Entenda
os possíveis impactos econômicos no Brasil da guerra no Irã
A
disparada do preço do petróleo esta semana provocou temores no mundo todo sobre
as possíveis consequências da guerra no Oriente
Médio na economia global.
Os
bombardeios a refinarias e instalações de petróleo em países como Irã, Bahrein,
Kuwait, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Catar e o fechamento pelo Irã do
Estreito de Ormuz —
por onde costuma passar um quinto do petróleo do mundo — geraram dúvidas sobre
o abastecimento global.
Nesta
quarta-feira (11/3), três navios no Estreito de Ormuz foram atingidos por
'projéteis desconhecidos', segundo autoridades marítimas, em meio à
intensificação da pressão sobre uma das rotas marítimas mais importantes do
mundo.
No
começo da semana, o preço do barril de petróleo Brent, que é referência no
mercado, saltou de menos de U$ 90 para US$ 120. Após declarações do presidente
americano Donald Trump sugerindo que a guerra pode acabar em breve, os preços
voltaram a cair e vêm operando em um nível estável desde então, próximo de US$
90.
Líderes
e analistas não sabem dizer neste momento qual será o impacto real da guerra
nas economias.
O
governo britânico já alertou que o custo de energia deve subir por causa do
conflito. Trump disse esta semana que aumentos de curto prazo no preço do
petróleo são "um preço muito pequeno a pagar pela segurança e paz dos EUA
e do mundo".
No Brasil, o ministro da
Fazenda, Fernando Haddad, disse que sua equipe está avaliando a situação e
elaborando diferentes cenários para orientar decisões do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
Um dos
problemas para analistas econômicos é entender se as turbulências atuais são
choques passageiros ou mudanças estruturais.
"A
grande dúvida que fica é se esse movimento de petróleo mais alto é algo técnico
e pontual, ou se é realmente algo estrutural, ou seja, o novo patamar do
petróleo é mais perto de U$ 100 do que de US$ 60 ou US$ 70 de antes do
conflito", disse Jerson Zanlorenzi, sócio do BTG Pactual, em análise a
investidores.
"Se
você tem um movimento mais técnico, específico e de curto prazo, pode haver
choque na inflação com gasolina mais cara, mas não é algo que vai trazer
inflação para toda a cadeia. Se o petróleo é negociado a US$ 100 ou US$ 110,
isso certamente vai levar a uma reprecificação da inflação projetada no mundo
todo, porque o petróleo é matéria-prima da indústria."
Diante
dos impactos ao redor do globo, a Agência Internacional de Energia (AIE)
anunciou nesta quarta que vai liberar 400 milhões de barris de petróleo para
compensar a perda de abastecimento.
O
anúncio foi feito na quarta-feira pelo diretor-executivo da agência, Fatih
Birol, que indicou que os 32 países membros votaram unanimemente a favor da
maior liberação de reservas de petróleo da história da AIE.
"Os
desafios que enfrentamos no mercado de petróleo são de uma escala sem
precedentes; portanto, estou extremamente satisfeito que os países membros da
AIE tenham respondido com uma ação coletiva de emergência sem
precedentes", afirmou o diretor-executivo.
A AIE é
um órgão internacional que coordena a política energética e as reservas
estratégicas de petróleo de 32 países industrializados, em sua maioria
economias avançadas da Europa, América do Norte e região Ásia-Pacífico.
<><>
Gasolina vai subir no Brasil?
Um dos
problemas mais imediatos para consumidores no mundo é o aumento de combustíveis
— que já está sendo sentido nos EUA e em países da Europa por conta do
encarecimento do barril do petróleo, o que é consequência dos bloqueios em
Ormuz e ataques a refinarias no Oriente Médio.
Dados
da associação de motoristas AAA revelam que o preço dos combustíveis aumentou
11% nos EUA durante a primeira semana do conflito, atingindo o patamar mais
alto em mais de um ano.
No
Brasil, já há relatos de oscilações dos preços nos combustíveis, mas o impacto
ainda não é totalmente conhecido. Na terça-feira (10/3), a Secretaria Nacional
do Consumidor (Senacon) pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade) que investigue os recentes aumentos registrados no país.
Sindicatos
de combustíveis em Estados como Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Bahia,
Minas Gerais e Rio Grande do Norte relataram que já estão percebendo aumentos
de combustível da ordem de R$ 0,80 por litro no diesel e R$ 0,30 na gasolina.
Segundo
a Senacon, esses aumentos não deveriam estar acontecendo porque, até agora, não
houve um reajuste oficial do preço praticado pela Petrobras.
O
Brasil é autossuficiente na produção de petróleo — mas não é autossuficiente no
refino, etapa em que o petróleo bruto é transformado em combustíveis. Isso faz
com que o preço da gasolina doméstico seja impactado por choques externos.
A
Petrobras é determinante no preço da gasolina e do diesel no Brasil porque
controla a maior parte da capacidade de refino.
Até
2023, a empresa mantinha uma paridade de preços do petróleo – e dos
combustíveis derivados, como gasolina e diesel – com o dólar e o mercado
internacional. O preço dos combustíveis no Brasil acompanhava flutuações
internacionais, em uma política conhecida como Preço de Paridade de Importação
(PPI).
Mas o
governo Lula encerrou a PPI e passou a adotar critérios diferentes — como custo
alternativo do cliente e valor marginal da Petrobras — que deram à companhia
maior flexibilidade para estabelecer seus preços.
Neste
momento de grande flutuação internacional dos preços e dúvidas sobre a duração
do conflito no Oriente Médio, não está claro o que a Petrobras vai fazer.
Pedro
Rodrigues, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), diz que a
Petrobras consegue "amortecer" o choque do preço internacional para o
consumidor brasileiro — mas que existe grande incerteza no mercado doméstico.
"A
Petrobras vive um dilema hoje sobre o qual ninguém sabe a resposta: se, quando
e a que velocidade repassar [os aumentos do preço do petróleo internacional ao
consumidor brasileiro]. Enquanto isso, surgem volatilidade e incerteza",
disse Rodrigues à BBC News Brasil.
"Se
o petróleo continuar subindo e os preços se estabilizarem num patamar mais
alto, é muito difícil a Petrobras não repassar para esse aumento de preço para
o consumidor em algum momento, senão vivemos risco até de apagão de produto,
porque ninguém vai conseguir importar e o produto acaba faltando em alguns
lugares, o que seria uma situação pior ainda."
<><>
Inflação, juros e contas públicas
Para
Rodrigues, o maior risco para a economia brasileira é que o preço do petróleo
fique em um patamar alto — acima de US$ 100 — por um período prolongado. Isso
teria efeitos não só na gasolina, mas também na inflação, juros e contas
nacionais.
"A
inflação pode vir de vários itens da cesta, mas o maior efeito ocorre se os
combustíveis forem repassados ao consumidor", diz o especialista do CBIE.
"Há
risco de inflação maior e juros mais altos, mas isso é um processo. É preciso
distinguir se o choque é pontual ou se o preço vira algo mais estrutural."
Se a
guerra se prolongar, já há alguns estudos e análises prevendo esses impactos.
Um
estudo recente da XP traça diferentes cenários.
"Estimamos
um impacto de 0,25 a 0,40 pontos percentuais para cada aumento de 10% nos
preços do petróleo, assumindo um cenário de câmbio estável. Se o petróleo se
estabilizar em torno de US$ 100 por barril [acima dos US$ 60 de antes da
guerra], nossa projeção para o IPCA de 2026 subiria de 3,8% para quase
5,0%", diz o relatório.
O
relatório afirma que cada aumento de 10% no preço da gasolina nas refinarias
levaria a um aumento de 0,12 pontos percentuais no IPCA.
"Ainda
é incerto se a Petrobras repassará totalmente o aumento dos preços
internacionais para os combustíveis domésticos, especialmente considerando que
receitas com exportação de petróleo aumentam em um cenário de preços
elevados", diz o relatório.
As
dúvidas sobre um impacto da guerra na inflação geram outra incerteza — se os
bancos centrais no mundo (inclusive no Brasil) vão seguir cortando os juros,
como vinham fazendo, diante do arrefecimento das expectativas de inflação antes
da guerra.
"Sem
dúvida [a alta do petróleo] deixou uma incerteza grande para os Bancos
Centrais. No Brasil, antes disso tudo acontecer, tínhamos uma probabilidade
esmagadora de o Copom começar o corte com 0,5 pontos percentuais e isso migrou
para 0,25", disse Zanlorenzi. "Mesmo se o petróleo retomar o patamar
anterior, vai ficar sobre a mesa do Banco Central um comentário de que o
ambiente está mais incerto."
Por
outro lado, a balança comercial e as contas públicas brasileiras poderiam até
ser beneficiadas pelo choque no mercado como consequência da guerra.
No caso
da balança comercial, o petróleo se tornou o principal produto de exportação do
Brasil, representando cerca de 13% das exportações totais.
Já no
caso das contas públicas nacionais, o Estado brasileiro recebe royalties e
participações governamentais com a exploração do petróleo, então em um cenário
de alta internacional, a arrecadação pública cresce.
Uma
projeção do BTG Pactual afirma que a alta do petróleo para o patamar de US$ 80
por barril poderia cortar o déficit primário praticamente pela metade em 2026,
se isso se manter até o fim do ano.
Mas
outro estudo da XP alerta que nem todo dinheiro dos royalties vai para o
governo federal.
"É
importante notar que 55% a 60% dessa receita é transferida a Estados e
municípios, assim, o efeito líquido para o governo federal seria de
aproximadamente R$ 4,5 bilhões", diz.
Mas
todos esses cenários — de impacto em inflação, juros, balança comercial e
contas públicas do Brasil — só se consolidaria se houvesse uma mudança de
patamar no nível do preço do petróleo de mais longo prazo. E esse cenário é
incerto.
Nesta
quarta-feira, os preços do petróleo pareciam ter se estabilizado por ora, após
o salto de segunda-feira e a queda de terça-feira.
Além
disso, há outras soluções sendo estudadas internacionalmente para se evitar que
a guerra provoque problemas no abastecimento de petróleo.
Os
países do G7 vem estudando medidas para liberar reservas estratégicas de
petróleo, em meio à volatilidade dos preços causada pela guerra com o Irã.
Todos os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) são obrigados
a manter reservas de petróleo para o caso de interrupções globais — o
equivalente a aproximadamente 90 dias de suprimento.
"Esses
efeitos [da guerra] nos juros, inflação e desemprego é um processo. É preciso
entender se esse momento da guerra é algo esporádico ou se essa mudança de
preço é estrutural", diz Rodrigues.
¨
Governo Lula zera impostos do diesel para tentar segurar
alta do combustível com guerra no Irã
O
governo federal anunciou nesta quinta-feira (12/3) um conjunto de ações para
tentar conter a pressão que a alta
do petróleo pode
exercer na economia.
Uma
delas é zerar os impostos sobre o diesel — PIS e Cofins —, eliminando as duas
tarifas federais que incidem sobre o combustível. De acordo com o Planalto, a
medida representa redução de R$ 0,32 por litro.
O
governo também dará subvenção — uma espécie de auxílio financeiro — a
produtores e importadores de diesel no valor de R$ 0,32 por litro. Na prática,
o governo prevê que as duas medidas reduzirão R$ 0,64 por litro nas bombas.
Outra
medida será taxar as exportações, no intuito de aumentar o refino interno e
financiar as desonerações.
A
disparada do preço do petróleo nesta semana provocou temores no mundo todo
sobre as possíveis
consequências da guerra no Oriente Médio na economia global.
Os
bombardeios a refinarias e instalações de petróleo em países como Irã, Bahrein,
Kuwait, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Catar e o fechamento
pelo Irã do Estreito de Ormuz — por onde costuma passar um quinto do
petróleo do mundo — geraram dúvidas sobre o abastecimento global.
No
começo da semana, o preço do barril de petróleo Brent, que é referência no
mercado, saltou de menos de U$ 90 para US$ 120. Após declarações do presidente
americano Donald Trump sugerindo que a guerra pode acabar em breve, os preços
voltaram a cair e vêm operando em um nível estável desde então, próximo de US$
90.
Líderes
e analistas não sabem dizer neste momento qual será o impacto real da guerra
nas economias.
O
governo britânico já alertou que o custo de energia deve subir por causa do
conflito. Trump disse esta semana que aumentos de curto prazo no preço do
petróleo são "um preço muito pequeno a pagar pela segurança e paz dos EUA
e do mundo".
Um dos
problemas para analistas econômicos é entender se as turbulências atuais são
choques passageiros ou mudanças estruturais.
"A
grande dúvida que fica é se esse movimento de petróleo mais alto é algo técnico
e pontual, ou se é realmente algo estrutural, ou seja, o novo patamar do
petróleo é mais perto de U$ 100 do que de US$ 60 ou US$ 70 de antes do
conflito", disse Jerson Zanlorenzi, sócio do BTG Pactual, em análise a
investidores.
"Se
você tem um movimento mais técnico, específico e de curto prazo, pode haver
choque na inflação com gasolina mais cara, mas não é algo que vai trazer
inflação para toda a cadeia. Se o petróleo é negociado a US$ 100 ou US$ 110,
isso certamente vai levar a uma reprecificação da inflação projetada no mundo
todo, porque o petróleo é matéria-prima da indústria."
Diante
dos impactos ao redor do globo, a Agência Internacional de Energia (AIE)
anunciou nesta quarta que vai liberar 400 milhões de barris de petróleo para
compensar a perda de abastecimento.
O
anúncio foi feito na quarta-feira pelo diretor-executivo da agência, Fatih
Birol, que indicou que os 32 países membros votaram unanimemente a favor da
maior liberação de reservas de petróleo da história da AIE.
"Os
desafios que enfrentamos no mercado de petróleo são de uma escala sem
precedentes; portanto, estou extremamente satisfeito que os países membros da
AIE tenham respondido com uma ação coletiva de emergência sem
precedentes", afirmou o diretor-executivo.
A AIE é
um órgão internacional que coordena a política energética e as reservas
estratégicas de petróleo de 32 países industrializados, em sua maioria
economias avançadas da Europa, América do Norte e região Ásia-Pacífico.
¨
Guerra no Oriente Médio pode deixar setor agrícola do
Brasil sem diesel, alerta FAEP
O agravamento das tensões no Oriente Médio
ameaça a agropecuária do Paraná e do Brasil, com riscos de desabastecimento de
diesel, combustível essencial para atividades mecanizadas, além de elevação dos
preços e aumento dos custos logísticos do frete rodoviário, informou a
Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP).
A entidade destaca
que sindicatos rurais do interior do Paraná
já registram escassez de combustíveis, insumo fundamental para a produção
mecanizada no campo.
"O motivo da preocupação envolve a
situação no estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de
20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. A instabilidade na
região já começou a provocar turbulências no mercado internacional de energia,
com reflexos nos preços dos combustíveis utilizados em diversos setores da
economia", ressalta o texto.
Segundo a matéria, o diesel é um insumo
essencial para o agronegócio brasileiro, estando presente em praticamente todas
as etapas da produção e no transporte dos produtos
rurais.
Os combustíveis fósseis, sobretudo o diesel,
respondem por 73% da energia utilizada na agropecuária, movimentando máquinas e
sustentando a logística do setor.
No Brasil, o transporte rodoviário responde
por mais de 60% do escoamento de cargas, como grãos, fertilizantes e
ração, e 29% do diesel utilizado no país é importado. Assim, a escassez ou
a alta nos preços
do combustível elevam os custos da produção mecanizada
e do frete, podendo atrasar o plantio e a colheita.
No Paraná, a intensa mecanização da produção
de soja, milho, trigo e cana-de-açúcar, além das cadeias de avicultura e
suinocultura, tende a agravar esses impactos devido à constante
dependência de diesel.
Dessa forma, o texto conclui que um forte
aumento no preço do diesel, provocado pela atual escalada militar no Oriente
Médio, pode gerar impactos significativos no agronegócio brasileiro.
Anteriormente, a CNN Brasil informou
que um eventual fechamento do estreito de
Ormuz pode afetar significativamente o mercado global de fertilizantes, com
reflexos para o setor agrícola brasileiro.
Segundo a reportagem, caso a instabilidade
persista, os impactos no transporte de fertilizantes nitrogenados, essenciais
para a agricultura, poderão se tornar mais relevantes. Além disso, possíveis
restrições à navegação podem afetar a logística das exportações e a
formação de preços.
¨
Países liberam reservas de petróleo para conter alta
A Agência Internacional de Energia (AIE) disse
nesta quarta‑feira (11/03) que seus países‑membros vão desbloquear 400 milhões
de barris de petróleo de suas reservas para amenizar o impacto da guerra no
Oriente Médio. Esta é a maior liberação da commodity já registrada na história
da organização, que conta com 32 países-membros, a maioria deles nações ricas
da Europa e também os EUA e Austrália, entre outros.
"O
desafio que estamos enfrentando no mercado de petróleo é sem precedentes em
escala, portanto fico muito satisfeito que os países‑membros da IEA tenham
respondido com uma ação coletiva de emergência de tamanho igualmente
inédito", afirmou o diretor‑executivo da AIE, Fatih Birol.
A
injeção de petróleo no mercado supera os 182 milhões de barris que os países‑membros
da entidade liberaram em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.
"As
reservas de emergência serão disponibilizadas ao mercado em um prazo adequado
às circunstâncias nacionais de cada país‑membro e serão complementadas por
medidas emergenciais adicionais por parte de alguns países", disse a AIE.
<><>
Alemanha e Japão puxam liberações
O
anúncio ocorreu enquanto líderes do G7 discutiam, em videoconferência presidida
pelo presidente francês Emmanuel Macron, os impactos econômicos da guerra entre Estados
Unidos e Israel contra o Irã, que agora entra em sua segunda semana.
Países
em todo o mundo mantêm grandes quantidades de petróleo que podem usar em caso
de crise. Como se trata de uma commodity global e inundar o mercado com um
fluxo repentino de novos suprimentos tem implicações internacionais, os países
costumam conversar entre si antes de recorrer às reservas. Isso inclui a
coordenação com a AIE, organização criada justamente após a crise do
petróleo de 1973.
Mais
cedo, o Japão, cujas reservas estratégicas de petróleo estão entre as maiores
do mundo, e a Alemanha disseram que recorreriam de forma unilateral aos seus
estoques.
"Dada
a dependência excepcionalmente alta do Japão em relação ao Oriente Médio (para
petróleo) e considerando que seremos severamente afetados, planejamos utilizar
nossas reservas estratégicas", afirmou a primeira‑ministra japonesa Sanae
Takaichi. Os barris serão desbloqueados já no dia 16, sem "sem esperar por
uma decisão formal" da AIE, completou.
No caso
da Alemanha, 2,4 milhões de toneladas serão liberadas, ainda sem data definida.
<><>
Volatilidade de preços
O
mercado de petróleo tem sido atingido por forte volatilidade desde que
Estados Unidos e Israel começaram a atacar o Irã no final de fevereiro. A
retaliação iraniana atingiu alvos em todo o Golfo Pérsico, inclusive navios
petroleiros. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás
do mundo, também foi praticamente fechado.
A ação
disparou os preços do petróleo, que modularam desde o início do conflito e
chegaram a um pico de 120 dólares o barril. O anúncio da AIE, porém, não
arrefeceu o custo futuro do Brent, com os mercados ainda incertos sobre o plano
da agência. Nesta quarta-feira, a commodity é negociada acima de 4% em
relação ao dia anterior, ultrapassando os 90 dólares por barril.
Ao
atacar novo navio cargueiro também nesta quarta-feira, um porta-voz militar
iraniano disse esperar que o preço do petróleo chegue a 200 dólares o
barril.
Já o
secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, afirmou que o problema de trânsito
é "temporário". "O que temos aqui não é uma escassez de energia
no mundo. Temos um problema de transporte", afirmou.
<><>
Ações domésticas contra a crise
A
analista sênior da Swissquote Bank, Ipek Ozkardeskaya, entende que 400 milhões
de barris ainda seriam uma quantidade "modesta" em comparação com os
cerca de 45 milhões de barris consumidos diariamente pelos países da AIE.
Países
ao redor do mundo têm corrido para responder ao aumento dos preços do petróleo.
Bangladesh
mobilizou o Exército para proteger depósitos de petróleo, a Índia impôs
controles mais rígidos sobre gás natural e gás de cozinha, e autoridades
francesas realizaram inspeções em postos de gasolina, multando aqueles que
foram flagrados inflando preços.
Os 32
membros da AIE mantêm mais de 1,2 bilhão de barris de reservas públicas de
emergência, além de 600 milhões de barris de estoques industriais mantidos sob
exigência governamental.
Fonte:
BBC News Brasil/Sputnik Brasil/DW Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário