O
que são plastificantes e como eles fazem mal à saúde
Plastificante
é um termo genérico para uma ampla gama de substâncias químicas adicionadas a
materiais, geralmente plástico e borracha, para torná-los mais macios e
maleáveis. Estão presentes em inúmeros itens do dia a dia , como cortinas
plásticas para chuveiro, filme plástico termoencolhível ou capas de chuva de
PVC.
Os
plastificantes, também chamados de ftalatos, são encontrados em cosméticos,
como esmaltes, loções e xampus. Nesses casos, atuam como estabilizantes,
preservando e mantendo a consistência. Podem ainda contribuir para a
resistência à água de produtos como loções e aumentar sua durabilidade.
O uso
de determinados plastificantes foi proibido ou severamente restrito em lugares
como União Europeia, EUA, Canadá e Japão, devido a seus potenciais efeitos
nocivos à saúde humana ou ao meio ambiente. Mas eles continuam sendo amplamente
utilizados em outros lugares.
Embora
as restrições sejam especialmente rigorosas quando se trata de brinquedos, por
exemplo, nos últimos anos, pesquisadores alemães relataram níveis
excepcionalmente altos em crianças pequenas de um plastificante estritamente
regulamentado.
Um
produto de degradação do plastificante mono-n-hexil ftalato (MnHexP) foi
detectado em 92% das amostras de urina de 259 crianças e adolescentes coletadas
em meados de 2025 em toda a Alemanha.
Em uma
investigação inicial realizada em 2024, esse mesmo produto foi encontrado em
quase dois terços das amostras de urina de 250 crianças de 2 a 6 anos no estado
alemão de Renânia do Norte-Vestfália, no oeste do país –aumento de 10 vezes em
comparação com três anos antes.
Um
estudo nacional realizado pela UBA, a agência federal alemã do meio ambiente,
já havia encontrado a substância química em cerca de um terço da população
adulta na época.
"Com
base nos resultados dos últimos anos, não nos surpreendeu encontrar MnHexP nas
amostras de urina de crianças e adolescentes", disse Dirk Messner, chefe
da UBA, em meados de fevereiro. "No entanto, o que nos surpreendeu foi a
grande proporção de amostras contaminadas, assim como as concentrações, por
vezes, muito elevadas."
Em sua
investigação de 2024, a UBA afirmou ter identificado protetor solar como a
possível fonte do plastificante. A agência acrescentou que essa fonte
continuava provável nos dados mais recentes coletados em 2025, mas outras
fontes não foram descartadas.
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Prejuízos à saúde
Marike
Kolossa-Gehring, toxicologista da UBA até dezembro de 2025, disse à DW após o
primeiro estudo que a concentração do produto de decomposição, MnHexP,
encontrada nas crianças testadas era, em alguns casos, alta o suficiente
"para que um risco à saúde não pudesse ser descartado". Mesmo assim,
a maioria das medições permaneceu abaixo dos níveis considerados potencialmente
nocivos.
O
MnHexP é um possível subproduto que permanece no organismo após a ingestão ou
absorção do ftalato de di-n-hexila (DnHexP) pela pele ou vias respiratórias,
mas também pode ter outras origens. O DnHexP foi classificado pela Agência
Europeia de Produtos Químicos como uma "substância de elevada
preocupação" desde 2013, e seu uso é rigorosamente regulamentado.
Em sua
análise de 2013 , a Agência Europeia de Produtos Químicos concluiu que o DnHexP
era "tóxico para a reprodução" em humanos e poderia ter um efeito
prejudicial à fertilidade ou "causar danos ao feto". Isso também se
aplica ao ftalato, um subproduto encontrado nas amostras de urina.
Os
ftalatos pertencem a um grupo de plastificantes utilizados há anos na
fabricação de inúmeros produtos e embalagens. No entanto, quando se desprendem
dos produtos ou evaporam das superfícies e acabam no organismo humano, alguns
são considerados desreguladores endócrinos – ou seja, podem interferir nas
glândulas responsáveis pela produção dos hormônios que regulam o crescimento, o
desenvolvimento e a reprodução.
Alguns
estudos associaram a exposição prolongada a uma série de problemas de saúde em
crianças, incluindo obesidade, diabetes , hipertensão, infertilidade e
problemas nos sistemas nervoso e respiratório. Testes em animais também sugerem
que os plastificantes podem influenciar o risco de diabetes, obesidade e
hipertensão.
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Existem alternativas?
Diante
dessas preocupações, pesquisadores têm investigado o potencial de
plastificantes de base biológica. Isso inclui alternativas feitas a partir de
plantas como trigo, milho, arroz e óleo de canola, que poderiam reduzir o
impacto dos plastificantes tradicionais.
Mas
algumas dessas alternativas ainda não têm o mesmo desempenho que os
plastificantes usados há décadas, ou são muito caras para fabricar. E embora
seus efeitos na saúde sejam menos graves, ainda podem estar ligados a doenças
respiratórias e irritação da pele. Mais pesquisas também são necessárias para
descobrir se essas alternativas podem ter consequências ambientais não
intencionais.
Especialistas
afirmam que uma maneira de evitar plastificantes e seus inúmeros malefícios é
usar produtos que os fabricantes garantam serem livres de ftalatos. Certos
produtos de plástico são claramente rotulados como tal, e substitutos feitos de
outros materiais – como brinquedos de madeira ou recipientes de vidro – não os
contêm.
Fonte:
DW Brasil

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