Flávio
Bolsonaro arrasta a direita de SC para o extremo e isola Centrão
O
efeito Flávio Bolsonaro em Santa Catarina gerou um movimento que não estava
calculado quando o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda não havia se
lançado pré-candidato à presidência. Se antes o governador Jorginho Mello
planejava alianças com as forças do “Centrão” bolsonarista do Estado, agora ele
surpreendeu: buscou no Partido Novo seu principal ponto de apoio ao projeto de
reeleição e, com isso, arrastou seu bloco ainda mais para a direita.
Jorginho
Mello anunciou, na última semana, o prefeito de Joinville, Adriano Silva
(Novo), como seu candidato a vice. E tratou de dizer que a direita se uniu. Ao
fazer isso, expulsou do seu palanque o MDB, um dos partidos que davam
sustentação ao mandato de Jorginho e que tinha quase garantida a vaga de vice.
Mas um
“quase” é só um “quase”. Por conta da articulação, o MDB decidiu construir um
projeto independente, aberto também a outras alianças. Nessa conta, entra uma
improvável, mas não descartada união com o PT, que ainda procura um candidato
para chamar de seu que possibilite a corrida de Décio Lima, presidente do
Sebrae, ao Senado.
A
aposta é que a esquerda teria mais chances ao Senado competindo com uma direita
rachada nas candidaturas de Esperidião Amin (Progressistas), Carlos Bolsonaro
(PL) e Caroline de Toni (PL). A expectativa é que a direita divida os votos
entre os três, o que fortaleceria Lima e o PT na disputa.
O gesto
de Jorginho Mello ao atrair o Novo para o seu palanque também anula uma
liderança que vinha conquistando espaço no cenário regional. Adriano Silva se
reelegeu no primeiro turno como prefeito da cidade mais populosa e uma das mais
ricas de Santa Catarina. Ele era visto como fator-chave em pesquisas
pré-eleitorais que circulavam entre os partidos e foi cortejado também pelo
principal rival de Jorginho Mello hoje na disputa ao governo, o prefeito de
Chapecó, João Rodrigues (PSD).
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Fator Flávio
Assim
como na cena nacional, com a direita disputando espaço sem querer soltar a mão
do bolsonarismo, Santa Catarina também vive os impactos gerados pela prisão da
principal liderança do movimento radical.
João
Rodrigues defende a candidatura de Ratinho Junior, que participou do evento em
que lançou o nome ao governo, mas também
tem intensificado discursos extremistas, uma característica que sempre foi sua
marca. A candidatura, por ora, está isolada. Com o Novo aderindo ao projeto de
Jorginho, sobrou o MDB e a Federação União Progressistas para se somarem à
chapa, o que também não se imaginava há poucos dias, quando todos estavam no
palanque de Jorginho.
O
governador fez um cálculo arriscado, mas consciente: o anúncio da candidatura
de Flávio fortaleceu sua candidatura e também a base ideológica do PL no
Estado. Se antes ele estava cercando governadores de direita pensando na
candidatura de um deles, como Ronaldo Caiado (agora no PSD) e Tarcísio de
Freitas (Republicanos), hoje surfa no extremismo como em nenhum outro momento
do mandato.
Um
sinal disso foi a exposição consciente ao Supremo Tribunal Federal na sanção da
lei anticota, proposta por um dos deputados mais radicais da sua base, Alex
Brasil (PL) e referendada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
Jorginho sabia que a constitucionalidade da lei seria contestada e que isso lhe
renderia material eleitoral.
Nesta
sexta-feira, 30 de janeiro, o governador já “surfa” na polêmica que atrai
aplausos do seu nicho eleitoral, com um vídeo defendendo a sua argumentação na
Ação de Inconstitucionalidade que está na mesa do ministro Gilmar Mendes. No
texto assinado por ele e pelo procurador-geral, Marcelo Mendes, Jorginho aponta
que Santa Catarina “ostenta a maior proporção da população branca do país”.
Carlos Bolsonaro repostou o vídeo.
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Carlos Bolsonaro e de Toni
A
chegada de Flávio Bolsonaro para a corrida eleitoral também fortaleceu o irmão,
Carlos, que concorrerá a uma das vagas ao Senado pelo Estado. A outra, que
sempre esteve em disputa entre Caroline de Toni e Esperidião Amin, hoje está
mais perto da parlamentar do que do senador.
Mesmo
seguindo a cartilha bolsonarista, Amin pode ficar sem espaço na chapa de
Jorginho porque seu partido não está mais tão confirmado na festa do
governador. O abraço ao Novo de Adriano Silva foi um sinal claro de que, com
Flávio, os ventos e as nuvens tinham mudado.
• PL trai e encurrala Caroline de Toni
A
intervenção do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, na composição da chapa
ao Senado em Santa Catarina excluiu as chances de Caroline de Toni disputar a
vaga ao lado de Carlos Bolsonaro e é vista como mais uma peça movimentada no
xadrez nacional. Costa Neto busca a federação União-Progressistas de Antônio
Rueda e Ciro Nogueira como força aliada em palanques do Brasil, em gesto que
também sinaliza que os partidos podem compor com a candidatura de Flávio
Bolsonaro.
Presidente
da sigla em Santa Catarina, o governador e pré-candidato Jorginho Mello tenta
reverter o problema que ele mesmo criou. Desde o ano passado, Costa Neto vem
dizendo que Esperidião Amin (Progressistas) era uma opção sólida de composição,
mas Jorginho Mello começou a inviabilizar o projeto ao anunciar seu candidato a
vice: o prefeito de Joinville, Adriano Silva, do Novo. Com esse movimento,
entendido como uma reação de independência à direita, de Toni e Carlos
Bolsonaro seriam os candidatos em chapa pura agora dinamitada.
Pela
segunda vez em poucos meses, Caroline de Toni foi escanteada do palanque sem
sequer ter subido nele. Na primeira vez, sua movimentação gerou uma novela que
envolveu todos os filhos do ex-presidente em uma rixa pública com a deputada
estadual Ana Caroline Campagnolo (PL-SC).
De Toni
saiu em licença maternidade e deixou a poeira baixar, mas com a solução de
aliança de Jorginho com o Novo tudo parecia encaminhado, já que os partidos do
Centrão ficariam na geladeira ou teriam que recorrer ao PL sem poder de
barganha. Essa costura do governador causou embaraço ao MDB, que esperava ter o
candidato a vice, e ao Progressistas, que esperava o senado.
Para a
deputada federal sempre leal ao bolsonarismo, a medida de Valdemar foi um balde
de água fria. “Eu quero ficar no PL, mas eu não tenho outra opção. O Valdemar
falou claramente para mim: ‘não, Caroline, não vai ser chapa pura. E se o
Jorginho quiser chapa pura eu vou intervir no partido'”, disse a deputada em
entrevista a uma rádio do interior de Santa Catarina. Segundo a deputada, o
presidente nacional do PL mencionou os acordos em Brasília como a causa do
boicote.
Há
possíveis alianças a serem construídas em outros estados que mexem com o
cenário de Santa Catarina e do Brasil, que ainda não sabe quais siglas do
Centrão vão formalizar apoio ao projeto do PL. No Rio Grande do Sul, por
exemplo, o Progressistas deixou o governo Eduardo Leite e está acenando à
candidatura de Luciano Zucco (PL).
“Eu
acredito que envolva acordo em sete estados do Brasil”, pontuou a deputada. Ela
afirmou que o Progressistas não só teria pedido a vaga para Amin como
condicionado o acordo à garantia de que a parlamentar não disputasse ao senado.
Publicamente, Amin desconversou quando perguntado sobre o quebra cabeça e disse
que a chapa só seria definida entre julho e agosto.
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Encurralada
Ao
mesmo tempo, o PSD corre solto tanto no palanque nacional, com a empreitada de
Gilberto Kassab para definir uma candidatura entre Ratinho Junior, Ronaldo
Caiado ou Eduardo Leite, quanto em Santa Catarina, com a pré-candidatura de
João Rodrigues, prefeito de Chapecó.
O
partido já tentou aproximações com de Toni e ela mesma admitiu o convite que a
tiraria do palanque do aliado Flávio Bolsonaro. “Sair do PL é a única
alternativa que eu tenho se eu quiser ser candidata ao senado”, disse.
PRD,
Avante e Podemos ofereceram à De Toni a vaga e a presidência da sigla, segundo
ela. O Novo também ofereceu a disputa ao Senado, mas sua entrada no partido
quebraria o acordo de Valdemar, já que o Novo faz parte da aliança com
Jorginho. A parlamentar diz que é mais difícil aceitar os convites do MDB e do
PSD, o que indica sua intenção de não se afastar do bolsonarismo, nem da
candidatura de Flávio Bolsonaro.
Valdemar
conseguiu encurralar a deputada, já que ela dificilmente vai compor com
partidos com candidato próprio à presidência. Além disso, se o acordo com Amin
impedir que ela seja candidata ao senado, até mesmo o apoio a Jorginho Mello
pode ficar comprometido. Mesmo traída, a parlamentar se resignou e chegou a
agradecer Costa Neto pela “sinceridade” e pela transparência que deu aos
acordos que ele costura junto ao Centrão.
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Briga recomeça
A
sensação é de deja vu, mas a briga que agitou o bolsonarismo em 2025 recomeçou.
Michelle Bolsonaro voltou a defender a candidatura da amiga e aliada e foi
confrontada com indiretas pelo enteado Carlos Bolsonaro. “De tão surreal, eu
não acreditaria se não conhecesse”, escreveu, no X, requentando uma postagem
antiga em que também de forma subliminar criticava a madrasta por estar próxima
de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A
deputada estadual Ana Campagnolo, ferrenha defensora da chapa Caroline de Toni
e Esperidião Amin, também voltou a comentar o assunto. Dos Estados Unidos, fez
postagens reafirmando, com um vídeo de novembro de 2025, que nada havia mudado.
“Agora você sabe quem sempre lhe contou a verdade: EU”.
Ao
mesmo tempo, Carlos Bolsonaro fez uma sequência de posts com agendas pelo
estado, na tentativa de solidificar sua imagem junto a um eleitor cada vez mais
confuso com o xadrez montado pelo bolsonarismo em troca de apoio do Centrão. Na
legenda de uma foto, chamou Santa Catarina de “nosso Estado”, renegando o
estado e a cidade que lhe deram mandato por 25 anos, o Rio de Janeiro.
• Crise interna abala PL em Santa Catarina
A
deputada federal Caroline de Toni deixou o Partido Liberal (PL) nesta
quarta-feira (4). Ela tomou a decisão depois de descobrir que as duas vagas ao
Senado por Santa Catarina já tinham dono definido. Uma delas destinava-se a
Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A outra ficaria com um
nome indicado pela federação União Brasil-PP. No entanto, o episódio ganhou
contornos dramáticos quando Michelle Bolsonaro saiu em defesa aberta de De
Toni, desafiando diretamente o enteado.
Lideranças
próximas à deputada contam que ela recebeu a notícia de forma direta. A cúpula
nacional do PL, comandada por Valdemar Costa Neto, considerava o acordo
“irrevogável”. Além disso, a escolha seguia uma estratégia maior, traçada em
Brasília, sem ouvir as vozes do diretório catarinense.
Aliados
de De Toni interpretam o veto como uma exclusão deliberada. Eles acreditam que
o partido abriu mão de uma parlamentar com forte base eleitoral no estado
apenas para privilegiar o sobrenome Bolsonaro. Assim, a deputada, que construiu
carreira política sólida em Santa Catarina, viu-se afastada em nome de
interesses familiares.
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Michelle Bolsonaro intervém e expõe divisões familiares
Michelle
Bolsonaro, presidente nacional do PL Mulher, resolveu agir. Ela publicou fotos
ao lado de De Toni nas redes sociais e enviou mensagens claras de apoio. O
gesto, porém, caiu como uma bomba nos corredores do partido.
Nos
bastidores, muitos viram a atitude como um desafio direto a Carlos Bolsonaro. A
relação entre Michelle e o enteado já enfrenta tensões conhecidas dentro do
clã. Dessa forma, o apoio público escancarou rachas que normalmente ficam
escondidos. Dirigentes do PL admitem que a intervenção dificultou qualquer
tentativa de manter a imagem de união.
Carlos
Bolsonaro preferiu responder de forma indireta. Ele postou mensagens nas redes
que aliados interpretaram como recados internos. Já Valdemar Costa Neto optou
pelo silêncio público. Nos corredores, no entanto, ele reforça a aliados que a
aliança com União Brasil e PP permanece prioridade para as eleições de 2026.
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Direita catarinense sente os primeiros tremores
A saída
de De Toni provoca divisão imediata na base conservadora de Santa Catarina.
Parte dos eleitores bolsonaristas rejeita a ideia de uma candidatura
“importada” de fora do estado. Muitos deles tendem a seguir a deputada para
onde ela for. Outra parcela, porém, mantém lealdade ao clã Bolsonaro e aposta
na força do nome da família.
Aliados
do governador Jorginho Mello, também filiado ao PL, veem o episódio com
preocupação. Eles temem que o atrito gere barulho desnecessário e custe votos
em uma disputa que já se anuncia apertada. Afinal, Santa Catarina
tradicionalmente concentra forças da direita, e qualquer fragmentação pode
abrir espaço para adversários.
Fora do
PL, a deputada já conversa com outros partidos do espectro conservador e de
centro-direita. Ela busca manter protagonismo nas eleições de 2026, seja
disputando o Senado ou montando uma chapa forte. Lideranças de legendas rivais
reconhecem o potencial de De Toni. Elas avaliam que a parlamentar pode atrair
parcela significativa do eleitorado bolsonarista que se sente órfão no estado.
A
federação União Brasil-PP avança na escolha do segundo nome para o Senado. O
perfil buscado alia centro político e bom diálogo com o setor empresarial. Essa
costura atende à lógica nacional do PL, mas gera custo elevado em Santa
Catarina. A imposição vinda de Brasília ignora raízes locais e expõe
fragilidades na construção de alianças.
O caso
de Carol De Toni revela uma estratégia recorrente no bolsonarismo: a família
Bolsonaro prevalece sobre quadros regionais, mesmo quando isso provoca
divisões. Em Santa Catarina, a direita chega a 2026 mais fragmentada do que o
desejado. Assim, o episódio serve de alerta sobre os riscos de priorizar
lealdades pessoais em detrimento da coesão política necessária para enfrentar
desafios eleitorais futuros.
Fonte:
ICL Notícias/O Cafezinho

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