quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Agronegócio brasileiro financia ocupação ilegal de terras palestinas

A Amaggi, grande produtora de soja no Brasil, recebeu insumos e fertilizantes da empresa israelense ICL. O grupo, que financia ações em defesa do capitalismo verde e propagandas sobre produções em grande escala como forma de “vencer a fome no mundo”, vem sendo alvo de denúncias por extrair recursos minerais em terras palestinas ocupadas ilegalmente.

Através de rastreamento de navios, a Repórter Brasil apurou que uma embarcação que saiu do Porto de Ashdod, na costa do Mar Mediterrâneo, ao sul de Israel, atracou no Porto de Itacoatiara, no Amazonas, no dia 15 de janeiro. Os carregamentos incluem 34 mil toneladas de cloreto de potássio e 11,3 mil toneladas de superfosfato simples, matérias-primas da fabricação de fertilizantes. A mesma matéria apontou que este não teria sido o primeiro carregamento entre a ICL e a Amaggi; segundo os dados alfandegários acessados pela Repórter Brasil, há um histórico envolvendo ambas as empresas.

A Repórter Brasil procurou o Grupo ICL, que respondeu realizar suas extrações “inteiramente dentro das fronteiras israelenses, em total conformidade com todos os regulamentos aplicáveis”. As ocupações de Israel na Palestina a partir de 1967 – onde concentra as operações do Grupo ICL – são consideradas ilegais à luz do direito internacional, pois violam as definições acordadas pela Organização das Nações Unidas na criação de Israel em 1947. Apesar disso, escancarando o fracasso do direito internacional e de agências como a ONU, controlada por potências imperialistas, Israel segue ocupando a Palestina e, desta vez, como parte do acordo de cessar-fogo, o Conselho de Paz de Trump planeja controlar parte da região e ‘reconstruí-la’ com um complexo imobiliário luxuoso que levará à expulsão de palestinos desabrigados, famintos e doentes de Gaza.

Além disso, através da subsidiária ICL Rotem, o grupo atua em áreas do deserto Naqab, o que força o deslocamento dos beduínos, uma comunidade tradicional pastoral formada por populações muçulmanas nômades e seminômades. Para o ICL abrir uma nova mina de fosfato próximo a cidade de Arad, cerca de 100 mil moradores da região seriam afetados, sendo 15 mil deles beduínos. Em 2017, um vazamento da ICL Rotem despejou cerca de 100 mil metros cúbicos de resíduos tóxicos no rio Ashalim, causando severos impactos na fauna e na flora. Outra subsidiária, Dead Sea Works, juntamente com outra empresa jordaniana contribuíram para cerca de 35% do desaparecimento do Mar Morto através de suas lagoas de evaporação industrial.

O grupo ICL não é responsável “apenas” pela ocupação de terras palestinas, despejos forçados e poluição ambiental, o grupo é também denunciado pelo fornecimento de fósforo branco para projéteis militares dos EUA que, por sua vez, são fornecidos a Israel para uso contra civis palestinos. O uso de fósforo branco é apenas um dos inúmeros crimes de guerra cometidos pela máquina genocida sionista e o imperialismo estadunidense. Mas para o grupo Amaggi, em contato com a Repórter Brasil, não foram encontradas diligências relativas à ICL que demonstrasse “qualquer limitação que impedisse a transação comercial” e que prejudicasse sua “reputação, credibilidade e princípios de legalidade, ética, transparência e integridade”.

O Movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), realizou um chamado para “pressionar a Amaggi e impedir a aquisição de matéria-prima para fertilizantes provenientes de territórios de alto risco ambiental em zonas ocupadas por Israel na Palestina”.

Apesar da estreita relação institucional Brasil-Israel na importação bélica e no treinamento militar sionista para as polícias estaduais e o exército brasileiro, além da exportação de petróleo da Petrobrás para abastecer os tanques de guerra genocidas, é o setor privado, especialmente o agro, que vem financiando o Estado colonizador de Israel e lucrando com ele.

Os dados de 2024 do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, apontam que as relações entre os dois países somam mais de US$1,2 bilhão (aproximadamente R$6,48 bilhões), uma baixa de 14,9% em relação a 2023/2024. Entre os principais produtos que o Brasil importa de Israel, destacam-se os insumos dos grupos dos fertilizantes (37,6%) e dos inseticidas (6,6%), além de aeronaves, equipamento bélico e diversos outros produtos da indústria têxtil, tecnológica e da construção civil.

Os treinamentos das polícias estaduais e do exército brasileiro pela máquina genocida israelense não constam no gráfico por se caracterizarem como “relações militares” entre os países, e não produtos/serviços exportados.

As exportações, por outro lado, tiveram um aumento de 9,6% em relação ao período anterior, chegando a US$725,1 milhões (quase R$4 bilhões). Os principais setores beneficiários das exportações para Israel encontram-se o agronegócio – com a Agricultura “bruta” (como soja, milho, café não torrado, etc.) e produtos da Indústria de Transformação (como carnes, sucos, cafés torrados, etc.) – e o setor da Indústria Extrativa, com destaque para óleos brutos de petróleo e minerais betuminosos.

A luta pela libertação da Palestina e pelo fim do genocídio, do apartheid e do colonialismo sionista é também uma luta por justiça climática e responsabilização da burguesia pelo financiamento e cumplicidade com o horror imposto por Israel. A Amaggi está no top 10 das maiores empresas do agronegócio brasileiro, segundo a Forbes e esteve na COP 30 para falar de “práticas regenerativas” na agricultura, enquanto financia ativamente a degradação do meio ambiente e o extermínio do povo palestino em nome do capital financeiro. Não há ilusões com grandes empresas, agronegócio e demais conglomerados capitalistas; a COP 30, celebrada por diversos setores liberais e reformistas, foi um balcão de negócios entre grandes potências para rifar o mundo.

Enquanto mais de 600 mil pessoas estão passando fome em Gaza e cerca de 100 crianças morreram de desnutrição (sem considerar subnotificações), segundo dados da ONU, o agro brasileiro deslancha com recordes de arrecadação e financiando o exército israelense que, além de cometer o maior genocídio televisionado de todos os tempos, impede a entrada de ajuda humanitária em Gaza, incluindo medicamento e comida.

Conforme apontado em matéria do jornal O Futuro, enquanto realiza arcabouço fiscal, cortando investimentos em áreas primárias como saúde e educação, o Governo Lula-Alckmin e o Congresso entregaram mais de R$700 bilhões em crédito para o agronegócio entre 2023 e 2025 através do Plano Safra pelo BNDES; afrouxam as legislações ambientais com o PL da Devastação; suscitam projetos de parcerias público-privada para gestão de rios, entre outros. O agronegócio é a expressão concreta do avanço e consolidação do capitalismo no campo, e o latifúndio é um dos pilares do poder político no Brasil. O acordo aprovado entre o Mercosul e a União Europeia tende a fortalecer ainda mais este setor que conta com cada vez mais dinheiro público e isenções tributárias para seu fomento.

A luta pela libertação da Palestina, mostra cada vez mais ser o elo condutor das lutas do proletariado mundial contra as burguesias nacionais e internacionais. No Brasil e no mundo, lutar pela Palestina é também lutar pela nacionalização das terras, expropriação da burguesia e pela derrubada do capitalismo; são lutas indissociáveis.

•        Agronegócio Brasileiro e a Questão das Terras Palestinas: Uma Relação Controverso

O Movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) lançou um apelo à sociedade para pressionar a Amaggi, uma das maiores produtoras de soja do Brasil, a interromper a aquisição de fertilizantes provenientes de territórios ocupados por Israel na Palestina. A ação visa conscientizar sobre as implicações éticas e ambientais da relação comercial entre o agronegócio brasileiro e empresas que atuam em áreas de alto risco ambiental.

A Amaggi, que recentemente recebeu insumos da israelense ICL, é alvo de críticas devido à sua associação com uma empresa que extrai recursos minerais de terras palestinas ocupadas. Segundo relatos, a ICL promove uma narrativa sobre o capitalismo verde, enquanto se torna alvo de acusações por suas práticas ambientais.

<><> Relação Comercial Entre Amaggi e ICL

Uma investigação realizada pela Repórter Brasil revelou que a ICL enviou, no dia 15 de janeiro, um carregamento que incluía 34 mil toneladas de cloreto de potássio e 11,3 mil toneladas de superfosfato simples para o Porto de Itacoatiara, no Amazonas. Essas matérias-primas são essenciais para a fabricação de fertilizantes. A análise de dados alfandegários indica que este foi apenas um entre vários carregamentos entre a ICL e a Amaggi.

Em resposta aos questionamentos, o Grupo ICL afirmou que suas operações estão em conformidade com as leis israelenses e que realiza suas extrações dentro das fronteiras do país. No entanto, a ocupação das terras palestinas por Israel desde 1967 é considerada ilegal pelo direito internacional, conforme as diretrizes da ONU.

<><> Implicações para as Comunidades Locais

Além de suas operações em áreas palestinas, a ICL Rotem, uma subsidiária do grupo, atua no deserto de Naqab, onde o deslocamento dos beduínos, uma comunidade pastoral muçulmana, está em curso. A abertura de novas minas de fosfato poderia afetar até 100 mil moradores, 15 mil dos quais pertencem a essa comunidade. Um incidente em 2017, onde a ICL Rotem liberou resíduos tóxicos em um rio local, exemplifica os riscos ambientais associados às atividades da empresa.

Ademais, o grupo ICL está sendo investigado por fornecer fósforo branco a projéteis militares dos EUA que são utilizados contra a população civil palestina. Essa prática é apenas uma das várias denúncias que caracterizam a empresa como cúmplice em crimes de guerra.

<><> O Papel da Amaggi no cenário Internacional

Apesar das críticas e das chamadas para um boicote, a Amaggi alegou que não existem limitações que impeçam transações com a ICL, nem que comprometam sua reputação ou princípios éticos. A relação entre o Brasil e Israel, que envolve tanto o agronegócio quanto o setor militar, mantém-se forte, com as trocas comerciais entre os dois países alcançando mais de US$1,2 bilhão, mesmo com uma queda de 14,9% em comparação ao ano anterior.

O agronegócio brasileiro, em sua essência, é um dos principais beneficiários dessa relação, com destaque para a importação de insumos e produtos que incluem fertilizantes, inseticidas e outros itens cruciais para a produção agrícola. As exportações do Brasil para Israel, que aumentaram 9,6%, refletem a força do setor, contribuindo com produtos como soja, café e carnes.

<><> A Luta pela Justiça Climática e pelos Direitos Humanos

A luta pela libertação da Palestina transcende questões políticas, sendo uma batalha por justiça climática e responsabilização das empresas que contribuem para a degradação ambiental e o sofrimento humano. A Amaggi, enquanto uma das líderes do agronegócio brasileiro e participante ativa em eventos globais como a COP 30, enfrenta um paradoxo: promover práticas sustentáveis enquanto se envolve em atividades que afetam negativamente o meio ambiente e as comunidades vulneráveis na Palestina.

À medida que a crise humanitária em Gaza se agrava, com milhares de pessoas enfrentando a fome e a falta de recursos básicos, o setor agropecuário brasileiro continua a prosperar. Enquanto isso, as políticas do governo brasileiro, que priorizam investimentos no agronegócio, refletem uma aliança com práticas que muitos consideram apoiadoras do colonialismo e do imperialismo.

<><> Considerações Finais

Este cenário evidencia a interconexão entre as lutas sociais no Brasil e no mundo, onde a defesa dos direitos humanos se entrelaça com as questões ambientais. A pressão por justiça em relação à Palestina é uma parte importante de um movimento maior que busca desafiar as estruturas do capitalismo global e promover a equidade. A luta pela Palestina é, portanto, indissociável das batalhas contra a opressão e pela preservação do nosso planeta.

 

Fonte: Por Filgueira, em MST/Olhar da Notícia

 

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