Diabetes:
o que pode acontecer com o corpo quando falta insulina?
Quem
vive com diabetes costuma ouvir que a insulina “controla o açúcar no sangue”.
No
entanto, essa explicação não dá conta do que realmente acontece no organismo
quando ela falta ou deixa de funcionar.
Na
prática, a ausência de insulina impede que a glicose entre nas células. Como
resultado, o açúcar se acumula no sangue, enquanto músculos, cérebro e outros
tecidos ficam sem combustível.
Nesse
contexto, o corpo interpreta a situação como um estado de jejum extremo, mesmo
diante de glicemias muito elevadas.
Segundo
a Sociedade Brasileira de Diabetes, esse desequilíbrio metabólico é o ponto de
partida para uma série de reações que, se não forem interrompidas, podem
evoluir de forma grave.
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O que o organismo faz quando não consegue usar a glicose
Sem
acesso à glicose, o corpo ativa mecanismos de emergência. Um deles é a quebra
acelerada de gordura para produzir energia alternativa.
Além
disso, o fígado passa a liberar ainda mais glicose na corrente sanguínea,
acreditando que o organismo está em privação energética. Portanto, a
hiperglicemia se intensifica.
Enquanto
isso, a degradação de gordura gera substâncias ácidas chamadas corpos
cetônicos. Em pequenas quantidades, o corpo consegue lidar com elas.
No
entanto, quando a produção é excessiva, o sangue começa a perder seu equilíbrio
químico.
“É um
processo progressivo, silencioso no início, mas potencialmente fatal se não for
reconhecido”, explica a endocrinologista Denise Franco, especialista em
diabetes.
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Quando o desequilíbrio metabólico se torna uma emergência
É nesse
ponto que entra um dos quadros mais temidos do diabetes: a cetoacidose
diabética.
De
acordo com o consenso clássico publicado por Kitabchi et al., na revista
Diabetes Care, a cetoacidose ocorre quando três fatores se combinam:
hiperglicemia persistente, acúmulo de corpos cetônicos e acidose metabólica.
O
estudo, intitulado “Hyperglycemic Crises in Adult Patients With Diabetes”, foi
publicado em 2009 e segue sendo uma das principais referências internacionais
sobre o tema.
Os
autores destacam que a falta absoluta ou relativa de insulina é o fator central
do problema, especialmente no diabetes tipo 1, mas não exclusivo desse grupo.
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Sintomas que indicam que algo saiu do controle
A
progressão da cetoacidose não costuma ser súbita.
No
entanto, os sinais se tornam cada vez mais evidentes à medida que o
desequilíbrio avança.
Entre
os sintomas mais relatados estão:
• sede intensa e urina frequente
• náuseas e vômitos persistentes
• dor abdominal
• cansaço extremo
• respiração rápida e profunda
Em
fases mais avançadas, surgem confusão mental, sonolência e risco de coma.
Segundo
atualização publicada por Umpierrez et al., também na Diabetes Care (2022), o
atraso no diagnóstico ainda é um dos principais fatores associados a desfechos
graves.
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Quem está mais exposto ao risco
Embora
seja mais frequente no diabetes tipo 1, a cetoacidose diabética também pode
ocorrer em pessoas com diabetes tipo 2.
Isso é
descrito tanto nos consensos da American Diabetes Association quanto nas
diretrizes brasileiras.
Os
principais gatilhos incluem:
• interrupção ou falha no uso da insulina
• infecções agudas
• diagnóstico recente de diabetes
• dificuldade de acesso a medicamentos
• situações de estresse metabólico intenso
Nesse
cenário, a Sociedade Brasileira de Diabetes reforça que educação em saúde e
monitorização regular são estratégias-chave de prevenção.
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O que a ciência já sabe e onde ainda existem lacunas
Estudos
observacionais mostram que protocolos hospitalares padronizados reduziram
significativamente a mortalidade por cetoacidose diabética nas últimas décadas.
Ainda
assim, os próprios autores reconhecem limitações.
Grande
parte das evidências vem de centros especializados, o que não reflete a
realidade de regiões com acesso restrito à saúde.
Além
disso, fatores sociais e econômicos seguem subestimados nos modelos de risco.
Portanto,
apesar do avanço científico, a prevenção continua dependendo de informação
clara, acompanhamento contínuo e acesso garantido à insulina.
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O impacto prático para quem vive com diabetes
Compreender
o que acontece quando falta insulina muda decisões do dia a dia.
Isso
inclui não suspender o tratamento por conta própria, intensificar a vigilância
durante infecções e procurar ajuda ao perceber sinais fora do habitual.
Mais do
que um conceito técnico, a falta de insulina é um alerta clínico.
Reconhecer
seus efeitos precocemente pode evitar internações longas e consequências
graves.
• Insulina inalável: entenda por que a
agência regulatória dos EUA muda recomendações após novos estudos
A forma
de usar a insulina inalável no tratamento do diabetes mudou nos Estados Unidos.
A agência regulatória do país revisou a dose inicial após novos estudos
clínicos. Nesse contexto, a decisão ajuda a explicar por que muitos pacientes
não atingiam o controle esperado da glicose.
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O que é a insulina inalável
A
insulina inalável é uma insulina de ação ultrarrápida usada nas refeições. Em
vez de injeções, o paciente administra o medicamento por inalação, com um
dispositivo próprio.
Após a
inalação, a insulina entra rapidamente na corrente sanguínea pelos pulmões. Por
isso, o efeito ocorre em poucos minutos e acompanha a elevação da glicose após
a alimentação.
Atualmente,
a Afrezza é o principal exemplo desse tipo de insulina nos Estados Unidos. Ela
atende adultos com diabetes tipo 1 ou tipo 2 que usam insulina nas refeições.
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Por que a dose inicial gerava problemas
Quando
as autoridades aprovaram a insulina inalável, médicos adotaram uma conversão
direta da insulina injetável. Ou seja, a orientação sugeria trocar a injeção
por uma dose equivalente inalável.
No
entanto, a prática clínica mostrou outro resultado. Com o tempo, muitos
profissionais observaram controle insuficiente da glicose após as refeições.
Como
consequência, vários pacientes apresentaram picos glicêmicos, mesmo seguindo a
prescrição. Por outro lado, muitos atribuíram o problema ao medicamento.
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O que mostraram os novos estudos
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Dados mais claros sobre a dose
O
estudo clínico INHALE-3, publicado na revista Diabetes Care, avaliou
estratégias diferentes de dose. Os pesquisadores analisaram o impacto direto na
glicose após as refeições.
Os
resultados indicaram que a conversão 1 para 1 não funcionava em muitos casos.
Assim, os autores questionaram o modelo inicial de prescrição.
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O que muda na recomendação
Com
base nos dados, a orientação passou a indicar uma dose inicial maior. Na
prática, a recomendação sugere iniciar com cerca do dobro da dose injetável
anterior.
Ainda
assim, cada pessoa responde de forma diferente. Portanto, o médico deve ajustar
a dose de forma individual.
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Impacto prático para quem vive com diabetes
Essa
mudança ajuda a entender por que muitos pacientes abandonaram a insulina
inalável no passado. Em vários casos, a dose inicial inadequada comprometeu os
resultados.
Com a
nova orientação, cresce a chance de melhor controle da glicose após as
refeições. Ao mesmo tempo, especialistas reforçam que a insulina inalável não
substitui a insulina basal.
Ou
seja, o tratamento continua exigindo acompanhamento médico e ajustes regulares.
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A insulina inalável no Brasil
A
insulina inalável já foi vendida no Brasil, mas acabou descontinuada. Entre os
fatores estavam baixa adesão, custo elevado e resultados abaixo do esperado.
Nesse
cenário, a atualização nos Estados Unidos traz uma reflexão importante. Parte
das dificuldades do passado pode ter relação direta com estratégias de dose
hoje consideradas inadequadas.
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Limitações e cuidados no uso
Apesar
dos avanços, a insulina inalável não atende todos os pacientes. Existem
restrições claras que precisam de atenção.
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Pontos importantes
1. Pessoas com doenças pulmonares não devem
usar esse tipo de insulina.
2. O médico precisa solicitar exames de
função pulmonar regularmente.
3. No diabetes tipo 1, o paciente deve
manter a insulina basal.
Além
disso, os estudos reconhecem limitações nos dados disponíveis. Por isso, o
acompanhamento médico segue indispensável.
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O que essa decisão representa
A
revisão das recomendações mostra como o tratamento do diabetes evolui com novas
evidências. À medida que surgem dados mais robustos, diretrizes antigas
precisam de ajustes.
Nesse
sentido, a mudança não representa uma revolução. Ainda assim, ela reforça a
importância da atualização constante na prática clínica.
Fonte:
Um Diabético

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