é o que eles chamam de “american way of life”, o estilo
de vida norte-americano. Que é, basicamente, o estilo de consumo
norte-americano. Que tem nos shopping centers seu posto de
avançada, sua expressão mais significativa e que tem uma existência global. Até
mesmo na China, pais que surge como a principal alternativa à hegemonia
norte-americana, os shopping centers são similares aos dos
Estados Unidos e aos de praticamente todo o mundo. São maiores e mais bonitos
na China, mas com as mesmas marcas e o mesmo mecanismo de circulação das
pessoas.
O
surgimento dos Brics é o fenômeno mais importante deste começo de século XXI.
Nele, pela primeira vez, se dá uma aliança formal entre o poderio militar da
Rússia e a força econômica da China, aos quais se somam a capacidade de
articulação política do Brasil e uma serie enorme de países já integrados e
outros que solicitam a adesão aos Brics.
Agora
se trata não apenas de um equilíbrio militar, porque há um processo de declínio
dos países do bloco norte-americano. A Europa, em particular, apresenta, pela
primeira vez na sua história, um processo de verdadeira decadência. A extrema
direita penetrou profundamente no continente.
Um país
como a França, que se orgulhava de ser o “laboratório de experiências
politicas”, conforme a expressão de Friedrich Engels, passou a ser
profundamente penetrada pela extrema direita.
A
Europa, como um todo, que havia difundido uma visão de mundo que hoje pode ser
caracterizada como “eurocentrismo”, considerada uma visão de mundo em que a
Europa é o centro, o resto sendo sua periferia. Uma força ideológica, cultural,
impressionante.
Este
quarto de século tem no declínio ou mesmo na decadência da hegemonia
norte-americana no mundo um dos seus aspectos fundamentais. Um fenômeno de
dimensão histórica, que pode fazer com que este século seja o século que pode
significar a possibilidade de termos um mundo sem a presença determinante dos
Estados Unidos no mundo.
Está
claro que o modo de vida norte-americano (o “american way of life”)
sobreviverá muito ao declínio do poderio político dos Estados Unidos no mundo.
Os próprios shopping centers, que vieram para ficar como espaço que
define um estilo de vida, de consumo, com a globalização das marcas e a
mercantilização generalizada das relações sociais.
O
primeiro quarto do século é, assim, um período de transição, entre o século
passado e o futuro, um mundo que poderíamos chamar de “pós-neoliberal”, mas
cujas dimensões não estão claras ainda. Certamente um modelo que privilegie a
expansão econômica e não os ajustes fiscais, que fortaleça a um Estado renovado
e democratizado e não o Estado mínimo. Mas deverá ser um modelo novo, inédito,
depois que o mundo tenha vivido o surgimento, o auge e o declínio do modelo
neoliberal.
É um
debate que apenas começa, que deverá se estender pelas próximas décadas,
projetando um novo modelo econômico, politico, social e, principalmente,
cultural. Sem que este aspecto, principalmente, não se poderá dizer que a
hegemonia norte-americana no mundo esteja superada.
• A guerra não pode ser humanizada, tem
que ser cancelada. Por Leonardo Boff
A frase
do título não é minha, é de Bertand Russel e de Albert Einstein em seu
manifesto de 9 de julho de 1955 contra os perigos de uma guerra nuclear e pela
paz. Esse é o grande anseio da humanidade, sempre frustrado e sempre de novo
renovado. Sem essa utopia pela qual lutamos para que seja viável, não pode ser
nunca abandonada, pois seria cinismo face às vítimas das guerras e decersão de
qualquer sentido ético. Toda guerra sacrifica milhares e até milhões de
pessoas. Ela condena Caim que matou seu irmão Abel.
Max
Born, prêmio Nobel de física (1954) denunciou a prevalência da matança de civis
na guerra moderna. Na primeira guerra mundial morriam só 5% de civis, na
segunda guerra, 50%, na guerra da Coreia e do Vietnã 85%. E dados recentes
davam conta de que contra o Iraque e a ex-Iugoslávia 98% das vítimas eram
civis.O mesmo está ocorrendo na guerra de Bemjamin Netanhyau contra os
palestinos da Faixa de Gaza. Mais de 18 mil eram crianças que nada tinham a ver
com a guerra foram sacrificadas.
Não
basta ser pela paz. Temos que estar contra a guerra. Toda guerra, em si, mata
vidas de outros, nossos semelhantes. Caim não pode triunfar.
O
fenômeno da guerra apresenta-se tão complexo que nenhuma resposta o explica ou
é suficiente. Isso não nos dispensa de pensar sobre o fato da guerra e suas
perversas consequências humanas e materiais. Por exemplo, se um pais é agredido
por outro, que fazer? Tem direito de se defender com forças defensivas? Há
proporcionalidade? Como devem se comportar os governantes dos povos que
assistem o genocídio a céu aberto como na Faixa de Gaza? Ou diante da limpeza
étnica de minorias aplicada na ex-Iugoslávia, no Kosovo e na Bósnia por
soldados sanguinários que ainda violavam sistematicamente direitos humanos
básicos.
Vale
alegar o princípio da não intervenção em assuntos internos de Estados soberanos
e assistir, passivos, a crimes contra a humanidade? Qual é o limite da
soberania? É absoluta? Está acima do humano que pode ser sacrificado?
Como
reagir ao fenômeno difuso do terrorismo que, eventualmente, pode ter acesso a
materiais atômicos, ameaçar toda uma cidade, pondo-a de joelhos. E se for
lançada, inviabilizaria toda a cidade por causa da radioatividade. Contra isso
é legítima uma guerra preventiva?
São
questões éticas que ocupam mentes e corações nos dias atuais. Para não
desesperar temos que pensar. No mundo inteiro, dada a estratégia do atual
presidente dos EUA Donald Trump que disse e esta realizando, a paz se fará não
pelo diálogo mas pela força. Jamais seria paz, mas pacificação forçada e
imposta. É discurso recorrente em todos os presidentes, inclusive com Barack
Obama afirmar que os EUA tem interesses globais e podem intervir quando estes
são ameaçados, usando até a força.
Face a
estes problemas referidos apresentam-se várias opções.
Um
grupo numeroso sustenta a tese: dada a capacidade devastadora da guerra moderna
com armas químicas,biológicas e nucleares que poderiam comprometer o futuro da
espécie e toda a biosfera, não há mais nenhuma guerra justa (ius ad bellum).A
vida em suas várias formas está acima de tudo.
Outro
grupo afirma: pode haver guerra justa, a “intervenção humanitária”, mas
limitada para impedir o etnocídio e crimes de lesa-humanidade.
Outro
grupo, representando o stablismentglobal, reafirma: há que se resgatar a guerra
justa como auto-defesa, como punição de países do “eixo do mal” e como
prevenção de ataques com armas de destruição em massa.
Façamos
um juízo ético sobre estas posições: nas condições atuais toda guerra
representa altíssimo risco, pois dispomos da máquina de morte, capaz de
destruir a humanidade e a biosfera. A guerra é meio injusto, por ser
globalmente letal.
Dentro
de uma política realista, uma “intervenção humanitária” limitada é teoricamente
justificável,sob duas condições: não pode ser decidida por um pais singular,
mas pela comunidade das nações (ONU) e deve respeitar dois princípios básicos
(ius in bello=os direitos no curso da guera): a imunidade da população civil e
a adequação dos meios (não podem causar mais danos que beneficios).
A força
empregada como auto-defesa não a torna boa, mas se justifica dentro da estrita
adequação dos meios.
A
guerra de punição, como contra o Afeganistão e contra o Sul do Líbano onde atua
o Hammas, se baseia na vingança e não é defensável. Só alimenta raiva e
ressentimentos, caldo de futuros conflitos.
A
guerra preventiva, contra o Iraque na suposição falsa de possuir armas de
destruição em massa, era ilegítima porque se baseava em falsas análises e sobre
o que ainda não era e poderia não acontecer. Nenhum direito, de qualquer
natureza, lhe concede legitimidade por ser subjetiva e arbitrária.
Tudo
isso vale teoricamente, pois importa clarear posições. Praticamente porém, se
mostrou que todas as guerras, mesmo a de “intervenção humanitária” não observam
os dois critérios, da imunidade da população civil e da adequação dos meios.
Não se faz distinção entre combatentes e não combatentes.
Para
enfraquecer o inimigo se destrói sua infra-estrutura, com muitas mortes de
inocentes e de civis. As consequências da guerra perduram por anos como no caso
do urânio empobrecido, usado pelo exército norte-americano,causando
enfermidades para todo um grupo afetado.
A
guerra não é solução para nenhum problema. Devemos buscar um novo paradigma, à
luz de São Francisco de Assis, de Leon Tolstói,de Gandhi e de Luther King Jr,
se não quisermos nos destruir: a paz como meta e como método. Se queres a paz,
prepara a paz.
Fonte: Opera
Mundi/A Terra é Redonda

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