Cientistas
acham a chave para "acordar" sistema imunológico contra o câncer
Pesquisadores
da China e dos Estados Unidos identificaram um mecanismo que explica por que as
principais células de defesa do corpo contra o câncer acabam
"cansando" e deixando de funcionar. A descoberta, publicada em duas
revistas científicas internacionais em 14 de janeiro de 2026, aponta uma
possibilidade para reativar essas células e aumentar a eficácia de tratamento
como a imunoterapia e as terapias com células CAR-T.
As
células T CD8+ são conhecidas como os "soldados" do sistema
imunológico. Elas reconhecem e atacam células tumorais. O problema é que,
quando ficam expostas por muito tempo ao câncer, entram em um estado chamado
exaustão, em que perdem força, energia e capacidade de combater o tumor. O
estudo mostra que esse processo acontece por causa de um "efeito
dominó" dentro da própria célula.
A
pesquisa foi liderada por elo Li Guideng, do Instituto de Medicina de Sistemas
de Suzhou, na China, em parceria com o Philip D. Greenberg, do Fred Hutchinson
Cancer Center, nos Estados Unidos. Os cientistas descobriram que a estimulação
constante causada pelo tumor ativa um mecanismo interno que desliga uma
proteína chamada FOXO1.
Em
condições normais, o FOXO1 funciona como um "coordenador" que mantém
a célula saudável, ativa e com capacidade de memória. Quando o FOXO1 é
bloqueado, a célula deixa de produzir uma enzima essencial chamada KLHL6.
Já a
KLHL6 funciona como uma espécie de “faxineira”. Ela marca proteínas
prejudiciais para que sejam destruídas. Entre essas proteínas estão:
• TOX, que acelera o processo de exaustão
da célula;
• PGAM5, que prejudica as mitocôndrias —
as “usinas de energia” da célula.
Sem
KLHL6 suficiente, essas proteínas se acumulam, causando perda de energia à
célula, que entra em exaustão permanente. É como um soldado que, além de
desmotivado, fica sem combustível para continuar lutando. Neste caso, segundo
os pesquisadores, ao aumentar artificialmente os níveis de KLHL6, as células T
recuperaram energia e capacidade de combater o tumor.
A
exaustão das células T é um dos principais desafios da imunoterapia, tratamento
que estimula o próprio sistema imunológico do paciente a atacar o câncer. Hoje,
parte das terapias funciona bem no início, mas pode perder efeito quando as
células entram nesse estado de “cansaço terminal”. Entender o que causa esse
bloqueio ajuda a pensar em novas soluções.
Segundo
os cientistas, aumentar a atividade da KLHL6 ou imitar sua função podem impedir
que as células T se esgotem. Isso pode tornar tratamentos já existentes, como o
bloqueio de pontos de controle imunológico e as terapias com células CAR-T e
TCR-T, mais duradouros e potentes.
• Câncer cervical pode ser evitável, diz
especialista; saiba como se prevenir
Diagnósticos
de câncer de colo de útero podem ser 100% evitáveis. Desenvolvida na região do
colo uterino feminino, a condição, também chamada de câncer cervical, é um dos
três tipos de câncer mais comuns entre as mulheres. De acordo com a Associação
Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a doença é
a primeira que mais mata mulheres até os 36 anos de idade no Brasil, e a
segunda em pacientes até os 60 anos, segundo dados de 2025. No entanto, a enfermidade pode ser
facilmente evitada.
Em
entrevista ao Correio, a oncologista e integrante da Sociedade Brasileira de
Oncologia Clínica (SBOC) Gabrielle Scattolin ressalta que a prevenção contra a
doença não passa por complexidades. Segundo ela, a realização regular do exame
de papanicolau para detecção de lesões precursoras (prevenção secundária), e do
diagnóstico de infecção crônica pelo HPV, são suficientes para para que a
doença não se desenvolva.
"O
câncer do colo de útero, na maioria das vezes, vem de lesões pré-malignas.
Essas lesões podem ser detectadas justamente através do Papanicolau. Elas
acontecem por causa da infecção crônica de HPV, que desestabiliza e modifica a
estrutura do útero. Assim, causa danos ao DNA e favorece o crescimento anormal
das células que formam o câncer", explicou Gabrielle.
A
oncologista ainda ressaltou que, em casos de diagnósticos precoces, ou seja,
"antes que eles invadam estruturas locais ou façam metástase à
distância", a doença passa a ser completamente curável. "Por isso
enfatizamos a importância da vacina, do diagnóstico de infecção crônica pelo
HPV e do Papanicolau anual, mas, principalmente do HPV. Quase todos os cânceres
de colo de útero estão relacionados a isso", explicou.
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Cenário social é fator a ser considerado
Ainda
que o acompanhamento constante com especialistas venha a ser um diferencial no
combate contra o câncer de colo de útero, há ainda, de acordo com Gabrielle, um
fator social que influencia o número de casos e óbitos em decorrência da
doença. A vacina contra o HPV, fundamental na prevenção, só passou a ser
distribuída de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2014. Dessa
forma, toda uma geração de mulheres adultas não está vacinada.
"Com
isso, surgem certos subtipos de HPV para essas pacientes sem vacina
expressivamente mais agressivos. Eles evoluem de forma mais rápida, e, mesmo
com o preventivo anual, a situação pode acabar em câncer. Para que consigamos
ter combate eficaz, precisamos, também, ter acesso aos exames pelo SUS,
principalmente o Papanicolau e a pesquisa de DNA do HPV, além de campanhas
informativas, que falem sobre os sintomas e o tratamento", salientou.
Apesar
disso, a oncologista comemora a incidência da vacinação entre a população mais
jovem. De acordo com ela, a cobertura vacinal entre as jovens está acima de
80%, cenário propenso a diminuir o número de casos da doença para as próximas
gerações.
"A
vacinação tem que ser oferecida a todas, dos 9 aos 14 anos de idade, e ainda
estendida às mais velhas, até os 45 anos de idade, para as mulheres
imunossuprimidas. O papanicolau também ajuda a identificar a presença do DNA do
HPV com antecedência", destacou.
A
especialista também salienta a necessidade de manter acompanhamento
ginecológico regular; evitar tabagismo, responsável por aumentar o risco de
persistência da infecção por HPV; usar preservativos; buscar informações de qualidade sobre saúde
sexual; e estar atenta aos sintomas, "especialmente ao sangramento
pós-relação sexual, o principal deles", finaliza.
Fonte:
Correio Braziliense

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