segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Em declaração, Brasil e Rússia selam agenda de cooperação ampla e defendem multilateralismo global

Na VIII Reunião da Comissão Brasil-Rússia, Brasília e Moscou reafirmaram o compromisso de fortalecer e ampliar uma parceria estratégica de longo prazo, com base em confiança mútua e diálogo construtivo.

O encontro foi copresidido pelo vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, e pelo primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin.

Na declaração final da reunião, Brasil e Rússia reafirmaram vontade de ampliar projetos de cooperação em múltiplas áreas, lembrando a história de relações diplomáticas que se aproxima de 200 anos. Foi destacada, também, a importância do encontro dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Vladimir Putin em maio de 2025, que impulsionou esforços bilaterais.

No âmbito da cooperação econômica e comercial, ambos os países enfatizaram a necessidade de diversificar e ampliar o comércio bilateral, inclusive com produtos de maior valor agregado. Além disso, reconheceram o papel ativo de conselhos empresariais e eventos do setor privado que fortalecem laços econômicos e destacaram a cooperação aduaneira e mecanismos financeiros para facilitar trocas comerciais.

Brasília e Moscou também estabeleceram áreas prioritárias de cooperação, sendo elas:

>> Indústria e tecnologia: interesse em ampliar cooperação em setores como química, fertilizantes, segurança cibernética, tecnologias digitais e construção naval.

>> Agronegócio: compromisso com o aumento do comércio de produtos agrícolas e agilização de procedimentos sanitários e fitossanitários.

>> Ciência, tecnologia e inovação: intensificação de parcerias em biotecnologia, nanotecnologia, espaços científicos avançados, inteligência artificial e tecnologia espacial.

>> Energia e meio ambiente: cooperação em transição energética, uso pacífico da energia nuclear, radioisótopos medicinais, conservação ambiental e combate à poluição por plásticos.

Além disso, os países reafirmaram compromisso com o multilateralismo, a Carta da ONU e a solução pacífica de controvérsias, além do apoio à reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ambos destacaram a importância de instituições como o BRICS e o G20 para fortalecer a cooperação global e, também, rejeitaram medidas coercitivas unilaterais contra países em desenvolvimento e enfatizaram a necessidade de reformas nas instituições financeiras internacionais.

<><> Brasil e Rússia assinam acordo em Brasília e miram pagamentos em moedas locais

O primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, chegou na quinta-feira (5) ao Palácio Itamaraty, em Brasília, para participar da VIII Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN), retomada após cerca de dez anos, com o objetivo de ampliar o comércio bilateral e fortalecer mecanismos financeiros e logísticos.

Mishustin foi recebido pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira. A visita ocorre após encontros preparatórios e reúne uma comitiva russa formada por ministros e representantes do alto escalão de Moscou.

Durante a reunião, Mishustin afirmou que o Brasil é o parceiro econômico mais importante da Rússia na América Latina, destacando que a cooperação bilateral "avança de forma constante, com novos projetos mutuamente benéficos em várias áreas".

Segundo o premiê russo, o comércio entre os países é sustentado por exportações brasileiras de carne e café, enquanto a Rússia fornece cerca de 25% dos fertilizantes importados pelo Brasil, uma relação que, segundo ele, "contribui para a segurança alimentar".

Mishustin avaliou ainda que essa parceria pode se expandir diante das transformações da economia global, da digitalização e da transição energética.

O primeiro-ministro russo também defendeu a ampliação do uso de moedas nacionais nas transações bilaterais. "O aumento dos pagamentos em moedas locais, a ampliação da cooperação bancária e o desenvolvimento de corredores de transporte e cadeias logísticas são prioridades da cooperação econômica entre os dois países."

Em outro momento, Mishustin afirmou que a cooperação entre Rússia e Brasil pode ter impacto além da esfera econômica. Segundo ele, a atuação conjunta em fóruns internacionais e o avanço de novos projetos bilaterais podem reforçar a estabilidade global.

Do lado brasileiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o comércio bilateral alcançou cerca de US$ 11 bilhões (R$ 57,9 bilhões) em 2025, valor que considerou expressivo, mas ainda abaixo do potencial das duas economias.

Para Alckmin, o desafio é "crescer com mais equilíbrio e valor agregado", ampliando a cooperação em áreas como agronegócio, energia, ciência, tecnologia, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável.

<><> Potencial de cooperação 'não plenamente reconhecido'

Também presente à reunião, o ministro para Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maksim Reshetnikov, afirmou a jornalistas que há um enorme potencial ainda não explorado na relação comercial entre os dois países. "O nosso interesse é muito grande, […] aqui nós temos exatamente o que oferecer, e provavelmente a principal tarefa agora é garantir o sucesso dos contatos de negócios."

Segundo Reshetnikov, o potencial de cooperação ainda não foi plenamente reconhecido, considerando a dimensão das duas economias e o tamanho do mercado consumidor.

A autoridade russa destacou que a CAN está estruturada em três seções e três "rounds" de discussão, que abrangem temas gerais, cooperação industrial e distribuição de produtos industriais tanto no Brasil quanto na Federação da Rússia.

O ministro russo mencionou ainda oportunidades em agroindústria, produtos minerais, tecnologia agrícola, indústria automotiva, setor farmacêutico e tecnologia da informação, incluindo segurança digital e Internet.

De acordo com ele, nos últimos anos houve um aumento na distribuição de produtos de óleo para o mercado brasileiro, enquanto a Rússia também ampliou a compra de produtos agrícolas, como café e carne.

Reshetnikov afirmou que a diversificação da pauta comercial é uma das principais tarefas e que questões ligadas a logística, estabilização de fluxos comerciais e sistemas de pagamento estão sendo discutidas tanto no nível governamental quanto empresarial. "Nós também discutimos isso no nível do órgão e, portanto, no nível do negócio."

¨      Cinco pontos-chave sobre a parceria comercial Brasil–Rússia

A realização da 8ª Comissão Bilateral de Alto Nível Brasil–Rússia (CAN) recoloca a relação entre os dois países no centro do debate, indo além da dimensão estritamente geopolítica. A parceria comercial entre Brasília e Moscou revela posições estratégicas e complementares nas cadeias globais de produção, especialmente em setores considerados sensíveis para a economia internacional.

Em coletiva concedida em maio de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil "não pode jogar fora nenhuma oportunidade", ao destacar o potencial de cooperação nas áreas de transição energética e de minerais críticos.

A Sputnik Brasil reuniu os principais pontos que ajudam a compreender a importância e os desafios da parceria comercial entre Brasil e Rússia.

<><> Balança Comercial

A balança comercial entre Brasil e Rússia evidencia uma relação marcada pela complementaridade e oportunidade. Em 2025, o intercâmbio bilateral alcançou US$ 11 bilhões, consolidando a Rússia como o 12º maior parceiro comercial do Brasil. Apesar do volume expressivo, o saldo é deficitário para os brasileiros.

O contexto geopolítico internacional teve impacto direto nessa dinâmica. As sanções impostas pelos países do G7 à Rússia, após o conflito na Ucrânia, levaram Moscou a redirecionar fluxos comerciais para parceiros fora do eixo ocidental, com destaque para os países do BRICS. Nesse movimento, as importações russas oriundas do grupo saltaram de US$ 95 bilhões para cerca de US$ 210 bilhões, ampliando o espaço para o Brasil e reforçando a posição russa como grande exportadora de bens essenciais.

Diante desse cenário, o governo brasileiro tem sinalizado interesse em reequilibrar a relação comercial. Em maio de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a ampliação dos canais de comércio bilateral, sobretudo em áreas como minerais críticos e transição energética, com o objetivo de reduzir o déficit e aumentar o valor agregado das exportações brasileiras. A estratégia passa menos por reduzir importações essenciais e mais por diversificar e qualificar a pauta exportadora.

<><> Exportação

As exportações brasileiras para a Rússia seguem fortemente concentradas em commodities agrícolas, o que reforça o papel do Brasil como fornecedor de alimentos em um contexto de reconfiguração das cadeias globais. Soja, café, carne bovina e açúcar lideram a pauta, atendendo à demanda russa por grãos e proteínas, especialmente após a redução das importações vindas de países europeus.

Dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) indicam crescimento expressivo em segmentos específicos, como o café cru, cujas exportações saltaram entre 2019 e 2024, alcançando US$ 266,1 milhões. Esse desempenho reflete não apenas a competitividade do produto brasileiro, mas também a consolidação de canais comerciais mais estáveis entre os dois países.

Apesar do protagonismo das commodities, especialistas apontam que a concentração excessiva limita o potencial da relação comercial. A ampliação das exportações de produtos industrializados e semimanufaturados aparece como um desafio central para o Brasil, especialmente em setores nos quais o país possui capacidade produtiva.

<><> Importação

Do lado das importações, a Rússia ocupa posição estratégica para o Brasil no fornecimento de insumos considerados vitais para a economia. Segundo dados da Comtrade, os principais produtos importados pelo Brasil são combustíveis — cerca de US$ 7 bilhões — e fertilizantes, que somam aproximadamente US$ 4 bilhões anuais. Esses itens são fundamentais para o funcionamento do agronegócio, setor que responde por 29,4% do PIB brasileiro.

A dependência de fertilizantes russos ganhou ainda mais relevância após as disrupções globais provocadas pela pandemia e pelo conflito na Ucrânia. Nesse contexto, o Brasil optou por não aderir às sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia aos produtos energéticos russos, tornando-se o quinto maior comprador de derivados de petróleo da Rússia, segundo o Centro para Pesquisas em Energia e Ar Limpo.

<><> Oportunidades no Brasil

A relação com a Rússia oferece ao Brasil oportunidades que vão além do comércio tradicional. Um dos principais vetores é a atração de investimentos e cooperação tecnológica em áreas estratégicas, como fertilizantes, mineração e energia. Empresas russas detêm know-how relevante nesses setores, o que pode contribuir para reduzir gargalos históricos da economia brasileira.

A cooperação em minerais críticos — essenciais para a transição energética — surge como um campo promissor. O Brasil possui vastas reservas de lítio, nióbio e terras raras, enquanto a Rússia reúne experiência tecnológica e capacidade industrial. Parcerias nesse segmento podem fortalecer a posição brasileira nas cadeias globais de energia limpa e reduzir a dependência de países ocidentais ou asiáticos.

Além disso, o Brasil pode se beneficiar da ampliação de joint ventures e acordos de transferência de tecnologia, especialmente no âmbito do BRICS. A estratégia brasileira busca transformar a relação comercial em uma parceria mais estruturante, capaz de gerar empregos, inovação e maior valor agregado interno, em vez de apenas reforçar a lógica exportadora de commodities.

<><> Oportunidades na Rússia

Para a Rússia, o Brasil representa um mercado estratégico e estável no Sul Global, com grande capacidade de absorção de alimentos, bens industriais e cooperação tecnológica. Segundo o Mapa de Oportunidades da ApexBrasil, existem ao menos 217 oportunidades de exportação de produtos brasileiros para o mercado russo, em segmentos como materiais de construção, couro, ferramentas, utensílios e máquinas, o que também beneficia a economia russa ao diversificar fornecedores.

No setor alimentício, a convergência entre a demanda russa e a oferta brasileira é particularmente relevante. As sanções ocidentais reforçaram a estratégia de Moscou de reduzir dependências da Europa e ampliar parcerias com países emergentes. Nesse contexto, o Brasil se consolida como fornecedor confiável, capaz de garantir segurança alimentar em médio e longo prazo.

A presença de sete projetos setoriais da ApexBrasil voltados ao mercado russo indica uma aposta institucional na consolidação dessa relação. Para a Rússia, isso significa não apenas acesso a produtos brasileiros, mas também a possibilidade de aprofundar laços econômicos e políticos com um dos principais atores da América Latina, reforçando sua estratégia de inserção internacional em um mundo cada vez mais multipolar.

¨      Balança comercial Brasil-Rússia é prejudicada por soluções industriais brasileiras pobres

Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas explicam que o Brasil não tem muito o que oferecer em produtos de alto valor agregado à Rússia, o que leva ao déficit de Brasília em relação a Moscou. Desdolarização e intercâmbios podem ajudar na aproximação das nações.

O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, recebeu nesta quinta-feira (5) o primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, em Brasília para a realização da 8ª Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN) com objetivo de fomentar a parceria comercial entre os dois países.

No discurso de abertura, Alckmin ressaltou que as transações entre Brasil e Rússia chegaram a US$ 10,9 bilhões (cerca de R$ 57,5 bilhões) em 2025, embora reconheça um potencial ainda maior para o comércio bilateral. Segundo o vice-presidente, um dos entraves é a dificuldade logística, também pontuada por Mishustin.

Alckmin deu ênfase para a necessidade de um crescimento "com mais equilíbrio e valor agregado", em meio a uma balança comercial extremamente desfavorável ao Brasil. Segundo números divulgados pela ApexBrasil, a economia brasileira exportou US$ 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 7,8 bilhões) para o território russo, enquanto importou US$ 9,4 bilhões (mais de R$ 49,5 bilhões).

Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas explicaram que há um enorme desafio para equilibrar a balança comercial entre as duas nações, já que o Brasil não possui itens de alto valor agregado que possam interessar à Rússia. Enquanto são importados das companhias russas derivados de petróleo, minerais e fertilizantes, os empresários brasileiros exportam carne bovina, café e soja.

Giovana Branco, doutoranda em ciência política na Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora de política russa, conta que Alckmin está correto em reivindicar uma balança mais equilibrada, mas que o problema não está na questão comercial e sim na indústria brasileira. A analista entende que está é uma questão sem solução imediata.

"Não consigo ver, em um curto prazo, como solucionar isso sem que exista um investimento nacional na indústria para que a gente possa, de fato, competir. E é interessante pensar na Rússia também como receptora desses produtos, apesar da distância, da questão logística, mas também como um dos principais parceiros comerciais do Brasil nesse momento."

Branco destaca que a indústria brasileira é muito forte, por exemplo, na construção civil, no entanto, a própria Rússia também é referência neste setor. Em outras áreas, como saúde, há uma grande competição internacional que dificulta as intenções de Brasília.

"Talvez uma inserção interessante fosse o mercado médico, com questões de saúde, medicamentos, e tudo mais. Mas aí também tem outros competidores internacionais relevantes, como a própria Índia. [...] Diria que é primeiro o Brasil fazer essa autocrítica de o que a gente pode melhorar no mercado nacional, para daí sim pensar no mercado de exportação e nessas relações comerciais globais."

Outra questão que precisa ser driblada para a intensificação das vendas entre os países são as questões logísticas. Além da própria distância geográfica Brasil-Rússia, Branco ressalta os desafios para o transporte de carga em ambas as nações.

"A gente já fala há anos sobre o chamado Custo Brasil, que é justamente esses custos a mais de logística para que essas mercadorias sejam distribuídas no mercado nacional. E isso na Rússia também acontece porque a Rússia tem uma concentração muito grande de pessoas, de recursos e de indústrias em apenas algumas regiões do seu país."

<><> Desdolarização é tema comum a Brasil e Rússia

O premiê Mishustin citou durante seu discurso a importância da adoção de moedas locais na relação bilateral entre os países, afirmando que tanto Brasil quanto Rússia atuam na linha de frente para o crescimento da multipolaridade.

Rafaela Mello Rodrigues de Sá, doutoranda em ciência política na McMaster University e pesquisadora associada do Public Banking Projetc, explica que este assunto é amplamente discutido pelo BRICS, do qual Brasil e Rússia são membros-fundadores.

A especialista cita como exemplo as iniciativas BRICS Payment Taskforce, BRICS Interbank Cooperation Mechanism e BRICS Cross-Border Payments Initiative, que são soluções que buscam acelerar o processo de desdolarização das transações entre países do grupo.

"Estas iniciativas no âmbito do BRICS vem sendo incentivas por Rússia e Brasil, e poderá facilitar a criação de estruturas mais propícias para a gradual redução do uso de dólar nas transações bilaterais destes países, particularmente no atual contexto de instabilidade da moeda estadunidense."

Para Branco, a utilização das moedas próprias em negociações internacionais deve ser iniciada em comércios bilaterais para, em um momento seguinte, elevar este tipo de troca financeira para grupos, como o próprio BRICS.

Ainda de acordo com a especialista, o primeiro passo é criar mecanismos financeiros que não estejam sob a tutela de instituições do Norte Global, como Estados Unidos e Europa Ocidental.

"O que falta é um sistema bancário eficiente, que a gente consiga, de fato, não apenas não usar o dólar, mas não usar as plataformas financeiras ligadas aos Estados Unidos e à Europa, de uma forma mais geral."

<><> Conexão cultural-educacional

Ambas as especialistas enfatizaram a importância do intercâmbio entre brasileiros e russos, defendido por Alckmin tanto no campo educacional quanto no campo cultural.

Para Sá, ações deste tipo geram um estreitamento em diversos setores para além de ciência e tecnologia, já que uma "maior compreensão de ambas as realidade poderá facilitar a identificação de desafios semelhantes" e criar "soluções coordenadas de iniciativas de cooperação". A analista cita como uma iniciativa deste tipo o BRICS Network University.

"Há atualmente diversas iniciativas, particularmente no escopo do BRICS, que promove o intercâmbio cultural e educacional entre Brasil e Rússia, como, por exemplo, a iniciativa do BRICS Network University, que vem provendo o diálogo entre as instituições de ensino superior dos países BRICS desde 2015 como uma plataforma de projetos comuns, mobilidade acadêmica e programas educacionais."

Branco também concorda que o desejo do vice-presidente brasileiro possa ser positivo para as relações comerciais dos dois países, já que a conexão entre pessoas permite um intercâmbio de ideias, inclusive em questões industriais de alta tecnologia, como no setor de energia nuclear.

"Talvez o primeiro passo, de fato, seja esse intercâmbio cultural em menor escala, o universitário que vai para a Rússia e o universitário russo que vem para cá. Mas é óbvio, no longo prazo, a gente acaba construindo canais de comunicação e relações de confiança, e isso pode, sim, transbordar para a questão econômica."

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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