A
ofensiva da UE para enquadrar as big techs americanas
A
investigação contra a rede social TikTok anunciada pela União
Europeia nesta sexta-feira (06/02) por suspeita de "viciar" crianças e
adolescentes é
a mais recente de uma série de embates que autoridades do bloco têm
protagonizado com gigantes americanas do ramo de tecnologia nos últimos anos.
As
agências reguladoras europeias apuram desde suspeitas de práticas
anticompetitivas e questões éticas associadas ao uso de inteligência artificial (IA) até violações
das regras sobre conteúdo online para as redes sociais.
Além da
ação contra o TikTok, recentemente a Comissão Europeia mirou também o
chatbot de IA Grok, do bilionário Elon Musk, por suspeita de disseminação de conteúdo
ilegal, como a geração de imagens falsas sexualizadas. A rede social X, também pertencente a Musk, foi
acusada de violar diversos artigos da Lei de Serviços Digitais (DSA, na sigla
em inglês) da União Europeia (UE).
Veja,
abaixo, quais grandes empresas estão sob a mira das autoridades europeias, e
por quê.
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Alphabet
A
Comissão Europeia anunciou em dezembro a abertura de uma investigação
antitruste para apurar se o Google, da Alphabet, estaria violando as
regras de concorrência da UE ao usar material online de publicadores de
conteúdo e da plataforma de vídeos YouTube para fins de inteligência
artificial, o que colocaria outros desenvolvedores de IA em
"desvantagem".
A
Comissão aplicou ao Google uma multa antitruste de 2,95 bilhões
de euros (R$ 15,4 bilhões) em 5 de setembro por práticas anticompetitivas em
seu negócio de tecnologia de publicidade.
Em
setembro de 2024, o Google venceu um recurso contra uma multa antitruste de
1,49 bilhão de euros imposta por prejudicar concorrentes em publicidade
de mecanismos de busca online.
Uma
semana antes, o Google perdera uma batalha contra uma multa de 2,42
bilhões de euros imposta há alguns anos pelos reguladores antitruste da UE, por
usar seu próprio serviço de comparação de preços para obter uma vantagem
injusta sobre concorrentes europeus menores.
Em
setembro de 2024, o regulador antitruste britânico concluiu provisoriamente que
o Google havia abusado de sua posição dominante na publicidade digital para
restringir a concorrência. Um mês antes, a agência havia iniciado investigações
sobre a colaboração da Alphabet e da Amazon com a startup de IA Anthropic.
Em
março de 2024, o órgão francês de defesa da concorrência afirmou ter multado o
Google em 250 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão) por violações relacionadas às
regras de propriedade intelectual da UE em suas relações com editores de mídia.
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Amazon
O órgão
antitruste da Alemanha proibiu a Amazon de impor um teto de preços a varejistas online
no mercado alemão e, pela primeira vez, reivindicou vários milhões de euros que
a empresa americana teria obtido através de comportamento anticompetitivo.
O
Tribunal Geral da União Europeia rejeitou em novembro um pedido da Amazon para
revogar sua designação como plataforma sujeita a requisitos mais rigorosos sob
as regras de conteúdo online da UE.
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Apple
A
agência reguladora de concorrências da Itália informou em dezembro que multou
a Apple e duas de suas
divisões em 98,6 milhões de euros (R$ 608 milhões) por suposto abuso de sua
posição dominante no mercado de aplicativos móveis.
Em
outubro de 2025, duas organizações de direitos civis apresentaram uma queixa aos reguladores antitruste da
UE sobre
os termos e condições da App Store e dos dispositivos da Apple.
No
mesmo mês, a Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido designou a
Apple e o Google como detentoras de "status de mercado estratégico",
o que confere à agência poderes para exigir alterações específicas.
Em
abril de 2025, a Apple foi multada em 500 milhões de euros e a Meta em 200
milhões de euros, sob a Lei dos Mercados Digitais (DMA)da UE. As autoridades
europeias entenderam que as duas empresas falharam com a sua obrigação de
oferecer aos consumidores opções de serviços que demandam menos dados pessoais
dos usuários.
Em
março do mesmo ano, a Apple perdeu um recurso contra uma avaliação regulatória
que a sujeita a controles mais rigorosos na Alemanha.
Em
setembro de 2024, a Apple perdeu a batalha contra uma ordem dos reguladores da
UE para pagar 13 bilhões de euros em impostos atrasados à Irlanda, como parte
de uma repressão mais ampla do bloco europeu contra acordos privilegiados.
Bruxelas
ainda multou a empresa em 1,84 bilhão de euros em março de 2024 por frustrar a concorrência de rivais no streaming de
música.
Em
julho de 2024, os reguladores europeus afirmaram que a Apple concordou em abrir
seu sistema de pagamentos móveis por aproximação a concorrentes para encerrar
uma investigação antitruste da UE.
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Meta
Em
dezembro, a Comissão Europeia abriu uma investigação antitruste contra a
Meta sobre o uso de recursos de IA no aplicativo de mensagens WhatsApp.
Em
novembro de 2024, a empresa de Mark Zuckerberg foi multada em 797,72 milhões de
euros por práticas abusivas que beneficiavam sua plataforma de comércio online
Facebook Marketplace e, em julho de 2024, foi acusada de descumprir a DMA em
seu novo modelo de publicidade paga ou com consentimento.
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Microsoft
Em
junho de 2024, a Comissão Europeia acusou a Microsoft de incluir
ilegalmente seu aplicativo de chat e vídeo Teams em sua suíte de aplicativos
Office.
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TikTok
Nesta
sexta-feira, os reguladores de tecnologia da UE acusaram a rede social de
empregar um "design viciante" para manter
usuários por mais tempo na plataforma, o que estaria prejudicando especialmente
crianças e adolescentes, e ameaçaram multar a empresa chinesa caso ela não tome
providências.
Em
outubro de 2025, a plataforma também foi acusada pela Comissão Europeia de,
junto com a Meta, descumprir seu dever de viabilizar a pesquisadores o acesso
adequado a dados públicos.
Em maio
do mesmo ano, o TikTok foi acusado de descumprir a determinação da DSA de
publicar um repositório de anúncios que permite que pesquisadores e usuários
detectem anúncios fraudulentos. A empresa evitou uma multa após prometer
concessões em termos de transparência.
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X (ex-Twitter)
A
polícia francesa revistou os escritórios da rede
social de
Elon Musk em 3 de fevereiro e os promotores ordenaram que o bilionário
respondesse a perguntas em uma investigação que está em andamento.
As
autoridades francesas investigam se o chatbot Grok estaria
disseminando conteúdo ilegal, como imagens sexualizadas manipuladas, na UE.
Pelo mesmo motivo, o Grok também está sob investigação das autoridades
europeias e britânicas.
Em
dezembro, o X foi multado em 120 milhões de euros pelos
reguladores de tecnologia da UE por violar regras de conteúdo online, sendo
esta a primeira sanção sob a Lei de Serviços Digitais.
Segundo
a Comissão Europeia, as infrações da empresa de Musk incluem "design
enganoso" de seu selo de verificação azul, falta de transparência de seu
repositório de publicidade e falta de acesso a dados públicos para
pesquisadores.
¨
Ultradireita se reúne na Europa contra regulação das
redes
Ataques
a regulações internacionais que miram o "discurso de ódio" dominaram
a pauta de um encontro no Parlamento Europeu que reuniu representantes da
ultradireita global. Sob o mote da liberdade de expressão, normas que exigem
moderação de conteúdo online foram classificadas pelos participantes como
instrumentos de censura.
Presentes
na Cúpula Transatlântica, ocorrida entre os dias 2 e 4 de fevereiro em
Bruxelas, estavam políticos, ativistas e representantes religiosos
ultraconservadores. Entre eles, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o
presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
"Quanto
mais se fala de direitos, mais se restringe a liberdade", afirmou Kast ao
pedir o fim dos "ismos" (feminismo, ambientalismo e indigenismo).
"Faço um chamado à unidade nacional nos temas fundamentais, defendendo
sempre a vida e a família", declarou à imprensa.
O
encontro foi organizado pelo grupo de ultradireita do Parlamento Europeu
Patriotas pela Europa, que agrega a sigla portuguesa Chega, a espanhola Vox e a húngara Fidesz. Também contribuiu o
grupo Reformistas e Conservadores Europeus, que inclui o partido da
primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
Levantamento
da ONG Projeto Global contra o Ódio e o Extremismo identificou entre os
convidados figuras públicas conhecidas, por exemplo, por apoiar terapia de
conversão para homossexuais e promover narrativas como a teoria xenófoba da "Grande
Substituição".
Um dos
presentes foi a parlamentar ugandense Lucy Akello, que apoiou uma legislação
que impõe pena de morte ou prisão perpétua a pessoas LGBT+. Convidado, o think
tank conservador americano Heritage Foundation defende a
"biologia real" e recomenda centros de reconversão para
homossexuais.
Houve
manifestações contrárias ao evento do lado de fora do Parlamento Europeu.
Eventos similares já ocorreram em Bogotá,
Madrid e na sede da ONU, em Nova York.
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Lei de Serviços Digitais vira alvo
Desta
vez, em Bruxelas, a Lei de Serviços Digitais da Europa (DSA,
na sigla em inglês) foi um dos principais alvos dos participantes. A regra de
2023 regula conteúdos online, exige que plataformas removam conteúdos que
violem normas do bloco e prevê a transparência de algoritmos que potencializam
a desinformação.
Foi sob
a DSA que países do bloco passaram a investigar e multar plataformas de redes
sociais. A Holanda, por exemplo, usou o dispositivo legal para verificar se
o Roblox tem falhado em cumprir regras para proteger
crianças e adolescentes de conteúdo violento e sexual. A regra também foi
central para a Comissão Europeia abrir uma investigação contra o chatbot de inteligência
artificial (IA) Grok, por geração de imagens falsas sexualizadas de mulheres.
Para os
presentes, tais regulamentações usam o combate ao discurso de ódio como
pretexto para praticar censura, uma vez que também são usadas para
restringir conteúdos tomados como desinformação. Em 2023, a norma foi
amplamente testada no processo eleitoral da Eslováquia para impedir a
disseminação de conteúdos falsos.
Para o
líder do Vox, Santiago Abascal, estão em risco a liberdade de expressão, os
valores culturais e a espiritualidade cristã. "Chamam-nos de homofóbicos,
fascistas, nazistas, mas nada disso nos define", disse. Ele acusa a UE de
tentar censurar movimentos conservadores por meio da DSA.
Outro
participante, o reitor da Universidade Católica da Costa Rica (UCAT), Fernando
Sánchez, defendeu em entrevista à DW que a compreensão sobre "discurso de
ódio" é "facilmente manipulável para atacar a posição do outro".
"Se nos dedicássemos mais a nos ouvir, com a humildade necessária para
ceder, tudo funcionaria melhor", disse.
Em
países do bloco, como a Alemanha, o discurso de ódio é delimitado juridicamente
e tomado como crime.
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Regulação no Brasil é criticada no evento
O DSA
inaugurou um marco legal na defesa de questões concorrenciais e de direito ao
consumidor na internet nos países europeus, e serviu de base para a discussão
do caso brasileiro.
Em
junho de 2025, o STF decidiu que as plataformas digitais podem ser
responsabilizadas civilmente
por postagens ilegais feitas pelos usuários, como ataques à democracia e
incitação à violência.
O
julgamento insta as big techs a agirem proativamente para
derrubar uma publicação ou uma conta, sem a necessidade de uma interferência do
Judiciário.
Em
agosto, o governo federal apresentou um projeto de lei que complementa o Marco
Civil da Internet e estabelece critérios mais claros para regulamentação das
redes sociais, mas sua tramitação deve demorar anos.
A
ofensiva brasileira pela responsabilização das redes levou os Estados Unidos a
abrirem uma investigação por práticas "desleais", e é criticada por
aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que entendem que as
cortes superiores censuram opositores.
Ao
Parlamento Europeu, Nikolas Ferreira afirmou que teve contas suspensas em 2022
após pedir investigações sobre a urna eletrônica, sem, segundo ele,
ter declarado fraude ou incitado violência. "Mesmo assim eu fui
censurado. Ficou claro que a questão não foi conteúdo, mas o direito de
questionar", disse.
À
época, Nikolas foi alvo da Justiça Eleitoral por publicação em que o argentino
Fernando Cerimedo alegava que urnas eletrônicas antigas
favoreciam Lula.
O próprio deputado chegou a afirmar que "simplesmente transcreveu o que o
argentino disse no Twitter". Denúncia posterior da Procuradoria-Geral
da República (PGR) ao STF contra Bolsonaro pela trama golpista afirmava que os
aliados do ex-presidente compartilharam o conteúdo para mobilizar manifestantes
em frente aos quartéis.
Nikolas
também criticou processos de que foi alvo por ter se manifestado nas
redes contra "banheiros unissex" nas escolas e
o monitoramento do Pix. Em ambos os casos,
governistas acionaram a Justiça contra o que entenderam como desinformação
propagada pelo deputado.
"Esses
episódios não são exceções, são parte de uma tentativa de controlar o debate
público sob o sedutor discurso da chamada regulação", afirmou ele no
evento.
¨ Elon Musk alerta: sem
inovações revolucionárias, EUA podem perder liderança em alta tecnologia para a
China
O
bilionário e empreendedor sul-africano Elon Musk alertou que, sem avanços
tecnológicos disruptivos, os Estados Unidos correm o risco de perder a
liderança em alta tecnologia, incluindo inteligência artificial (IA) e veículos
elétricos, para a China.
"Sem inovações
revolucionárias nos
EUA, a China dominará completamente no futuro", afirmou Musk em entrevista
aos blogueiros Dwarkesh Patel e John Collison, ao responder se a China se
tornará líder nos campos de IA, carros elétricos e robótica humanóide.
Musk
destacou que, segundo sua estimativa, a China produzirá três vezes mais
eletricidade neste ano do que os Estados Unidos, o que considerou um indicador
importante do poderio econômico do
país asiático.
Na
avaliação do executivo, os EUA são fortemente dependentes da China no
processamento de elementos de terras
raras que,
segundo ele, "nem são tão raros assim". De acordo com Musk, embora
esses materiais sejam extraídos nos Estados Unidos, são enviados à China para
beneficiamento e depois retornam ao país na forma de componentes para ímãs e
motores elétricos. Na opinião do empresário, esse fluxo evidencia a
vulnerabilidade estratégica dos Estados Unidos em tecnologias críticas.
Na
quinta-feira (5), o Departamento de Estado informou que, durante uma
conferência ministerial realizada em Washington na quarta-feira, os EUA
assinaram acordos ou memorandos de entendimento sobre minerais críticos com
outros 11 países.
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Musk afirma que somente robôs salvarão os EUA da falência por dívidas
O
bilionário Elon Musk afirmou nesta quinta-feira (5), em entrevista a um
podcast, que somente robôs e a inteligência artificial (IA) ajudarão os Estados
Unidos a evitar a falência devido à dívida nacional.
"Talvez
se eu dedicar algum tempo, possamos desacelerar a falência dos Estados Unidos e
dar-nos tempo suficiente para que a IA e os robôs ajudem a resolver a dívida
nacional", disse Musk em entrevista ao podcast Dwarkesh.
Ele
salientou que os pagamentos de juros ascendem a bilhões de dólares e excedem o
orçamento militar.
"Sem
inteligência artificial e robôs, temos 1000% de certeza de que iremos à
falência como país e fracassaremos como nação. Nada mais resolverá a dívida
nacional", acrescentou Musk.
Para o
bilionário, os Estados Unidos precisam de tempo suficiente para desenvolver a
inteligência artificial e os robôs necessários para não falirem antes disso.
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Pesadelo para Starlink? China desenvolve 1ª arma de micro-ondas com uma
potência de 20 GW
Os
cientistas chineses desenvolveram a primeira arma de micro-ondas do mundo com
uma potência de 20 gigawatts, capaz de operar continuamente durante um minuto e
atingir satélites Starlink em órbita terrestre baixa, avança o jornal South
China Morning Post.
"TPG1000Cs
é o primeiro gerador compacto do mundo para uma poderosa arma de
micro-ondas,
capaz de produzir 20 gigawatts de potência em um minuto", disse o jornal.
A
instalação compacta TPG1000Cs, com quatro metros de comprimento e um peso de
cinco toneladas, pode ser colocada em quaisquer portadores: caminhões, navios,
aviões, naves espaciais.
A arma
de micro-ondas é capaz de produzir e manter uma potência de 20 gigawatts
durante um minuto — enquanto para a destruição de um satélite em órbita
baixa,
como por exemplo o sistema Starlink, basta uma força de
radiação de um gigawatt, detalha o jornal.
Segundo
a mídia, atualmente os sistemas similares conhecidos podem trabalhar sem
paragens não mais do que três segundos e são muito maiores em tamanho.
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'Não querem confronto frontal': acadêmico revela que estratégia EUA escolheram
em relação à China
EUA
estão escolhendo uma estratégia de rivalidade controlada em confronto direto
com a China, por isso é provável que em 2026 o presidente dos EUA, Donald
Trump, possa visitar a China e o líder chinês Xi Jinping faça uma visita de
retorno, considera Aleksei Gromyko, diretor do Instituto da Europa da Academia
de Ciências da Rússia.
"Os
EUA não anseiam por um confronto frontal
com Pequim ou Moscou.
É claro que haverá pressão sobre eles, mas sem levar o caso a um confronto
militar direto. No entanto, essas são as três maiores forças nucleares do
planeta. Por isso, acho que em relação à China, como seu principal
concorrente no século XXI, os EUA estão escolhendo uma estratégia de
concorrência controlada",
disse Gromyko no centro de imprensa multimídia internacional Rossiya Segodnya.
O
especialista destacou que, em 2026, se tudo correr de acordo com o plano, Trump pode visitar
Pequim e
o líder chinês, os EUA.
Ao
mesmo tempo, a tentativa dos EUA de "separar" a Rússia da China é
insustentável, segundo o especialista.
"É
claro que a atração da China e da Rússia entre si será incomparavelmente maior
do que qualquer uma delas em relação aos EUA", disse Gromyko.
Fonte:Sputnik
Brasil/DW Brasil/Opera Mundi

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