Henrique
Rodrigues: Jornalismo sob medida - Folha diz que Master “atinge tanto direita
quanto esquerda”
cinismo
da imprensa corporativa brasileira, quando decide blindar seus escolhidos ou
acolhidos por afinidade, não conhece limites. A última peça de ficção
fantasiada de reportagem “isenta” vem da Folha de S.Paulo. Num esforço
arrebatador de malabarismo retórico, o jornalão paulistano tenta emplacar a
narrativa de que o escândalo do Banco Master é um buraco negro que tragou, em
igual medida, a direita e a esquerda. É o puro suco do jornalismo sob medida: a
criação de uma falsa simetria para diluir a lama que, na vida real, escorre
exclusivamente pelos gabinetes do bolsonarismo e do centrão fisiológico. A
chamada é gerar gritos de revolta: “Relação de Vorcaro com políticos arrasta
nomes de direita e esquerda para escândalo do Banco Master”.
A
manobra é transparente. Diante da popularização do termo “BolsoMaster”, que
sintetiza com precisão o ecossistema de favorecimentos e relações promíscuas, e
muitas criminosas, entre a instituição de Daniel Vorcaro e o governo anterior,
a Folha correu para construir um “puxadinho” de esquerda no arranha-céu do
escândalo. A intenção é clara: se “todo mundo é culpado”, ninguém é vilão, e a
extrema direita ganha o salvo-conduto para usar livremente o clichê “mas e o
Lula, e o PT?”.
Para
sustentar essa mentira convertida em jornalismo profissional, a Folha pariu uma
lista bizarra de 16 nomes “envolvidos no caso”. Desses, o jornal pinçou cinco
para tentar colar na esquerda algum nível de culpa, forçando infantilmente a
tal equivalência. Mas basta um sopro de honestidade intelectual para ver que o
castelo de cartas desmorona.
Vejamos
o “lado esquerdo” da lista da Folha: Guido Mantega, Ricardo Lewandowski, Lula,
Jaques Wagner e Rui Costa.
A
começar por Guido Mantega e Ricardo Lewandowski. Chamá-los de “esquerda” para
fins de escândalo é um atestado de ignorância ou de pura má-fé. Mantega,
economista sênior sempre orbitando o “mercado”, apenas teve seus serviços de
consultoria oferecidos ao Master, algo comum em sua trajetória profissional,
sem qualquer relação com as vísceras do esquema ilegal. Já Lewandowski, atual
ministro da Justiça, é um jurista de carreira que presidiu o STF e que esteve
inclusive na presidência da Corte durante o farsesco impeachment da presidenta
Dilma Rousseff, em 2016, seguindo rigorosamente os ritos que derrubaram a
petista, sem apontar qualquer anormalidade naquele episódio histórico
vergonhoso. Seu “crime”? Ter tido um contrato lícito entre seu escritório de
advocacia e o banco muito antes de qualquer suspeita vir à tona. É o exercício
da advocacia transformado em “crime de proximidade” pela caneta seletiva da
Folha.
Quanto
a Lula, a acusação beira o puerismo. O presidente recebeu Daniel Vorcaro no
Palácio do Planalto, como faz com qualquer empresário ou investidor de peso,
cercado de assessores e ministros, aos olhos de todos. Tratar uma audiência
institucional do presidente da República como “envolvimento em escândalo” é o
grau máximo de leviandade. Já o senador Jaques Wagner (PT-BA) e ministro da
Casa Civil Rui Costa aparecem na lista por “suposta amizade” com figuras do
Master e de outras instituições satélites. Nenhuma prova ou indício de
ilegalidade, nenhum ato de ofício, nenhuma transação suspeita. Apenas a
tentativa desesperada de sujar o figurino do governo com o barro de um
escândalo que não lhes pertence.
Agora,
olhemos para onde o dinheiro e o tráfico de influência realmente moram. Do
outro lado da lista, os 11 nomes da direita e do bolsonarismo não estão ali por
“cortesia” ou “amizade”, mas por suspeitas reais e pesadas de irregularidades e
crimes que formam o verdadeiro cerne do caso Master.
Diferente
da “esquerda” inventada pela Folha, aqui o buraco é mais embaixo. Estamos
falando da utilização do aparato estatal para favorecer negócios, de liberações
suspeitas no Banco Central durante a gestão bolsonarista, de encontros às
escondidas para tratar de interesses diretos do banco e de uma rede de
influência. Aqui, não se trata de “conversa de consultório”, mas de suspeitas
reais de corrupção, lavagem de dinheiro e uso da máquina pública em benefício
de um grupo financeiro que se tornou o braço econômico da extrema direita.
Antônio
Rueda, presidente do União Brasil, e Ciro Nogueira, presidente do PP, aparecem
como os grandes anfitriões políticos do banco. Rueda é citado por aceitar
caronas no helicóptero de Vorcaro, mas o caso de Ciro é muito mais grave: ele é
o “grande amigo de vida” do banqueiro e autor da famigerada “Emenda Master”,
uma manobra legislativa que tentou aumentar a garantia do FGC de R$ 250 mil
para R$ 1 milhão por CPF, o que salvaria o couro da instituição em caso de
quebra. É o uso direto do Congresso para fabricar um colete à prova de balas
para um banco suspeito.
Davi
Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, e Ibaneis Rocha (MDB-DF),
governador do Distrito Federal, completam o núcleo de influência regional e
institucional. Alcolumbre é suspeito de ter apadrinhado investimentos
temerários de quase R$ 400 milhões da Amprev (Previdência do Amapá) no Master,
realizados em tempo recorde sob gestão de seu ex-tesoureiro. Já Ibaneis Rocha
está no centro do escandaloso plano de “salvamento” do Master pelo BRB (Banco
de Brasília), uma operação de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres que
quase quebrou o banco público da capital da República.
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A conexão Rio e a extrema direita
No Rio
de Janeiro, o governador Cláudio Castro (PL) é investigado pela Operação Barco
de Papel, que apura o uso do dinheiro dos aposentados fluminenses
(Rioprevidência) para alimentar o caixa do Master. No plano ideológico e de
financiamento eleitoral, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador de
São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparecem beneficiados pelo
“dinheiro da família Master”: o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro,
sócio e seu principal operador, foi o maior doador individual das campanhas de
ambos em 2022, injetando R$ 5 milhões na dupla extremista, sendo R$ 2 milhões
para Tarcísio e R$ 3 milhões para Bolsonaro.
Já os
deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e João Carlos Bacelar (PL-BA), além
do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL-AL), representariam o braço de
apoio logístico e de imagem de Vorcaro. Nikolas, além de estar na agenda de
contatos íntimos do banqueiro, utilizou jatinhos dele durante sua campanha
eleitoral. JHC e Bacelar, por outro lado, são citados por proximidade e por
supostas articulações na Câmara para barrar investigações ou facilitar o
trânsito de interesses do grupo Master junto ao governo federal.
<><>
O “cão de guarda” no Banco Central
Por
fim, o papel de Roberto Campos Neto é o que mais causa indignação. Sob sua
gestão no Banco Central, Vorcaro teve trânsito livre, com mais de 24 visitas
registradas. A suspeita é de “vista grossa” deliberada. Enquanto o Master
inflava seu patrimônio com títulos falsos e operações fraudulentas, a
fiscalização do BC, comandada por nomes indicados na era Campos Neto (como os
agora investigados Paulo Sérgio Neves e Bellini Santana), teria prestado uma
“consultoria informal” para o banco, ensinando-os a driblar as próprias normas
da autoridade monetária.
Diante
dessa nada equivalente lista, é impossível não chegar à conclusão de que o que
a Folha faz é um desserviço à democracia. Ao tentar “equilibrar” o jogo por
meio de mentiras deslavadas, ela protege os criminosos de verdade sob o manto
da dúvida generalizada.
O
escândalo do Master tem cor, tem partido e tem um nome que a grande imprensa
tenta desesperadamente apagar: BolsoMaster. O resto é contorcionismo de quem
trocou o compromisso com a verdade pela militância corporativa em favor do
status quo direitista. O jornalismo de “verniz profissional” da Folha nada mais
é do que cinismo em estado bruto. E bem descascado, por óbvio.
• Vaza plano de usar o STF para atingir
Lula. Por Eduardo Guimarães
Em um
ano eleitoral como 2026, sob ameaça de vitória daqueles que tentaram implantar
uma ditadura militar no país em 2022/2023, os indicadores econômicos deveriam
ser o grande trunfo do presidente Lula na busca pela reeleição.
Com
Inflação controlada, desemprego, pobreza, miséria e desigualdade caindo; com
PIB crescendo acima da média global e salário médio do trabalhador de R$
3.652,00 (segundo o IBGE); e com medidas como a isenção de Imposto de Renda
para quem ganha até R$ 5 mil, a visão popular sobre o governo deveria ser
diferente.
Esses
números compõem um quadro de recuperação econômica sólida após anos de
instabilidade. Mas, estranhamente, a percepção popular sobre a economia azedou
e a aprovação de Lula anda de lado justamente quando esses avanços se
consolidavam.
Não há
uma grande queda, mas o que se esperava era alta.
O que
explica essa desconexão? Uma análise das pesquisas de opinião revela um padrão:
a queda na popularidade de Lula coincide perfeitamente com uma campanha
orquestrada de ataques ao Supremo Tribunal Federal, especialmente contra
ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Juristas
como o professor Pedro Serrano, o doutor Lenio Streck, o advogado Kakay e o
grupo Prerrogativas (representado por Marco Aurélio Carvalho) já pediram
comedimento aos críticos que não sejam extremistas políticos irresponsáveis. Ou
seja: à imprensa.
Pedir
impeachment ou prisão de Alexandre de Moraes ou de Dias Toffoli é uma aberração
enquanto os grandes envolvidos como Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas,
Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e, acima de todos eles, Roberto Campos Neto
permanecem blindados -- sem falar de uma montanha de banqueiros e políticos de
direita.
O que
começou como uma matéria isolada na Globo, assinada pela jornalista Malu Gaspar
em 9 de dezembro de 2025, sobre supostos contratos da esposa de Moraes com o
Banco Master, evoluiu para uma avalanche de críticas que contaminou não só a
direita bolsonarista, mas parte da esquerda e a mídia corporativa.
A média
das pesquisas Datafolha, Quaest, Paraná Pesquisas, Ipsos/Ipec, PoderData,
AtlasIntel, CNT/MDA e outros mostra o movimento claro na aprovação a Lula:
Dezembro/2025:
47,0%
Janeiro/2026:
45,5%.
Fevereiro/2026:
44,0%
A
tendência é clara: a aprovação caiu progressivamente nos primeiros dois meses
de 2026, alinhada ao bombardeio midiático e político contra o STF que ganhou
força a partir de dezembro. Em março, mês ainda incompleto, a popularidade de
Lula aparece baixa nas sondagens preliminares, sem recuperação significativa
até o momento.
O que
começou como uma matéria isolada evoluiu para uma onda: em janeiro, críticas a
Toffoli por suposta corrupção que não cita o que ele teria dado em troca de
supostos benefícios vorcarianos, ganharam espaço; parte da esquerda,
influenciada por narrativas de “autoritarismo ou falta de ética judiciários”,
começou a atacar Moraes e Toffoli, criando uma rachadura interna.
Edson
Fachin, ministro do STF, isolou-se ao propor um código de conduta que insinuava
desvios morais no tribunal, alimentando a ideia de que o STF estava “podre”.
Em
fevereiro, a mídia corporativa – Globo, Folha, Estadão, Veja, Metrópoles etc. –
intensificou o bombardeio, defendendo abertamente figuras bolsonaristas como
Flávio Bolsonaro, que passou a ser “normalizado” em debates.
Manifestações
bolsonaristas pipocaram pelo país, com o mote “Fora Lula, Moraes e Toffoli”,
vinculando explicitamente o presidente ao Judiciário.
Joel
Pinheiro da Fonseca, autor da tese do “bolsonarismo moderado” que indicava
Tarcísio de Freitas como principal representante dessa vertente “civilizada” e
viável eleitoralmente, escreveu em artigo na Folha:
“TUDO O
QUE ENFRAQUECE O STF FORTALECE O BOLSONARISMO”
Essa
frase, que vazou o plano da extrema-direita para atingir Lula de forma
cristalina, admite que os ataques ao STF — independentemente de provas — servem
objetivamente à agenda bolsonarista, fortalecendo o campo da direita mesmo
quando partem de vozes que se dizem moderadas ou críticas ao extremismo.
Enquanto
a economia melhora – desemprego caiu mais 0,5 ponto em fevereiro, PIB é
revisado para cima, isenção do IR já impactando positivamente o consumo das
classes C e D –, o foco midiático está no STF, não nos bolsonaristas atolados
até o pescoço na lama vorcariana.
Por que
a parcela do povo beneficiada não vê suficientemente os benefícios que vem
auferindo? Porque a narrativa da mídia de direita a distraiu da realidade
econômica.
Vazamentos
recentes de conversas entre assessores bolsonaristas e jornalistas reforçam a
coordenação sobre “Usar o STF para bater no Lula sem sujar as mãos na
economia”, segundo áudio atribuído a um aliado de Flávio Bolsonaro que está
circulando em redes alternativas.
Não é
coincidência que Darren Beattie, assessor de Trump, visite Bolsonaro na prisão
e se reúna com Flávio logo após picos de ataques. Trump, com sua agenda
autocrática e extremista de direita, animou-se com a suposta debacle de Moraes
e do Tribunal como um todo.
O mais
grave: setores da esquerda ajudaram o bolsonarismo ao se unirem às críticas ao
STF -- unindo-se, por tabela, ao bolsonarismo e prejudicando a si mesmos.
Ao
atacar o Judiciário que barrou o golpe e protegeu a democracia — sem base em
fatos comprovados, como o arquivamento da PGR sobre o contrato da esposa de
Moraes —, parte da esquerda forneceu munição gratuita ao adversário,
enfraquecendo o campo progressista em pleno ano eleitoral.
É
preciso lembrar que só a resistência firme do STF contra o bolsonarismo
garantiu que o Brasil, pela primeira vez na história, punisse generais
golpistas e condenasse uma tentativa de golpe de Estado.
Foram
as decisões do Supremo — investigações, prisões preventivas, julgamentos e
condenações — que romperam a impunidade histórica das Forças Armadas em
episódios antidemocráticos, fortalecendo a democracia brasileira e impedindo
que o país volte ao ciclo de golpes impunes.
Atacar
esse mesmo STF agora é, objetivamente, enfraquecer a instituição que mais
contribuiu para a consolidação democrática recente.
Desde o
primeiro momento, em dezembro de 2025, o Planalto deveria ter liderado uma
campanha denunciando os ataques como farsa inconclusiva, açodada e
politiqueira, expondo os verdadeiros comparsas de Vorcaro em seus crimes de
lesa-pátria.
Não há
nem sequer evidências concretas de crimes.
Não houve nem menção da PF/PGR de
investigar Moraes; pelo contrário, houve afirmação de que investigar seria
ocioso. E o mais importante: sem aval destas a qualquer acusação a Moraes e à
esposa.
Sem
pagamento comprovado do suposto contrato no valor de R$ 129 milhões ou de
qualquer outro valor, ignora-se que a assunção pela doutora Viviane de Moraes
de prestação de serviços ao Master (que não era segredo) não importa em
admissão de qualquer valor ventilado pela mídia e projetado apenas em documento
supostamente apreendido pela PF (pois
até hoje a corporação não confirmou nada).
Não há
recibos ou extratos que deveriam existir, pois a tese é a de que o Casal De
Moraes praticou corrupção registrada em cartório, o que obrigaria a que
documentos assim existissem. Atribuir ao ministro e à esposa a prática de
corrupção por escrito e com firma reconhecida, pois, sugere uma dose cavalar de
burrice e despreparo de ambos.
Ignora-se,
também, que a prestação de serviços do “Barci de Moraes” ao Master ocorreu em
momento no qual prestar serviços advocatícios a banco em tão franca ascensão
era comum a qualquer grande escritório.
A PF
não encontrou elementos para investigar Moraes e a PGR arquivou pedidos por
falta de indícios. Esse plano vazado – explicitado por Joel Pinheiro da Fonseca
ao dizer que “tudo o que enfraquece o STF fortalece o bolsonarismo” – é uma
tática clássica de guerra híbrida.
O povo
merece ver a verdade, merece não ser manipulado de forma tão vil. Tudo que
fortalece o STF enfraquece o bolsonarismo, a extrema direita, as elites
golpistas de extrema-direita e, inclusive, a tese do "bolsonarismo
moderado", uma incoerência pela própria natureza.
E tenho
dito.
• Caso Master: Sergio Moro comete ato
falho ao se pronunciar sobre ala lavajatista da PF e MPF
lçado
ao posto de “super” ministro da Justiça – cargo que deixou após disputa com
Jair Bolsonaro (PL) por interferência na Polícia Federal para “não foder a
família” no caso das rachadinhas – depois de comandar com mãos de ferro o
lawfare da Lava Jato como juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, o senador
Sergio Moro (União-PR) cometeu um ato falho ao se pronunciar nas redes sociais
sobre os vazamentos seletivos no caso Master, creditados a ala “lavajatista” da
PF.
Tratado
como Lava Jato 2.0 após André Mendonça assumir a relatoria, as investigações
sobre o caso Master têm seguido o mesmo modus operandis da força-tarefa com
vazamentos seletivos para grandes grupos de comunicação, como a Globo, para
criar uma narrativa colocando integrantes do governo Lula no centro de um
escândalo que envolve figuras proeminentes do bolsonarismo e do Centrão.
Na
segunda-feira (9), a Fórum revelou que o delegado Thiago Marcantonio Ferreira,
que tem um longo histórico de relação com a Lava Jato e passou pelo “super”
Ministério da Justiça bolsonarista, ocupa um cargo central no gabinete de André
Mendonça.
Nesta
quarta-feira (11), Moro quebrou o silêncio, mas cometeu um ato falho em
publicação na Rede X ao dizer que é acusado de “ainda” controlar a PF e o MPF,
além de parte da imprensa.
“No
universo da loucura do PT e de alguns advogados picaretas do clube da
impunidade, eu ainda controlo a PF e o MPF. Também mando em parte da imprensa.
Mais fácil criar teorias da conspiração do que admitir responsabilidades”,
escreveu o senador.
Acontece
que Moro, em todos os cargos que passou, nunca teve poder de comando sobre as
instituições, especialmente sobre o Ministério Público Federal (MPF), embora
combinasse narrativas da Lava Jato diretamente com o procurador-chefe da Força
Tarefa, Deltan Dallagnol (Novo-PR).
Com
mandato de deputado federal cassado pela Lei da Ficha Limpa, Dallagnol retornou
à Brasília na segunda-feira e retomou a parceria com a Globo usando os
vazamentos seletivos da rede de comunicação para protocolar um novo pedido de
impeachment de Alexandre de Moraes, dessa vez avalizado pelo governador mineiro
Romeu Zema (Novo), que começa a desembarcar da ideia de ser presidenciável e já
acena para Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
<><>
Lava Jato 2.0
Em meio
a retomada de vazamentos seletivos pela Globo, que mira desta vez o ministro
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Deltan Dallagnol
(Novo-PR) retomou a antiga parceria com jornalistas do clã Marinho e partiu
logo cedo para Brasília nesta segunda-feira (9) para tentar voltar aos
holofotes da política, que se apagaram com a cassação de seu mandato.
Dallagnol
entrou para a política após conduzir um obscuro lawfare na Lava Jato,
combinando narrativas com jornalistas da Globo e da mídia liberal, conforme foi
revelado pelas mensagens no grupo Filhos de Januário, apreendidas pela Polícia
Federal na Operação Spoofing.
Ele
deixou o cargo quando ainda respondia a diversos procedimentos administrativos
disciplinares no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o que motivou
a cassação de seu mandato com base na Lei da Ficha Limpa.
Em
vídeo ao lado de Jeffrey Chiquini, advogado do bolsonarista Filipe Martins e
pré-candidato a deputado federal, Dallagnol usa informações divulgadas por Malu
Gaspar, da Globo, sobre o caso Master, que foram contestadas por Alexandre de
Moraes, como fatos, mesmo que o clã Marinho não tenha apresentado provas até o
momento.
“Agora
vai muito além de abusos, agora a gente está falando de crimes como indícios de
corrupção, de obstrução de investigação de organização criminosa, em cima não
só do contrato para Viviane Barci de Moraes. Porque a questão é, qual foi a
contraprestação desse contrato? R$ 129 milhões, está escancarado”, diz sobre o
valor do contrato, divulgado por Malu Gaspar, e não comprovado.
Em
seguida, Dallagnol faz sérias acusações contra o ministro do Supremo, dizendo
“que ele na verdade que era o contratado por Daniel Vorcaro”, sem apresentar
provas.
“E
agora há provas cautelares, há perícias da Polícia Federal. Então, o fundamento
jurídico é novo com indícios claríssimos de corrupção, lavagem de dinheiro e
obstrução da justiça”, diz Dalalgnol.
As
“perícias” citadas pelo ex-Lava Jato, no entanto, são apenas citadas pelas
reportagens da Globo, que diz ter ouvido a informação de “peritos da PF” em
off, ou seja sem revelar quais seriam as fontes.
Fonte:
Fórum/Brasil 247

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