Em
declaração, Brasil e Rússia selam agenda de cooperação ampla e defendem
multilateralismo global
Na VIII
Reunião da Comissão Brasil-Rússia, Brasília e Moscou reafirmaram o compromisso
de fortalecer e ampliar uma parceria estratégica de longo prazo, com base em
confiança mútua e diálogo construtivo.
O
encontro foi copresidido pelo vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, e
pelo primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin.
Na
declaração final da reunião, Brasil e Rússia reafirmaram vontade de ampliar projetos de cooperação
em múltiplas áreas, lembrando a história de relações diplomáticas que se
aproxima de 200 anos. Foi destacada, também, a importância do encontro dos
presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Vladimir Putin em maio de 2025, que
impulsionou esforços bilaterais.
No
âmbito da cooperação econômica e comercial, ambos os países enfatizaram a
necessidade de diversificar e ampliar o comércio bilateral, inclusive com
produtos de maior valor agregado. Além disso, reconheceram o papel ativo de
conselhos empresariais e eventos do setor privado que fortalecem laços
econômicos e destacaram a cooperação aduaneira e mecanismos financeiros para
facilitar trocas comerciais.
Brasília
e Moscou também estabeleceram áreas prioritárias de cooperação, sendo elas:
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Indústria e tecnologia: interesse em ampliar cooperação em setores como química, fertilizantes,
segurança cibernética, tecnologias digitais e construção naval.
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Agronegócio: compromisso com o aumento do comércio de produtos agrícolas e
agilização de procedimentos sanitários e fitossanitários.
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Ciência, tecnologia e inovação: intensificação de parcerias em
biotecnologia, nanotecnologia, espaços científicos avançados, inteligência
artificial e tecnologia espacial.
>>
Energia e meio ambiente: cooperação em transição energética, uso pacífico
da energia nuclear, radioisótopos medicinais, conservação ambiental e combate à
poluição por plásticos.
Além
disso, os países reafirmaram compromisso com o multilateralismo, a Carta
da ONU e a solução pacífica de controvérsias, além do apoio à reforma do
Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ambos destacaram a importância de
instituições como o BRICS e o G20 para fortalecer a
cooperação global e, também, rejeitaram medidas coercitivas
unilaterais contra
países em desenvolvimento e enfatizaram a necessidade de reformas nas
instituições financeiras internacionais.
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Brasil e Rússia assinam acordo em Brasília e miram pagamentos em moedas locais
O
primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, chegou na quinta-feira (5) ao
Palácio Itamaraty, em Brasília, para participar da VIII Reunião da Comissão
Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN), retomada após cerca de dez
anos, com o objetivo de ampliar o comércio bilateral e fortalecer mecanismos
financeiros e logísticos.
Mishustin
foi recebido pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria,
Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e pelo chanceler
brasileiro, Mauro Vieira. A visita ocorre após encontros preparatórios e
reúne uma comitiva russa formada por ministros e representantes do alto
escalão de Moscou.
Durante
a reunião, Mishustin afirmou que o Brasil é o parceiro econômico mais
importante da Rússia na América Latina, destacando que a cooperação bilateral
"avança de forma constante, com novos projetos mutuamente benéficos em
várias áreas".
Segundo
o premiê russo, o comércio entre os países é sustentado por exportações brasileiras de carne e
café, enquanto
a Rússia fornece cerca de 25% dos fertilizantes importados pelo
Brasil, uma relação que, segundo ele, "contribui para a segurança
alimentar".
Mishustin
avaliou ainda que essa parceria pode se expandir diante das transformações
da economia global, da digitalização e da transição energética.
O
primeiro-ministro russo também defendeu a ampliação do uso de
moedas nacionais nas
transações bilaterais. "O aumento dos pagamentos em moedas locais, a
ampliação da cooperação bancária e o desenvolvimento de corredores de
transporte e cadeias logísticas são prioridades da cooperação econômica
entre os dois países."
Em
outro momento, Mishustin afirmou que a cooperação entre Rússia e
Brasil pode ter impacto além da esfera econômica. Segundo ele, a atuação
conjunta em fóruns internacionais e o avanço de novos projetos bilaterais
podem reforçar a estabilidade global.
Do lado
brasileiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o
comércio bilateral alcançou cerca de US$ 11 bilhões (R$ 57,9
bilhões) em 2025, valor que considerou expressivo, mas ainda abaixo do
potencial das duas economias.
Para
Alckmin, o desafio é "crescer com mais equilíbrio e valor agregado",
ampliando a cooperação em áreas como agronegócio, energia, ciência,
tecnologia, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável.
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Potencial de cooperação 'não plenamente reconhecido'
Também
presente à reunião, o ministro para Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maksim
Reshetnikov, afirmou a jornalistas que há um enorme potencial ainda não
explorado na relação comercial entre os dois países. "O nosso
interesse é muito grande, […] aqui nós temos exatamente o que oferecer, e
provavelmente a principal tarefa agora é garantir o sucesso dos contatos de
negócios."
Segundo
Reshetnikov, o potencial de
cooperação ainda
não foi plenamente reconhecido, considerando a dimensão das duas economias e o
tamanho do mercado consumidor.
A
autoridade russa destacou que a CAN está estruturada em três seções e três
"rounds" de discussão, que abrangem temas gerais, cooperação
industrial e distribuição de produtos industriais tanto no Brasil quanto na
Federação da Rússia.
O
ministro russo mencionou ainda oportunidades em agroindústria, produtos
minerais, tecnologia agrícola, indústria automotiva, setor farmacêutico e
tecnologia da informação, incluindo segurança digital e Internet.
De
acordo com ele, nos últimos anos houve um aumento na distribuição de
produtos de óleo para o mercado brasileiro, enquanto a Rússia também ampliou a
compra de produtos agrícolas, como café e carne.
Reshetnikov
afirmou que a diversificação da pauta comercial é uma das principais tarefas e
que questões ligadas a logística, estabilização de fluxos
comerciais e sistemas de pagamento estão sendo discutidas tanto no nível
governamental quanto empresarial. "Nós também discutimos isso no nível do
órgão e, portanto, no nível do negócio."
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Cinco pontos-chave sobre a parceria comercial
Brasil–Rússia
A
realização da 8ª Comissão Bilateral de Alto Nível Brasil–Rússia (CAN) recoloca
a relação entre os dois países no centro do debate, indo além da dimensão
estritamente geopolítica. A parceria comercial entre Brasília e
Moscou revela
posições estratégicas e complementares nas cadeias globais de produção,
especialmente em setores considerados sensíveis para a economia internacional.
Em
coletiva concedida em maio de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
afirmou que o Brasil "não pode jogar fora nenhuma oportunidade", ao
destacar o potencial de cooperação nas áreas de transição energética e de
minerais críticos.
A Sputnik
Brasil reuniu os principais pontos que ajudam a compreender a importância
e os desafios da parceria comercial entre Brasil e Rússia.
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Balança Comercial
A
balança comercial entre Brasil e Rússia evidencia uma relação marcada pela
complementaridade e oportunidade. Em 2025, o intercâmbio
bilateral alcançou US$
11 bilhões, consolidando a Rússia como o 12º maior parceiro comercial do
Brasil. Apesar do volume expressivo, o saldo é deficitário para os
brasileiros.
O
contexto geopolítico internacional teve impacto direto nessa dinâmica. As
sanções impostas pelos países do G7 à Rússia, após
o conflito na Ucrânia, levaram Moscou a redirecionar fluxos comerciais para
parceiros fora do eixo ocidental, com destaque para os países do BRICS. Nesse
movimento, as importações russas oriundas do grupo saltaram de US$ 95 bilhões
para cerca de US$ 210 bilhões, ampliando o espaço para o Brasil e
reforçando a posição russa como grande exportadora de bens essenciais.
Diante
desse cenário, o governo brasileiro tem sinalizado interesse em reequilibrar a
relação comercial. Em maio de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
defendeu a ampliação dos canais de comércio bilateral, sobretudo em áreas como
minerais críticos e transição energética, com o objetivo de reduzir o déficit e
aumentar o valor agregado das exportações brasileiras. A estratégia passa
menos por reduzir importações essenciais e mais por diversificar e qualificar a
pauta exportadora.
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Exportação
As
exportações brasileiras para a Rússia seguem fortemente concentradas em
commodities agrícolas, o que reforça o papel do Brasil como fornecedor de
alimentos em um contexto de reconfiguração das cadeias globais. Soja, café,
carne bovina e açúcar lideram a pauta, atendendo à demanda russa por grãos e
proteínas, especialmente após a redução das importações vindas de países
europeus.
Dados
da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil)
indicam crescimento expressivo em segmentos específicos, como o café cru, cujas
exportações saltaram entre 2019 e 2024, alcançando US$ 266,1 milhões. Esse
desempenho reflete não apenas a competitividade do produto brasileiro, mas
também a consolidação de canais comerciais mais estáveis entre os dois países.
Apesar
do protagonismo das commodities, especialistas apontam que a concentração
excessiva limita o potencial da relação comercial. A ampliação das exportações
de produtos industrializados e semimanufaturados aparece como um desafio
central para o Brasil, especialmente em setores nos quais o país possui
capacidade produtiva.
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Importação
Do lado
das importações, a Rússia ocupa posição estratégica para o Brasil no
fornecimento de insumos considerados vitais para a economia. Segundo dados da
Comtrade, os principais produtos importados pelo Brasil são combustíveis
— cerca de US$ 7 bilhões — e fertilizantes, que somam aproximadamente
US$ 4 bilhões anuais. Esses itens são fundamentais para o funcionamento do agronegócio, setor que
responde por 29,4% do PIB brasileiro.
A
dependência de fertilizantes russos ganhou ainda mais relevância após as
disrupções globais provocadas pela pandemia e pelo conflito na Ucrânia. Nesse
contexto, o Brasil optou por não aderir às sanções impostas pelos Estados
Unidos e pela União Europeia aos produtos energéticos russos, tornando-se
o quinto maior comprador de derivados de petróleo da Rússia, segundo o Centro
para Pesquisas em Energia e Ar Limpo.
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Oportunidades no Brasil
A
relação com a Rússia oferece ao Brasil oportunidades que vão além do comércio
tradicional. Um dos principais vetores é a atração de investimentos e
cooperação tecnológica em áreas estratégicas, como fertilizantes, mineração e
energia. Empresas russas detêm know-how relevante nesses setores, o que pode
contribuir para reduzir gargalos históricos da economia brasileira.
A
cooperação em minerais críticos — essenciais para a transição energética —
surge como um campo promissor. O Brasil possui vastas reservas de lítio,
nióbio e terras raras, enquanto a Rússia reúne experiência tecnológica e
capacidade industrial. Parcerias nesse segmento podem fortalecer a posição
brasileira nas cadeias globais de energia limpa e reduzir a dependência de
países ocidentais ou asiáticos.
Além
disso, o Brasil pode se beneficiar da ampliação de joint ventures e acordos de
transferência de tecnologia, especialmente no
âmbito do BRICS. A
estratégia brasileira busca transformar a relação comercial em uma parceria
mais estruturante, capaz de gerar empregos, inovação e maior valor agregado
interno, em vez de apenas reforçar a lógica exportadora de commodities.
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Oportunidades na Rússia
Para a
Rússia, o Brasil representa um mercado estratégico e estável no Sul Global, com grande
capacidade de absorção de alimentos, bens industriais e cooperação tecnológica.
Segundo o Mapa de Oportunidades da ApexBrasil, existem ao menos 217
oportunidades de exportação de produtos brasileiros para o mercado russo, em
segmentos como materiais de construção, couro, ferramentas, utensílios e
máquinas, o que também beneficia a economia russa ao diversificar fornecedores.
No
setor alimentício, a convergência entre a demanda russa e a oferta brasileira é
particularmente relevante. As sanções ocidentais reforçaram a estratégia de
Moscou de reduzir dependências da Europa e ampliar parcerias com países
emergentes. Nesse contexto, o Brasil se consolida como fornecedor confiável,
capaz de garantir segurança alimentar em médio e longo prazo.
A
presença de sete projetos setoriais da ApexBrasil voltados ao mercado russo
indica uma aposta institucional na consolidação dessa relação. Para a Rússia,
isso significa não apenas acesso a produtos brasileiros, mas também a
possibilidade de aprofundar laços econômicos e políticos com um dos principais
atores da América Latina, reforçando sua estratégia de inserção
internacional em um mundo cada vez mais multipolar.
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Balança comercial Brasil-Rússia é prejudicada por
soluções industriais brasileiras pobres
Em
entrevista à Sputnik Brasil, especialistas explicam que o Brasil não tem muito
o que oferecer em produtos de alto valor agregado à Rússia, o que leva ao
déficit de Brasília em relação a Moscou. Desdolarização e intercâmbios podem
ajudar na aproximação das nações.
O
vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, recebeu nesta quinta-feira (5)
o primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, em Brasília para a
realização da 8ª Reunião da
Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN) com
objetivo de fomentar a parceria comercial entre os dois países.
No discurso de abertura, Alckmin ressaltou
que as transações entre Brasil e Rússia chegaram a US$ 10,9
bilhões (cerca de R$ 57,5 bilhões) em 2025, embora reconheça um potencial
ainda maior para o comércio bilateral. Segundo o vice-presidente, um dos
entraves é a dificuldade logística, também pontuada por Mishustin.
Alckmin
deu ênfase para a necessidade de um crescimento "com mais equilíbrio
e valor agregado", em meio a uma balança comercial extremamente
desfavorável ao Brasil. Segundo números divulgados pela ApexBrasil, a economia
brasileira exportou US$ 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 7,8 bilhões) para o
território russo, enquanto importou US$ 9,4 bilhões (mais de R$ 49,5 bilhões).
Em
entrevista à Sputnik Brasil, especialistas explicaram que há um enorme
desafio para equilibrar a balança comercial entre as duas nações, já que
o Brasil não possui itens de alto valor agregado que possam interessar à
Rússia. Enquanto são importados das companhias russas derivados de petróleo,
minerais e fertilizantes, os empresários brasileiros exportam carne bovina,
café e soja.
Giovana
Branco, doutoranda em ciência política na Universidade de São Paulo (USP) e
pesquisadora de política russa, conta que Alckmin está correto em reivindicar
uma balança mais equilibrada, mas que o problema não está na questão
comercial e sim na indústria brasileira. A analista entende que está é uma
questão sem solução imediata.
"Não
consigo ver, em um curto prazo, como solucionar isso sem que exista um
investimento nacional na indústria para que a gente possa, de fato, competir. E
é interessante pensar na Rússia também como receptora desses produtos, apesar
da distância, da questão logística, mas também como um dos principais parceiros
comerciais do Brasil nesse momento."
Branco
destaca que a indústria brasileira é muito forte, por exemplo, na construção
civil, no entanto, a própria Rússia também é referência neste setor. Em outras
áreas, como saúde, há uma grande competição internacional que dificulta as
intenções de Brasília.
"Talvez
uma inserção interessante fosse o mercado médico, com questões de saúde,
medicamentos, e tudo mais. Mas aí também tem outros competidores internacionais
relevantes, como a própria Índia. [...] Diria que é primeiro o Brasil fazer
essa autocrítica de o que a gente pode melhorar no mercado nacional, para daí
sim pensar no mercado de exportação e nessas relações comerciais globais."
Outra
questão que precisa ser driblada para a intensificação das vendas entre os
países são as questões logísticas. Além da própria distância geográfica
Brasil-Rússia, Branco ressalta os desafios para o transporte de carga em
ambas as nações.
"A
gente já fala há anos sobre o chamado Custo Brasil, que é justamente esses
custos a mais de logística para que essas mercadorias sejam distribuídas no
mercado nacional. E isso na Rússia também acontece porque a Rússia tem uma
concentração muito grande de pessoas, de recursos e de indústrias em apenas
algumas regiões do seu país."
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Desdolarização é tema comum a Brasil e Rússia
O
premiê Mishustin citou durante seu discurso a importância da adoção de
moedas locais na relação bilateral entre os países, afirmando que tanto Brasil
quanto Rússia atuam na linha de frente para o crescimento da
multipolaridade.
Rafaela
Mello Rodrigues de Sá, doutoranda em ciência política na McMaster University e
pesquisadora associada do Public Banking Projetc, explica que este assunto
é amplamente discutido pelo BRICS, do qual Brasil e Rússia são
membros-fundadores.
A
especialista cita como exemplo as iniciativas BRICS Payment
Taskforce, BRICS Interbank Cooperation Mechanism e BRICS
Cross-Border Payments Initiative, que são soluções que buscam acelerar o
processo de desdolarização das transações entre países do grupo.
"Estas
iniciativas no âmbito do BRICS vem sendo incentivas por Rússia e Brasil, e
poderá facilitar a criação de estruturas mais propícias para a gradual redução
do uso de dólar nas transações bilaterais destes países, particularmente no
atual contexto de instabilidade da moeda estadunidense."
Para
Branco, a utilização das moedas próprias em negociações internacionais
deve ser iniciada em comércios bilaterais para, em um momento seguinte,
elevar este tipo de troca financeira para grupos, como o próprio BRICS.
Ainda
de acordo com a especialista, o primeiro passo é criar mecanismos
financeiros que não estejam sob a tutela de instituições do Norte Global, como
Estados Unidos e Europa Ocidental.
"O
que falta é um sistema bancário eficiente, que a gente consiga, de fato, não
apenas não usar o dólar, mas não usar as plataformas financeiras ligadas aos
Estados Unidos e à Europa, de uma forma mais geral."
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Conexão cultural-educacional
Ambas
as especialistas enfatizaram a importância do intercâmbio entre brasileiros e
russos, defendido por Alckmin tanto no campo educacional quanto no campo
cultural.
Para
Sá, ações deste tipo geram um estreitamento em diversos setores para além de
ciência e tecnologia, já que uma "maior compreensão de ambas as
realidade poderá facilitar a identificação de desafios semelhantes" e
criar "soluções coordenadas de iniciativas de cooperação". A
analista cita como uma iniciativa deste tipo o BRICS Network University.
"Há
atualmente diversas iniciativas, particularmente no escopo do BRICS, que
promove o intercâmbio cultural e educacional entre Brasil e Rússia, como, por
exemplo, a iniciativa do BRICS Network University, que vem provendo o diálogo
entre as instituições de ensino superior dos países BRICS desde 2015 como uma
plataforma de projetos comuns, mobilidade acadêmica e programas
educacionais."
Branco
também concorda que o desejo do vice-presidente brasileiro possa ser positivo
para as relações comerciais dos dois países, já que a conexão entre
pessoas permite um intercâmbio de ideias, inclusive em questões industriais de
alta tecnologia, como no setor de energia nuclear.
"Talvez
o primeiro passo, de fato, seja esse intercâmbio cultural em menor escala, o
universitário que vai para a Rússia e o universitário russo que vem para cá.
Mas é óbvio, no longo prazo, a gente acaba construindo canais de comunicação e
relações de confiança, e isso pode, sim, transbordar para a questão
econômica."
Fonte:
Sputnik Brasil

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