sexta-feira, 13 de março de 2026

Dia Mundial do Rim alerta para doenças silenciosas que afetam milhões de brasileiros

No Dia Mundial do Rim, celebrado não dia 12/03, especialistas alertam para o avanço silencioso das doenças renais e para a importância do diagnóstico precoce. No Brasil, milhões de pessoas convivem com algum grau de comprometimento da função dos rins — muitas vezes sem saber — o que pode levar a complicações graves, como necessidade de diálise ou transplante.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), cerca de 10% da população mundial apresenta algum tipo de doença renal crônica. No Brasil, estima-se que mais de 170 mil pacientes dependam de diálise, segundo o Censo Brasileiro de Diálise. Entre os principais fatores de risco estão hipertensão arterial, diabetes, obesidade, histórico familiar e envelhecimento da população.

<><> Doenças que afetam os rins

Segundo o nefrologista Túlio Coelho Carvalho, coordenador da Nefrologia do Hospital Mater Dei EMEC (HMDE), em Feira de Santana, as enfermidades renais podem ser classificadas, principalmente, em doença renal crônica (DRC) e insuficiência renal aguda. “A forma crônica se desenvolve lentamente, com perda progressiva da função dos rins ao longo dos anos. Já a insuficiência renal aguda pode surgir de forma repentina, geralmente associada a infecções graves, desidratação, uso inadequado de medicamentos ou complicações hospitalares”, explica.

Além dessas condições, outras doenças frequentemente comprometem os rins, como cálculos renais (pedra nos rins), infecções urinárias recorrentes, glomerulonefrites e distúrbios eletrolíticos, que alteram níveis de substâncias importantes no organismo, como sódio e potássio. “O diagnóstico precoce é fundamental porque muitas doenças renais evoluem de forma silenciosa. Quando os sintomas aparecem, muitas vezes o comprometimento da função renal já é significativo”, explica Túlio Coelho.

<><> Prevenção e diagnóstico

Ainda segundo o especialista, a prevenção começa com cuidados simples. Controlar a pressão arterial e o diabetes, manter alimentação equilibrada, evitar excesso de sal e de medicamentos sem orientação médica e manter boa hidratação são medidas importantes para proteger os rins.

Exames laboratoriais simples, como dosagem de creatinina no sangue e análise de urina, ajudam a identificar alterações precoces. “Muitas vezes, um exame de rotina já consegue indicar se há algum comprometimento da função renal. Isso permite iniciar o tratamento antes que o problema evolua”, afirma o nefrologista.

<><> Tratamento e hemodiálise

Quando a função dos rins é gravemente comprometida, o paciente pode precisar de terapia renal substitutiva, que inclui hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal. A hemodiálise filtra o sangue por meio de equipamentos que substituem temporariamente o trabalho dos rins.

Na Bahia, hospitais de maior complexidade têm ampliado a assistência a esses pacientes, especialmente fora da capital. A descentralização do atendimento tem permitido que pessoas do interior tenham acesso a terapias renais avançadas sem precisar se deslocar até Salvador.

<><> Referência

Em Feira de Santana, por exemplo, o Hospital Mater Dei EMEC recebe pessoas de diversos municípios da região. “O EMEC é hoje a principal referência do interior da Bahia para pacientes com complicações renais. Somos referência em hemodiálise convencional, terapias contínuas e transplante renal, além do tratamento de distúrbios do sódio e do potássio e da insuficiência renal aguda. O hospital também é atualmente o único hospital privado do interior da Bahia que realiza transplante renal”, afirma o nefrologista.

Segundo ele, o HMDE atende pacientes de cidades como Alagoinhas, Serrinha, Ribeira do Pombal e Euclides da Cunha, muitas vezes encaminhados após complicações durante sessões de diálise em suas cidades de origem. “Atualmente realizamos cerca de 75 sessões mensais de hemodiálise em pacientes internados e aproximadamente 35 sessões de terapias contínuas em pacientes graves na UTI, que podem durar entre 24 e 48 horas”, explica.

<><> Transplante e qualidade de vida

Nos casos mais avançados de doença renal crônica, o transplante renal é considerado o tratamento que oferece maior qualidade de vida ao paciente. No Brasil, o procedimento é realizado principalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que mantém um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo.

O acesso ao transplante depende da disponibilidade de órgãos e do cadastro em listas de espera, o que reforça a importância da doação de órgãos. “A hemodiálise salva vidas, mas o transplante renal costuma oferecer melhores perspectivas de qualidade de vida a longo prazo. Por isso, é fundamental fortalecer a cultura da doação de órgãos e ampliar o acesso ao diagnóstico precoce”, conclui Túlio Carvalho.

•        No Mês da Mulher, especialistas alertam para desafios legais, sociais e emocionais de quem cria filhos com deficiência

Quando nasce uma criança com deficiência ou necessidades especiais, muitas mães precisam reformular não apenas o conceito de maternidade, mas também a própria vida. No Brasil, essas mulheres — chamadas de mães atípicas — enfrentam desafios que vão da busca por diagnóstico e tratamentos à luta permanente por direitos básicos de saúde, educação e inclusão social.

Apesar de avanços importantes na legislação brasileira voltada às pessoas com deficiência, a realidade ainda é marcada por obstáculos que começam muitas vezes ainda na gestação e seguem ao longo de toda a vida da criança, afetando diretamente a rotina familiar.

“Infelizmente, ainda vemos violações em vários níveis: desde o acesso a exames na gestação até o direito às terapias e à inclusão escolar”, afirma a advogada Sabrina Batista, sócia do BSF Advogados e mãe atípica.

<><> Direitos garantidos

De acordo com o advogado Fábio Freire, também sócio do BSF, entre os principais marcos legais está a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que assegura direitos como acesso à saúde, educação inclusiva, mobilidade e participação social. A legislação também determina que escolas não podem recusar matrícula de alunos com deficiência e devem oferecer recursos de apoio pedagógico.

Outras normas importantes incluem o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei nº 12.764/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Ainda assim, muitas famílias precisam recorrer à Justiça para garantir acesso a terapias, tratamentos e acompanhamento escolar adequado”, explica o advogado.

<><> Rotina de luta

Mãe atípica de uma criança de 10 anos de idade, Sabrina Batista conhece essa realidade de perto. Ao longo da vida do filho, ela precisou acionar a Justiça em diferentes momentos para assegurar tratamentos e terapias essenciais. “A minha profissão e a minha vida caminham juntas. Defender direitos nunca foi algo distante da minha realidade”, afirma.

Segundo ela, além das barreiras institucionais, muitas mães enfrentam uma rotina exaustiva e, muitas vezes, solitária. “Embora o dia tenha as mesmas 24 horas para todas as pessoas, a mãe atípica precisa fazer o dobro. Muitas acabam sobrecarregadas, especialmente quando não contam com rede de apoio.”

<><> Debate em Salvador

Parte dessas experiências será compartilhada por Sabrina no evento “Somos Muitas: Histórias Reais de Ser Mulher”, que acontece no próximo 19 de março, no Quality Hotel & Suítes São Salvador, no bairro do Stiep.

Promovido pelo escritório Batista Silva Freire Advogados, o encontro será realizado em formato de talk show, reunindo mulheres com trajetórias marcadas por liderança, maternidade, fé, empreendedorismo e impacto social. O evento é gratuito, aberto ao público e está com inscrições disponíveis na plataforma Sympla, com vagas limitadas.

Além de Sabrina, participam do debate a terapeuta ocupacional Gabriela Curcino, a fundadora do Projeto Social Estrela da Manhã Dona Rita Santana, a tenente-coronel da Polícia Militar da Bahia Aline Marques Vidal Cavalcante e a advogada e empresária Maria da Conceição Barreto Gonzalez.

Para Sabrina, o objetivo é ampliar o debate sobre as múltiplas experiências femininas e dar visibilidade a histórias reais de superação e liderança. “Não existe um único modelo de mulher. Existe a mulher que lidera, a que cuida, a que sustenta e a que transforma desafios em propósito”.

 

Fonte: Por  Carla Santana – assessora de imprensa

 

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