sábado, 7 de fevereiro de 2026

Diabetes: o que pode acontecer com o corpo quando falta insulina?

Quem vive com diabetes costuma ouvir que a insulina “controla o açúcar no sangue”.

No entanto, essa explicação não dá conta do que realmente acontece no organismo quando ela falta ou deixa de funcionar.

Na prática, a ausência de insulina impede que a glicose entre nas células. Como resultado, o açúcar se acumula no sangue, enquanto músculos, cérebro e outros tecidos ficam sem combustível.

Nesse contexto, o corpo interpreta a situação como um estado de jejum extremo, mesmo diante de glicemias muito elevadas.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, esse desequilíbrio metabólico é o ponto de partida para uma série de reações que, se não forem interrompidas, podem evoluir de forma grave.

<><> O que o organismo faz quando não consegue usar a glicose

Sem acesso à glicose, o corpo ativa mecanismos de emergência. Um deles é a quebra acelerada de gordura para produzir energia alternativa.

Além disso, o fígado passa a liberar ainda mais glicose na corrente sanguínea, acreditando que o organismo está em privação energética. Portanto, a hiperglicemia se intensifica.

Enquanto isso, a degradação de gordura gera substâncias ácidas chamadas corpos cetônicos. Em pequenas quantidades, o corpo consegue lidar com elas.

No entanto, quando a produção é excessiva, o sangue começa a perder seu equilíbrio químico.

“É um processo progressivo, silencioso no início, mas potencialmente fatal se não for reconhecido”, explica a endocrinologista Denise Franco, especialista em diabetes.

<><> Quando o desequilíbrio metabólico se torna uma emergência

É nesse ponto que entra um dos quadros mais temidos do diabetes: a cetoacidose diabética.

De acordo com o consenso clássico publicado por Kitabchi et al., na revista Diabetes Care, a cetoacidose ocorre quando três fatores se combinam: hiperglicemia persistente, acúmulo de corpos cetônicos e acidose metabólica.

O estudo, intitulado “Hyperglycemic Crises in Adult Patients With Diabetes”, foi publicado em 2009 e segue sendo uma das principais referências internacionais sobre o tema.

Os autores destacam que a falta absoluta ou relativa de insulina é o fator central do problema, especialmente no diabetes tipo 1, mas não exclusivo desse grupo.

<><> Sintomas que indicam que algo saiu do controle

A progressão da cetoacidose não costuma ser súbita.

No entanto, os sinais se tornam cada vez mais evidentes à medida que o desequilíbrio avança.

Entre os sintomas mais relatados estão:

•        sede intensa e urina frequente

•        náuseas e vômitos persistentes

•        dor abdominal

•        cansaço extremo

•        respiração rápida e profunda

Em fases mais avançadas, surgem confusão mental, sonolência e risco de coma.

Segundo atualização publicada por Umpierrez et al., também na Diabetes Care (2022), o atraso no diagnóstico ainda é um dos principais fatores associados a desfechos graves.

<><> Quem está mais exposto ao risco

Embora seja mais frequente no diabetes tipo 1, a cetoacidose diabética também pode ocorrer em pessoas com diabetes tipo 2.

Isso é descrito tanto nos consensos da American Diabetes Association quanto nas diretrizes brasileiras.

Os principais gatilhos incluem:

•        interrupção ou falha no uso da insulina

•        infecções agudas

•        diagnóstico recente de diabetes

•        dificuldade de acesso a medicamentos

•        situações de estresse metabólico intenso

Nesse cenário, a Sociedade Brasileira de Diabetes reforça que educação em saúde e monitorização regular são estratégias-chave de prevenção.

<><> O que a ciência já sabe e onde ainda existem lacunas

Estudos observacionais mostram que protocolos hospitalares padronizados reduziram significativamente a mortalidade por cetoacidose diabética nas últimas décadas.

Ainda assim, os próprios autores reconhecem limitações.

Grande parte das evidências vem de centros especializados, o que não reflete a realidade de regiões com acesso restrito à saúde.

Além disso, fatores sociais e econômicos seguem subestimados nos modelos de risco.

Portanto, apesar do avanço científico, a prevenção continua dependendo de informação clara, acompanhamento contínuo e acesso garantido à insulina.

<><> O impacto prático para quem vive com diabetes

Compreender o que acontece quando falta insulina muda decisões do dia a dia.

Isso inclui não suspender o tratamento por conta própria, intensificar a vigilância durante infecções e procurar ajuda ao perceber sinais fora do habitual.

Mais do que um conceito técnico, a falta de insulina é um alerta clínico.

Reconhecer seus efeitos precocemente pode evitar internações longas e consequências graves.

•        Insulina inalável: entenda por que a agência regulatória dos EUA muda recomendações após novos estudos

A forma de usar a insulina inalável no tratamento do diabetes mudou nos Estados Unidos. A agência regulatória do país revisou a dose inicial após novos estudos clínicos. Nesse contexto, a decisão ajuda a explicar por que muitos pacientes não atingiam o controle esperado da glicose.

>>> O que é a insulina inalável

A insulina inalável é uma insulina de ação ultrarrápida usada nas refeições. Em vez de injeções, o paciente administra o medicamento por inalação, com um dispositivo próprio.

Após a inalação, a insulina entra rapidamente na corrente sanguínea pelos pulmões. Por isso, o efeito ocorre em poucos minutos e acompanha a elevação da glicose após a alimentação.

Atualmente, a Afrezza é o principal exemplo desse tipo de insulina nos Estados Unidos. Ela atende adultos com diabetes tipo 1 ou tipo 2 que usam insulina nas refeições.

>>> Por que a dose inicial gerava problemas

Quando as autoridades aprovaram a insulina inalável, médicos adotaram uma conversão direta da insulina injetável. Ou seja, a orientação sugeria trocar a injeção por uma dose equivalente inalável.

No entanto, a prática clínica mostrou outro resultado. Com o tempo, muitos profissionais observaram controle insuficiente da glicose após as refeições.

Como consequência, vários pacientes apresentaram picos glicêmicos, mesmo seguindo a prescrição. Por outro lado, muitos atribuíram o problema ao medicamento.

>>>> O que mostraram os novos estudos

<><> Dados mais claros sobre a dose

O estudo clínico INHALE-3, publicado na revista Diabetes Care, avaliou estratégias diferentes de dose. Os pesquisadores analisaram o impacto direto na glicose após as refeições.

Os resultados indicaram que a conversão 1 para 1 não funcionava em muitos casos. Assim, os autores questionaram o modelo inicial de prescrição.

<><> O que muda na recomendação

Com base nos dados, a orientação passou a indicar uma dose inicial maior. Na prática, a recomendação sugere iniciar com cerca do dobro da dose injetável anterior.

Ainda assim, cada pessoa responde de forma diferente. Portanto, o médico deve ajustar a dose de forma individual.

<><> Impacto prático para quem vive com diabetes

Essa mudança ajuda a entender por que muitos pacientes abandonaram a insulina inalável no passado. Em vários casos, a dose inicial inadequada comprometeu os resultados.

Com a nova orientação, cresce a chance de melhor controle da glicose após as refeições. Ao mesmo tempo, especialistas reforçam que a insulina inalável não substitui a insulina basal.

Ou seja, o tratamento continua exigindo acompanhamento médico e ajustes regulares.

<><> A insulina inalável no Brasil

A insulina inalável já foi vendida no Brasil, mas acabou descontinuada. Entre os fatores estavam baixa adesão, custo elevado e resultados abaixo do esperado.

Nesse cenário, a atualização nos Estados Unidos traz uma reflexão importante. Parte das dificuldades do passado pode ter relação direta com estratégias de dose hoje consideradas inadequadas.

<><> Limitações e cuidados no uso

Apesar dos avanços, a insulina inalável não atende todos os pacientes. Existem restrições claras que precisam de atenção.

<><> Pontos importantes

1.       Pessoas com doenças pulmonares não devem usar esse tipo de insulina.

2.       O médico precisa solicitar exames de função pulmonar regularmente.

3.       No diabetes tipo 1, o paciente deve manter a insulina basal.

Além disso, os estudos reconhecem limitações nos dados disponíveis. Por isso, o acompanhamento médico segue indispensável.

<><> O que essa decisão representa

A revisão das recomendações mostra como o tratamento do diabetes evolui com novas evidências. À medida que surgem dados mais robustos, diretrizes antigas precisam de ajustes.

Nesse sentido, a mudança não representa uma revolução. Ainda assim, ela reforça a importância da atualização constante na prática clínica.

 

Fonte: Um Diabético

 

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