Henrique
Rodrigues: Jornalismo sob medida - Folha diz que Master “atinge tanto direita
quanto esquerda”
cinismo
da imprensa corporativa brasileira, quando decide blindar seus escolhidos ou
acolhidos por afinidade, não conhece limites. A última peça de ficção
fantasiada de reportagem “isenta” vem da Folha de S.Paulo. Num esforço
arrebatador de malabarismo retórico, o jornalão paulistano tenta emplacar a
narrativa de que o escândalo do Banco Master é um buraco negro que tragou, em
igual medida, a direita e a esquerda. É o puro suco do jornalismo sob medida: a
criação de uma falsa simetria para diluir a lama que, na vida real, escorre
exclusivamente pelos gabinetes do bolsonarismo e do centrão fisiológico. A
chamada é gerar gritos de revolta: “Relação de Vorcaro com políticos arrasta
nomes de direita e esquerda para escândalo do Banco Master”.
A
manobra é transparente. Diante da popularização do termo “BolsoMaster”, que
sintetiza com precisão o ecossistema de favorecimentos e relações promíscuas, e
muitas criminosas, entre a instituição de Daniel Vorcaro e o governo anterior,
a Folha correu para construir um “puxadinho” de esquerda no arranha-céu do
escândalo. A intenção é clara: se “todo mundo é culpado”, ninguém é vilão, e a
extrema direita ganha o salvo-conduto para usar livremente o clichê “mas e o
Lula, e o PT?”.
Para
sustentar essa mentira convertida em jornalismo profissional, a Folha pariu uma
lista bizarra de 16 nomes “envolvidos no caso”. Desses, o jornal pinçou cinco
para tentar colar na esquerda algum nível de culpa, forçando infantilmente a
tal equivalência. Mas basta um sopro de honestidade intelectual para ver que o
castelo de cartas desmorona.
Vejamos
o “lado esquerdo” da lista da Folha: Guido Mantega, Ricardo Lewandowski, Lula,
Jaques Wagner e Rui Costa.
A
começar por Guido Mantega e Ricardo Lewandowski. Chamá-los de “esquerda” para
fins de escândalo é um atestado de ignorância ou de pura má-fé. Mantega,
economista sênior sempre orbitando o “mercado”, apenas teve seus serviços de
consultoria oferecidos ao Master, algo comum em sua trajetória profissional,
sem qualquer relação com as vísceras do esquema ilegal. Já Lewandowski, atual
ministro da Justiça, é um jurista de carreira que presidiu o STF e que esteve
inclusive na presidência da Corte durante o farsesco impeachment da presidenta
Dilma Rousseff, em 2016, seguindo rigorosamente os ritos que derrubaram a
petista, sem apontar qualquer anormalidade naquele episódio histórico
vergonhoso. Seu “crime”? Ter tido um contrato lícito entre seu escritório de
advocacia e o banco muito antes de qualquer suspeita vir à tona. É o exercício
da advocacia transformado em “crime de proximidade” pela caneta seletiva da
Folha.
Quanto
a Lula, a acusação beira o puerismo. O presidente recebeu Daniel Vorcaro no
Palácio do Planalto, como faz com qualquer empresário ou investidor de peso,
cercado de assessores e ministros, aos olhos de todos. Tratar uma audiência
institucional do presidente da República como “envolvimento em escândalo” é o
grau máximo de leviandade. Já o senador Jaques Wagner (PT-BA) e ministro da
Casa Civil Rui Costa aparecem na lista por “suposta amizade” com figuras do
Master e de outras instituições satélites. Nenhuma prova ou indício de
ilegalidade, nenhum ato de ofício, nenhuma transação suspeita. Apenas a
tentativa desesperada de sujar o figurino do governo com o barro de um
escândalo que não lhes pertence.
Agora,
olhemos para onde o dinheiro e o tráfico de influência realmente moram. Do
outro lado da lista, os 11 nomes da direita e do bolsonarismo não estão ali por
“cortesia” ou “amizade”, mas por suspeitas reais e pesadas de irregularidades e
crimes que formam o verdadeiro cerne do caso Master.
Diferente
da “esquerda” inventada pela Folha, aqui o buraco é mais embaixo. Estamos
falando da utilização do aparato estatal para favorecer negócios, de liberações
suspeitas no Banco Central durante a gestão bolsonarista, de encontros às
escondidas para tratar de interesses diretos do banco e de uma rede de
influência. Aqui, não se trata de “conversa de consultório”, mas de suspeitas
reais de corrupção, lavagem de dinheiro e uso da máquina pública em benefício
de um grupo financeiro que se tornou o braço econômico da extrema direita.
Antônio
Rueda, presidente do União Brasil, e Ciro Nogueira, presidente do PP, aparecem
como os grandes anfitriões políticos do banco. Rueda é citado por aceitar
caronas no helicóptero de Vorcaro, mas o caso de Ciro é muito mais grave: ele é
o “grande amigo de vida” do banqueiro e autor da famigerada “Emenda Master”,
uma manobra legislativa que tentou aumentar a garantia do FGC de R$ 250 mil
para R$ 1 milhão por CPF, o que salvaria o couro da instituição em caso de
quebra. É o uso direto do Congresso para fabricar um colete à prova de balas
para um banco suspeito.
Davi
Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, e Ibaneis Rocha (MDB-DF),
governador do Distrito Federal, completam o núcleo de influência regional e
institucional. Alcolumbre é suspeito de ter apadrinhado investimentos
temerários de quase R$ 400 milhões da Amprev (Previdência do Amapá) no Master,
realizados em tempo recorde sob gestão de seu ex-tesoureiro. Já Ibaneis Rocha
está no centro do escandaloso plano de “salvamento” do Master pelo BRB (Banco
de Brasília), uma operação de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres que
quase quebrou o banco público da capital da República.
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A conexão Rio e a extrema direita
No Rio
de Janeiro, o governador Cláudio Castro (PL) é investigado pela Operação Barco
de Papel, que apura o uso do dinheiro dos aposentados fluminenses
(Rioprevidência) para alimentar o caixa do Master. No plano ideológico e de
financiamento eleitoral, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador de
São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparecem beneficiados pelo
“dinheiro da família Master”: o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro,
sócio e seu principal operador, foi o maior doador individual das campanhas de
ambos em 2022, injetando R$ 5 milhões na dupla extremista, sendo R$ 2 milhões
para Tarcísio e R$ 3 milhões para Bolsonaro.
Já os
deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e João Carlos Bacelar (PL-BA), além
do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL-AL), representariam o braço de
apoio logístico e de imagem de Vorcaro. Nikolas, além de estar na agenda de
contatos íntimos do banqueiro, utilizou jatinhos dele durante sua campanha
eleitoral. JHC e Bacelar, por outro lado, são citados por proximidade e por
supostas articulações na Câmara para barrar investigações ou facilitar o
trânsito de interesses do grupo Master junto ao governo federal.
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O “cão de guarda” no Banco Central
Por
fim, o papel de Roberto Campos Neto é o que mais causa indignação. Sob sua
gestão no Banco Central, Vorcaro teve trânsito livre, com mais de 24 visitas
registradas. A suspeita é de “vista grossa” deliberada. Enquanto o Master
inflava seu patrimônio com títulos falsos e operações fraudulentas, a
fiscalização do BC, comandada por nomes indicados na era Campos Neto (como os
agora investigados Paulo Sérgio Neves e Bellini Santana), teria prestado uma
“consultoria informal” para o banco, ensinando-os a driblar as próprias normas
da autoridade monetária.
Diante
dessa nada equivalente lista, é impossível não chegar à conclusão de que o que
a Folha faz é um desserviço à democracia. Ao tentar “equilibrar” o jogo por
meio de mentiras deslavadas, ela protege os criminosos de verdade sob o manto
da dúvida generalizada.
O
escândalo do Master tem cor, tem partido e tem um nome que a grande imprensa
tenta desesperadamente apagar: BolsoMaster. O resto é contorcionismo de quem
trocou o compromisso com a verdade pela militância corporativa em favor do
status quo direitista. O jornalismo de “verniz profissional” da Folha nada mais
é do que cinismo em estado bruto. E bem descascado, por óbvio.
• Vaza plano de usar o STF para atingir
Lula. Por Eduardo Guimarães
Em um
ano eleitoral como 2026, sob ameaça de vitória daqueles que tentaram implantar
uma ditadura militar no país em 2022/2023, os indicadores econômicos deveriam
ser o grande trunfo do presidente Lula na busca pela reeleição.
Com
Inflação controlada, desemprego, pobreza, miséria e desigualdade caindo; com
PIB crescendo acima da média global e salário médio do trabalhador de R$
3.652,00 (segundo o IBGE); e com medidas como a isenção de Imposto de Renda
para quem ganha até R$ 5 mil, a visão popular sobre o governo deveria ser
diferente.
Esses
números compõem um quadro de recuperação econômica sólida após anos de
instabilidade. Mas, estranhamente, a percepção popular sobre a economia azedou
e a aprovação de Lula anda de lado justamente quando esses avanços se
consolidavam.
Não há
uma grande queda, mas o que se esperava era alta.
O que
explica essa desconexão? Uma análise das pesquisas de opinião revela um padrão:
a queda na popularidade de Lula coincide perfeitamente com uma campanha
orquestrada de ataques ao Supremo Tribunal Federal, especialmente contra
ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Juristas
como o professor Pedro Serrano, o doutor Lenio Streck, o advogado Kakay e o
grupo Prerrogativas (representado por Marco Aurélio Carvalho) já pediram
comedimento aos críticos que não sejam extremistas políticos irresponsáveis. Ou
seja: à imprensa.
Pedir
impeachment ou prisão de Alexandre de Moraes ou de Dias Toffoli é uma aberração
enquanto os grandes envolvidos como Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas,
Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e, acima de todos eles, Roberto Campos Neto
permanecem blindados -- sem falar de uma montanha de banqueiros e políticos de
direita.
O que
começou como uma matéria isolada na Globo, assinada pela jornalista Malu Gaspar
em 9 de dezembro de 2025, sobre supostos contratos da esposa de Moraes com o
Banco Master, evoluiu para uma avalanche de críticas que contaminou não só a
direita bolsonarista, mas parte da esquerda e a mídia corporativa.
A média
das pesquisas Datafolha, Quaest, Paraná Pesquisas, Ipsos/Ipec, PoderData,
AtlasIntel, CNT/MDA e outros mostra o movimento claro na aprovação a Lula:
Dezembro/2025:
47,0%
Janeiro/2026:
45,5%.
Fevereiro/2026:
44,0%
A
tendência é clara: a aprovação caiu progressivamente nos primeiros dois meses
de 2026, alinhada ao bombardeio midiático e político contra o STF que ganhou
força a partir de dezembro. Em março, mês ainda incompleto, a popularidade de
Lula aparece baixa nas sondagens preliminares, sem recuperação significativa
até o momento.
O que
começou como uma matéria isolada evoluiu para uma onda: em janeiro, críticas a
Toffoli por suposta corrupção que não cita o que ele teria dado em troca de
supostos benefícios vorcarianos, ganharam espaço; parte da esquerda,
influenciada por narrativas de “autoritarismo ou falta de ética judiciários”,
começou a atacar Moraes e Toffoli, criando uma rachadura interna.
Edson
Fachin, ministro do STF, isolou-se ao propor um código de conduta que insinuava
desvios morais no tribunal, alimentando a ideia de que o STF estava “podre”.
Em
fevereiro, a mídia corporativa – Globo, Folha, Estadão, Veja, Metrópoles etc. –
intensificou o bombardeio, defendendo abertamente figuras bolsonaristas como
Flávio Bolsonaro, que passou a ser “normalizado” em debates.
Manifestações
bolsonaristas pipocaram pelo país, com o mote “Fora Lula, Moraes e Toffoli”,
vinculando explicitamente o presidente ao Judiciário.
Joel
Pinheiro da Fonseca, autor da tese do “bolsonarismo moderado” que indicava
Tarcísio de Freitas como principal representante dessa vertente “civilizada” e
viável eleitoralmente, escreveu em artigo na Folha:
“TUDO O
QUE ENFRAQUECE O STF FORTALECE O BOLSONARISMO”
Essa
frase, que vazou o plano da extrema-direita para atingir Lula de forma
cristalina, admite que os ataques ao STF — independentemente de provas — servem
objetivamente à agenda bolsonarista, fortalecendo o campo da direita mesmo
quando partem de vozes que se dizem moderadas ou críticas ao extremismo.
Enquanto
a economia melhora – desemprego caiu mais 0,5 ponto em fevereiro, PIB é
revisado para cima, isenção do IR já impactando positivamente o consumo das
classes C e D –, o foco midiático está no STF, não nos bolsonaristas atolados
até o pescoço na lama vorcariana.
Por que
a parcela do povo beneficiada não vê suficientemente os benefícios que vem
auferindo? Porque a narrativa da mídia de direita a distraiu da realidade
econômica.
Vazamentos
recentes de conversas entre assessores bolsonaristas e jornalistas reforçam a
coordenação sobre “Usar o STF para bater no Lula sem sujar as mãos na
economia”, segundo áudio atribuído a um aliado de Flávio Bolsonaro que está
circulando em redes alternativas.
Não é
coincidência que Darren Beattie, assessor de Trump, visite Bolsonaro na prisão
e se reúna com Flávio logo após picos de ataques. Trump, com sua agenda
autocrática e extremista de direita, animou-se com a suposta debacle de Moraes
e do Tribunal como um todo.
O mais
grave: setores da esquerda ajudaram o bolsonarismo ao se unirem às críticas ao
STF -- unindo-se, por tabela, ao bolsonarismo e prejudicando a si mesmos.
Ao
atacar o Judiciário que barrou o golpe e protegeu a democracia — sem base em
fatos comprovados, como o arquivamento da PGR sobre o contrato da esposa de
Moraes —, parte da esquerda forneceu munição gratuita ao adversário,
enfraquecendo o campo progressista em pleno ano eleitoral.
É
preciso lembrar que só a resistência firme do STF contra o bolsonarismo
garantiu que o Brasil, pela primeira vez na história, punisse generais
golpistas e condenasse uma tentativa de golpe de Estado.
Foram
as decisões do Supremo — investigações, prisões preventivas, julgamentos e
condenações — que romperam a impunidade histórica das Forças Armadas em
episódios antidemocráticos, fortalecendo a democracia brasileira e impedindo
que o país volte ao ciclo de golpes impunes.
Atacar
esse mesmo STF agora é, objetivamente, enfraquecer a instituição que mais
contribuiu para a consolidação democrática recente.
Desde o
primeiro momento, em dezembro de 2025, o Planalto deveria ter liderado uma
campanha denunciando os ataques como farsa inconclusiva, açodada e
politiqueira, expondo os verdadeiros comparsas de Vorcaro em seus crimes de
lesa-pátria.
Não há
nem sequer evidências concretas de crimes.
Não houve nem menção da PF/PGR de
investigar Moraes; pelo contrário, houve afirmação de que investigar seria
ocioso. E o mais importante: sem aval destas a qualquer acusação a Moraes e à
esposa.
Sem
pagamento comprovado do suposto contrato no valor de R$ 129 milhões ou de
qualquer outro valor, ignora-se que a assunção pela doutora Viviane de Moraes
de prestação de serviços ao Master (que não era segredo) não importa em
admissão de qualquer valor ventilado pela mídia e projetado apenas em documento
supostamente apreendido pela PF (pois
até hoje a corporação não confirmou nada).
Não há
recibos ou extratos que deveriam existir, pois a tese é a de que o Casal De
Moraes praticou corrupção registrada em cartório, o que obrigaria a que
documentos assim existissem. Atribuir ao ministro e à esposa a prática de
corrupção por escrito e com firma reconhecida, pois, sugere uma dose cavalar de
burrice e despreparo de ambos.
Ignora-se,
também, que a prestação de serviços do “Barci de Moraes” ao Master ocorreu em
momento no qual prestar serviços advocatícios a banco em tão franca ascensão
era comum a qualquer grande escritório.
A PF
não encontrou elementos para investigar Moraes e a PGR arquivou pedidos por
falta de indícios. Esse plano vazado – explicitado por Joel Pinheiro da Fonseca
ao dizer que “tudo o que enfraquece o STF fortalece o bolsonarismo” – é uma
tática clássica de guerra híbrida.
O povo
merece ver a verdade, merece não ser manipulado de forma tão vil. Tudo que
fortalece o STF enfraquece o bolsonarismo, a extrema direita, as elites
golpistas de extrema-direita e, inclusive, a tese do "bolsonarismo
moderado", uma incoerência pela própria natureza.
E tenho
dito.
• Caso Master: Sergio Moro comete ato
falho ao se pronunciar sobre ala lavajatista da PF e MPF
lçado
ao posto de “super” ministro da Justiça – cargo que deixou após disputa com
Jair Bolsonaro (PL) por interferência na Polícia Federal para “não foder a
família” no caso das rachadinhas – depois de comandar com mãos de ferro o
lawfare da Lava Jato como juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, o senador
Sergio Moro (União-PR) cometeu um ato falho ao se pronunciar nas redes sociais
sobre os vazamentos seletivos no caso Master, creditados a ala “lavajatista” da
PF.
Tratado
como Lava Jato 2.0 após André Mendonça assumir a relatoria, as investigações
sobre o caso Master têm seguido o mesmo modus operandis da força-tarefa com
vazamentos seletivos para grandes grupos de comunicação, como a Globo, para
criar uma narrativa colocando integrantes do governo Lula no centro de um
escândalo que envolve figuras proeminentes do bolsonarismo e do Centrão.
Na
segunda-feira (9), a Fórum revelou que o delegado Thiago Marcantonio Ferreira,
que tem um longo histórico de relação com a Lava Jato e passou pelo “super”
Ministério da Justiça bolsonarista, ocupa um cargo central no gabinete de André
Mendonça.
Nesta
quarta-feira (11), Moro quebrou o silêncio, mas cometeu um ato falho em
publicação na Rede X ao dizer que é acusado de “ainda” controlar a PF e o MPF,
além de parte da imprensa.
“No
universo da loucura do PT e de alguns advogados picaretas do clube da
impunidade, eu ainda controlo a PF e o MPF. Também mando em parte da imprensa.
Mais fácil criar teorias da conspiração do que admitir responsabilidades”,
escreveu o senador.
Acontece
que Moro, em todos os cargos que passou, nunca teve poder de comando sobre as
instituições, especialmente sobre o Ministério Público Federal (MPF), embora
combinasse narrativas da Lava Jato diretamente com o procurador-chefe da Força
Tarefa, Deltan Dallagnol (Novo-PR).
Com
mandato de deputado federal cassado pela Lei da Ficha Limpa, Dallagnol retornou
à Brasília na segunda-feira e retomou a parceria com a Globo usando os
vazamentos seletivos da rede de comunicação para protocolar um novo pedido de
impeachment de Alexandre de Moraes, dessa vez avalizado pelo governador mineiro
Romeu Zema (Novo), que começa a desembarcar da ideia de ser presidenciável e já
acena para Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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Lava Jato 2.0
Em meio
a retomada de vazamentos seletivos pela Globo, que mira desta vez o ministro
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Deltan Dallagnol
(Novo-PR) retomou a antiga parceria com jornalistas do clã Marinho e partiu
logo cedo para Brasília nesta segunda-feira (9) para tentar voltar aos
holofotes da política, que se apagaram com a cassação de seu mandato.
Dallagnol
entrou para a política após conduzir um obscuro lawfare na Lava Jato,
combinando narrativas com jornalistas da Globo e da mídia liberal, conforme foi
revelado pelas mensagens no grupo Filhos de Januário, apreendidas pela Polícia
Federal na Operação Spoofing.
Ele
deixou o cargo quando ainda respondia a diversos procedimentos administrativos
disciplinares no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o que motivou
a cassação de seu mandato com base na Lei da Ficha Limpa.
Em
vídeo ao lado de Jeffrey Chiquini, advogado do bolsonarista Filipe Martins e
pré-candidato a deputado federal, Dallagnol usa informações divulgadas por Malu
Gaspar, da Globo, sobre o caso Master, que foram contestadas por Alexandre de
Moraes, como fatos, mesmo que o clã Marinho não tenha apresentado provas até o
momento.
“Agora
vai muito além de abusos, agora a gente está falando de crimes como indícios de
corrupção, de obstrução de investigação de organização criminosa, em cima não
só do contrato para Viviane Barci de Moraes. Porque a questão é, qual foi a
contraprestação desse contrato? R$ 129 milhões, está escancarado”, diz sobre o
valor do contrato, divulgado por Malu Gaspar, e não comprovado.
Em
seguida, Dallagnol faz sérias acusações contra o ministro do Supremo, dizendo
“que ele na verdade que era o contratado por Daniel Vorcaro”, sem apresentar
provas.
“E
agora há provas cautelares, há perícias da Polícia Federal. Então, o fundamento
jurídico é novo com indícios claríssimos de corrupção, lavagem de dinheiro e
obstrução da justiça”, diz Dalalgnol.
As
“perícias” citadas pelo ex-Lava Jato, no entanto, são apenas citadas pelas
reportagens da Globo, que diz ter ouvido a informação de “peritos da PF” em
off, ou seja sem revelar quais seriam as fontes.
Fonte:
Fórum/Brasil 247
As
mulheres de batalhão curdo feminino que se preparam para lutar contra o regime
iraniano
Com a
continuidade dos bombardeios dos EUA e de Israel
contra o Irã,
crescem as especulações de que grupos armados curdos iranianos baseados no
Iraque possam em breve cruzar a
fronteira e entrar na guerra contra a república islâmica.
Em
resposta, o Irã lançou ataques contra vários grupos curdos, incluindo um ataque
com míssil balístico que matou um combatente.
Enquanto
isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse em 7 de março que não quer que
os curdos lutem no Irã.
A BBC
obteve acesso raro a um grupo de combatentes curdos – um batalhão composto
exclusivamente por mulheres.
Foram
necessários dias de espera e negociação para conseguir entrar nas cavernas
profundas e túneis subterrâneos que servem de base para os combatentes curdos
iranianos no norte do Iraque.
Eles
operam uma rede de comunicação secreta e vivem isolados e fora do radar na
região semiautônoma do Curdistão.
Apenas
uma fotógrafa teve permissão para entrar no complexo e passar dez dias com os
curdos.
Nas
últimas décadas, vários grupos rebeldes curdos do Irã se mudaram para as
montanhas do outro lado da fronteira, no Iraque.
Eles
estão se escondendo da inteligência iraniana, de seus aliados xiitas no Iraque
e das forças turcas.
Recentemente,
os principais grupos curdos iranianos no norte do Iraque formaram uma coalizão
e houve especulações de que o presidente dos EUA, Donald Trump, entrou em
contato direto com os líderes e pediu que se juntassem à guerra.
Em uma
entrevista por telefone à Reuters em 5 de março, Trump disse que apoiava uma
ofensiva curda no Irã, afirmando: "Acho maravilhoso se eles quiserem fazer
isso".
No
entanto, o presidente dos EUA disse a jornalistas no sábado que não quer tropas
curdas em solo iraniano. "Não queremos tornar a guerra mais complexa do
que já é", disse ele.
Enquanto
os bombardeios dos EUA e de Israel continuam, o Irã lançou ataques contra
vários grupos curdos, incluindo um ataque com míssil balístico que matou um
combatente.
Um dos
grupos mais organizados é o Partido da Vida Livre do Curdistão (PJAK), que
afirma estar se preparando há anos para enviar tropas terrestres de volta ao
Irã.
"Luto
pela minha família e pelo povo curdo, que há muito tempo é oprimido", diz
Aryen, de 21 anos.
Ela é
membro de uma unidade das Forças de Defesa Feminina do PJAK.
Como
curda, Aryen diz que viveu injustiças e discriminação no Irã e não teve outra
escolha a não ser pegar em armas. Ela se juntou ao PJAK há dois anos.
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Dentro de bases militares secretas
Os
túneis são refúgios seguros abastecidos com comida, dinheiro e depósitos de
munição.
O PJAK
mantém o número de seus combatentes em segredo absoluto, mas cerca de 60
combatentes - a maioria mulheres - treinam nesta base desde antes do início da
guerra entre os EUA e Israel e o Irã.
Os
combatentes passam por exercícios militares, sessões ideológicas e praticam uma
ampla gama de habilidades, como táticas de atiradores de elite e drones.
Eles
também passaram por exames médicos em preparação para o envio em direção à
fronteira, à medida que as tensões entre os EUA e o Irã aumentavam.
"Esta
guerra era muito aguardada", disse Gelawej Ewrin, de 40 anos, à BBC.
Aos 20
anos, Ewrin abandonou o curso de geografia na cidade iraniana de Urmia e se
juntou ao PJAK como soldada rasa. Mais tarde, tornou-se porta-voz.
Falando
de uma das cavernas secretas, Ewrin diz que passou metade da vida nessas
montanhas e não vê sua família desde que partiu. Ela afirma que, embora
Khamenei possa ter morrido nos ataques atuais, a série de protestos liderados
por mulheres em todo o Irã, iniciada em 2022, já havia enfraquecido a República
Islâmica.
Ela se
refere aos distúrbios desencadeados pela
morte de Mahsa Amini, uma
mulher curda de 22 anos que havia sido presa pela polícia iraniana por não
seguir as regras que exigem que as mulheres usem o véu.
<><>
A única opção
As
autoridades iranianas responderam aos protestos – que se transformaram em um
movimento chamado "Mulheres, Vida, Liberdade" – com uma repressão
violenta, mas isso serviu de inspiração para algumas das novas integrantes do
PJAK.
Antes
de se juntar ao PJAK, Bigen, de 18 anos, participou dos protestos em massa e se
recusou a usar véu na escola em um ato de desobediência civil.
"As
mulheres não têm muitas opções", diz Bige, enquanto trança lentamente o
cabelo de uma companheira de luta.
"Ou
sofremos violência doméstica e restrições sociais, ou nos protegemos por meio
da revolução."
Os
grupos rebeldes curdos são frequentemente acusados de recrutar crianças-soldado,
e Bigen era de fato ainda uma estudante no Irã quando se juntou ao
grupo rebelde há três anos. Muitas combatentes aqui dizem que, para elas, a
resistência armada era a única saída.
"Minha
luta é para garantir um futuro livre para a próxima geração de curdos",
diz a dentista Delal, que se tornou guerrilheira aos 23 anos.
"Para
o povo curdo... os últimos duzentos anos foram marcados por opressão e
violência", acrescenta.
O PJAK
foi formado em 2004 e estava ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão
(PKK), um grupo separatista na Turquia que depôs as armas no ano passado, após
quatro décadas de conflito com o Estado turco.
O PJAK
afirmou que respeita a decisão, mas os curdos iranianos continuarão sua
resistência armada contra a República Islâmica do Irã.
Tanto a
Turquia quanto o Irã o reconhecem como uma organização terrorista.
O
Ministério da Defesa turco afirma que monitora as atividades do "grupo
terrorista PJAK", que acusa de alimentar o separatismo étnico e ameaçar a
paz e a estabilidade na região.
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Medo de guerra civil
As
combatentes curdas estão cientes da dimensão do desafio que têm pela frente –
talvez até mesmo da perspectiva de um conflito direto com as forças bem armadas
da República Islâmica.
"Uma
guerra civil é algo que esperamos não enfrentar", disse Ewrin à BBC.
"Devemos
fazer tudo o que pudermos para conduzir a guerra rumo ao colapso do regime,
para que a guerra não se volte contra nós e nos force a lutar uns contra os
outros no futuro", acrescentou.
"O
Oriente Médio está sendo redesenhado e o povo do Irã deve se unir e tomar uma
decisão sobre o seu futuro."
Grupos
de oposição iranianos esperam que o Irã saia desta guerra como um modelo de
democracia na região, mas temem uma espiral descendente caso as forças
nacionalistas prevaleçam.
Os
curdos representam até 10% da população iraniana de 90 milhões de habitantes e,
por décadas, se sentiram marginalizados e perseguidos pela República Islâmica.
Desde
então, Teerã intensificou os ataques contra grupos curdos iranianos na região
do Curdistão iraquiano. A BBC conversou com os líderes da nova coalizão e
perguntou sobre a ligação telefônica com Trump, mas eles se recusaram a
comentar e rejeitaram as notícias de que forças já teriam cruzado a fronteira
para o Irã.
No
entanto, o PJAK afirma ter forças armadas "significativas" já em solo
iraniano, que aguardam o momento certo para agir.
"Nosso
envolvimento militar depende de como as coisas se desenvolverem nos próximos
dias", disse um dos líderes.
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Encruzilhada
Outros
grupos de oposição curda iranianos afirmam estar monitorando a situação e
avaliando diversas opções.
Mustafa
Hijri, líder do Partido Democrático do Curdistão Iraniano (KDPI), afirma que
seu mandato é "administrar o Curdistão iraniano durante um período de
transição" e pediu a seus seguidores que se abstenham de represálias que
possam comprometer a segurança.
Enquanto
isso, alguns combatentes curdos expressam dúvidas sobre se o apoio dos EUA pode
ser garantido em uma eventual guerra.
Uma
fonte familiarizada com os combatentes curdos iranianos disse à BBC que os
grupos de oposição não deslocarão tropas para o terreno a menos que tenham o
apoio garantido da Força Aérea dos EUA.
Ele
acredita que as forças armadas iranianas permanecem fortes e que os combatentes
curdos poderiam enfrentar um resultado "devastador" se lançarem uma
ofensiva terrestre.
Para as
combatentes das Forças de Defesa Femininas, a "liberdade" que tanto
almejam demorou a chegar.
Delal
já deixou os locais de treinamento e se deslocou para mais perto da fronteira.
Caso os curdos se juntem à guerra contra a República Islâmica, não há como
saber quanto tempo os combates poderão durar, nem qual será o seu resultado.
¨
Risco de "guerra longa" no Irã pressiona
arsenal dos EUA
Durante
as quase duas semanas do conflito com o Irã, os EUA já acumulam milhares de ataques em todo o país,
empregando mais de 20 sistemas de armas por armas por ar, terra e mar.
Após
matar o ex-líder supremo iraniano Ali Khamenei, o presidente dos
EUA, Donald Trump, afirmou que a guerra poderia durar de quatro a cinco
semanas, mas que os EUA têm a "capacidade de ir muito além disso".
"Não
temos escassez de munições", disse o secretário de Defesa dos EUA, Pete
Hegseth, durante uma visita ao Comando Central das Forças Armadas em 5 de
março. "Nossos estoques de armas defensivas e ofensivas nos permitem
sustentar esta campanha pelo tempo que for necessário."
O
general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, fez garantias semelhantes.
"Temos munições de precisão suficientes para a tarefa, tanto ofensiva
quanto defensiva", afirmou ao lado de Hegseth.
Na
segunda-feira, porém, Trump recuou e alegou que os ataques podem acabar
"muito em breve". Uma postagem sua no começo de março indicou que os
EUA têm "estoques de munições de níveis médio e médio-alto" de sobra.
"No nível mais alto, temos um bom suprimento, mas não estamos onde
gostaríamos de estar", completou, sobre os armamentos de alta categoria, que incluem mísseis
e interceptadores de longo alcance.
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A matemática da guerra no Irã
Para
Kelly Grieco, pesquisadora sênior do think tank Stimson Center, a distinção
feita por Trump é importante. "Há limitações reais nos estoques desse
tipo", disse ela.
Desde o
início do conflito, EUA, Israel e Irã lançaram uma enxurrada de ataques pela
região. Segundo o Comando Central dos EUA, 3 mil alvos foram atingidos apenas
nos primeiros sete dias.
Em
resposta, o Irã disparou milhares de drones Shahed-136 e centenas de mísseis
contra alvos americanos na região. É aqui que a matemática fica desconfortável
para os EUA, aponta Grieco.
A
produção de cada drone Shahed custa entre 20 mil e 50 mil dólares. Já as
várias formas de defesa usadas pelos EUA e aliados não
são baratas. Cada disparo de um caças armados com mísseis AIM-9 custa 450 mil
dólares, além de 40 mil dólares por hora apenas para manter o avião no ar.
"O
custo de operar o caça por uma hora equivale ao custo de um Shahed", disse
Grieco. "Não é eficiente. Não é uma troca de custos favorável."
Ela
argumenta que os EUA deveriam ter aprendido com a Ucrânia, que encontrou
métodos mais baratos, como drones interceptores que custam menos que os
Shaheds. "Os Estados Unidos testaram essa tecnologia, só não a compraram
em quantidade suficiente", afirmou.
Já
os mísseis de defesa Patriot, muito mais caros
(cerca de 3 milhões de dólares cada), são reservados para interceptar mísseis
balísticos iranianos. Mark Cancian, conselheiro sênior do think tank Centro de
Estudos Estratégicos e Internacionais, estima que os estoques estão sendo consumidos
rapidamente.
"No
início, acho que havia cerca de 1.000 Patriots, e já reduzimos bastante esse
inventário", disse. Ele estima que entre 200 e 300 mísseis deste tipo já
foram usados.
Além
disso, armas de alta categoria levam tempo para serem produzidas. A Lockheed
Martin entregou apenas 620 interceptores PAC-3 em todo o ano de 2025. "Se
você fosse à empresa hoje e dissesse que quer comprar mais um Patriot, levaria
pelo menos dois anos para ele ficar pronto", afirmou Cancian.
Para
armas de curto alcance, como bombas, kits JDAM e mísseis Hellfire, o cenário é
diferente. "Militarmente, acho que poderíamos sustentar isso por muito
tempo. Temos munições terrestres para isso", disse Cancian.
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Casa Branca se reúne com empresas de defesa
Em 6 de
março, Trump se reuniu com várias empresas de defesa e depois afirmou que
os fabricantes concordaram em quadruplicar a produção das armas de mais alta
categoria. A Casa Branca enfatizou que a reunião estava marcada havia semanas.
Grieco,
porém, duvida da novidade desses acordos. "Achei aquilo praticamente um
não-anúncio, porque nos últimos meses a maioria dessas medidas já havia sido
anunciada", disse.
O
acordo da Lockheed Martin para ampliar a produção dos PAC-3 de 600 para 2.000
por ano é público desde janeiro. Após a reunião, nenhum novo cronograma foi
divulgado. A meta continua sendo 2030.
Mesmo
acelerar a produção não é simples. "Existem gargalos em vários pontos e,
mesmo jogando muito dinheiro no problema, não é só apertar um botão e produzir.
Ainda vai levar tempo", afirmou a analista.
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Estoques baixos podem ter consequências globais
Analistas
concordam que os EUA provavelmente não ficarão sem armas durante a guerra no
Irã, mas há preocupações para o futuro.
"Vai
acabar? Não é bem assim que eu colocaria", disse Grieco. "Não acho
que nada vá realmente acabar nesta guerra. Mas o problema é que ficaremos com
estoques 'no osso' e isso vai limitar nossas opções nos próximos anos no
Indo-Pacífico, na Europa ou até no Oriente Médio."
O
presidente ucraniano Volodimir
Zelenski já soou o alarme. "Há preocupações de que, no
caso de uma guerra prolongada, os EUA possam reduzir o fornecimento de sistemas
de defesa aérea e mísseis para a Ucrânia", disse Zelenski à emissora
italiana RAI.
Em
entrevista à Bloomberg, o ex-secretário de Estado Antony Blinken fez um alerta
semelhante. Uma operação prolongada no Irã poderia deixar os EUA vulneráveis a
ameaças da Rússia e da China, afirmou.
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O Irã está sendo subestimado?
O
general americano Dan Caine informou que os lançamentos de mísseis balísticos
iranianos caíram "86% desde o primeiro dia de combate". Washington
interpreta isso como sinal de progresso.
Grieco
reconhece que é difícil saber os detalhes por trás dessa queda, mas considera
provável que "tenhamos causado uma degradação significativa da força de
mísseis balísticos".
Quanto
aos drones Shahed, a produção descentralizada torna quase impossível estimar
estoques. Mas Grieco argumenta que os EUA podem ter subestimado o Irã. "Se
o objetivo é mudança de regime, o poder aéreo sozinho não vai bastar."
Ela
acredita que a contenção anterior do Irã diante de ataques dos EUA e de Israel
foi interpretada como fraqueza, levando a falhas de dissuasão. "Eles estão
lutando pela sobrevivência do regime. Têm incentivos para lutar duro e pagar
altos custos", afirmou.
Cancian
concorda. "Nós os atingimos com força, e eles não pediram paz",
disse. "Isso talvez não tenha sido antecipado."
A
captura rápida do ex-líder Nicolás Maduro na Venezuela, em janeiro, alimentou a
confiança de Washington sobre os possíveis desfechos da operação. Mas os EUA já
erraram antes sobre a duração e o custo de suas guerras. O arsenal do governo
Trump pode não se esgotar no Irã, mas permanecem dúvidas sobre o que restará
quando tudo terminar.
Fonte:
BBC World Service/DW Brasil

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