Brasileira
conta como foi aliciada para Epstein em São Paulo por US$ 10 mil
Ana
saiu de casa aos 16 anos para perseguir o sonho de ser modelo. Chegou a
trabalhar com uma agência no Sul do Brasil, mas um ano depois os trabalhos não
apareciam.
Foi
então que o dono da agência lhe disse que uma amiga de São Paulo, de outra
agência, faria uma visita e gostaria de conhecê-la.
A
conversa aconteceu e Ana conta que foi convidada a trabalhar na capital
paulista.
Era o
começo dos anos 2000 e a proposta pareceu boa. Seus pais apoiaram a decisão:
ela moraria na casa dessa mulher, com outras meninas, e teria oportunidades na
maior cidade do Brasil.
Ana,
cujo nome verdadeiro não será revelado a seu pedido, diz ter embarcado para São
Paulo, com passagem paga, pouco antes de completar 18 anos.
Quando
chegou, a mulher que a convidou, que nesta reportagem chamaremos de Lúcia,
pediu para ficar com seus documentos sob o pretexto de que faria um passaporte,
conta a brasileira.
Segundo
Ana, Lúcia passaria meses sem devolver sua documentação.
A
mulher também anunciou, de acordo com Ana, que ela agora tinha uma dívida que
precisaria saldar, já que sua passagem aérea havia sido paga, além de um book
de fotos.
Ana
disse que descobriu alguns dias depois que não havia nenhum trabalho de modelo
no horizonte.
"A
mulher era, na verdade, uma cafetina. A coisa foi se desenrolando e, quando eu
vi, ela estava me negociando para prostituição", conta ela.
Um dos
clientes, diz, foi o bilionário americano Jeffrey Epstein.
Anos
depois, Epstein seria acusado de operar uma "vasta rede" de meninas
menores de idade para fins sexuais.
O
bilionário morreu em uma cela de prisão em Nova York em 2019, enquanto
aguardava novo julgamento, uma década após já ter sido condenado como criminoso
sexual.
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Festa e hotel de luxo em São Paulo
O
depoimento de Ana é o primeiro em que uma mulher conta ter sido aliciada para
Jeffrey Epstein no Brasil
À BBC
News Brasil, Ana descreveu encontros com o bilionário em São Paulo em um hotel
de luxo, diz ter ido a um jantar e a ao menos uma festa na cidade com ele, além
de ter feito viagens para outras partes do mundo para encontrá-lo.
A
brasileira disse que lhe arranjaram emprego de fachada de modelo para que ela
conseguisse um visto e pudesse ir aos EUA no começo da década passada.
Ela
contou ainda que Lúcia, a mulher que havia lhe prometido uma carreira na moda,
cobrou US$ 10 mil de Epstein por seus serviços.
O
relato de Ana foi corroborado por documentos apresentados por ela e cruzado com
depoimentos e informações colhidos pela reportagem.
Parte
das declarações também coincide com diferentes tipos de registros que compõem
os arquivos do caso Epstein — um volume gigantesco de material divulgado pelas
autoridades americanas desde novembro, em meio à pressão por novas
investigações ligadas ao criminoso sexual.
Um
auditor-fiscal do trabalho ouvido pela reportagem avalia que, em tese, a
situação descrita por Ana poderia ser enquadrada como crime de tráfico de
pessoas.
Se
comprovado, potenciais envolvidos no Brasil no episódio ainda poderiam ser
responsabilizados, já que existem normativas internacionais que apontam que
esse tipo de crime não prescreve, diz o auditor.
Há
neste momento uma investigação que apura se havia uma rede de aliciamento para
Epstein no Brasil, aberta pelo Ministério Público Federal após a publicação de
uma das reportagens que a BBC News Brasil vem publicando sobre o assunto.
O texto
mostrou que o bilionário financiou e manteve contato com modelos no país, de
acordo os arquivos. Os documentos também contêm depoimentos à Justiça americana
no qual testemunhas dizem que o americano teria levado até ele nos EUA garotas
menores de idade brasileiras.
Já a
brasileira Marina Lacerda, que mora nos EUA desde pequena, contou à reportagem
ter sido aliciada por Epstein quando tinha apenas 14 anos, ao lado de outras
garotas imigrantes e vulneráveis na região de Nova York.
No
começo de março, outra reportagem da série mostrou que o agente de modelos
francês Jean-Luc Brunel, próximo a Epstein ao menos desde os anos 1980, atuou
no Brasil recrutando uma adolescente para participar de um concurso de modelos
no Equador em 2004. A garota contou que só não viajou com ele para Nova York
porque foi proibida pela mãe.
Segundo
as autoridades, Brunel usava sua agência para atrair mulheres para o bilionário
— e o francês acabaria ele mesmo acusado de estuprar e assediar mulheres, o que
sempre negou. Preso na França, ele morreu em 2022 na cadeia, sem ter sido
julgado.
Brunel
é uma peça central no relato de Ana a seguir.
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'Ele me escolheu'
Ana
conta que pensou em pedir ajuda aos pais quando viu que a carreira de modelo em
São Paulo era, na verdade, uma promessa vazia.
"Não
sabia como falar para minha mãe que me meti em uma enrascada. Eu queria voltar
pra casa, mas não tinha como", diz.
"Ela
[Lúcia] estava com meus documentos. Eu não tinha dinheiro. Ela é quem poderia
pagar minha passagem de volta. Eu estava na mão dela."
A
brasileira se lembra do nome e do sobrenome da mulher, mas não sabe dizer se
essa identidade era verdadeira. Por isso, e também porque se trata de nome
comum, escolhemos um nome fictício para ela.
Ana
relata que, certo dia, Lúcia a convidou para ir à casa de um grande empresário
brasileiro, em São Paulo — ela pediu que o nome desse empresário não fosse
divulgado para reduzir o risco de ser identificada.
"Ele
me chamou para falar do Epstein, que tinha um cara muito importante, o rei do
mundo, chegando..."
"Ele
gosta de meninas mais novas", ela diz ter ouvido do empresário.
Ana
acredita que foi sua idade que a levou a ser chamada para a casa, já que era a
mais jovem do grupo com quem morava — ela fez 18 anos poucas semanas antes de
se encontrar com Epstein pela primeira vez.
Passados
alguns dias do encontro na casa do empresário, Ana conta que ela e outras duas
garotas que viviam com ela foram levadas por Lúcia a um hotel luxuoso no Jardim
Paulista, região nobre de São Paulo.
A
ideia, relata Ana, é que conhecessem Epstein e que ele escolhesse com qual
mulher gostaria de ficar.
"E
aí ele me escolheu."
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'Amanhã estou indo a Paris e você vai comigo'
Depois
de ser escolhida, Ana conta que subiu ao quarto do hotel paulistano com
Epstein. Foi quando relatou um primeiro ato sexual — ele pediu que ela tirasse
a roupa e começou a se tocar.
"Comparado
com os outros homens com quem estive antes, ele foi muito legal. Não teve ato
sexual em si. O barato dele, pelo menos das vezes em que estive com ele, era
ficar me olhando enquanto ele se tocava. Era nojento, mas...dos males, o menor."
Ana diz
que Epstein a achou muito bonita e então a convidou para uma festa que
aconteceria alguns dias depois. Ela já falava inglês, ainda que sem fluência, e
disse que ele chegou a lhe pagar aulas.
Ela
conta que não se lembra exatamente onde esse evento ocorreu, mas que pode ter
sido na região da avenida Brigadeiro Faria Lima, distrito financeiro e que
abriga empresas tecnológicas em São Paulo. "Era um prédio que tinha a ver
com investimentos."
Ana
descreve que, ao chegar, viu que Epstein a esperava na frente do edifício.
"O prédio era todo cheio de câmeras. Ele ainda fez um comentário: 'É muito
seguro aqui, né?'"
Foi
nesse dia que Ana contou ter conhecido também Ghislaine Maxwell, companheira e
cúmplice de Jeffrey Epstein, e Jean-Luc Brunel, o agente de modelos francês
acusado de aliciar meninas para o criminoso.
A BBC
News Brasil encontrou nos arquivos do Departamento de Justiça dos EUA um e-mail
de Ghislaine Maxwell na qual ela comenta uma visita a São Paulo na mesma época
citada por Ana.
Nas
mensagens, Maxwell conversa com um alto executivo de uma multinacional, e conta
a ele que ficaria hospedada no hotel de luxo mencionado. Eles comentam sobre
uma festa. A BBC News Brasil confirmou com o interlocutor que a conversa e a
viagem de Maxwell de fato existiram.
A
ex-companheira de Epstein negou ter cometido crimes, mas está atualmente
cumprindo uma pena de 20 anos de prisão após ser condenada em 2022 por recrutar
e traficar adolescentes para abuso sexual pelo bilionário.
Ana diz
que não tem muitas memórias desse dia em São Paulo, mas que havia muitas
modelos no evento. Na sua lembrança, Ghislaine Maxwell e Epstein não pareciam
ser um casal.
Foi
durante a festa que Ana diz ter sido informada por Epstein: "Amanhã estou
indo a Paris e você vai junto comigo. Já combinei com a (Lúcia, nome
ficíticio)."
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O passaporte e o emprego de fachada
Segundo
Ana, Epstein disse que já havia acertado com Jean-Luc Brunel que ele a
contrataria em sua agência de modelos em Nova York e que o francês já tinha
todos os documentos dela, entregues por Lúcia, para fazer os trâmites
necessários.
Ana
apresentou à BBC News Brasil seu passaporte. O documento contém um visto
americano de negócios e tem uma anotação com o nome Karin Models New York, em
referência à agência de Brunel nos Estados Unidos à época.
"Meu
visto foi emitido como se eu fosse uma modelo da Karin Models, que eu nem sei
se de fato existia. Eu nunca fui na agência", diz Ana.
A
suspeita das autoridades era de que Brunel usava a agência de modelos também
como forma de atrair garotas em diversos países, inclusive menores de idade,
para a rede de Epstein — o caso de Ana seria um exemplo disso.
Não há
nenhuma alegação de que outras agências de modelo, além das que eram geridas e
controladas por Brunel nos EUA, tenham se envolvido em irregularidades.
Quem
pagava por esses vistos "de fachada" da agência era o próprio
Epstein, segundo relato à Justiça dos EUA dado por uma ex-funcionária d
agência, que depôs como testemunha.
Ana
conta que teve o visto cancelado depois de ao menos seis viagens aos EUA,
porque autoridades em Miami teriam desconfiado de seu trabalho.
"Queriam
saber quem pagava pelos meus trabalhos e se eu recebia pelos EUA ou por São
Paulo. Eu não sabia o que responder. Então cancelaram o meu visto dizendo que o
tipo estava errado, que eu não poderia receber dinheiro nos EUA", relata.
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'Você é minha'
Depois
daquele primeiro encontro em São Paulo, Ana conta que desenvolveu uma espécie
de relacionamento com Epstein ao longo de cerca de quatro meses.
Ela se
lembra de um episódio, quando estavam no avião a caminho de Paris, quando
Epstein disse a ela que Jean-Luc Brunel teria pedido para transar com ela. O
bilionário recusou e disse, segundo Ana: "Eu não deixei porque você é
minha."
"Eu
não sei se eu fiquei agradecida ou mais apavorada com aquilo. Ao mesmo tempo me
sentia protegida por ele. Até então ele estava sendo muito legal comigo."
Desde
então, Ana diz que passou a olhar com receio para Brunel. "Era o lobo
olhando para o carneirinho. Sempre com olhos de devorar, tanto pra mim quanto
para outras meninas."
Quando
chegaram a Paris, ela contou que um motorista brasileiro os esperava —
possivelmente Valdson Cotrin, que foi mordomo de Epstein por 18 anos e aparece
em diversas mensagens com contextos de logística, inclusive o de ir buscar
garotas para Epstein no aeroporto.
Cotrin
não é investigado nem suspeito de ter cometido qualquer crime. Em 2025, ele deu
entrevista ao jornal britânico The Telegraph dizendo que não acreditava que
Epstein tenha se matado na cadeia.
"Quando
eu bati o olho nele, me pareceu uma pessoa muito amedrontada, acuada. Tentei
puxar conversa com ele por ser brasileiro, mas ele não deu muito papo",
diz Ana.
A BBC
News Brasil contatou Cotrin, mas ele não quis dar entrevista.
Ana
lembra de estar junto com Epstein e Ghislaine em passeios em Paris, mas afirma
que eles pouco conversavam.
O
relato de Ana desta viagem coincide com datas de e-mails que aparecem no
arquivo do Departamento de Justiça dos EUA, em que Ghislaine diz que estaria
com Epstein na capital francesa.
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'Ele fazia uns testes comigo'
Ana
conta ter feito passeios por Paris com dinheiro dado por Epstein. Naquele
momento, o bilionário era sua única fonte de recursos. Segundo ela, os pais
acreditavam que ela estava viajando a trabalho, como modelo.
"Eu
era tão ingênua, tão inocente. Ele me dava US$ 300 na mão. Eu saía para fazer
qualquer passeio e devolvia o troco pra ele. Mas ele dizia pra eu ficar com o
dinheiro", conta.
"Ele
fazia uns testes comigo. Deixava dinheiro no meu quarto, dentro do meu livro. E
aí eu devolvia pra ele. E ele dizia que podia ficar comigo."
Segundo
Ana, o combinado é que Epstein pagaria US$ 10 mil a Lúcia pela visita no hotel
em São Paulo e pela viagem à França.
Ela
relatou que Epstein só teria pagado uma parte do combinado à mulher que a levou
para São Paulo. Disse ter ouvido ligações em que Lúcia cobrava o resto do valor
acertado.
Esse
relato é condizente com um depoimento de uma ex-funcionária do agente de
modelos Jean-Luc Brunel, apresentado à Justiça da Flórida em 2010.
Conforme
a BBC News Brasil contou, a ex-funcionária afirmou que havia uma brasileira que
arrumava garotas para Epstein e Brunel quando estavam no Brasil, e que ela
estaria irritada com eles por causa de uma dívida de US$ 50 mil.
O nome
dessa brasileira está tarjado nos documentos e essa testemunha acredita que
Brunel e Epstein podem tê-la subornado em algum momento para que não falasse
com as autoridades.
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'Um rico fanfarrão'
Quando
voltou da viagem à França com Epstein, Ana disse ter conseguido recuperar seus
documentos com Lúcia.
Pouco
tempo depois, ela diz ter sido avisada de que Epstein gostaria de vê-la
novamente, dessa vez sem a participação da intermediária.
Segundo
Ana, quando soube, Lúcia tentou ameaçá-la, ao que ela disse ter respondido:
"Você me aliciou quando eu era menor de idade."
Ana
conta que não teve mais notícias da mulher.
A essa
altura, ela começou a acreditar que poderia estar em um relacionamento com
Epstein.
"Já
não estava mais me sentindo a garota de programa. Estava achando que era
namorada dele. Até então ainda não tinha caído a ficha de que ele fazia isso
com muitas garotas."
Ela
conta que voltou a viajar com ele para Paris, dessa vez com mais uma garota
brasileira, de idade desconhecida.
Em um
certo momento, ela diz ter ido à porta do quarto de Epstein: bateu e entrou.
Afirma ter encontrado o bilionário na cama com a outra menina.
"Aí
eu me dei conta do que estava acontecendo. Que eram muitas."
Ana diz
que decidiu ignorar a situação.
"O
cara era legal comigo. Ele não me chamava para fazer nada, eu não tinha que
transar com ele, fazer nada com ele. Só gostava da companhia, me levava em
passeios."
Outra
viagem que fizeram, segundo ela, foi à ilha de Epstein, no Caribe, uma ilha
particular nas Ilhas Virgens Americanas, pertencentes aos EUA.
Ela diz
que não ter visto meninas menores de idade, mas que todas pareciam muito
jovens, como ela, que naquele momento tinha acabado de fazer 18 anos.
Uma
conversa que lhe marcou foi quando Epstein perguntou se ela usava drogas ou
bebia, o que ela negou. "Isso é importante", ele teria dito.
Ela
lembra que uma garota australiana, que ficou dois dias no local, foi mandada
embora por ter fumado maconha, o que teria irritado o bilionário.
Ana
conta que havia muitas mulheres na ilha, que ficavam juntas em um quarto.
"E
eu tinha um quarto só pra mim. Eu sentia que ele me protegia de muita
coisa."
Ela diz
que não via nada que considerasse ilegal enquanto estava com ele.
"Olhando
para trás, vejo que em vários momentos ele me mandava sair de casa, fazer
alguma coisa. Ir a um museu, ir às aulas [ela relata ter recebido aulas de
inglês]", conta.
"Não
sei se acontecia algo que ele não queria que eu visse. Mas eu nunca presenciei
nada. Para mim a imagem dele era legal. Tinha gostos esquisitos, gostava de
meninas mais novas e de ficar rodeado delas. Um rico fanfarrão."
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'Não tenho intenção de dizer que ele era bonzinho'
Depois
de cerca de quatro meses de convivência, Ana diz que começou a ficar incomodada
por ter de continuar mentindo para os pais sobre o que estava acontecendo.
"Então
falei para Jeffrey que não queria mais ir, que queria ficar perto da família e
estudar", conta ela, que vivia nesta época com a ajuda do bilionário.
"Olhando
pra trás, eu vejo que ele me tirou das mãos da Lúcia. Ele me salvou dela. Ela é
que estava abusando de mim", diz
"Ele
me tratava bem. Tudo que eu precisava... Eu não precisava pedir nada. Ele me
dava as coisas."
Ela diz
que eles só mantiveram relações sexuais uma vez.
"Ele
gostava de dormir de conchinha, de carinho, de massagem no pé."
Ao
refletir sobre sua experiência em comparação ao que se sabe hoje sobre os
crimes e acusações contra Epstein, ela avalia que teve sorte.
"Não
tenho jamais a intenção de defender nem dizer que ele era bonzinho",
afirma.
"Comigo
foi desse jeito, mas sinto muitíssimo pelas meninas que não tiveram a mesma
sorte que eu. Acredito na justiça divina, e dela ninguém escapa, nem
morrendo."
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Caso poderia ser enquadrado como tráfico de pessoas
A
pedido da BBC News Brasil, o auditor-fiscal do trabalho e pesquisador Maurício
Krepsky analisou o relato feito por Ana à reportagem e disse que o caso poderia
ser enquadrado, em tese, como tráfico de pessoas.
"O
caso apresenta todos os indicadores de tráfico de pessoas para fins de trabalho
escravo, ainda que inserido em um contexto de exploração sexual", afirma.
"A
atividade de profissional do sexo é reconhecida pelo Ministério do Trabalho e
Emprego. O que é vedado pela lei é a exploração de alguém para fins sexuais
mediante coação, engano, abuso ou transporte para exploração, elementos que
configuram tráfico de pessoas."
Ele
lembra também que há normativas internacionais que dizem que esse tipo de crime
não prescreve — ou seja, pode ser analisado em qualquer momento,
independentemente de quando aconteceu.
Krepsky
cita precedentes com esse mesmo entendimento de casos que remetem até ao
período da ditadura e foram julgados recentemente.
O
auditor não tem envolvimento com a investigação em andamento sobre uma possível
rede de aliciamento de Epstein no Brasil, que é tocada pelo Ministério Público
Federal (MPF).
A
procuradora Cinthia Gabriela Borges, da Unidade Nacional de Enfrentamento ao
Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes, do MPF, falou
anteriormente à BBC News Brasil da importância de que potencias vítimas da rede
de Epstein contem o que passaram.
"É
fundamental nesses casos a participação das vítimas na investigação, para que
possam trazer à luz os elementos de como foi o recrutamento."
Borges
disse ainda que as mulheres que mantiveram contato com Epstein não estão sendo
investigadas no processo, e que o objetivo é entender se havia pessoas
especializadas em aliciar e recrutar mulheres para fins sexuais.
"As
vítimas, em regra, não são consideradas responsáveis por eventuais atos que
elas venham a praticar, na situação de vítima de tráfico de pessoas."
Fonte:
BBC News Brasil

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