Revolta:
Reajustes abusivos do Planserv são denunciados ao TCE-BA
Uma
denúncia contra o aumento de mensalidades do Planserv, o plano de saúde dos
servidores estaduais, foi protocolada no Tribunal de Contas do Estado da Bahia
(TCE-BA). Além dos reajustes considerados abusivos, a denúncia encaminhada ao
órgão aponta para a falta de transparência na gestão do Estado e ausência de
informações sobre melhorias no sistema de saúde.
O
documento foi enviado ao TCE na última quinta-feira (5) pelo deputado estadual
Hilton Coelho (PSOL). A representação questiona os efeitos da Lei Estadual nº
15.034/2025, aprovada em dezembro do ano passado, que alterou as regras de
custeio do Planserv. Segundo o parlamentar, a legislação aumentou
significativamente a contribuição dos beneficiários sem a apresentação de dados
financeiros, estudos ou plano claro de aplicação dos novos recursos.
Uma
reportagem do CORREIO mostrou que beneficiários chegam a pagar valores 130%
mais altos desde que foi estipulado um percentual fixo de 5,5% para as
mensalidades. Antes disso, as contribuições variavam conforme faixas salariais
e respeitavam o teto de R$ 721. Previsões do próprio governo já apontavam que
apenas 30% dos beneficiários teriam redução nos valores pagos mensalmente.
Reajustes
de mensalidades do Planserv
A
reestruturação do Planserv também trouxe mudanças para as cobranças de
dependentes. Cônjuge e companheiro(a) pagam o valor correspondente ao
percentual de 50% da contribuição do titular. Enquanto os demais tipos de
dependentes pagam o equivalente a 22%.
Na
denúncia encaminhada ao TCE, o deputado afirma que a qualidade do Planserv vem
se deteriorando desde 2015, período em que a contribuição patronal do Estado,
hoje em 3,25%, foi reduzida progressivamente.
O documento cita ainda relatos de desassistência, demora no atendimento
e descredenciamento de profissionais e unidades de saúde.
A
denúncia solicita a realização de auditoria no Planserv, divulgação da real
situação financeira do sistema, apresentação de um plano de melhorias e
apuração dos valores que teriam deixado de ser repassados ao plano desde a
redução da contribuição estadual. Enquanto isso, professores das quatro
universidades estaduais da Bahia se mobilizam para ingressar com ações
judiciais contra os reajustes considerados abusivos.
O
movimento é conduzido pelo Fórum das Associações Docentes das Universidades do
Estado da Bahia (FAD), que reúne professores da Universidade Estadual de Feira
de Santana (Uefs), Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb),
Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e Universidade do Estado da Bahia
(Uneb).
De
acordo com Karina Lima Sales, coordenadora do Fórum, o grupo está em fase de
coleta de documentos para ingressar com ao menos quatro ações judiciais
coletivas, sendo uma para cada universidade estadual.
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Professores de universidades estaduais vão entrar na Justiça contra reajustes
abusivos do Planserv
As
mudanças no formato de cobrança das mensalidades do Planserv, a assistência em
saúde dos servidores estaduais baianos, têm provocado reações em diversas
categorias. Dessa vez, professores das quatro universidades estaduais da Bahia
se mobilizam para ingressar com ações judiciais contra os reajustes
considerados abusivos.
O
movimento é conduzido pelo Fórum das Associações Docentes das Universidades do
Estado da Bahia (FAD), que reúne professores da Universidade Estadual de Feira
de Santana (Uefs), Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb),
Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e Universidade do Estado da Bahia
(Uneb).
De
acordo com Karina Lima Sales, coordenadora do Fórum, o grupo está em fase de
coleta de documentos para ingressar com ao menos quatro ações judiciais
coletivas, sendo uma para cada universidade estadual. Entre os itens colhidos
pela entidade estão contracheques de professores que comprovam aumentos de até
147% nas mensalidades do Planserv. Documentos serão aceitos até o dia 23 de
fevereiro.
"Esse
aumento configurou-se como abusivo para docentes, totalmente em discrepância
com o reajuste salarial que o movimento docente conquistou. Não apoiamos a
reestruturação e seguimos considerando-a inaceitável, já que as servidoras e
servidores e suas famílias assumiram mais custos, sem termos garantias reais de
mudanças", afirma Karina Lima.
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Mudanças
Se
antes a cobrança das mensalidades era feita com base em faixas salariais e
tinha como teto o valor de R$ 721, desde janeiro deste ano o valor pago pelos
servidores passou a ser 5,5% da remuneração bruta de cada beneficiário. A
mudança foi implementada por uma lei de governo do estado, aprovada pela
Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) em dezembro.
Antes
de o PL ser apresentado aos deputados estaduais, integrantes do fórum que reúne
docentes das universidades baianas participaram de reuniões com representantes
do governo estadual. Os professores demonstraram indignação com as mudanças e
cobraram propostas efetivas para a melhora do serviço. Previsões do próprio
governo já apontavam que apenas 30% dos beneficiários teriam redução de
mensalidade.
"Apontamos
que não seria possível aprovar uma alíquota de aumento da contribuição sem que
pudéssemos ouvir as nossas bases, apresentar dados concretos da realidade do
Planserv e a crise vivenciada, mas principalmente contar com um planejamento
consistente do governo, para a requalificação dos serviços de assistência à
saúde", diz Karina Lima.
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Reajustes de mensalidades do Planserv
"O
Planserv enfrenta um encolhimento da rede credenciada e dificuldades crescentes
para realização de exames, procedimentos e consultas, sobretudo no
interior", acrescenta a coordenadora. A reportagem entrou em contato com o
Planserv e com a Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb), que não
responderam sobre as críticas dos professores sobre os aumentos de
mensalidades.
A
reestruturação do Planserv também trouxe mudanças para as cobranças de
dependentes. A partir deste ano, cônjuge e companheiro(a) deverão pagar o valor
correspondente ao percentual de 50% da contribuição do titular. Os demais tipos
de dependentes pagarão o equivalente a 22%. O aumento da contribuição do Estado
saiu de 2,5% para 3,25%.
Karina
Lima orienta que professores de universidades estaduais, em atividade ou
aposentados, interessados em integrar as ações judiciais coletivas, procurem
sua associação docente e verifiquem os endereços de e-mail para envio de
documentos.
• Beneficiários do Planserv denunciam
internação em enfermaria mesmo com plano especial
Não é
novidade que os beneficiários do Planserv enfrentam o sucateamento do plano de
saúde dos servidores estaduais, projeto iniciado no mal fadado governo de Rui
Costa e com a continuidade no desgoverno d Je rônimo Rodrigues. Entre os
principais problemas denunciados estão o descredenciamento de hospitais e a
dificuldade para agendar exames e consultas. Mas pacientes que procuram a
emergência do Hospital de Brotas, exclusivo do Planserv, têm enfrentado mais
uma dificuldade.
Os
beneficiários têm sido orientados a assinar, na recepção da unidade de saúde,
um termo que autoriza o internamento em uma acomodação inferior à contratada.
Isso aconteceu nesta semana com uma paciente, que prefere não se identificar.
Após ser diagnosticada com um trauma e fazer uma tomografia, recebeu o Termo de
Anuência para Permanência em Acomodação Diferente da Contratada.
Servidores
realizam protesto contra sucateamento do Planserv em Salvador
Na
prática, mesmo pagando o plano especial, a paciente precisaria ficar acomodada
na enfermaria. O motivo? Falta de vaga. O termo diz que a transferência para o
quarto seria feita quando houvesse disponibilidade - sem que um prazo fosse
estabelecido. O acompanhante da paciente denunciou o caso à reportagem.
"Fomos
orientados, no hospital, a assinar o documento para internação na enfermaria. O
problema é que nós não temos hospitais atendendo os servidores do Estado e, os
poucos que atendem, ficam lotados", reclama o acompanhante. Após o exame,
a paciente não assinou o documento e foi para casa.
"É
uma situação absurda. Se você paga mais caro por apartamento, não deveria ficar
na enfermaria. O Planserv não tem rede de atendimento suficiente porque o plano
foi sucateado e nós precisamos ficar nessa situação", acrescenta.
Reportagens passadas feitas pelo CORREIO já revelaram as dificuldades
enfrentadas pelos beneficiários do plano para acessar emergências de hospitais
credenciados na capital baiana.
Com a
negativa de atendimento em outros hospitais, a demanda pelo Hospital de Brotas
aumenta. O hospital de uso exclusivo de beneficiários do Planserv foi
inaugurado em junho de 2024, com 51 leitos, três salas de centro cirúrgico (03
salas) e centro médico. A unidade tem sido alvo de críticas dos servidores, que
chegaram a apelidar a unidade de 'matadouro de servidor', como foi dito em um
protesto em frente ao hospital, em novembro do ano passado.
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Plano especial
Segundo
informações publicadas no site do Planserv, os beneficiários têm a opção de
escolher entre duas modalidades de assistência: básica, com acomodação em
enfermaria, e especial, com acomodação em apartamento. A assistência especial
implica acréscimo na contribuição mensal no valor de R$ 120 por beneficiário
inscrito nessa modalidade. Em caso de mudança para o plano mais caro, a
carência é de 12 meses.
O
advogado Pedro Sampaio Falcão, especialista em Direito à Saúde, explica que o
plano de saúde - mantido pelo Estado ou particular - tem a obrigação legal de
cumprir o contrato e acomodar o paciente na categoria contratada. "Com a
sobrecarga da rede conveniada, os planos aproveitam o estado de urgência e
tentam sugerir uma acomodação inferior, porém não é o correto. Se não há vagas
na acomodação contratada, o plano deverá cobrir em hospital particular
não-conveniado", explica.
Pedro
Sampaio Falcão ressalta ainda que o termo de concordância pode ser anulado em
caso de processos judiciais. "Recomenda-se abrir uma reclamação na
ouvidoria do Estado, ou — caso não surta efeito — até mesmo uma medida judicial
contra o Estado para reparação dos danos ou pedido de urgência para que acomode
conforme seu plano", indica o advogado.
A
reportagem entrou em contato com o Planserv, através da assessoria de imprensa,
mas o plano não se manifestou sobre a falta de acomodações para pacientes que
pagam o plano especial. O CORREIO perguntou ainda de que forma as mudanças na
cobrança de mensalidades, que entram em vigor neste ano, deverão melhorar a
assistência prestada. A reportagem será atualizada assim que houver
posicionamento.
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Novidades
A lei
que determina mudanças na forma de cobrança de mensalidade do Planserv foi
sancionada no dia 12 de dezembro pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT). De
acordo com cálculos do Governo do Estado, 130 mil beneficiários terão redução
das mensalidades, o que representa 26% do total de beneficiários, que é de 500
mil. O aumento da contribuição de servidores e do Estado tenta conter a crise
do Planserv, que fechou 2024 com déficit de R$ 198 milhões.
Projeto
de Lei para reestruturação do Planserv
A Lei
15.032/2025 estabelece um percentual fixo de 5,5% para todos os usuários. A
partir de 2027, a contribuição aumenta para 6% do salário a partir de 2027. A
cobrança atualmente é feita com base em faixas salariais. O aumento da
contribuição do Estado também será escalonado, saindo dos atuais 2,5% para
3,25% a partir do ano que vem. Já em 2027, a participação estatal será de 4%.
As
mudanças ainda acabaram com o teto de contribuição do servidor, que atualmente
é de R$ 721. A Associação dos Gestores Governamentais do Estado da Bahia
(AGGEB) afirma que os servidores públicos com maiores salários poderão ter
aumento de até 200% no valor das mensalidades.
Fonte:
Correio

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