quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

A expectativa e a política: poder, linguagem e disputa pelo futuro

A noção de expectativa ocupa lugar central na compreensão das dinâmicas sociais e políticas contemporâneas. Conceitualmente, expectativa pode ser entendida como o estado de antecipação de algo que se deseja ou que se julga provável de acontecer, envolvendo esperança, projeção e cálculo de possibilidades. Trata-se de uma disposição orientada para o futuro, sustentada por promessas, probabilidades e narrativas que organizam a ação individual e coletiva. Não por acaso, o conceito atravessa diferentes campos do conhecimento — da economia à sociologia, da demografia à filosofia política — sempre associado à ideia de um futuro ainda não realizado.

A política, por sua vez, pode ser compreendida como a arte ou a ciência de governar, organizar e administrar sociedades marcadas pela pluralidade, pelo conflito e por interesses divergentes. Em uma acepção mais realista, ela se configura como o espaço permanente de disputa pelo poder e pelos meios de conquistá-lo, exercê-lo e mantê-lo. Nessa perspectiva, a política não se limita à formulação de normas ou à gestão administrativa do Estado, mas opera fundamentalmente no plano simbólico e discursivo: constrói narrativas, mobiliza símbolos, formula promessas e emula expectativas sociais como elemento central de adesão e legitimação.

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É precisamente nesse ponto que expectativa e política se entrelaçam de modo estrutural. O poder político se alimenta da expectativa, pois o que move a roda da história não é o já concretizado — que pertence ao passado e funciona apenas como referência —, mas o projetado, o desejado, aquilo que se promete realizar. A disputa pelo poder opera, essencialmente, no campo do futuro. São as imagens do que poderá ser que credenciam os postulantes ao poder junto ao eleitorado: elas delimitam horizontes de possibilidade, organizam percepções coletivas e sustentam a pretensão de conduzir a sociedade em direção a esse porvir.

Essa relação, entretanto, encerra um risco inerente. Se a expectativa se define como antecipação de algo desejado, o discurso político tende a transitar por um terreno instável, no qual a fronteira entre o possível, o provável e o ilusório se torna difusa. Nesse contexto, a eficácia retórica pode se sobrepor ao compromisso com a verdade factual, abrindo espaço para práticas de simulação e dissimulação. O discurso político deixa, então, de atuar como mediação racional dos conflitos e passa a funcionar como técnica de captura das expectativas coletivas.

É nesse ambiente que se consolidam fenômenos como as fake news e a chamada pós-verdade. Não se trata da simples negação dos fatos, mas da produção de circunstâncias nas quais informações objetivamente verificáveis perdem centralidade na formação da opinião pública, sendo substituídas por apelos emocionais, crenças pessoais ou identidades políticas previamente estruturadas. A expectativa social, em vez de se orientar por diagnósticos racionais e projetos consistentes, converte-se em instrumento de manipulação política.

Em períodos eleitorais, essa problemática assume contornos ainda mais sensíveis. O processo democrático passa a ser tensionado pelo risco de que a expectativa coletiva seja artificialmente inflada, distorcida ou instrumentalizada como mecanismo de legitimação de projetos autoritários ou personalistas. O desafio central consiste em impedir que o jogo da simulação e da dissimulação capture o debate público e comprometa a qualidade da escolha democrática.

O enfrentamento desse desafio não implica — nem poderia implicar — a eliminação da expectativa do campo político, algo ao mesmo tempo impossível e indesejável. O que se impõe é sua recondução a um patamar ético e democrático. As expectativas sociais não podem ser reduzidas a objetos de manipulação pela arte retórica ou por estratégias discursivas dissociadas da realidade e do interesse público. A expectativa dos brasileiros não pode servir como instrumento de engano nem como pretexto para o exercício do poder pelo poder.

Ao contrário, a expectativa deve constituir o motor de uma política orientada pela responsabilidade, pela racionalidade pública e pela centralidade do bem comum. Uma política comprometida com a luta contra o autoritarismo, com o fortalecimento das instituições democráticas e com a construção de um futuro que não seja fruto de ilusões fabricadas, mas de escolhas conscientes, informadas e coletivamente deliberadas. Nesse sentido, resgatar a dimensão ética da expectativa é condição indispensável para a preservação da democracia e para assegurar que o futuro do Brasil esteja efetivamente a serviço de seu povo.

        Lula diz a Trump que América Latina é zona de paz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que deixou claro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que a América Latina deve ser tratada como uma “zona de paz” e não como palco para conflitos ou imposições unilaterais. A declaração foi feita em meio à escalada de tensões entre Washington e Caracas e reforça a posição histórica do Brasil em defesa da diplomacia e da solução pacífica de controvérsias.

As declarações foram publicadas pela Agência Brasil, que relatou o teor das falas de Lula durante um discurso em Belo Horizonte, nesta quinta-feira (11), no lançamento da caravana federativa em Minas Gerais.

Ao comentar a conversa telefônica que teve com Donald Trump no início do mês, Lula criticou de forma direta o que classificou como “unilateralismo” da política externa norte-americana. Segundo o presidente brasileiro, essa postura se baseia na lógica da força e não do diálogo. “O unilateralismo que o presidente Trump deseja é que aquele mais forte determine o que os outros vão fazer. É sempre a lei do mais forte”, afirmou.

<><> "Não queremos guerra"

Lula relatou que falou “muito” com o presidente dos Estados Unidos, inicialmente sobre as negociações para a retirada da sobretaxa imposta pelo governo norte-americano a produtos brasileiros, mas aproveitou o contato para expressar preocupação com a crise envolvendo a Venezuela. “Eu falei ao Trump que nós não queremos guerra na América Latina. Nós somos uma zona de paz”, destacou.

Segundo o presidente, Trump mencionou o poder bélico dos Estados Unidos durante a conversa. Lula, no entanto, fez questão de contrapor essa visão, enfatizando que acredita mais na força da palavra do que no uso das armas. Para ele, a diplomacia deve ser o caminho central para evitar a escalada de conflitos na região.

Vamos tentar utilizar a palavra como instrumento de convencimento, de persuasão, para a gente fazer as coisas certas. Vamos acreditar que a palavra, diplomaticamente, é a coisa mais forte para resolver os problemas”, defendeu o presidente brasileiro, reforçando que as vias diplomáticas precisam estar permanentemente acionadas.

O contexto das declarações envolve o agravamento da tensão entre Estados Unidos e Venezuela. Na quarta-feira (10), o governo venezuelano classificou como “roubo descarado” e ato de pirataria a apreensão de um petroleiro do país por militares norte-americanos em águas internacionais. O navio transportava cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo.

<><> Saque de recursos

Em nota oficial, o governo de Nicolás Maduro afirmou que a ação faz parte de uma política deliberada de agressão e saque de recursos energéticos. “A política de agressão contra nosso país responde a um plano deliberado de saque de nossas riquezas energéticas”, declarou o governo venezuelano.

As declarações foram publicadaz pela Agência Brasil, que relatou o teor das falas de Lula durante um discurso em Belo Horizonte, nesta quinta-feira (11), no lançamento da caravana federativa em Minas Gerais. reiterando que a América Latina deve permanecer como uma região comprometida com a paz e o diálogo.

 

Fonte: Por João Antonio da Silva Filho, em Brasil 247

 

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