quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Oliveiros Marques: O fim da democracia norte-americana

A democracia não costuma morrer de uma vez. Ela vai sendo tensionada, corroída, esvaziada por dentro. O que se observa nos Estados Unidos sob o governo Trump é justamente esse processo: uma sequência de decisões e gestos políticos que, somados, desenham um preocupante enfraquecimento das bases democráticas.

A atuação do ICE tornou-se um dos símbolos mais visíveis dessa escalada. A política de perseguição agressiva a imigrantes, com operações espetaculosas e detenções em massa, ultrapassa o debate legítimo sobre controle migratório e assume contornos de intimidação social, inclusive naturalizando a morte de cidadãos norte-americanos por esses agentes. Mais grave ainda é o envio de agentes federais para atuar de maneira ostensiva em estados e cidades governados por democratas, muitas vezes à revelia das autoridades locais, tensionando o pacto federativo e criando uma espécie de intervenção política indireta.

A democracia também se enfraquece nos gestos simbólicos. A exclusão de governadores democratas de eventos tradicionais que historicamente reuniam lideranças de ambos os partidos com o presidente — inclusive a ausência de convite ao único governador negro do país — não é mero detalhe protocolar. É sinalização política de que o diálogo institucional deixa de ser regra para dar lugar à lógica da exclusão e do adversário como inimigo. Há ainda o uso do orçamento como instrumento de pressão. O corte ou bloqueio de verbas destinadas a áreas sensíveis, como saúde pública, em estados governados pela oposição, não se enquadra apenas como divergência administrativa. Trata-se de uma prática que instrumentaliza políticas públicas para punir o povo em nome de divergências políticas, ferindo o princípio de que o Estado deve servir à população independentemente da cor partidária de seus governantes.

A retórica constante de deslegitimação de eleições, ataques à imprensa, confrontos com o Judiciário e estímulo à polarização permanente completam esse quadro. Democracias vivem do respeito às regras do jogo, da alternância de poder e da confiança nas instituições. Quando o próprio chefe do Executivo coloca esses pilares sob suspeita contínua, o sistema passa a operar sob tensão permanente.

Não por acaso, manifestações de rua e mobilizações da sociedade civil têm se multiplicado nos Estados Unidos. Parte significativa da população percebe que a normalização de práticas autoritárias corrói silenciosamente o regime democrático. A história mostra que erosões institucionais nem sempre são abruptas; muitas vezes acontecem sob o manto da legalidade formal.

Esse modelo não é distante da realidade brasileira. Foi exatamente esse tipo de projeto que a família Bolsonaro tentou implementar no Brasil, seja pela via eleitoral, seja pela tentativa de ruptura institucional entre 2022 e 2023. A afinidade política e discursiva não era coincidência. Documentos já tornados públicos indicam, inclusive, a circulação de recursos e articulações internacionais que levantam questionamentos sobre financiamentos e conexões transnacionais de grupos extremistas. Parte dos documentos do caso Epstein que vieram a público confirma o repasse de milhões de dólares a pessoas no Brasil.

O Brasil escapou de um processo mais profundo de deterioração democrática graças à resistência institucional e à reação da sociedade. Mas o alerta permanece. O que se observa nos Estados Unidos não pode ser tratado como modelo a ser seguido. Ao contrário, deve servir de advertência. A democracia norte-americana, com sua tradição e seus freios institucionais, certamente reagirá. As manifestações nas ruas indicam que parte expressiva da sociedade não aceita a substituição do diálogo pelo confronto permanente. Muito provavelmente, essa inflexão autoritária será rechaçada pelos próprios eleitores. O fim da democracia não é inevitável — e, por isso, exige vigilância constante. Essa é uma lição que vale tanto para os Estados Unidos quanto para o Brasil.

¨      Jesuíta Reese sobre Trump: Um desastre para os Estados Unidos e para o mundo inteiro

"Donald Trump é uma dádiva para cartunistas políticos, editorialistas e entusiastas das redes sociais, mas eu o considero paralisante"; "Eu o considero psicologicamente exaustivo"; "ele age como uma criança mimada e descontrolada, só que maior, mais cruel e mais forte do que todos ao seu redor." O padre jesuíta americano Thomas J. Reese, ex-editor da revista jesuíta americana America Magazine, não poupa palavras em um editorial dedicado ao presidente dos EUA, Donald Trump: “Se ele fosse um cidadão comum, poderíamos rir dele e chamá-lo de mentiroso, um narcisista egocêntrico, mas ele é o presidente dos Estados Unidos”, escreve Reese. “Como presidente, Trump está destruindo os Estados Unidos. Ele envenenou nossa cultura política, colocando cidadãos uns contra os outros, celebrando conflitos e até mesmo a violência. Ele une sua base alimentando o ódio contra aqueles que ele percebe como inimigos. Seu partidarismo exacerbado tornou impossível uma discussão política calma, mesmo entre amigos e vizinhos. Como presidente, ele está enriquecendo a si mesmo, sua família e seus amigos. Ele até corrompeu a religião, a ponto de pastores poderem perder seus púlpitos se não forem seus apoiadores entusiasmados, alienando aqueles que desejam suas igrejas livres da política partidária.”

Trump, continua o padre Reese, "minou o sistema de justiça ao conceder indultos aos insurgentes que invadiram o Capitólio e atacaram violentamente a polícia. Indultos também estão sendo concedidos a apoiadores políticos e doadores. Ele usou o Departamento de Justiça para atacar seus oponentes políticos com investigações criminais forjadas. Ele também transformou o Departamento de Segurança Interna em uma ferramenta de vingança partidária. Ele desviou agentes do FBI de investigações sobre crime organizado, corrupção e ameaças à segurança nacional para usá-los contra políticos e áreas do país que não o apoiam. Ele invadiu cidades e estados democratas com agentes mal treinados do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e da Patrulha de Fronteira (CBP), que agiram implacavelmente contra imigrantes e cidadãos, resultando em dois assassinatos cometidos por agentes federais em Minneapolis."

Seus ataques, afirma o jesuíta, "vão além dos políticos e das cidades democráticas. Ele ataca universidades e a comunidade científica com processos judiciais e cortes unilaterais de verbas. Ele usa os erros de alguns para punir a todos. O dano que ele causou à pesquisa científica atrasará o país por décadas, assim como a China nos alcançou e nos ultrapassou em algumas áreas de pesquisa." Além disso, "Ao fingir defender a liberdade de expressão nos campi universitários, ele intimida o mundo acadêmico, silenciando-o. Ao fingir defender os judeus, ele acolhe os antissemitas, caso estes o apóiem."

Até mesmo a mídia sentiu sua ira: "Jornalistas que desafiam o governo ou fazem perguntas pertinentes são insultados e humilhados. Casas de jornalistas são invadidas; computadores e telefones são confiscados. Veículos de comunicação se veem obrigados a administrar seus negócios em risco devido à fiscalização governamental e à possibilidade de perder financiamento e contratos públicos." Todas as informações são severamente afetadas: "A mídia tornou-se cada vez mais fragmentada, focando em apoiadores de Trump ou em opositores ferrenhos. Tentativas de objetividade na cobertura jornalística são ridicularizadas. Até mesmo os escritórios de advocacia mais prestigiosos foram forçados a se submeter, a ponto de agora relutarem em aceitar clientes que o governo considera inimigos. Em vez de serem defensores ferrenhos da lei, abandonaram seus clientes como o Galinho Chicken Little diante das ameaças do presidente."

Trump também destruiu o Partido Republicano, "transformando-o em um feudo que muda de lado dependendo da direção do tornado que ele provocou". Tanto que, explica Reese, "durante a eleição de 2024, os republicanos prometeram divulgar os documentos de Epstein; agora eles foram enterrados ou censurados para proteger Trump e seus amigos. Como presidente, Joe Biden negou a realidade da inflação; agora, 'acessibilidade' é uma farsa democrata. Os americanos têm o direito incondicional de portar armas, até que um cidadão com porte de arma apareça em um protesto contra o ICE; aí ele pode ser desarmado e morto."

O Partido Republicano não tem mais princípios; segue tudo o que Trump diz como um cachorrinho atrás de um petisco. Isso minou a capacidade do Congresso de exercer controle sobre a presidência imperial. Em resumo, os republicanos "estão se destruindo e destruindo o país no altar de Trump. Se perderem as eleições deste ano por uma grande margem, receberão exatamente o que merecem."

Quanto à economia, Trump também prejudicou a economia americana. Líderes empresariais estão satisfeitos com os cortes de impostos e a desregulamentação, mas o futuro a longo prazo das empresas americanas está em questão. Suas tarifas interromperam as cadeias de suprimentos e alienaram parceiros comerciais. As empresas não conseguem planejar com um ano de antecedência porque suas mudanças na política econômica são imprevisíveis. Planejar com cinco ou dez anos de antecedência é impossível. A agricultura foi prejudicada por retaliações de países importadores que não gostam de nossas tarifas. Agricultores e empresas de processamento de alimentos perderam trabalhadores, expulsos sem nenhum crime além de serem imigrantes ilegais. Trump está destruindo a indústria automobilística americana ao interromper as cadeias de suprimentos e impossibilitar as vendas para o exterior. Enquanto o resto do mundo caminha para os veículos elétricos, os Estados Unidos cederam esse mercado para a China. Enquanto Henry Ford atendia à classe trabalhadora com o Modelo T, Detroit produz SUVs e caminhonetes para uma população cada vez menor. Produzir um carro acessível às massas não é mais a prioridade de Detroit.

A situação é ainda pior com a tecnologia verde, que Trump combate "justamente quando a energia eólica e solar se tornaram mais baratas que a energia proveniente de combustíveis fósseis. O país que inventou essas tecnologias as abandonou à China, que também é líder em tecnologia de baterias, para que a energia eólica e solar possa ser armazenada para quando não houver vento nem sol." Além disso, "a revolução energética demonstra por que a aventura de Trump na Venezuela é tão insensata. Ele está gastando bilhões para ter acesso ao petróleo venezuelano, que as grandes petrolíferas não têm interesse em explorar porque investimentos de longo prazo exigem estabilidade econômica e política. Isso é improvável sob os regimes atuais ou futuros na Venezuela. Além disso, a energia verde mais barata ameaçará os lucros das empresas de combustíveis fósseis. Mesmo no Texas, o mercado está desencadeando uma revolução verde imparável."

Enquanto isso, Trump ameaça a segurança nacional ao enfraquecer a OTAN e alienar aliados em todo o mundo. Ele não se importa com o direito internacional nem com os direitos humanos. A Ucrânia não é problema dele, e ele está praticamente convidando a China a invadir Taiwan antes de deixar o cargo.

Em conclusão, para o jesuíta, "Trump foi um desastre para os Estados Unidos, e ainda faltam três anos. Ele entrará para a história como o pior presidente de todos os tempos. Mas ele não é o único culpado. Nós o elegemos. E permanecemos indiferentes, a menos que suas ações nos afetem pessoalmente. Teremos o governo que merecemos." Nessa situação, "o país precisa se unir e deter a estupidez e a tirania de Trump. As universidades precisam se unir e falar a uma só voz em defesa da liberdade acadêmica. Os cientistas precisam denunciar o uso da má ciência para obter ganhos políticos e econômicos. Os escritórios de advocacia precisam desenvolver uma estrutura sólida. Todas as raças, etnias e grupos religiosos não podem permitir que ele nos divida em facções rivais. Os cristãos precisam afirmar que temos apenas um rei: Jesus. Nas urnas e nas ruas, precisamos demonstrar que a ação coletiva não violenta ainda existe na América. O que está em jogo é a alma da nossa nação."

¨      O Neoliberalismo é uma arma do Imperialismo. Por André Fernandes

Acredito que muitos leitores já estão convencidos de que o neoliberalismo é uma arma letal do imperialismo, um “artefato de destruição em massa” que mata aos poucos e tem quase o mesmo efeito, a longo prazo, das bombas que liquidam milhares de famílias mundo afora em nome da “democracia e da liberdade”. Mas permitam-me fazer uma reflexão sobre este tema que, segundo o eminente geógrafo David Harvey, não se trata de um sistema econômico, mas de um projeto político.

Como muitos sabemos, esta “arma letal” surgiu das mentes inescrupulosas de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, inspiradas em arautos da economia como Milton Friedman, Friedrich Hayek e Ludwig von Mises, oriundos da tão “notória” Escola Austríaca que “apedeutas profissionais” da atualidade, seja em solo nacional ou no estrangeiro, ainda insistem em clamar como prova de “conhecimento, inteligência e cultura”.

Em seu livro Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico, Vladimir Safatle — este sim um grande intelectual nacional — descreve o sofrimento cotidiano na sociedade, assim como o calvário pelo qual passam os excluídos de um sistema econômico injusto e cruel que, apesar dos estragos feitos mundo afora, ainda possui propagandistas na academia e nos meios de comunicação. Um sistema econômico que somente reproduz a disparidade social pela qual vivem os países do Sul Global — e agora, também os do Norte — fragmentando sociedades e destruindo nações sem a necessidade de invasões militares — ou mesmo preparando-as para isso — e, por isso mesmo, semelhante a uma arma de guerra.

Carl von Clausewitz dizia que a guerra é a “continuação da política por outros meios”. Com base neste princípio, parece-me justo determinar que os políticos que defendem o neoliberalismo em solo pátrio são agentes e traidores pertencentes a uma “internacional neoliberal” que pretende destruir as nações com a finalidade de espoliar seus recursos naturais. Sendo assim, aqueles políticos que saúdam a bandeira nacional e se autoproclamam zelosos “vigilantes da sociedade” e “defensores da educação”, mas que defendem medidas neoliberais que beneficiam interesses alienígenas e os bancos privados, pertencem a uma força estrangeira para destruir o Brasil e os países do Sul Global, independentemente da sigla e da ideologia que “dizem” pertencer. Aqueles que usam do cargo público para defender o sistema financeiro em detrimento da população são traidores, ponto final.

O neoliberalismo insiste em permanecer nos Estados nacionais, por mais que seja combatido. Como bem descreveu Naomi Klein em sua obra de referência — A Doutrina do Choque —, o sistema neoliberal, muitas vezes, é implantado como “solução” de crises políticas em tempos de “terra arrasada”. Tal qual uma “bomba silenciosa”, destrói famílias e provoca suicídios, pauperização e, finalmente, violência social mundo afora. A “solução”? Repressão policial. E assim cria-se a reação em cadeia de um ciclo vicioso no qual a pobreza e a violência se reproduzem, sociedades são destruídas, e as potências imperialistas e o sistema financeiro ficam livres para exercer a espoliação e o saque. O objetivo final deste “método do caos” é transformar todos os países, inclusive o Brasil, em um “El Salvador”, que se tornou um “exemplo” de administração estatal para aqueles que, em suas vidas medíocres, perderam a esperança de um mundo melhor.

Não é uma coincidência que a agressividade europeia e anglo-saxã se volte para as nações que não adotaram o neoliberalismo como “religião”, tal qual insistem diuturnamente os profetas da mídia corporativa. Pouco importa se os “bárbaros” das estepes russas, os “confucianos marxistas” ou os aiatolás herdeiros dos sassânidas não adotem a fé da democracia liberal. A questão não é a “autocracia eslava”, a suposta opressão sofrida pelos uigures de Xinjiang ou a obrigatoriedade do “hijab”: não se trata disso. Nem as diversas matizes do amplo espectro ideológico importam aqui: um dos grupos terroristas que levaram recentemente o caos às ruas de Teerã eram marxistas curdos, junto com fundamentalistas islâmicos que cortavam cabeças pelas ruas das cidades do Irã, enquanto a mídia internacional os chamava de “manifestantes pacíficos”. Pretensos marxistas e “cortadores de cabeça” de uma seita radical agindo como um aríete de uma invasão internacional, aterrorizando a população e lutando juntos, financiados e treinados pelo imperialismo “turbo capitalista”. Às vezes parece que, de fato, o mundo enlouqueceu. O espectro ideológico não faz a menor diferença na modernidade líquida de Bauman, no ultra-neoliberalismo do turbo capitalismo selvagem que agora perdeu toda a vergonha na figura do Sr. Donald Trump.

Como disse certa vez a grande intelectual Marilena Chauí, é preciso destruir o neoliberalismo para construir algo novo… nem que, para isso, tenhamos que ressuscitar John Maynard Keynes. Karl Polanyi, em sua obra A Grande Transformação, pregava que o socialismo deve ser exercido de forma pontual para combater a miséria deixada pelo sistema capitalista mundial em suas periferias. Eu iria mais longe: o “socialismo” — ou mesmo o “keynesianismo” — deve ser usado como um instrumento de combate ideológico. Estamos todos em um conflito mundial, às vezes nem sempre “silencioso”, que atualmente se transformou em um combate sem trégua pelos recursos naturais do planeta… nem a Groenlândia está a salvo.

Já está mais do que evidente que o destino dos países que adotam o neoliberalismo é perder sua soberania e seus recursos energéticos, afundados no caos social e dominados pelo narcotráfico, tal qual ocorre hoje em um país “andino”, anteriormente pacífico, como o Equador. Uma sociedade desunida e fragmentada é facilmente dominada. Como exemplo maior de resistência, vemos as ruas de Caracas que, mesmo tendo seu presidente sequestrado, foram invadidas por uma multidão clamando o seu retorno: pode-se sequestrar um “rei”, mas não a consciência de seus “súditos” ou de uma nação unida. O mesmo ocorreu em Teerã, onde milhões de iranianos saíram às ruas em defesa da nação de forma espontânea — por mais que a imprensa internacional tente ocultar ou desqualificar este fato. A atomização, resultante da “luta de todos contra todos”, tem como resultado apenas o enfraquecimento das nações, presas fáceis para a “internacional neoliberal”. Já as tradições, a cultura e o conhecimento histórico são os meios pelos quais as sociedades se defendem, muitas vezes de forma inconsciente, deste grande mal.

As palavras de ordem utilizadas pelo neoliberalismo são “liberdade”, “direitos humanos” etc. Mas quantas liberdades e direitos foram usurpados, e quantas vidas foram destruídas, entre os mais de 6 milhões de mortos e refugiados resultantes das “guerras eternas” — como sempre faz questão de lembrar o analista geopolítico Pepe Escobar — que se iniciaram na Primeira Guerra do Golfo Pérsico, no início da década de 1990? Às vezes me questiono: caso os países da América do Sul finalmente resolvessem resistir à “internacional neoliberal”, seguindo o exemplo de Cuba, em quanto tempo as “guerras eternas” não chegariam aqui? E como reagiriam esses países? Hoje vemos, nos protestos das ruas de Minneapolis, as nefastas consequências deste sistema ultra-neoliberal opressor nas entranhas de sua matriz ideológica e material. Tão nefasta e cruel, essa “arma de destruição em massa” foge ao controle e se volta agora até contra seus criadores, como o monstro de Frankenstein. Enquanto isso, o “caso Jeffrey Epstein” e sua “Ilha do Doutor Moreau” no mar do Caribe, visitada por políticos, milionários e “celebridades” em busca de “fantasias” macabras e sexuais, explodem as entranhas da elite neoliberal tal qual o “Alien” do diretor Ridley Scott, implodindo “o sangue e as vísceras” de uma elite atavicamente corrupta que segue em franco declínio moral, material e espiritual. Tudo isso em um período em que esta mesma “elite” global escatológica tenta provocar uma Terceira Guerra Mundial em nome de uma pretensa “superioridade” moral e de uma hegemonia em decomposição.

Como disse certa vez um dos grandes intelectuais de Terra Brasilis, o professor José Luís Fiori, as duas ideologias europeias falharam em sua busca da felicidade do homem: o marxismo, pela busca da igualdade, e o liberalismo, pela busca da prosperidade. O futuro, como diz o eminente professor, é um “futuro ético”, mas a busca desse futuro exigirá grande coragem em um mundo imoral. E não estou falando de qualquer moralidade religiosa ou pequeno-burguesa, mas de uma “moralidade espiritual”. A procura da ética é o primeiro passo do combate à violência neoliberal e imperial. Talvez, quem sabe, a “reencarnação” da busca incessante e sem trégua do “homem novo”, como dizia antigamente um notório revolucionário, seja o caminho: um homem que não luta apenas para obter vantagem pessoal, por sua segurança material ou pela celebridade social. Uma luta inexorável e sem rendição em nome de dois conceitos frequentemente perseguidos, vilipendiados, esquecidos e ignorados: justiça e liberdade.

 

Fonte: Brasil 247/Adista Notizie/IHU

 

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